terça-feira, dezembro 16, 2025

‘Ele esqueceu que é ex-presidente’: líder do MDB expõe fissura entre Lira e Motta


Moraes manda iniciar extradição de Alexandre Ramagem após fuga para os EUA


Deputado federal deixou o Brasil em setembro,

Márcio Falcão
Gustavo Garcia
G1

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Secretaria Judiciária da Corte que dê início ao processo de extradição do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que fugiu em setembro para os Estados Unidos.

O aliado de Jair Bolsonaro deixou o Brasil no mês em que a Primeira Turma do STF condenou o deputado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

EXTRADIÇÃO – “Determino à Secretaria Judiciária que remeta ao Ministério da Justiça e Segurança Pública os documentos necessários para formalizar o pedido de extradição de Alexandre Ramagem, nos termos do Tratado de Extradição com os Estados Unidos da América”, diz o despacho de Moraes.

A área técnica do STF vai preparar todo o material sobre o processo que levou à condenação do deputado. Os documentos serão enviados ao Ministério da Justiça, que fica responsável por analisar a documentação, verificar os requisitos legais do tratado de extradição entre Brasil e EUA e preparar o pedido.

Depois, cabe ao Ministério das Relações Exteriores formalizar e encaminhar o pedido de extradição pela via diplomática ao governo dos Estados Unidos. Aliados de Ramagem, no entanto, dizem que ele deve pedir asilo político no país norte-americano.

CLANDESTINO – De acordo com investigações da Polícia Federal, Ramagem saiu do país de forma clandestina pela fronteira do Brasil com a Guiana. Segundo as apurações, Ramagem atravessou a fronteira pelo estado de Roraima, onde já atuou como delegado, sem passar por nenhum posto migratório.

No país vizinho, Ramagem embarcou no Aeroporto de Georgetown, na capital da Guiana, com destino aos Estados Unidos, onde entrou utilizando passaporte diplomático, apesar de uma determinação para o cancelamento do documento.


Pesquisa Quaest mostra Lula 10 pontos à frente de Flávio Bolsonaro e Tarcísio em 2026



Perícia médica oficial em Bolsonaro reforça princípio da imparcialidade, destaca especialista

Perícia médica oficial em Bolsonaro reforça princípio da imparcialidade, destaca especialista
“O perito oficial atua como auxiliar da Justiça, com compromisso técnico isento e fundamentado em evidências”
 

O ex-presidente Jair Bolsonaro passará por perícia médica oficial nesta quarta-feira (17), conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A avaliação será conduzida pelo corpo técnico da Polícia Federal, com objetivo de verificar a real necessidade das cirurgias solicitadas pela defesa.
 

A decisão atende ao pedido dos advogados de Bolsonaro, que alegam dor por hérnia inguinal e soluços persistentes, mas reconhece que os laudos apresentados são antigos – o mais recente data de três meses atrás – e, portanto, não refletem sua condição atual.
 

De acordo com a médica Caroline Daitxespecialista em medicina legal e perícia médica, essa medida reforça o princípio de que, para a Justiça, só tem validade a “fotografia do momento”, com documentos atualizados e produzidos por peritos oficiais. O uso de laudos antigos pode distorcer a avaliação técnica, impactando decisões judiciais relativas à saúde e regime de cumprimento de pena.
 

A médica esclarece que a decisão de recorrer ao corpo técnico da Polícia Federal fortalece a credibilidade e a imparcialidade do processo. Para ela, o perito oficial, diferentemente do médico assistente da parte interessada, atua como auxiliar da Justiça, com compromisso técnico isento e fundamentado em evidências.
 

A perita enfatiza que “a premissa número um, a regra de ouro, a alma da perícia médica é a imparcialidade”. O perito analisa documentos, examina o periciando e responde objetivamente aos quesitos técnicos, sem influência de ideologia, pressões midiáticas ou comoção social. O resultado é um laudo técnico frio, mas confiável. Esse documento — longe de ser parcial — confere segurança ao juiz para decisões equilibradas. “Um laudo parcial contamina o processo. Um laudo imparcial ilumina.”, afirma.
 

Segundo a especialista, “para nós, médicos, o ponto principal não é político. Trata-se da essência do nosso trabalho como peritos. A perícia médica é um pilar da justiça, e a imparcialidade não é só desejável — é condição de existência do ato pericial.”
 

Daitx também destaca o desafio enfrentado por peritos que atuam em casos de grande repercussão: “manter-se neutro mesmo sob pressão intensa. A substituição de relatórios médicos por perícia oficial promove maior transparência, integridade e confiança no sistema judicial, valorizando a verdade técnica como instrumento de justiça”, enfatiza a pertita.
 

Fonte: Caroline Daitx: médica especialista em medicina legal e perícia médica. Possui residência em Medicina Legal e Perícia Médica pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como médica concursada na Polícia Científica do Paraná e foi diretora científica da Associação dos Médicos Legistas do Paraná. Pós-graduada em gestão da qualidade e segurança do paciente. Atua como médica perita particular, promove cursos para médicos sobre medicina legal e perícia médica. CEO do Centro Avançado de Estudos Periciais (CAEPE), Perícia Médica Popular e Medprotec. Autora do livro “Alma da Perícia”. Doutoranda do departamento de patologia forense da USP Ribeirão Preto.

Caroline Daitx: crédito Moniz Caldas

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Impacto das tarifas dos EUA redefine a tilapicultura brasileira e acelera transformações para os próximos anos

 




Impacto das tarifas dos EUA redefine a tilapicultura brasileira e acelera transformações para os próximos anos

Por Juliano Kubitza, médico-veterinário pela Universidade de São Paulo, especialista em finanças pela Fundação Getúlio Vargas e diretor da Fider Pescados

2025 trouxe uma combinação inédita de desafios para a piscicultura brasileira: mudanças bruscas no comércio internacional, dinâmica interna de preços que surpreendeu o mercado, avanços sanitários impulsionados por necessidades e urgência de diversificar destinos da nossa produção.

Foi um ano intenso, que exigiu adaptação rápida, reposicionamento estratégico e visão mais ampla sobre o papel do Brasil nesse setor em expansão. A produção de tilápia, especificamente, entrou em 2025 com altas expectativas e o encerra com aprendizados que devem moldar o ritmo de crescimento no futuro próximo.

Entre esses desafios, a virada mais expressiva veio, evidentemente, das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O salto de cerca de 10% para 50% nas taxas de importação alterou a rota natural de expansão brasileira no país que tem demanda elevada, produção interna insuficiente e alto poder de compra. O impacto foi imediato: a participação do Brasil caiu de aproximadamente 5% para perto de 3% no total das importações norte-americanas. Essa reação reforçou a necessidade de rever a estratégia, colocando a diversificação novamente no centro da agenda da cadeia produtiva.

Para além dos EUA, o setor precisou revisitar seu mapa de oportunidades globais. A análise dos mercados evidenciou que cada destino oferece limites e possibilidades distintas – e que, nenhum deles, isoladamente, substitui o potencial norte-americano. A China, por exemplo, apesar de ser um dos maiores consumidores mundiais de pescado, é autossuficiente e mantém barreiras práticas para importadores. Já o Canadá, mesmo com elevado poder aquisitivo, apresenta hábitos de consumo mais restritos. Diante desse quadro, a União Europeia surge como alternativa mais promissora, enquanto a prospecção de novos mercados se torna essencial para sustentar o ritmo de crescimento da produção brasileira.

No mercado interno, os efeitos também foram diferentes do esperado. Em vez de queda, os preços seguiram em alta, mesmo diante de um fluxo menor de exportações. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), a tilápia fechou novembro a R$ 9,29 o quilo, acima dos R$ 8,02/kg registrados logo após o anúncio das tarifas e dos R$ 7,75/kg do fim de 2024. Isso mostra que a oferta não é grande o suficiente para provocar desvalorização significativa, reforçando que o Brasil está apenas começando sua trajetória como produtor e exportador relevante.

Ao mesmo tempo, 2025 estimulou avanços importantes na área sanitária: práticas de biosseguridade mais robustas, fortalecimento dos protocolos de imunidade, uso crescente de vacinas e de nutracêuticos e investimentos em manejo preventivo. A maturidade sanitária deixou de ser tendência e passou a ser pilar estratégico para sustentação de produtividade e competitividade.

Nesse cenário, as empresas brasileiras têm se reorganizado para enfrentar um ambiente mais complexo e exigente. A Fider, maior produtora e processadora de tilápia do Estado de São Paulo e uma das maiores do Brasil, é um exemplo desse movimento, reforçando inovação, rigor sanitário e busca por novos mercados como caminhos para atravessar o período e se posicionar bem para as oportunidades que virão. Fechamos o ano mais consciente dos riscos, mais atentos às mudanças globais e, sobretudo, mais preparados para construir um futuro mais sólido e diverso para a piscicultura nacional.


Muito obrigado e estamos à disposição!
 
Atenciosamente,
 

Rafael Iglesias

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Rejeição deve pesar mais que ideologia na disputa presidencial de 2026, diz especialista

 

Rejeição deve pesar mais que ideologia na disputa presidencial de 2026, diz especialista

Para cerca de um terço do eleitorado brasileiro, o resultado das próximas eleições para o governo federal deve ser decidido pelo voto no “menos pior”

 

Brasil, dezembro de 2025 – A disputa presidencial de 2026 deve ser marcada menos pela força das identidades ideológicas e mais pelo peso de um eleitor que vota por rejeição, não por afinidade. Estimativas da Alfa Inteligência, uma das principais empresas de pesquisas do Basil, indicam que cerca de 32,5% do eleitorado brasileiro não escolhe seu candidato por alinhamento programático, mas por considerar a alternativa “menos pior”. Esse grupo, que é numeroso, volátil e decisivo, tende a definir o resultado da próxima eleição. Segundo o CEO da Alfa, Emanoelton Borges, compreender o comportamento desse eleitor será fundamental para qualquer campanha competitiva em 2026.

 

De acordo com o especialista, esse eleitor é altamente sensível a temas do cotidiano e reage menos a discursos ideológicos. “Há um grupo expressivo que quer estabilidade, previsibilidade e respostas objetivas para problemas concretos. Eles não se reconhecem plenamente em nenhum dos polos políticos, mas rejeitam fortemente um deles e acabam votando por exclusão. Esse movimento foi decisivo em 2022 e será ainda mais forte em 2026”, explica.

 

A análise da Alfa Inteligência mostra que o eleitor do “menos pior” se concentra sobretudo: nas regiões Sul e Sudeste, na classe média, entre jovens adultos, pequenos empreendedores e em segmentos evangélicos moderados, que não aderem integralmente a narrativas de confronto. Esse público costuma decidir tardiamente, acompanha debates com olhar crítico e demonstra pouco engajamento emocional com candidatos. Borges destaca que esse comportamento exige estratégias eleitorais mais técnicas e menos polarizadas. “Estamos diante de um eleitor que não quer guerra cultural; ele quer solução. Ele transcende bolhas ideológicas e busca resultados palpáveis, especialmente em áreas como segurança, saúde, economia e educação”, reforça.

 

A Alfa Inteligência aponta que a segurança pública deve assumir protagonismo na campanha presidencial. O avanço da criminalidade urbana, a sensação crescente de medo e a percepção de incapacidade do Estado para garantir proteção devem impulsionar o tema ao centro do debate nacional. Em seguida, aparecem: economia, sobretudo inflação percebida e renda real; saúde pública, ainda influenciada pelos impactos pós-pandemia; educação, com preocupação crescente entre famílias de classe média. “Quem conseguir traduzir propostas claras nesses quatro eixos, com narrativa coerente e capacidade de execução, sairá na frente. A disputa será menos sobre identidade partidária e mais sobre entrega”, ressalta Emanoelton.

 

Eleitor mais monitorado da história

 

Com tecnologia, plataformas de escuta contínua e análises de comportamento mais precisas, Borges avalia que 2026 será a eleição com o maior volume de monitoramento já realizado no Brasil. Isso torna o ambiente ainda mais dinâmico e mais desafiador. “O eleitor de hoje muda de opinião mais rápido do que as campanhas conseguem perceber. Por isso, pesquisas qualificadas e diagnósticos constantes se tornam indispensáveis. Não se trata apenas de medir intenção de voto, mas de entender sentimento, rejeição, expectativas e frustrações. Quem conseguir ler essas curvas com precisão, vence”, completa o especialista.


 

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A PEC da reforma administrativa é adequada? SIM

 

A PEC da reforma administrativa é adequada? SIM
 

É preciso readequar o custeio do Estado, revendo remunerações, adicionais, altos benefícios e despesas não prioritárias para aqueles que pagam impostos
 

Vivien Mello Suruagy é presidente da Federação Nacional de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática (Feninfra).
 

A PEC 38/2025, que altera normas sobre a administração pública para aperfeiçoar a governança e a gestão, promover a transformação digital, impulsionar a profissionalização e extinguir privilégios, atende aos interesses maiores da população brasileira. Em tramitação na Câmara dos Deputados, a matéria é uma resposta aos anseios dos setores produtivos, da sociedade, do Legislativo e do próprio governo, buscando mais produtividade e menor custo.
 

É urgente rever a estrutura da máquina estatal, cujo peso impacta todas as cadeias produtivas, como ocorre no setor que represento, o de telecomunicações. Constituído por mais de 32 mil empresas, emprega 2,1 milhões de pessoas e recolhe R$ 50 bilhões anuais em tributos. Fazemos parte da grande área dos serviços, que representa 70% do PIB nacional. A palavra da vez agora é cortar despesas com mais eficiência, para fugirmos do ciclo vicioso de aumento de tributos, que compromete muito nossa capacidade de investir, inovar e manter empregos.
 

Na equação do custo do Estado é preciso rever o aspecto referente à estrutura dos recursos humanos, um dos principais focos da PEC 38. Sabemos que o Brasil não tem número excessivo de servidores públicos, mas gasta muito mais com eles do que a grande maioria dos países. Aqui, esse dispêndio representa cerca de 3,5% do PIB e, o que é mais grave, sem o retorno esperado em eficiência, qualidade e agilidade dos serviços prestados à população.
 

O funcionalismo público é fundamental e deve ser valorizado, mas é preciso haver plano de cargos e salários, avaliação de desempenho profissional e incentivo à produtividade. Além disso, é pertinente a

possibilidade de desligamentos quando a performance não for satisfatória. É preciso, ainda, readequar o custeio dos Três Poderes, revendo altas remunerações, adicionais e benefícios exagerados, viagens desnecessárias e outras despesas não prioritárias para aqueles que pagam impostos. O aporte tecnológico, também previsto na PEC 38, é muito importante para melhorar a eficiência do Estado.
 

É um absurdo que, em um país com 33,27% de carga tributária sobre o PIB, acima da média da América Latina e quase no mesmo patamar da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se caia na alternativa de majorar impostos. A máquina pública consome quase 40% das nossas riquezas. Devemos olhar com atenção para a saúde, educação e segurança. O foco agora é gestão.
 

É preciso enfrentar o problema custo Brasil. Por isso, é decisivo dar andamento à reforma administrativa, incluindo avaliação de desempenho, desburocratização e uso intensivo de tecnologia. É preciso rever contratos, priorizar parcerias que proporcionem eficiência, cortar despesas não prioritárias e revisar vinculações com salário mínimo, Benefício de Prestação Continuada e impacto da arrecadação na dupla saúde/educação.
 

O Estado não pode gastar mais do que arrecada. Em um mundo marcado pelo recrudescimento do protecionismo e guerra tarifária entre grandes economias, competitividade não se constrói com mais impostos, mas com eficiência, segurança jurídica e estímulo à produção. Para atingir um nível mais robusto de crescimento sustentado, precisamos de uma taxa nacional de investimentos em torno de 22% do PIB. Hoje, esse indicador está em torno de 17% e continuará assim se for mantido o vício de onerar as empresas.
 

Assim, a reforma administrativa, que felizmente está sendo desengavetada pelo Congresso Nacional, é urgente e imprescindível. Nesse contexto, a PEC 38 é um avanço no sentido de modernizar o Estado, racionalizar seu custo e melhorar os serviços que entrega à sociedade. Se forem necessárias melhorias no texto, está na hora da revisão. O Brasil precisa disso!

 


 


Atendimento à imprensa

Ricardo Viveiros ﹠ Associados — Oficina de Comunicação

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Nota da Redação Deste Blog - Reforma Administrativa: modernização ou desmonte silencioso do serviço público?


* Por José Montalvão

Caros leitores,

Tenho recebido, com frequência, artigos para republicação de diversos autores, a exemplo de Pietro Fernandes, sempre com o compromisso de garantir o pluralismo de ideias e o debate democrático. Hoje, recebo e republico um artigo de autoria de Vivien Mello Suruagy, presidente da Federação Nacional de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática (Feninfra). Faço essa republicação sem qualquer restrição, como é do meu perfil, porém acompanhada de uma reflexão crítica que considero necessária.

A chamada reforma administrativa, apresentada sob o discurso de modernização do Estado e eficiência da máquina pública, tem sido alvo de fortes críticas por parte de especialistas, entidades representativas e servidores públicos. E não sem razão.

Na prática, o que se desenha é um grave prejuízo ao funcionalismo público, com impactos diretos não apenas sobre os servidores, mas também sobre a qualidade dos serviços prestados à população.

Entre os principais pontos preocupantes está a retirada de direitos históricos, como a estabilidade para novos servidores, a licença-prêmio e a progressão por tempo de serviço. Esses mecanismos não são privilégios, mas garantias que protegem o servidor contra perseguições políticas e asseguram continuidade, impessoalidade e profissionalismo no serviço público.

Outro aspecto alarmante é a precarização das relações de trabalho, com a ampliação de contratos temporários e vínculos mais frágeis. Essa lógica transforma o servidor em um trabalhador instável, refém de interesses momentâneos, enfraquecendo o compromisso institucional e abrindo espaço para o apadrinhamento político.

A reforma também impõe, de forma indireta, um congelamento salarial, ao limitar reajustes, gratificações e adicionais, corroendo o poder de compra e desvalorizando carreiras essenciais. Soma-se a isso a proposta de carreiras menos atrativas, com tabelas únicas e trajetórias mais longas, dificultando a atração e retenção de profissionais qualificados.

Outro ponto sensível é a centralização excessiva de poder no Executivo Federal, que reduz a autonomia de estados e municípios na gestão de seus quadros e autoriza a extinção de cargos por decreto. Essa medida abre margem para arbitrariedades, perseguições políticas e esvaziamento de áreas estratégicas do Estado.

O resultado desse conjunto de medidas é previsível: desmotivação, insegurança, perda de capacidade técnica e queda na qualidade dos serviços públicos. Saúde, educação, segurança, assistência social e fiscalização são áreas diretamente afetadas quando o servidor é tratado como custo e não como parte da solução.

Em síntese, na visão dos críticos, a reforma administrativa parece focar mais em cortes, flexibilização extrema e quase desmonte do Estado, do que em uma verdadeira modernização que beneficie servidores e cidadãos. Modernizar não é precarizar; eficiência não se constrói com medo, instabilidade e desvalorização.

Defender o serviço público de qualidade é defender o interesse coletivo, a impessoalidade e a democracia. Esse debate precisa ser feito com profundidade, transparência e, sobretudo, responsabilidade social,


José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


Artigo: O alto custo da tolerância ao consumo de produtos ilegais

 O alto custo da tolerância ao

consumo de produtos ilegais

 

Fernando Valente Pimentel*
 

É muito preocupante o fato de 25% dos consumidores brasileiros admitirem aceitar a compra de produtos ilegais, conforme revelou recente estudo da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Ipsos. Em alguns segmentos, como bebidas alcoólicas e vestuário, essa propensão é ainda maior, às vezes com trágicas consequências, como ocorreu com as pessoas vitimadas pela presença de metanol em destilados. Trata-se de um retrato inquietante de uma sociedade que, por vezes, relativiza a gravidade dos ilícitos econômicos e de consumo, ignorando seus impactos coletivos.
 

O crime organizado há muito deixou de se restringir ao tráfico de drogas e armas. Ele se infiltra em diversos mercados, inclusive no de vestuário, aproveitando-se de brechas legais, da sonegação e da tolerância social para expandir seus tentáculos. Produtos contrabandeados, falsificados ou de origem duvidosa alimentam uma engrenagem criminosa que movimenta bilhões de reais por ano e mina a competitividade das empresas que operam dentro da legalidade.
 

Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas econômicas geradas por atividades ilícitas chegaram a R$ 453 bilhões em 2022. O valor equivalia à época a cerca de 4% do PIB nacional, recursos que poderiam ter sido direcionados à educação, saúde, segurança, saneamento e infraestrutura. Em outras palavras, a cada produto ilegal comprado, há uma parcela de investimento público que deixa de chegar à sociedade.
 

O combate a esse problema não se limita ao fortalecimento do aparato policial e da fiscalização. É também um desafio cultural e educativo. A sociedade precisa compreender que o consumo de produtos ilegais não é uma questão inofensiva de preço, mas um ato que financia redes criminosas, destrói empregos formais e compromete o futuro do Brasil. A educação, nas escolas, nas famílias e nos meios de comunicação, deve mostrar de maneira clara os danos que os mercados ilícitos provocam, não apenas na economia, mas também nos valores éticos e morais do País.
 

A responsabilidade é compartilhada. O poder público deve aprimorar políticas que reduzam o chamado “Custo Brasil” e simplifiquem o ambiente de negócios, para que competir de modo legal não seja um fardo. As empresas precisam seguir investindo em rastreabilidade, conformidade e comunicação transparente com os consumidores. E nós, cidadãos, devemos entender que cada decisão de compra é também uma escolha de sociedade: ou reforçamos a economia formal, que gera desenvolvimento e empregos, ou fortalecemos um sistema paralelo que corrói as bases do Estado.
 

O dado revelado pela pesquisa da USP é um alerta. Enquanto parte da população continuar a ver o consumo de produtos ilegais como algo aceitável, permaneceremos alimentando um ciclo vicioso de perda de riqueza, desordem econômica e insegurança. Precisamos transformar a tolerância em repúdio e a indiferença em consciência. Não existe mercado ilegal sem consumidor complacente e, sem ética no consumo, não há desenvolvimento sustentável possível.
 

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

 

 


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