Quando o Sertão Ensina a Vencer: a História de Ceia, Coragem, Trabalho e Visão
Por José Montalvão
Tenho um prazer especial quando vejo um amigo iniciar um empreendimento e dar certo. Esse sentimento se torna ainda maior quando o sucesso acontece no sertão jeremoabense, uma terra onde se encontram todas as adversidades do tempo e do clima para alcançar o progresso. No sertão, nada vem fácil. Cada conquista é fruto de coragem, resistência e muito trabalho.
É exatamente esse sentimento que me tomou ao assistir à entrevista do agropecuarista Ceia, como é conhecido por todos. Sua trajetória é um exemplo vivo de que, mesmo em meio às dificuldades do sertão, é possível vencer quando se alia visão, determinação e conhecimento. Ceia ousou sonhar, teve coragem de agir e, acima de tudo, soube aprender.
Para narrar o progresso de Ceia, a analogia da pesca é perfeita. O “anzol” representam seus recursos iniciais; “onde está o peixe” simboliza o mercado; e “aprender a pescar” traduz a gestão técnica e estratégica. Nada disso surgiu por acaso. O saudoso Vicente de Paula Costa teve papel fundamental nessa história: doou a Ceia o anzol, mostrou onde estava o peixe e, mais importante, ensinou a pescar. Um gesto simples, mas carregado de sabedoria, que mudou destinos.
O anzol foi a ferramenta adequada ao capital disponível. Ceia começou com os pés no chão, respeitando seus limites financeiros e investindo de forma responsável. Mas produzir, por si só, não bastava. Foi preciso identificar onde estava o peixe, ou seja, compreender a demanda do mercado. Produzir o que se gosta nem sempre garante sucesso; produzir o que o mercado quer comprar é o que sustenta o negócio.
Aprender a pescar, no entanto, foi o grande diferencial. O agro moderno não aceita mais amadorismo. Hoje, o sucesso depende mais de dados do que de intuição. Capacitação técnica, gestão eficiente e uso da tecnologia passaram a ser ferramentas indispensáveis. A agricultura de precisão, o uso de aplicativos de gestão e o monitoramento climático permitiram reduzir desperdícios, otimizar insumos e aumentar a produtividade — é o equivalente a iscar o anzol da forma certa.
O conhecimento tornou-se o maior patrimônio. É ele que diferencia o sobrevivente do vencedor. Ceia entendeu isso cedo e aplicou na prática, tanto na agricultura quanto na pecuária. O resultado não poderia ser outro: prosperidade construída com trabalho sério, planejamento e respeito à terra.
Hoje, Ceia colhe com tranquilidade o que plantou ao longo dos anos. Seu sucesso não é apenas pessoal; é uma inspiração para todo o sertão jeremoabense. Uma prova concreta de que, mesmo em terras castigadas pelo sol e pela seca, o progresso floresce quando se planta com sabedoria.
E fica a certeza, repetida como verdade antiga e sempre atual: nas terras do sertão de Jeremoabo, em se plantando, tudo se dá — desde que se plante trabalho, conhecimento e perseverança.


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