Publicado em 17 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Danielle, filha de Eduardo Cunha, é a autora do projeto
Eliane Cantanhêde
Estadão
No dia seguinte à aprovação do projeto contra a “discriminação” de políticos, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão, nesta quinta-feira, dia 15, dentro do Congresso e do apartamento funcional do senador Marcos do Val (Podemos-ES). A Câmara tenta criar cidadãos de primeira e segunda classe, enquanto a PF insiste em mostrar que “todos são iguais perante a lei”.
O projeto cria privilégios inadmissíveis para Pessoas Politicamente Expostas (PPEs), sem debate e conhecimento da sociedade. De repente, do nada, a urgência foi colocada em votação na noite de quarta-feira, aprovada rapidinho e, já na sequência, o projeto foi vitorioso, por 252 a 163 votos, prevendo multa e prisão de até quatro anos para agentes financeiros que se neguem a abrir contas ou crédito para as PPEs investigadas e processadas.
NO ESCURINHO – O presidente da Câmara, Arthur Lira, articulou a aprovação no escurinho do cinema, os líderes aderiram, o governo lavou as mãos e tudo foi resolvido num estalar de dedos. A autora do projeto é a deputada Danielle Cunha (União Brasil-RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, cassado, condenado e preso por corrupção, e a votação começou antes da apresentação formal do parecer do relator, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), da confiança de Lira.
APANHADOS DE SURPRESA – O projeto segue agora para o Senado e, aparentemente, não foi só a sociedade brasileira que foi pega de surpresa, o próprio Senado também. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, disse que nem sabia do que se tratava. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, admitiu que é, “no mínimo, polêmico”.
O resultado é que, em vez de proteger os políticos, a Câmara acaba de aumentar a ira da sociedade contra eles. E o pior é que só Novo, PSOL, PCdoB e Rede se colocaram contra. O PT liberou geral, o PL se dividiu, o governo se embolou com Lira.
É hora de uma comissão exclusiva, externa ao Congresso, para uma reforma política;