
Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)
Pedro do Coutto
Na noite de domingo, no Fantástico, a TV Globo revelou que 63 milhões de brasileiros e brasileiras possuem dívidas vencidas, tentam a renegociação e, no total ,75 milhões têm dívidas. O que faz com que o total seja muito alto.
Na edição de ontem de O Globo, Gabriel Shinohara e Fernanda Trisotto publicaram excelente reportagem sobre o endividamento, mas também sobre os juros dos cartões de crédito que incidem sobre compromissos rotativos e que se elevam à estratosfera de 343% ao ano registrado em 2020, a mais alta dos últimos anos.
JUROS DOS CARTÕES – A informação sobre os juros rotativos é do próprio Banco Central. Incrível que o Banco Central do país, presidido por Roberto Campos Neto, permita que a taxa de juros alcance um percentual trinta e quatro vezes maior do que a inflação registrada pelo IBGE para os últimos 12 meses. Os juros dos cartões de crédito para o impulso ao refinanciamento estão na base de 23% ao mês.
O crédito rotativo é uma alucinação. Não só de parte dos que se endividam desta forma, mas, sobretudo, dos responsáveis pelos juros que atingem a ponta do Everest. O governo assiste a fixação desses juros sem fazer qualquer movimento para contê-los: 343% constituem uma exploração terrível de seres humanos complicados no consumo que, como tanto o Fantástico quanto O Globo acentuam, abrange a compra de gêneros alimentícios nos supermercados.
A ameaça da fome é um fator social terrível. Como mais terrível ainda é a fome que atinge diretamente um quarto da população brasileira. O governo se preocupa com o Auxílio Brasil e com o calote dos precatórios, mas não volta a menor atenção para com a avalanche dos juros bancários que oprimem e sufocam grande parte da população brasileira. O endividamento se generaliza.
INADIMPLÊNCIA – A pergunta que se impõe entre os números é se entre os 75 milhões de endividados, incluem-se os 63 milhões de inadimplentes. Neste caso, 12 milhões devem, mas não estão inadimplentes. Caso contrário, serão 138 milhões de endividados, dos quais 63 milhões na inadimplência. Incrível a situação social brasileira. Mas o governo acha que com o Auxílio Brasil conseguirá os votos capazes de reeleger Bolsonaro nas urnas de 2022. Trata-se de um grande engano.
Se a distribuição de favores pudesse resolver impasses políticos de governo, e impasses políticos nacionais, o governo não perderia nenhuma eleição no mundo. Significa exatamente o contrário. A doação cria novas reivindicações e só podem ser atendidas pelo mercado de empregos e pelo pagamento de salários. Não há outra forma, não existe nenhuma outra saída.
COMBUSTÍVEIS – Na tarde de domingo – reportagem de Renato Machado e Nicola Pamplona, Folha de S. Paulo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Petrobras começará nesta semana a fazer uma série de reduções nos preços dos combustíveis, revelação que fez ao site Poder 360. Porém, ainda não informou quais os percentuais de redução sobre a gasolina e o óleo diesel.
O fato, dizem Renato Machado e Nicola Pamplona, é que as decisões da Petrobras baseiam-se também nos preços internacionais do petróleo. Esses preços caíram nas últimas semanas de US$ 80 o barril para US$ 70. Houve um recuo, portanto, em reais de R$ 455 para R$ 397. Cada barril tem 159 litros. Na manhã de ontem, segunda-feira, a Petrobras informou que não há ainda decisão a respeito da redução de preços.
A alta dos preços dos combustíveis constitui um dos principais fatores da alta da inflação. Bolsonaro chegou a pensar na diminuição do ICMS, tributo estadual, cujo valor varia de um estado para o outro, mas a solução usada foi a do congelamento. Congelar os percentuais de ICMS não influi em nada. Eles já são congelados por natureza. Mas a entrevista ao portal Poder 3560 revela uma preocupação do presidente com os preços do diesel e da gasolina.
REGRAS DE SEGURANÇA – Reportagem de Guilherme Caetano, edição de O Globo de domingo, destaca que grupos extremistas que atuam nas redes sociais da internet estão tentando romper as regras de segurança estabelecidas pelo Google e pela Apple contra os discursos de ódio. A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar até casos de apologia ao nazismo.
Guilherme Caetano acessou versão alternativa do Telegram, onde circulam mensagens antissemitas, racistas, homofóbicas e até, absurdamente incrível, apoiando o holocausto nazista que levou à morte cerca de 6 milhões de judeus nos campos de concentração de Hitler. Causa perplexidade que tais mensagens reúnam o compartilhamento de 9.331 imagens e 4.138 vídeos. O maior grupo produtor possui 1.444 membros e realiza publicações diárias. O grupo apoia até assassinatos de negros por brancos nos Estados Unidos.
VIOLAÇÃO – O Google informou que se uma violação de sua regra for comprovada, aquele que a desenvolveu será banido. Mas a Apple e o Telegram não responderam aos contatos do jornal. O Telegram disse que todos os chats são privados.
Na minha opinião é espantoso que alguém possa apoiar posições nazistas, esquecendo que o Brasil foi o único país da América do Sul a declarar guerra às posições de Hitler e Mussolini. Esquecem também a participação heroica nos campos da Itália da Força Expedicionária Brasileira. Sugiro que consultem a obra do historiador Daniel Mata Roque.
O CABO E O INFLUENCIADOR – Em seu espaço de domingo no O Globo, Laura Jardim disse que o cabo Daciolo está disposto a se candidatar novamente à Presidência e deseja ter como companheiro de chapa o youtuber Felipe Neto que, segundo a notícia, é considerado pela revista Time um dos mais influentes do mundo, detendo 14,2 milhões de seguidores no twitter e no Instagram, além de 43 milhões em seu canal no Youtube.
Os números de Felipe Netto são fantásticos, sem dúvida. E a propósito de sua força influenciadora, certamente Lauro Jardim terá os exemplos do peso de sua influência em questões importantes, e também em situações essenciais. Interessante é relacionar, a meu ver, os exemplos concretos de tal influência e que pode ser constatada na alteração preferencialmente para melhor do pensamento e do comportamento humano. E hábitos sociais também.
GARIMPO – Na edição de segunda-feira da Folha de S. Paulo, Vinicius Sassine revela que o general Augusto Heleno liberou a atuação de sete projetos de garimpo de ouro em regiões de fronteira com outros países. A matéria refere-se ao código nacional de mineração e, surpreendentemente, o general Augusto Heleno liberou os projetos.
Não foram ouvidos no caso o vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador da Amazônia, e também o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. Ocorre no governo, observa-se agora também, uma falta de coordenação quanto aos problemas da Amazônia e do garimpo de ouro.