terça-feira, dezembro 07, 2021

Doria precisa tirar votos de Bolsonaro, mas é Moro que está tirando e traz ânimo aos tucanos

Publicado em 7 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Deputado denuncia Doria por uso da TV Cultura para promoção pessoal

Doria precisa virar logo o jogo, antes que seja tarde demais

Eliane Cantanhêde
Estadão

Enquanto o governador João Doria fazia campanha em Nova York, com encontros na ONU e em agências financeiras, o PSDB ia assistindo, ou melhor, patrocinando, o estouro da tucanada no Brasil. Abre o olho, Doria!

No final de semana, o encontro, a foto e os sorrisos do governador Eduardo Leite com o candidato Sérgio Moro poderiam ser apenas um gesto de anfitrião, já que Moro estava no Rio Grande do Sul para eventos do Podemos. Mas são o estopim para a dispersão no PSDB.

UMA VELHA REGRA – Isso é péssimo para o partido, ruim também para o próprio Leite, que é jovem, promissor, e deveria seguir uma velha regra: quem disputa prévias se compromete com o resultado. Pode até trair, mas tem de disfarçar.

Com Leite aos sorrisos com Moro, Tasso Jereissati se bandeando para o ex-presidente Lula, Geraldo Alckmin nem aí para o PSDB e Aécio Neves um pote até aqui de mágoas, com que cimento e tijolos Doria vai construir sua candidatura? Ah! E Fernando Henrique e José Serra estão de molho.

Doria depende de tirar votos do presidente Jair Bolsonaro, mas quem está tirando é Moro. E a eleição vai caminhando para a consolidação de Lula como favorito (ao menos no primeiro turno), do tudo ou nada de Bolsonaro e de Moro como o fator novo, surpreendente – papel, aliás, que Leite se atribuía.

ESTRATÉGIA DO PT – Por que Lula joga no ar o balão da vitória em primeiro turno com Alckmin? Porque sabe que a esquerda continua unida em torno dele e suas condições são muito favoráveis na fase inicial, mas que a parada vai ser dura, e incerta, no segundo turno, que é sempre uma nova eleição.

E, com recessão técnica, inflação, pratos vazios, a miséria, as barbaridades na pandemia e a total falta de discurso, sobram para Bolsonaro o Centrão e a mitificação: “Deus, família e armas”. Mas é preciso muito robô de internet para transformar a eleição num culto.

Quanto a Ciro Gomes, é um refúgio para a esquerda e a centro-esquerda que não engolem a versão de Lula de que o mensalão e petrolão foram “uma montagem política”. Moro é abrigo para bolsonaristas arrependidos.

MUITAS DÚVIDAS – No primeiro turno, Ciro é adversário frontal de Lula, Moro é o pavor de Bolsonaro e tanto Lula quanto Bolsonaro avaliam o risco da terceira via. Até onde Ciro vai? Moro é fogo de palha? Doria terá capacidade de reunir cacos e penas do PSDB contra Moro?

E quem olha para os demais candidatos a presidente enxerga excelentes candidatos a vice, como Simone Tebet, única mulher, e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Aliás, o MDB é craque em ceder vices. O PSD finge que não, mas está bem adiantado nas tratativas com Lula.

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