sexta-feira, setembro 04, 2020

Presidente da Argentina ironiza crítica de Eduardo : “A família Bolsonaro está muito preocupada comigo”


Eduardo atua como chanceler informal do governo brasileiro
Deu no O Globo
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nesta quinta-feira, dia 3, que a família do presidente Jair Bolsonaro “está muito preocupada comigo e com a Argentina”. O comentário é uma resposta ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que afirmou em seu Twitter que o país vizinho foi “destruído pelo governo socialista em poucos meses” e que Bolsonaro acertou quando previu que a Argentina “viraria uma calamidade”.
O tuíte do deputado, que foi presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, acompanha um vídeo de pouco mais de dois minutos, que começa com Fernández defendendo a solidariedade em meio à pandemia e afirmando a empresários que havia chegado a “hora de ganhar menos”. A gravação, em seguida, mostra o depoimento de cinco  pequenos e médios empresários que foram afetados pela crise.
ATO DE POPULISMO – Os momentos finais do vídeo mostram o presidente argentino afirmando a um jornalista que não iria reduzir seu salário, pois isso seria um “ato de populismo que não resolve nada”. Diversos outros presidentes da região, incluindo o próprio Bolsonaro, também não o fizeram. O vídeo encerra com uma tela preta que indaga: “Quem são os miseráveis?”
Questionado sobre os tuítes de Eduardo durante o programa de televisão “A dos voces”, o presidente argentino respondeu: “A família Bolsonaro está muito preocupada comigo e com a Argentina. Não sei. Não posso dizer muito sobre o que esse senhor disse”, afirmou, dizendo ainda não conhecer Eduardo, mas reforçando que “a relação entre a Argentina e o Brasil é indissolúvel”.
RELAÇÃO CONTURBADA – Opostos no espectro ideológico, Bolsonaro e Fernández têm uma relação conturbada desde as eleições argentinas de 2019, quando o presidente brasileiro fez campanha aberta contra o peronista. Após a vitória, houve tentativas de moderação do discurso, mas o brasileiro não compareceu à posse do vizinho, quebrando uma tradição de décadas.
As tensões entre as duas maiores economias sul-americanas aparentavam ter dado uma trégua no final de agosto, quando o embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli, se reuniu com Bolsonaro no Planalto. Na ocasião, disse que Buenos Aires desejava trabalhar em conjunto com o Planalto e deixar “desencontros” para trás. Bolsonaro, por sua vez, disse desejar o melhor para o país vizinho.
CHANCELER INFORMAL – As críticas de Eduardo, que age como chanceler informal do governo brasileiro, ecoam os sentimentos de parte das classes médias e altas da Argentina, frustradas com as prolongadas medidas de isolamento social impostas pela Casa Rosada. O grupo, encabeçado pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), acusa o governo de atacar liberdades sociais.
Em meio ao descontentamento, as medidas de restrição vêm sendo gradualmente aliviadas: encontros ao ar livre de grupos de até 10 pessoas foram permitidos e espaços gastronômicos, reabertos, mesmo que com limitações. Ao todo, o país contabiliza 439.172 casos de Covid-19, com 9.155 mortes.
ATRITOS DIPLOMÁTICOS – Esta não é a primeira vez que o filho do presidente, que chegou a ser cotado para assumir a embaixada brasileira em Washington, cria atritos diplomáticos. Em março, ele causou uma crise diplomática com a China, maior parceiro comercial do Brasil, ao responsabilizá-la pela pandemia. Na ocasião, o embaixador chinês manifestou repúdio veemente ao “insulto maléfico” e disse que isso poderia atrapalhar as relações bilaterais.
Em julho, novamente, fez uma postagem a favor da campanha de reeleição de Donald Trump — em resposta, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, Eliot Engel, disse que o brasileiro deveria “ficar fora” do pleito americano.

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