terça-feira, setembro 08, 2020

Eduardo Paes é alvo de busca e apreensão, vira réu na Justiça Eleitoral, mas continua candidato


Ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Eduardo Paes e Pedro Paulo estão envolvidos juntos
Deu em O Globo
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na manhã desta terça-feira.  O mandado foi expedido pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau, que aceitou a denúncia contra Paes e outros quatro investigados pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) junto à 204ª Zona Eleitoral.
Eles são suspeitos dos crimes de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
De acordo com o G1, agentes do MP-RJ estiveram na casa de Paes e, por volta das 7h30, saíram com documentos.  A ação acontece a pouco mais de dois meses do primeiro turno das eleições municipais, marcado para 15 de novembro. Paes teve sua candidatura oficializada na semana passada à prefeitura do Rio pelo partido Democratas.
INDIGNAÇÃO – Em nota, a assessoria de Paes afirmou que o ex-prefeito está “indignado” que tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão “numa tentativa clara de interferência do processo eleitoral – da mesma forma que ocorreu em 2018 nas eleições para o governo do estado” e que “a defesa sequer teve acesso aos termos da denúncia” para se pronunciar.
A denúncia do MP-RJ sustenta que Paes teria recebido da Odebrecht aproximadamente R$ 10,8 milhões para financiar  sua campanha de reeleição em 2012 por meio de caixa 2. Além do ex-prefeito, foram denunciados o deputado federal Pedro Paulo e os empresários Benedicto Barbosa da Silva Junior, Leandro Andrade Azevedo, o marqueteiro Renato Pereira e Eduardo Bandeira Villela, ligados à agência de publicidade Prole.
VANTAGEM INDEVIDA – Para os procuradores, o deputado Pedro Paulo, que era o coordenador da campanha à época, “encarregou-se de gerenciar o recebimento da vantagem indevida, especificando a forma como seria destinada e indicando os responsáveis por sua arrecadação”.
“Uso político de instrumentos da Justiça para interferir na eleição. Não nos intimidarão. Ao ter acesso ao conteúdo da denúncia, farei a minha defesa no processo”, diz nota do deputado Pedro Paulo.
DELAÇÃO DA ODEBRECHT –  A denúncia é um desmembramento de um inquérito instaurado em abril de 2017 no Supremo Tribunal Federal (STF) para apuração dos crimes de corrupção passiva e corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, supostamente praticados nas campanhas eleitorais de 2010, 2012 e 2014, por Paes e Pedro Paulo, com base nas delações de executivos da Odebrecht.
O MP afirma que além das delações, a prática dos crimes é confirmada por “grande volume de provas obtidas de fontes independentes” como guias de transporte de valores e declarações de cinco funcionários da transportadora de valores Trans-Expert que teriam confirmado as entregas de dinheiro em espécie realizadas pela Odebrecht à agência de publicidade Prole, responsável pela campanha de Paes em 2012.
Mesmo com aceitação da denúncia, ele não terá impedimentos para disputar a eleição uma vez que não possui condenação neste processo.
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Do jeito que as coisas estão indo, todo candidato a prefeito do Rio terá de mostrar folha corrida, ao invés de atestado de atestado de bons antecedentes. (C.N.

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