Ilustração reproduzida do blog Tijolaço
Carlos Newton
O subtenente da PM Fabricio José Carlos de Queiroz ameaça emergir a qualquer momento, mas não se sabe ao certo quando ocorrerá essa apoteótica aparição , porque o presidente eleito Jair Bolsonaro apenas revelou que o velho amigo deve prestar depoimento esta semana, sem anunciar a data.
EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL – Já se sabe também que alguns funcionários do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro foram convocados para depor esta semana sobre os depósitos que faziam mensalmente na conta de Queiroz. No sábado passado – há 10 dias, portanto – Flávio Bolsonaro deu entrevista sobre o assunto e afirmou ter feito contato com Queiroz, que lhe dera uma “explicação plausível”. E de lá para cá, nada, nada, nada…
Aliás, o deputado Flávio Bolsonaro passou a semana inteira pressionado pela imprensa para definir o que considera uma “explicação plausível”, mas não revelou o que pensa a respeito. Apenas repetiu que não fez nenhum malfeito e não tem nada a ver com os erros do ex-assessor. Será mesmo?
EIS A QUESTÃO – Como se dizia nos antigos anúncios fúnebres, “cumprimos o doloroso dever de informar” que não há nem haverá qualquer explicação que possa ser tida como plausível. Se existisse uma justificativa para a movimentação financeira atípica, Queiroz já teria apresentado, para tentar abafar o assunto.
Por esse motivo, o presidente eleito Jair Bolsonaro comporta-se como se não tivesse nada a ver com o assunto. Disse ter emprestado algo em torno de R$ 40 mil ao subtenente da PM, não lembra ao certo o valor total, e alegou que o cheque de R$ 24 mil à primeira-dama Michelle saiu em nome da mulher porque ele é muito ocupado e não tem tempo de ir ao banco.
É muito difícil considerar essa desculpa como uma “explicação plausível”, até porque Nathalia Queiroz, filha do assessor, esteve contratada pelo gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara até 15 de outubro, mas vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha.
DIFICULDADES – É claro que a força-tarefa da Operação Furna da Onça terá algumas dificuldades, porque os assessores que faziam os depósitos já foram orientados sobre os depoimentos. Se confirmarem que pagavam pedágio, serão considerados “cúmplices’ e terão de devolver todo o dinheiro à Assembleia.
Se os assessores-repassadores mantiverem o silêncio para se preservar, os delegados federais, procuradores e auditores da Receita terão de se contentar com os movimentos bancários, o que já será suficiente, porque os números falam mais alto do que qualquer testemunha.
E a lição que fica é que essa prática tem de parar. Não é possível continuar tolerando enriquecimento ilícito de políticos às custas de seus assessores. É o maior exemplo de que a exploração do homem pelo homem continua existindo, quase 200 anos após ter sido denunciada.
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P.S. 1 – Não se pode também considerar “cúmplice” quem aceita repassar parte do salário para o deputado. Vítima não pode ser cúmplice, há algo de errado nessa conceituação judicial.
P.S. 1 – Não se pode também considerar “cúmplice” quem aceita repassar parte do salário para o deputado. Vítima não pode ser cúmplice, há algo de errado nessa conceituação judicial.
P.S. 2 – Se ainda estivesse entre nós, o grande compositor Miguel Gustavo diria que o suspense que cerca o depoimento de Queiroz é de matar o Hitchcock.(C.N.)