sexta-feira, dezembro 28, 2018

Cidade da Virada: confira tudo o que terá na Arena Daniela Mercury

Espaço na orla da Boca do Rio oferecerá de vila gastronômica a espaços de lazer
O Festival Virada Salvador 2019 começa nesta sexta-feira (28), na orla da Boca do Rio, com shows de Milton Nascimento, Claudia Leitte, Bell Marques, Xand Avião e Harmonia do Samba. A Prefeitura de Salvador espera que o evento ultrapasse a marca de 2 milhões de pessoas.
Esta edição contará com 29 shows, além de brinquedos como a roda-gigante e a tirolesa. A Arena Daniela Mercury receberá a festa com portões abertos a partir das 16h entre os dias 28 e 31. Os shows começam às 19h nesta sexta (28) e às 18h nos dias 29, 30 e 31. No dia 1°, os portões abrem às 15h e os shows começam às 16h. Serão mais de 70 horas de música.
A arena terá de vila gastronômica a espaços de lazer para adultos e crianças, passando por sanitários químicos e postos de saúde. O CORREIO lista a seguir tudo o que baianos e turistas encontrarão nos mais de 50 mil metros quadrados, montados para a chegada de 2019.
Acesso - As três entradas para a Arena Daniela Mercury contarão com o controle de policiais militares e o auxílio de detectores de metal. O acesso 1 fica na orla; o 2 fica em frente ao posto de gasolina da região e antes da antiga sede de praia do Esporte Clube Bahia. Já o acesso 3 é exclusivo para quem vai parar o carro no estacionamento da Arena Daniela Mercury, que terá 500 vagas na área do antigo estacionamento do Aeroclube, com valor de R$ 30.
Show pirotécnico - Dois pontos de queima de fogos serão visíveis da Arena. Os shows pirotécnicos terão duração de 15 minutos. Além da Boca do Rio,  mais 16 bairros da cidade contarão com queima de fogos: Barra, Rio Vermelho, Amaralina, Jardim de Alah, Patamares, Itapuã, Cajazeiras, Periperi, Paripe, Ribeira, Boa Viagem, Santo Antônio Além do Carmo e nas Ilhas dos Frades (praia de Paramana), Bom Jesus dos Passos e Maré (praia de Santana).
Banheiros químicos - A Limpurb montou 555 sanitários químicos em toda a área durante o Festival da Virada. Cerca de 360 colaboradores trabalharão nos cinco dias do evento. A Arena terá ainda 21 contêineres climatizados.
Saúde - Cerca de 100 profissionais trabalharão no Festival da Virada durante os cinco dias. São 20 leitos no local e duas ambulâncias do Samu para atender casos mais urgentes.
Segurança - 2,5 mil policiais militares e 550 agentes da Guarda Municipal atuarão na festa.
Estacionamento -  A Transalvador disponibilizará 1.700 vagas de estacionamento para o público que pretende ir de carro à festa, sendo 1,2 mil vagas de Zona Azul ao longo da Avenida Octávio Mangabeira, no valor de R$ 20, e 500 vagas na área interna do antigo Aeroclube, no valor de R$ 30. Na área externa será possível estacionar no Jardim de Alah, nos bolsões de estacionamento em frente ao restaurante Cubanakan e do Hotel Alah Mar; na Avenida Octávio Mangabeira, sentido Itapuã, na faixa à direita entre o Jardim de Alah e o supermercado WallMart; nos bolsões em frente ao Parque de Pituaçu, sentido Pituba, e em frente às quadras na Boca do Rio, sentido Itapuã; e na Octávio Mangabeira, sentido Itapuã, a partir do cruzamento com a Avenida Jorge Amado. O evento também terá local para estacionar bicicletas e um espaço acessível para cadeirantes.
Transporte público -  Uma operação especial colocará 400 ônibus diários em três áreas da cidade: orla, Centro e Subúrbio. Das 22h às 5h, 56 ônibus extras da frota reguladora rodarão na cidade. Um ponto especial de táxi e mototáxi será instalado na Avenida Octávio Mangabeira, em frente à arena. O metrô terá funcionamento especial: as estações Pituaçu, Imbuí, Rodoviária, Acesso Norte e Lapa irão antecipar a abertura para embarques e começarão a transportar os passageiros a partir das 4h.
Até as 4h50, as demais estações das linhas 1 e 2 estarão abertas apenas para o desembarque de passageiros, enquanto a partir das 5h, o metrô segue a operação normal com embarque e desembarque em todas as estações. No dia 1º de janeiro, além da abertura antecipada, as estações Pituaçu, Imbuí, Rodoviária, Acesso Norte e Lapa também estenderão seu funcionamento até 1h da manhã.
Feira Criativa - Nos intervalos dos shows e quando bater aquele cansaço, os mais de 2 milhões de pessoas poderão dar uma passada na Feira Econômica Criativa, que terá 40 estandes, que, além de opções gastronômicas, ofertarão acessórios, camisetas e galeria de achados criativos.
Vila gastronômica - Além da Feira Econômica Criativa, a Arena Daniela Mercury também terá uma Vila Gastronômica com comidas típicas da Bahia e com um espaço para food trucks com cardápios variados.
Espaço Kids - Para aqueles que irão levar crianças, haverá todos os dias programação das 16h às 18h. Hoje e nos dias 30 e 1º, a programação fica com a Eureka Brincantes. Amanhã, terá Palhaça Colmeia com brincadeiras Sustentáveis e oficina de bolha de sabão gigante com Pelotão Verde. A oficina também funcionará no dia 1º. As crianças devem estar acompanhadas dos responsáveis para participar das brincadeiras.
Roda gigante - A maior roda-gigante da América Latina, com 36 metros de altura, deve receber mais de 10 mil pessoas por dia neste fim de ano. Ela tem capacidade para receber até 140 pessoas de uma só vez e funcionará das 16h às 3h da manhã. Cadeirantes também têm acesso à roda-gigante.
Tirolesa - Além da roda-gigante, o evento também terá uma tirolesa com 10 metros de comprimento e 80 de extensão. Crianças entre 5 e 16 anos podem se aventurar na tirolesa - que descida com velocidade de até 30 km/h - mas terão que estar acompanhadas de um adulto.
Salvamar - Três bases elevadas da Salvamar estarão funcionando no local, e 30 agentes trabalharão durante os cinco dias. Uma moto aquática estará à disposição para emergências.
Rede Wi-Fi - Quem não quiser perder a oportunidade de registrar todos os momentos da festa poderá contar com a rede de wi-fi gratuita que a prefeitura irá oferecer. São 80 antenas espalhadas pelo entorno da arena. Para acessar, é só procurar a rede aberta #conecta_salvador e apertar em "conectar".
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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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