quinta-feira, dezembro 27, 2018

Ilegalidades envolvendo terrenos de marinha


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“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.
Um assunto que envolve milhares de sergipanos: terrenos de marinha. O lúcido artigo foi publicado na edição de ontem, do Valor Econômico. O texto é de Ana Carolina Osório*. Justiça seja feita um assunto cuja luta foi iniciada em Sergipe desde meados de 2003 pelo ex-deputado José Carlos Machado, um batalhador pela redução das taxas.
O artigo de Ana Carolina Osório:
A legislação define como terreno de marinha a faixa de terras com largura de 33 metros, contados da linha média das marés altas (preamar) do ano de 1831, para dentro do continente. Trata-se de bem de propriedade da União Federal, de tal modo que sua caracterização traz seríssima repercussão ao direito de todos que possuem imóveis à beira-mar.
O instituto foi criado na época do Brasil colônia, diante da localização estratégica destes terrenos para a defesa da costa brasileira. Atualmente mais de 500 mil imóveis no país estão classificados como terrenos de marinha, segundo levantamento realizado pela Secretaria de Patrimônio da União, gerando uma arrecadação anual de centenas de milhões de reais.
A definição exata, no solo, do local onde se encontra tal faixa de 33 metros de largura exige demarcação técnica, em processo administrativo complexo, e que deve contar com a participação dos particulares interessados, aqueles que constem como proprietários ou posseiros na faixa litorânea.
A faixa de 33 metros que se caracteriza como terreno de marinha tem por base o ano de 1831, sendo que em muitas partes do litoral brasileiro tal faixa se encontra total ou parcialmente submersa em razão do avanço das águas do mar, com redução das praias. Estudos geotécnicos comprovam uma diferença na ordem de até 100 metros na linha da maré alta atual, em relação à maré de 1831, quase 200 anos atrás. O contrário também pode ocorrer, é verdade, de tal modo que a faixa de praia pode ter se ampliado, em direção ao mar, por força da realização de aterros ou movimentação natural do solo, gerando os denominados terrenos acrescidos de marinha.
Se definida determinada área como terreno de marinha, o domínio particular ficará excluído, e a União passará a efetuar a cobrança anual pelo uso da área e pela transferência da propriedade, ainda que se trate de imóvel edificado. Poderá até mesmo, em tese, pedir a desocupação para dar-lhe diferente uso, salvo se houver concessão de aforamento ao particular, situação a ser tratada em outra oportunidade.
Ocorre que a União Federal vem cometendo abusos e ilegalidades a pretexto de definir as terras de sua propriedade na faixa litorânea, visando arrecadar taxas pela ocupação. E os cartórios de registro de imóveis, que poderiam coibir tal ilegalidade, submetem-se aos interesses da União Federal como se a mesma merecesse tratamento diferenciado no campo do respeito ao direito de propriedade. O devido processo legal não tem sido seguido pela União Federal, e sua observância não vem sendo fiscalizada pelos cartórios de registro de imóveis, gerando violação aos direitos de milhares de pessoas que residem na costa brasileira.
A Secretaria de Patrimônio da União, na maior parte do litoral brasileiro, define a posição da faixa de marinha unilateralmente e sem contraditório, à margem do que prevê a Constituição Federal e a legislação infraconstitucional, e sem o rigor técnico necessário.
Essa mudança na propriedade só é possível mediante delimitação pormenorizada da suposta área de marinha, com a respectiva metragem, e com a comprovação de que o devido processo legal foi observado.
Olvidando-se das onerosas consequências que a demarcação acarreta ao particular, a União realiza verdadeiro arremedo na demarcação dos terrenos, partindo de uma linha presumida, com base na posição atual da linha de maré.
Aos cartórios, que possuem independência técnica de forma a garantir a confiança e veracidade nas informações relativas à propriedade imobiliária, é absolutamente vedado efetuar a alteração de propriedade de um imóvel registrado em nome de um particular, inserindo informação que se trata de terreno de marinha, salvo comprovação da existência de processo administrativo que tenha se revestido de todas as formalidades legais.
Afinal, em última análise, trata-se de ato de reconhecimento e transferência da propriedade, em favor de terceiro, ainda que parcialmente. Quando se faz constar na matrícula de um imóvel que parte do mesmo é de marinha, o que se faz objetivamente é formalizar que parte daquele bem não pertence mais ao particular, e sim à União Federal. Dispensa-se ação judicial da União para a anulação do registro de propriedade em favor do particular, pois os títulos eventualmente existentes sobre o imóvel não são oponíveis à União, conforme Súmula nº 496 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Não são raros os casos em que o Judiciário anula o procedimento de demarcação do imóvel e, por conseguinte declara a inexigibilidade das taxas diante da inobservância das exigências legais mencionadas. Urge que se estabeleça um regramento uniforme e consentâneo com a Constituição Federal e a legislação, sobre a inscrição de terrenos de marinha no registro imobiliário, e sobre os procedimentos de demarcação por parte da União Federal.
A demarcação por mera presunção, e sem a ampla participação dos interessados, viola o princípio da legalidade que rege a atuação da União, constituindo abuso de direito e ofensa à segurança jurídica e ao direito de propriedade.
*Ana Carolina Osório é sócia do escritório Osório e Batista Advogados, com MBA em Gestão Imobiliária pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e membro do Comitê de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB. (Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações).

Rivotril E pelo jeito o blog vai acabar com algum patrocínio de alguma rede de farmácia. Duas notas de ontem, 26, deixaram muita gente sem dormir. Todo mundo querendo saber quem é o cabra da mala que espera a polícia e o líder religioso.
Força tarefa no CNJ contra manobra “estranha” E nos últimos dias tem gente comemorando uma vitória antecipada para reaver um mandato. Como vem comemorando antecipado um grupo de autoridades de todos os poderes resolveu se unir numa força tarefa junto ao CNJ denunciando a manobra para derrubar a inelegibilidade por conta de uma improbidade administrativa. Pelo jeito Sergipe novamente será manchete negativa nacionalmente.
Calote familiar! Um respeitável ex-prefeito do agreste sergipano pediu emprestado a um parente a bolada de 290 mil reais para a campanha de reeleição do seu filho que era o prefeito da cidade. O pupilo perdeu. O parente recebeu apenas R$ 30 mil. Faz dois anos que ele amarga um prejuízo de 260 mil reais. O caso rola na justiça. Foi mesmo uma bola fora! Não tem rabeca que aguente! Arrepare Osmário !
Projeto Dom Távora o governo deu calote nos agricultores? E o blog foi informado que os pequenos agricultores de Sergipe receberam um calote do projeto Dom Távora, patrocinado pelo governo de Sergipe. Alguns apresentaram projetos em torno de R$ 80 mil e toda vez que vão em busca de informações pedem outro papel. Só que os agricultores ligados a um deputado federal reeleito já foram beneficiados. Toda documentação está sendo entregue a um importante órgão fiscalizador.
Lagarto, cidade sem lei? Lagarto vive um dilema, pois descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e se vê as vésperas de perder investimentos, caso não se adeque ao que a LRF preconiza. Será que a nova gestão fará vistas grossas ao descumprimento dos limites ordenados pela LRF, uma vez que o pagamento de pessoal atingiu 61,4% da receita do município em agosto passado, ou fará a parte que lhe cabe e adequará esse percentual ao que a lei manda, de forma a manter o município adimplente e apto a receber recursos? Será que jogará embaixo do tapete a herança recebida?
Nota de Esclarecimento da Emurb Sobre a nota publicada em seu blog nesta quarta-feira, dia 26, com o título “Folha de pagamento da Emurb”, a Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) esclarece que não é verdade que a empresa adquiriu, recentemente, um sistema para a folha de pessoal. A última aquisição de software para gerenciar a folha de pagamento foi no ano de 2004 e é utilizado até a presente data. Quanto à transferência da confecção da folha para a Prefeitura, estão sendo realizados estudos para uma possível transferência, com o objetivo de otimizar o processo de gestão da folha.
Posse de Bolsonaro Numa entrevista exclusiva concedida ao jornalista e radialista Carlos Ferreira, no Jornal da Xodó, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, afirmou que se for convidado irá para a posse do presidente Bolsonaro. Adiantou que torce para que ele faça um bom governo e até deixou escapar que está conversando com alguns prefeitos do Nordeste para tentar agendar um encontro com o presidente.
Faleceu Carlos Alberto Coelho de Carvalho Foi sepultado ontem, 26, pela manhã no cemitério Colina da Saudade, em Aracaju, Carlos Alberto Coelho de Carvalho, 64, agente de polícia. Carlos Alberto deixou a esposa, Maria da Conceição Ribeiro Carvalho, os filhos Carlos Helder Carvalho, Lizia Carvalho e Rony Carvalho, além dos irmãos Marilene Coelho de Carvalho, Jorge Coelho de Carvalho, Luiz Carlos Coelho de Carvalho e Milton Coelho de Carvalho.
Consórcio de Resíduos Sólidos da Grande Aracaju elege nova mesa diretora Na quarta-feira (26), na sede da Câmara de Vereadores do município de Laranjeiras, os integrantes do Consórcio de Resíduos Sólidos da Grande Aracaju elegeram, por unanimidade, a nova mesa diretora para o biênio 2019/2020. Na presidência, o prefeito de Maruim, Jeferson Santana, foi reconduzido ao cargo. O prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, assumiu a vice-presidência; enquanto os prefeitos de General Maynard, Valmir de Jesus, e de Santo Amaro das Brotas, Genivaldo Costa (Dadau), assumiram os cargos de secretário-geral e diretor financeiro, respectivamente.
Mesa diretora Cinco dos oito prefeitos integrantes do Consórcio de Resíduos Sólidos da Grande Aracaju compareceram a reunião, que definiu nova mesa diretora. Os prefeitos Marcos Santana (São Cristóvão), Jeferson Santana (Maruim), Genivaldo Costa (Santo Amaro das Brotas), Valmir de Jesus (General Maynard) e Paulo Hagenbeck (Laranjeiras) compareceram à reunião.
Jurisdição Sob a superintendência do sr. Evaldino Calazans, o Consórcio de Resíduos Sólidos da Grande Aracaju, criado em 2013, possui oito municípios em sua jurisdição: Barra dos Coqueiros, Carmópolis, General Maynard, Itaporanga D’Ajuda, Laranjeiras, Maruim, Santo Amaro das Brotas e São Cristóvão. O Estado de Sergipe possui quatro consórcios de resíduos sólidos: Baixo São Francisco, composto por 28 municípios; Agreste Central, formado por 20 municípios; Sul e Centro Sul, com 16 municípios; e Grande Aracaju, composto por 8 municípios. Todos os consórcios atuam em parceria com o Governo do Estado e atendem a Lei federal nº 12.305/90, que institui a política nacional dos resíduos sólidos.
Fortalecimento O prefeito de Maruim, Jeferson Santana, que foi reconduzido ao cargo, destacou a importância e o fortalecimento dos consórcios. “Além de atendermos a legislação, os consórcios são fundamentais para a resolução de problemas enfrentados pelos municípios, sobretudo, relacionados ao meio ambiente. Mais uma vez agradeço o apoio dos demais prefeitos, e reafirmo o compromisso de colocar a presidência do consórcio para lutar pelos interesses dos municípios da Grande Aracaju”, destacou o presidente Jeferson Santana.
Últimos dias de inscrições para a Residência Multiprofissional do Hospital de Cirurgia A Residência Multiprofissional em Terapia Intensiva da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia encerrará as inscrições para o processo seletivo 2019 na próxima sexta, dia 28 de dezembro. Estão sendo ofertadas vagas para as áreas de Enfermagem, Odontologia e Fisioterapia e os aprovados receberão uma bolsa do Ministério da Saúde no valor de R$ 3.330,43.
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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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