segunda-feira, dezembro 17, 2018

Interventor militar até agora não percebeu que há uma guerra travada no Rio…


Imagem relacionada
Braga Netto transfere aos outros a culpa pelos seus erros
Carlos Newton
Era esperado que não desse certo a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro, decretada em fevereiro, quando o presidente Michel Temer ainda sonhava com a reeleição. Mas tinha-se a esperança de que a situação melhorasse um pouco, até mesmo pelo volume extra de recursos liberados pelo governo federal.  Mas o que se viu foi um fracasso absurdo, com o interventor militar, general Braga Netto, culpando o governo estadual por não ter conseguido fazer as licitações.
LICITAÇÕES – “O problema é que o Estado desaprendeu a realizar o processo licitatório. A primeira coisa a fazer é especificar o que se quer. Muitas vezes eles não sabiam o que queriam. Precisavam, por exemplo, de pistolas. Mas não sabiam a marca, há necessidade de especificar o modelo”, disse o general a O Globo, como se não fosse ele próprio o responsável pela licitação, pois era sua equipe que tinha de escolher o modelo de pistola, não o governo estadual. E o general, que diz ter dado “cursos de licitações ao Estado”, nem sabe que é proibido especificar a marca…
A entrevista de Braga Netto é festival de arrogância, soberba e desfaçatez. O governo federal liberou R$ 1,2 bilhão para serem gastos até 31 de dezembro. O ano está acabando e até agora somente foram empenhados 39% deste total. Os 61% restantes têm de ser empenhados até a noite do réveillon ou serão devolvidos ao Tesouro Nacional.
VIAGENS AO EXTERIOR – Nas contas do surpreendente interventor, serão devolvidos, no mínimo, R$ 240 milhões, mas este total deverá ser bem maior. E se o general mostrou dificuldades para gastar as verbas de que o Rio de Janeiro tanto carece, na verdade não teve problemas para destinar R$ 447 mil para pagamento de viagens ao exterior, com diárias e hospedagem, tudo em sigilo, sem revelar quantas pessoas viajaram e o que fizeram. O único resultado dessas viagens foi a compra de blindados leves italianos, que ninguém sabe se poderão ser utilizados pela PM ou serão incorporados ao patrimônio do Exército.
É bem diferente da postura adotada pelo governador eleito Wilson Witzel (PSC), que viajou para Israel e para a Inglaterra, gastando recursos próprios, para conhecer novos métodos e equipamentos de combate ao crime, que serão adotados no Rio de Janeiro.
E FALA DEMAIS… – O mais impressionante foram as críticas do interventor ao próprio Witzel, intrometendo-se na área de competência específica do futuro governador, que tem se portado de forma elegante, sem ter apontado o evidente fracasso da intervenção militar.
Além de criticar decisões administrativas do novo governador, o general Braga Netto ironizou uma das propostas dele: “Não tenho atirador meu, posicionado, escondido, esperando para eliminar um elemento que está parado, só porque ele está com um fuzil”.
Como se vê, o general, que nunca esteve numa guerra de verdade, passou 11 meses comandando o enfrentamento às forças da criminalidade no Rio de Janeiro e não conseguiu perceber que por aqui está sendo travada uma guerra. Ou seja, além de arrogante, Braga Netto é também distraído.
###
P.S.  – Com os mais de R$240 milhões que serão devolvidos, poderiam ser comprados modernos coletes à prova de bala, fuzis e pistolas de última geração e muita coisa mais. Porém, o general especialista em licitações esqueceu de fazer os empenhos… (C.N.)

Em destaque

TSE suspende candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná

  TSE suspende candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná Por Folhapress 20/09/2026 às 09:38 Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputad...

Mais visitadas