O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recorreu a metáforas para mostrar que apesar das pressões não está disposto a se licenciar do cargo para pôr fim à crise que ameaça a aprovação da CPMF. A colegas de função, comparou-se a um coco para ilustrar sua disposição em ficar. "Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos", disse o presidente do Congresso a senadores aliados que estiveram com ele noite passada, horas depois de enfrentar a mais ampla reação em plenário desde o início da crise. Renan Calheiros está no centro da crise há cinco meses. Ele está incomodado com as recentes deserções, mas, independentemente das baixas, não se mostra disposto a sair. A interlocutores, diz estar convencido de que a oposição e o PT querem o seu cargo. Se pedir uma licença de 120 dias, como prevê o regimento, dá como certa a traição. "Não tem espaço para a licença", disse Renan nesta tarde. O senador Tião Viana (PT-AC), primeiro vice-presidente da Casa, assumiria a vaga caso Renan se afastasse. Renan Calheiros não conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a quinta-feira passada, mas faz elogios ao comportamento do presidente. "Ele tem sido correto comigo", assegurou. Lula está preocupado com a votação da CPMF, enquanto o peemedebista faz chegar ao aliado a lógica do "ruim com ele, pior sem ele." Renan já provou que, apesar de enfraquecido, ainda exerce liderança no PMDB. Há duas semanas, influenciou parte da bancada a derrotar a medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo para Mangabeira Unger. Caso seja abandonado pelo Palácio do Planalto, "mangabeiriza" a CPMF, argumentam senadores ligados a Renan. Abaixo-assinado Na tarde desta quarta-feira, parlamentares lançaram um movimento suprapartidário no salão verde da Câmara dos Deputados pelo afastamento imediato de Renan da presidência do Senado. O ato teve o apoio de quase 60 deputados e de 16 senadores, que na véspera jantaram na casa do deputado José Aníbal (PSDB-SP)."O cerco será total. Ele não tem mais como continuar, está inviabilizado", disse Aníbal. Também foi lançado um abaixo-assinado exigindo a saída do senador. "Numa situação dessas que estamos vivendo, Senado e Câmara são a mesma coisa. Todos nós, parlamentares, pertencemos ao Congresso Nacional. Não podemos fugir nem escapar deste compromisso", diz o texto do abaixo-assinado. O grupo promete realizar um ato toda quarta-feira até que o senador deixe o posto.
Fonte: NOVOJORNAL
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