Por : Tribuna da Imprensa
Ex-tesoureiro diz que alimentava caixa 2 com "procuração política" do PT
Em depoimento à CPI dos Bingos, Delúbio se negou a fornecer os nomes dos chefes
BRASÍLIA - Mesmo empenhado em proteger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que não atuava sozinho, pois tinha aval superior para as operações financeiras com que alimentava o caixa 2 do partido. "Eu tinha uma procuração política da direção do partido", disse Delúbio.
"De quem? Do presidente Lula, do José Dirceu?", perguntou o presidente da CPI, senador Efraim Moraes (PFL-PB). "O senhor tem um documento? Uma ata que diga isso?", insistiu o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Delúbio disse: "Não. Não há ata nenhuma. Eu tinha uma autorização política."
Na avaliação de Efraim, apesar de Delúbio ter-se mostrado escorregadio e muito atento - ao contrário das três outras vezes em que depôs nas CPIs dos Correios e do Mensalão, quando parecia sonolento -, ele acabou por deixar escapar que tinha chefes. "Está claro que fazia tudo a mando de alguém. Sabemos que eram ou Lula ou José Dirceu", disse o senador. A questão é que Delúbio não disse quem eram seus chefes.
O depoimento do ex-tesoureiro durou cerca de quatro horas e meia. Delúbio negou ter tentado achacar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões do banqueiro Daniel Dantas em troca do fim dos embaraços ao Grupo Opportunity: "Nunca pedi nem recebi nada do senhor Daniel Dantas." Admitiu, no entanto, que a pedido do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza teve uma reunião com Carlos Rodemburg, sócio do Opportunity. "Ele queria saber por que o PT não gostava do Opportunity. Eu respondi que nessa questão de negócio cada um tem a sua forma de agir", disse Delúbio.
O ex-tesoureiro voltou a insistir que o dinheiro do caixa 2 do PT veio de empréstimos de Marcos Valério e não da cobrança de propina de empresas ou de operações dos fundos de pensão. Disse que somente os diretórios petistas do Acre, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Piauí não receberam dinheiro pelo valerioduto. Afirmou ainda que os partidos aliados o procuravam para pedir dinheiro. Ao todo, segundo ele, para o PT foram entregues cerca de R$ 30 milhões e para os partidos aliados, R$ 15 milhões.
O comitê financeiro da campanha do presidente Lula, segundo Delúbio, era formado por ele, pelo então presidente do PT José Dirceu, pelo ex-presidente do PL Valdemar Costa Neto e pelos presidentes do PCdoB e do PCB. Os novos aliados, como o PSB, o PTB e o PP apareceram durante a campanha para o segundo turno.
Em todas as oportunidades que teve, Delúbio negou que a campanha de Lula tivesse recebido dinheiro de quem quer que seja. Só admitiu o fato quando não teve jeito de negar. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) insinuou que a Companhia Vale do Rio Doce fez uma grande doação ao PT logo depois de um encontro do ex-ministro José Dirceu com Marcos Valério, quando foi discutido o futuro do nióbio. Sem ter como negar a doação da Vale, porque ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Delúbio disse que ela e outras empresas deram dinheiro ao PT, como também o fizeram a outros partidos.
O ex-tesoureiro negou ainda conhecimento de que empresas de bingo de São Paulo e do Rio de Janeiro tenham doado, por Estado, R$ 1 milhão para a campanha de Lula, em 2002. Afirmou que não conheceu o advogado Rogério Buratti, que afirmou, na própria CPI dos Bingos, ter havido a doação dos bingueiros. Também a respeito das denúncias de Buratti, disse que não é verdade que tenha recebido dinheiro doado às prefeituras de Ribeirão Preto e de Santo André, municípios administrados pelo PT e que, de acordo com denúncias do advogado, cobrariam propina de prestadores de serviços.
Por duas vezes, Delúbio se recusou a responder ao líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se era ou se é amigo do presidente Lula. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) pediu a palavra e repetiu a pergunta, agora acrescentando que Delúbio se recusava a falar qualquer coisa a respeito da amizade dele com Lula. Delúbio respondeu, de novo, de forma dúbia.
"Sou um admirador do presidente Lula. Já o admirava antes de ele ser presidente. Agora, com seu governo, passei a admirá-lo muito mais, principalmente pelo que ele está fazendo pelos mais necessitados. Se, quando deixar o governo, quiser minha amizade, aqui estou."
Em todo seu depoimento, Delúbio preservou não só o presidente Lula, mas também outros petistas, como José Dirceu. Os senadores quiseram saber por que o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, pagou uma conta de R$ 29 mil do presidente Lula junto ao PT. Delúbio disse que na campanha de 2002 Okamotto era o administrador do Diretório Nacional do PT. E, quando Lula venceu a eleição, passou a ser o seu procurador, justamente para resolver questões trabalhistas do recém-eleito.
"Desde 1990 Lula era assalariado do PT e, com a eleição, teria de deixar os quadros profissionais do partido. Foi encontrada uma dívida de R$ 29 mil, que Lula contestou. Eu a cobrei, porque essa era minha função. E o TSE exigia que a contabilidade fosse fechada. Então, Okamotto a pagou."
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