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segunda-feira, maio 29, 2006

Tudo como está

Por: Carlos Chagas (Tribuna da Imprensa)

BRASÍLIA - Existe possibilidade de o jogo virar e de o presidente Lula perder a pole-position, o favoritismo e até a vitória em outubro, hoje mais do que certa? Claro que na teoria existe, assim como as surpresas e os milagres fazem parte da vida. Parece muito difícil os ventos mudarem, mas impossível não será.
Vamos que no próximo dia 7, atendendo a convite da Comissão de Constituição de Justiça do Senado, o banqueiro Daniel Dantas apresente provas de que foi chantageado por Delúbio Soares e quadrilha, com José Dirceu, Luiz Gushiken e o presidente Lula à frente. Constituirá fato grave caso apareça uma fita, uma gravação que seja, com a voz de Delúbio exigindo milhões para suas empresas não enfrentarem dificuldades em Brasília.
Pior ainda com relação à lista por enquanto falsa e fajuta apresentada à revista "Veja", com nomes do governo sendo titulares de contas bancárias no exterior. Claro que seriam necessários números, documentos, atestados dos bancos estrangeiros e demonstrações de acréscimo patrimonial, coisa até agora inexistente.
Fechado no escuro
Outra hipótese de mudança nas previsões eleitorais seria uma crise que atingisse o governo federal na moleira, como foi atingido o governo de São Paulo depois dos massacres e das execuções recentes. Algo capaz de demonstrar, da noite para o dia, a incompetência da administração pública, com efeitos imediatos na vida de cada cidadão. Uma epidemia, uma praga em condições de impedir a produção de alimentos, no plano nacional, assim como um choque nos preços do petróleo ou no valor do dólar, internacionalmente. Tais eventos, claro que não previstos, seriam capazes de mudar o sentimento nacional, mesmo sem participação das oposições e de demais setores adversários do governo.
O que não aparece como fator capaz de virar o jogo é a recuperação do candidato Geraldo Alckmin. Ou o aparecimento de outra alternativa, inclusive a do inatacável idealista que é o senador Pedro Simon, que chega tarde à disputa. Fecharam-se os acessos à chamada terceira via. Nem o líder gaúcho, nem Anthony Garotinho, sequer o ex-presidente Itamar Franco, muito menos o monte de pequenos pretendentes do tipo Cristovam Buarque, Roberto Freire, Heloísa Helena e o Dr. Enéias. É cruel matar-lhes o sonho, mas solução inexiste para eles.
A oportunidade surge ímpar para o presidente Lula: fazer nos próximos quatro anos aquilo que não fez nos atuais. Mudar a política econômica, livrar-se da poeira do neoliberalismo, substituir a atividade especulativa pela atividade produtiva, liberar a classe média dos encargos fiscais que a atormentam, intervir nos bancos e renegociar os juros da dívida pública e da dívida interna.
O diabo é que mesmo abrindo uma fresta na janela de onde poderiam ser vislumbrados esses objetivos, o chefe do governo parece preferir permanecer fechado no escuro. Supõe que deu certo e não reconhece erros, ainda que percebendo a imensidão das tarefas não cumpridas.
A conclusão das últimas pesquisas de opinião deixa poucas dúvidas a respeito do que será o segundo mandato. Senão uma reprise do primeiro, com toda certeza a projeção da sua sombra. Imaginava-se o grande embate nacional acontecendo em 2003, logo depois da posse de Lula. Como ficou tudo como estava, e até um pouco pior, para quem dispuser de saco e de resistência, surge uma opção: preparar as eleições de 2010...
Vexame permanente
Os governistas do PMDB não se emendam. Depois de afastarem temporariamente a sombra da candidatura própria, em recente convenção, por 351 a 303 votos, reuniram de forma abrupta a executiva nacional do partido e adiaram para 29 de junho a convenção definitiva, que referendaria a decisão. Fizeram isso por não confiarem na manutenção dos mesmos números. Afinal, 25 votos mudariam tudo, e o governador Luís Henrique, de Santa Catarina, que dispõe de 41 votos, dá sinais de aderir à tese da candidatura própria, renascida com a disposição do senador Pedro Simon de candidatar-se. A questão será decidida na Justiça, porque a comissão executiva não detém o poder de adiar convenções nacionais já marcadas. Em especial por que venceram, os governistas, por 11 a cinco votos.

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