O DRAMA DOS MORTOS EM JEREMOABO: A Superlotação do Cemitério Oficial e a Urgência de uma Frente Ampla em Defesa da Memória de Nossos Entes Queridos
Por José Montalvão
A dignidade humana é um valor inegociável que deve acompanhar o cidadão do seu primeiro sopro de vida até o seu último suspiro. No entanto, em Jeremoabo, nem mesmo o repouso eterno tem sido respeitado. O cemitério público oficial do município encontra-se em um estado dramático de superlotação. Hoje, quem perde um ente querido vive o pesadelo de ver o sepultamento ocorrendo de qualquer jeito, sem vaga, sem espaço e sem o devido respeito à memória de quem parte e à dor de quem fica. Os nossos mortos já não conseguem descansar em paz.
A Herança Maldita: Terreno de Ampliação Doado Ilegalmente
A crise do cemitério municipal não aconteceu por acaso. O terreno situado exatamente em frente à área sepulcral havia sido reservado e projetado para a indispensável ampliação do cemitério público. Contudo, em mais um capítulo lamentável da "herança maldita" deixada pela administração do ex-prefeito Deri do Paloma, essa área foi doada de forma flagrantemente ilegal e imoral para a construção de um templo religioso cujas obras se arrastam no local.
É preciso ter a coragem de dizer a verdade: nenhuma instituição — por mais nobre que alegue ser a sua missão de fé — pode prosperar ou se erguer sobre o prejuízo e a humilhação de toda uma coletividade. Retirar o espaço de sepultamento do povo humilde para ceder a edificações privadas é uma afronta direta aos princípios da Finalidade Pública, Impessoalidade e Moralidade Administrativa.
Prioridades Invertidas: Mudar Datas comemorativas ou Cuidar da Cidade?
O que torna essa situação ainda mais revoltante é assistir a debates na arena pública sobre temas absolutamente superficiais. É incompreensível e irresponsável gastar energia, tempo e debates políticos discutindo bobagens como a alteração da data da emancipação política de Jeremoabo, enquanto a população enfrenta problemas sociais gritantes.
Muito mais produtivo, de real importância e de grande valia para o nosso município seria a formação urgente de uma Frente Ampla em Defesa do Cemitério Público e da Memória dos Nossos Mortos.
É ali, naquele campo santo entulhado e abandonado, que repousam os restos mortais dos nossos pais, avós, filhos, irmãos e parentes queridos. Eles ajudaram a construir a história de Jeremoabo e merecem o mínimo de respeito na eternidade. Discutir a preservação da memória dos nossos ancestrais e a garantia de um sepultamento digno é uma pauta moral que deveria unir todas as lideranças, entidades e cidadãos do nosso município.
A Omissão Geral e a Desigualdade Até na Morte
Diante dessa aberração urbana e social, o silêncio que paira em alguns setores da cidade é ensurdecedor. Todas as autoridades locais tomaram conhecimento dessa doação irregular e da iminente colapso do cemitério público, mas muitos permaneceram omissos. Assiste-se a um lamentável jogo de empurra e de vista grossa, em uma postura que só se perpetua porque — como diz o triste ditado — os mortos não falam, não votam e não se defendem.
Essa bagunça institucional escancara também uma cruel divisão de classes na hora do adeus:
Para quem tem dinheiro: O recurso financeiro garante a compra de um jazigo no cemitério privado (SECOF), onde há estrutura, espaço e organização.
Para a população de baixa renda: Resta o desespero de implorar por uma cova no cemitério público entulhado, entregue ao "Deus dará" e à humilhação do improviso.
Relembra-se, com amargura, a mística popular da antiga "praga dos capuchinhos", que no imaginário do nosso povo parecia condenar a terra ao atraso. Contudo, as verdadeiras maldições de Jeremoabo não são espirituais: são fruto da má gestão, da inversão de prioridades e do desrespeito ao direito básico da população.
Conclusão: A Urgência da Anulação da Doação e da Intervenção do MP
A situação do cemitério público de Jeremoabo é uma página negra dos desmandos e da impunidade que marcaram o passado recente da nossa cidade. O terreno doado de forma irregular precisa ter a sua doação sumariamente anulada pelo Poder Público ou revertida na Justiça, para que volte à sua finalidade pública original e urgente: a expansão do cemitério municipal.
O Ministério Público e as forças vivas da sociedade precisam intervir para por fim a esse absurdo. O povo de Jeremoabo trabalha, paga seus impostos e exige o mínimo de civilidade. Respeitar o momento da dor e garantir um sepultamento digno aos nossos entes queridos não é favor; é um dever moral e constitucional da administração pública!
Deixemos de lado as discussões estéreis sobre perfumarias e datas comemorativas. O Ministério Público, a Câmara de Vereadores, a Prefeitura e a sociedade civil precisam unir forças em uma verdadeira cruzada pela dignidade humana. Respeitar o momento da dor e garantir um sepultamento honrado aos nossos entes queridos não é favor; é um dever moral, social e constitucional de quem governa e representa o povo de Jeremoabo!
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Em defesa da dignidade humana, do patrimônio público, do respeito aos nossos antepassados e contra o desperdício de tempo com debates fúteis!