sexta-feira, julho 31, 2026

Lula é esperto e diz que nada fará com que se desentenda com Donald Trump


Charge do JCaesar: 3 de junho | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Roberto Nascimento

O perigo de intervenção americana no Brasil é real? Ninguém sabe, mas Lula é esperto e foi logo dizendo que nada fará com que rompa com o presidente americano Lula da Silva. Lula sabe que já houve essa ameaça concreta em 1964, quando os Estados Unidos, com medo da influência da União Soviética no governo João Goulart, estimularam o golpe civil/militar.

O governo americano influenciou os brasileiros através do embaixador Lincoln Gordon, muito ligado a Roberto Marinho, do adido militar, coronel Vernon Walters, e dos agentes da CIA.

QUINTA FROTA – O então presidente Lyndon Johnson mandou liberar o apoio financeiro, logístico e militar para a derrubada do governo Goulart, considerado de tendência sindicalista e comunista.

Assim, no dia 31 de março de 1964, quando foi deflagrado o golpe, a Quinta Frota da Marinha norte-americana estava ancorada nas costas do Espírito Santo, preparada para agir em favor dos golpistas, em caso de resistência dos oficiais legalistas leais ao presidente João Goulart.

Não foi preciso entrar em campo o apoio militar americano, porque Jango, desistiu da reação ao golpe temendo a eclosão de uma guerra civil, que poderia acarretar a divisão do país.

TUDO DE NOVO – Agora, Donald Trump, Marco Rubio e J.D. Vance, o trio do terror, querem a volta da submissão total dos países da América do Sul aos interesses americanos. Já conseguiram tomar a Venezuela, que vem sendo comandada à distância por Marco Rúbio, o secretário de Estado.

Washington conseguiu dominar a Argentina através de Javier Milei; o Chile, com a eleição de José Antonio Kast, um seguidor do general Augusto Pinochet; a Colômbia, hoje presidida por em empresário excêntrico, Abelardo de la Espriella, que ameaça romper relações com Nicarágua e Cuba; e o Peru através de Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori.

Portanto, o cerco vai se fechando em torno do Brasil, na reta final da nova eleição para presidente.

AGROBUSINESS – Donald Trump tenta enfraquecer o maior concorrente do produtores agrícolas norte-americanos. Sua estratégia é tarifar os produtos agrícolas braseiros, desprezam a lei da livre-concorrência, um dos dogmas do capitalismo.

O resultado é negativo, porque a inflação fica estimulada. Esta semana, por exemplo, o café aumentou 4% no mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, o governo Trump não vê com bons olhos as fortes relações do Brasil com a China, Brasil, que vem comprando nossos minérios e produtos agrícolas, enquanto vende mercadorias de alto teor tecnológico e de valor agregado ao Brasil.

As montadoras de automóveis chinesas, por exemplo, tornaram-se campeãs de venda por dois anos seguidos, principalmente dos carros elétricos.

GUERRA FRIA – Está em jogo na pressão de Trump contra o Brasil, o componente chamado Pequim, nessa guerra fria em que os EUA desejam destruir a China, como fizeram com a União Soviética.

O jogo está sendo jogado no cenário internacional e o Brasil está no meio da disputa, como o algodão entre os cristais. O cenário indica que tudo será feito para que um candidato da direita, alinhado aos interesses vitais americanos, saia vencedor nas eleições presidenciais de outubro.

Esse jogo de xadrez será pesado, com uso de todas as armas financeiras e até militares, que estão disponíveis no arsenal do jogo sujo, eivado de mentiras, falsidades e argumentos dúbios. A sorte está lançada e o retrato não é nada bom para os brasileiros, que estão numa Odisseia, com o mar revolto anunciando o tsunami de nome Trump e seu canto da sereia.

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