sexta-feira, janeiro 23, 2026

Violência e perseguição contra jornalistas: quando informar vira um ato de coragem.

                                               Imagem Ilustrativa / Reprodução
                                              Foto: Arquivo pessoal


A Luta por um Jornalismo de Resistência e a Estupidez Coletiva. “Os estúpidos são mais perigosos que os bandidos e os malvados. Não há nada mais perigoso que um estúpido com poder” Carlo Cipolla - Historiador italiano.


Lauro de Freitas, 23 de Janeiro de 2026.


Por: Fábio Costa Pinto*


Em 13 de janeiro de 2025, em Lauro de Freitas, Bahia, um incidente me levou a retomar meus artigos e a denunciar o que venho enfrentando há anos: a perseguição e a estupidez coletiva, sem falar na inveja e no medo do que eu poderia revelar.

Bem, a atitude dessa perseguição e a estupidez coletiva, encontrei explicação nas reflexões de dois grandes intelectuais. Primeiro, o historiador italiano Carlo Cipolla, para quem "os estúpidos são mais perigosos que os bandidos e os malvados", porque causam perdas a outros sem obter qualquer ganho para si mesmos. Em seguida, a reflexão do filósofo Dietrich Bonhoeffer, membro da resistência alemã antinazista, que na prisão tentou entender como um povo tão culto pôde apoiar Hitler. Ele concluiu que a Alemanha foi vítima de uma "estupidez coletiva", que não é um defeito psicológico, mas um fenômeno sociológico e contagioso.

Há quatro anos, venho denunciando e cobrando das autoridades policiais e jurídicas a apuração e punição de crimes contra jornalistas, radialistas e profissionais da imprensa, além de povos originários, quilombolas, negros, mulheres, crianças e idosos, ou seria perseguição politíca?. O que eu tenho vivenciado, imagino, é uma reação direta a essa atuação. Venho sendo seguido na rua, em mercados, farmácias, bancos e nas redes sociais, numa tentativa de prejudicar meu trabalho digno e ético. "Que mal faz uma pessoa de bem?", pergunto, diante de tanta perversidade.

Minha atuação é uma resposta a esse cenário. Não sou apenas um jornalista, sou um ativista. Membro do Conselho Deliberativo da ABI e de comissões de direitos humanos e liberdade de imprensa, escrevo artigos como colaborador em vários sites e portais como Brasil 247, Tribuna da Imprensa Livre, portal de notícias IBI, Jornal Brasil Popular, entre outros, para dar voz aos invisíveis. Minha luta é um lembrete constante de que a impunidade não é mais suportável em um país com esperanças. Diante da estupidez e da covardia, devemos sempre registrar um boletim de ocorrência, saber quem são os incomodados, ou quem é o mandante ou se é só um criminoso, já registrei dois, na delegacia virtual.  A luta para que a justiça prevaleça, será a consequência

No Brasil, exercer o jornalismo tem se tornado, cada vez mais, um ato de coragem e na Bahia não é diferente. A violência e a perseguição contra jornalistas deixaram de ser episódios isolados para se tornarem um problema estrutural que ameaça diretamente a liberdade de imprensa e, consequentemente, a democracia. Em um país que se diz democrático, é alarmante que profissionais responsáveis por informar a população sejam alvos constantes de intimidação, agressão e silenciamento.

Relatórios recentes da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Repórteres Sem Fronteiras apontam que o Brasil figura, com frequência, entre os países mais perigosos das Américas para o exercício do jornalismo. Casos de ameaças, agressões físicas, ataques virtuais, processos judiciais abusivos e assassinatos de jornalistas continuam a ocorrer, especialmente contra aqueles que investigam corrupção, crime organizado, violência policial e abusos de poder local.

Grande parte dessas agressões acontece fora dos grandes centros urbanos, onde jornalistas trabalham com pouca visibilidade e quase nenhuma proteção. Em cidades pequenas e médias, denunciar irregularidades envolvendo políticos, empresários ou grupos criminosos pode significar viver sob ameaça constante. O resultado, em alguns casos, é a autocensura: reportagens deixam de ser publicadas, investigações são interrompidas e a população permanece desinformada.

Além da violência física, o Brasil enfrenta um cenário preocupante de perseguição simbólica e institucional. Ataques verbais contra jornalistas, vindos inclusive de autoridades públicas, ajudam a criar um ambiente hostil ao trabalho da imprensa. Quando líderes políticos deslegitimam jornalistas, estimulam seus seguidores a fazer o mesmo, normalizando o ódio, a intimidação e a violência. Esse discurso não é inofensivo: ele abre espaço para agressões reais.

Outro fator grave é o uso do sistema judiciário como forma de intimidação, por meio de processos excessivos e pedidos de indenizações, até milionárias contra jornalistas e veículos de comunicação. Esse tipo de perseguição, conhecido como assédio judicial, não busca justiça, mas o esgotamento financeiro e psicológico do profissional, funcionando como uma forma indireta de censura.

A impunidade também é uma marca desse problema no país. Muitos crimes contra jornalistas não são devidamente investigados, e os mandantes raramente são responsabilizados. Essa ausência de respostas do Estado transmite uma mensagem perigosa: atacar a imprensa pode sair barato. Sem justiça, a violência se repete e se aprofunda.

É preciso dizer com clareza: não existe democracia sem liberdade de imprensa. Quando jornalistas são calados, quem perde é a sociedade. O cidadão deixa de ter acesso a informações essenciais para formar opinião, fiscalizar governantes e exercer plenamente sua cidadania. A violência contra jornalistas não é um problema da categoria, mas uma ameaça direta ao direito coletivo à informação.

Proteger jornalistas no Brasil exige mais do que discursos em defesa da liberdade de expressão. Exige políticas públicas eficazes, investigações sérias, punição dos responsáveis e compromisso real das instituições com a democracia. Também exige uma mudança cultural: é necessário reconhecer o jornalismo como um pilar democrático, não como um inimigo.

Defender jornalistas é defender o direito de todos à verdade. Em um país marcado por desigualdades, corrupção e desinformação, silenciar a imprensa é um retrocesso que o Brasil não pode aceitar, e nem a Bahia. 

Em resumo, este artigo não é apenas uma crítica social; ele é um testemunho de vida e uma convocação à ação. Não tenho medo de covarde. 

*Fábio Costa Pinto, jornalista de profissão, membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa — ABI e membro das Comissões de Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos. Jornalista editor do portal de notícias - Inteligência Brasil Imprensa (IBI).


Nota da Redação Deste Blog - Assédio judicial: a nova face da violência contra a imprensa

Meu amigo e companheiro Fábio, uma das piores formas de violência contra a imprensa, especialmente contra o jornalista independente, é aquela que nasce da própria Justiça. Sim, da instituição que deveria proteger direitos, garantir liberdades e assegurar o devido processo legal. Em muitos casos, o que se vê é exatamente o contrário: a toga sendo usada como escudo para esconder mazelas, acobertar desmandos e tentar calar quem ousa revelar verdades inconvenientes.

Quando a Justiça passa a condenar injustamente jornalistas, impor multas abusivas ou aceitar ações claramente temerárias, ela deixa de cumprir seu papel constitucional e passa a atuar como instrumento de intimidação. É a censura travestida de legalidade. É a perseguição disfarçada de processo judicial. É a toga servindo não à lei, mas ao poder.

A perseguição e intimidação de jornalistas por meios judiciais, conhecida como assédio judicial, é hoje uma das formas mais severas de ataque à liberdade de imprensa. Trata-se do uso deliberado do aparato jurídico para silenciar profissionais da comunicação, não para reparar danos reais, mas para constranger, esgotar financeiramente e inibir reportagens investigativas.

Esse fenômeno se caracteriza, entre outras práticas, pelo ajuizamento de múltiplas ações sobre o mesmo tema em diferentes comarcas, pedidos de indenizações desproporcionais e tentativas constantes de criminalizar a atividade jornalística. O objetivo não é vencer no mérito, mas sufocar o jornalista pelo cansaço, pelo medo e pelo custo financeiro. É censura indireta. É mordaça judicial.

E essa via judicial é, talvez, a mais perversa forma de perseguição, sobretudo em cidades pequenas do interior. Nesses locais, onde todos se conhecem, onde o poder político e econômico costuma andar de mãos dadas e onde a Justiça, muitas vezes, sofre pressões veladas, denunciar irregularidades é um ato de alto risco. O jornalista fica isolado, vulnerável e exposto à retaliação institucional.

Como você bem citou:
“No Brasil, exercer o jornalismo tem se tornado, cada vez mais, um ato de coragem. E na Bahia não é diferente. A violência e a perseguição contra jornalistas deixaram de ser episódios isolados para se tornarem um problema estrutural que ameaça diretamente a liberdade de imprensa e, consequentemente, a democracia.”

Relatórios recentes da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Repórteres Sem Fronteiras mostram que o Brasil figura com frequência entre os países mais perigosos das Américas para o exercício do jornalismo. Ameaças, agressões físicas, ataques virtuais, processos judiciais abusivos e até assassinatos continuam a ocorrer, sobretudo contra aqueles que investigam corrupção, crime organizado, violência policial e abusos de poder local.

Grande parte dessas agressões acontece fora dos grandes centros urbanos. Em cidades pequenas e médias, jornalistas trabalham com pouca visibilidade e quase nenhuma proteção. Denunciar políticos, empresários influentes ou grupos criminosos pode significar viver sob ameaça constante. O resultado, muitas vezes, é a autocensura: reportagens deixam de ser publicadas, investigações são interrompidas e a população permanece desinformada.

Além da violência física, o Brasil enfrenta um cenário cada vez mais preocupante de perseguição simbólica e institucional. Ataques verbais contra jornalistas, inclusive vindos de autoridades públicas, ajudam a criar um ambiente hostil ao trabalho da imprensa. Quando líderes políticos deslegitimam jornalistas, estimulam seus seguidores a fazer o mesmo, normalizando o ódio, a intimidação e a violência. Esse discurso não é inofensivo: ele pavimenta o caminho para agressões reais.

Outro fator gravíssimo é justamente o uso do sistema judiciário como forma de intimidação. Processos em série, pedidos de indenizações milionárias e decisões desproporcionais funcionam como uma espada sobre a cabeça de quem informa. Não se busca justiça; busca-se silêncio. Não se quer verdade; quer-se medo.

Quando a Justiça se presta a esse papel, ela trai sua própria razão de existir. Em vez de ser guardiã da Constituição, passa a ser cúmplice da censura. Em vez de proteger a democracia, ajuda a corroê-la por dentro.

Defender a liberdade de imprensa não é defender jornalistas enquanto indivíduos. É defender o direito da sociedade à informação, à transparência e ao contraditório. Onde a imprensa é calada, a corrupção prospera, os abusos se multiplicam e a democracia adoece.

Por isso, o assédio judicial contra jornalistas não pode ser tratado como algo normal ou aceitável. É preciso denunciá-lo, combatê-lo e expô-lo. Porque quando a Justiça se esconde na toga para praticar atos ilícitos, não é apenas o jornalista que está sendo perseguido. É a própria sociedade que está sendo silenciada. ( José Montalvão)


quinta-feira, janeiro 22, 2026

Eleições de 2026 devem ser decididas pela rejeição, não pela ideologia, aponta pesquisador político

 

Eleições de 2026 devem ser decididas pela rejeição, não pela ideologia, aponta pesquisador político
Análises eleitorais indicam que cerca de um terço do eleitorado brasileiro tende a escolher o “menos rejeitado”, tornando a rejeição um fator decisivo na sucessão presidencial
 


Brasil, janeiro de 2026 - A eleição presidencial de 2026 tende a ser definida mais pelo nível de rejeição dos candidatos do que pela força de discursos ideológicos. A avaliação é do pesquisador político Emanoelton Borges, CEO da Alfa Inteligência, instituto especializado em estudos de comportamento eleitoral, que acompanha a evolução do voto no Brasil ao longo da última década.
 

De acordo com análises conduzidas pelo instituto, aproximadamente 32% a 33% do eleitorado brasileiro adota um comportamento de voto defensivo, optando pelo candidato considerado menos rejeitável, e não necessariamente por aquele com maior afinidade política. “A rejeição se consolidou como um elemento central da decisão eleitoral. Em disputas polarizadas e com percentuais apertados, ela passa a ser determinante para o resultado final”, afirma Borges.
 

O pesquisador observa que esse padrão se intensificou a partir das eleições de 2014 e se tornou ainda mais evidente no pleito de 2022, marcado por forte polarização e margem estreita de votos. Para ele, o cenário projetado para 2026 reforça a perda de centralidade das narrativas ideológicas tradicionais. “O eleitor tem demonstrado menor disposição para aderir a discursos rígidos e maior atenção a critérios como preparo, trajetória pública e capacidade de gestão”, avalia.
 

Outro fator destacado pelas pesquisas é a volatilidade do voto. Segundo Borges, a decisão do eleitor ocorre cada vez mais próxima do dia da eleição, com índices relevantes de indecisos persistindo até as semanas finais da campanha. “O ambiente de comunicação mudou profundamente. O excesso de informações, sobretudo nas redes sociais, dilui a atenção do eleitor e posterga o momento da escolha”, explica.
 

Nesse contexto, temas considerados mais concretos tendem a ganhar peso na avaliação dos candidatos. Segurança pública, histórico de desempenho em cargos anteriores e viabilidade de entrega das propostas aparecem entre os principais critérios associados à redução ou ao aumento da rejeição. “O eleitor que irá decidir a eleição está menos movido por engajamento emocional e mais orientado por uma lógica pragmática”, afirma Borges.
 

Para o pesquisador, compreender esse comportamento será decisivo para as estratégias eleitorais. “Em um cenário no qual uma parcela expressiva do eleitorado decide pelo critério da menor rejeição, vencer passa menos por mobilizar bases ideológicas fiéis e mais por não afastar o eleitor indeciso”, conclui.

 

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"A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017)." by Moisés Lazzaretti Vieira

 

A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017).
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Author Photo Moisés Lazzaretti Vieira
2019, Dissertação (Mestrado em Ciência Política). Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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Ministros do STF sonham encontrar a “saída honrosa” para Dias Toffoli

 

Tribuna da Internet | Category | C. Newton

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Luísa Martins, José Marques e Adriana Fernandes
Folha

Para contornar a crise de imagem enfrentada atualmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão dos desdobramentos do caso Master, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma “saída honrosa” para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.

FORO PRIVILEGIADO? – A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.

Outra investigação, que se iniciou no âmbito da Justiça Federal em São Paulo, também foi enviada ao STF e fundamentou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, e que apura suspeitas de fraudes realizadas no Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.

Contudo, até agora, não há qualquer linha de apuração que aponte para o envolvimento do parlamentar nas fraudes bancárias, segundo investigadores a par do caso. Bacelar afirma que apenas participou de um fundo para a construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro havia demonstrado interesse em adquirir parte do projeto, mas a transação não foi adiante.

DEVOLVER OS AUTOS – Uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau. Seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.

Nessa hipótese, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.

O envio do processo à primeira instância também é defendido por integrantes do MPF (Ministério Público Federal), por pessoas próximas a Toffoli e por advogados que acompanham o caso, embora tenha sido a defesa de Vorcaro a autora do requerimento para que a investigação fosse supervisionada pelo STF.

TOFFOLI INSISTE – Apesar desses apelos, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações, como mostrou a Folha. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.

Toffoli argumenta que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo ou se volta à primeira instância.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Toffoli atingiu o chamado ponto sem  retorno. Tudo nele indica corrupção e favorecimento. Está emporcalhando a imagem do Supremo, onde só poderia entrar como réu, jamais como ministro. É caso de impeachment, sem a menor dúvida. (C.N)


Malafaia diz que Flávio não empolga e aponta Tarcísio como alternativa viável

 

Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância como 'saída honrosa' para Toffoli

  como 'saída honrosa' para Toffoli

Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância como 'saída honrosa' para Toffoli

Por Luísa Martins, José Marques e Adriana Fernandes/Folhapress

22/01/2026 às 06:23

Foto: Antonio Augusto/Arquivo/STF

Imagem de Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância como 'saída honrosa' para Toffoli

Dias Toffoli

Para contornar a crise de imagem enfrentada atualmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão dos desdobramentos do caso Master, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma "saída honrosa" para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.

A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.

Outra investigação, que se iniciou no âmbito da Justiça Federal em São Paulo, também foi enviada ao STF e fundamentou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, e que apura suspeitas de fraudes realizadas no Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.

Contudo, até agora, não há qualquer linha de apuração que aponte para o envolvimento do parlamentar nas fraudes bancárias, segundo investigadores a par do caso. Bacelar afirma que participou de um fundo para a construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro havia demonstrado interesse em adquirir parte do projeto, mas a transação não foi adiante.

Uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau —seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.

Nessa hipótese, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.

O envio do processo à primeira instância também é defendido por integrantes do MPF (Ministério Público Federal), por pessoas próximas a Toffoli e por advogados que acompanham o caso, embora tenha sido a defesa de Vorcaro a autora do requerimento para que a investigação fosse supervisionada pelo STF.

Apesar desses apelos, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações, como mostrou a Folha. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.

O Código de Processo Penal prevê que o juiz está impedido de atuar nas ações em que seu cônjuge ou parente tenha participado; em que ele próprio tenha atuado no passado (como advogado ou juiz de instância inferior); ou em que ele ou seus familiares forem "diretamente interessados".

Já a suspeição tem caráter subjetivo e diz respeito a situações, por exemplo, em que o ministro é amigo íntimo das partes ou dos advogados, recebe presentes de pessoas interessadas na causa ou aconselha as partes. Se houver motivo de foro íntimo, ele não é obrigado a detalhá-lo.

Toffoli sinalizou que essas variáveis não estão em jogo e argumentou que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo, se volta à primeira instância ou se o caminho é um meio-termo —um desmembramento da investigação, em que o ministro fica responsável por autoridades com foro e a Justiça Federal, pelos demais investigados.

Desde o início, o ministro tem tentado acelerar procedimentos da investigação, enquanto mantém controle completo sobre os seus rumos, o que já causou atritos com a PF. A acareação que ocorreu em 30 de dezembro entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, por exemplo, foi marcada antes de serem tomados os depoimentos dos investigados.

Toffoli acabou definindo que os dois fossem ouvidos pela delegada do caso nas horas que antecederam a acareação. Ele também determinou que ela fizesse aos banqueiros mais de 80 perguntas elaboradas pelo seu próprio gabinete.

Na última semana, Toffoli também decidiu que a PF, que pretendia tomar outros depoimentos do inquérito nas semanas entre o final de janeiro e o início de fevereiro, resumisse esse procedimento a dois dias. O cronograma ficou definido para os próximos dias 26 e 27.

Além disso, o ministro definiu, por conta própria, os peritos que vão analisar as provas obtidas na última fase da Compliance Zero, o que fez a própria PF pedir ajuda ao governo para questionar a decisão. A associação de delegados da corporação disse que as decisões do ministro são uma "afronta às prerrogativas" da categoria.

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