quinta-feira, janeiro 22, 2026

Amanhã talvez

 

Arte: Marcelo Chello

Tarcísio achou algo melhor para fazer do que visitar Bolsonaro na prisão-hotel, e pulou fora. Outro que pulou fora foi o advogado de luxo Walfrido Warde, só que ele pulou do caso Master. E, por falar em luxo, o resort de luxo lá no Paraná deixou Toffoli e os irmãos, mas Toffoli e os irmãos não deixaram o resort de luxo. E o Trump jurou de dedinhos que não vai usar a força para tomar a Groenlândia. Vem ler.

Selva!

Ontem, noticiamos aqui que Xandão resolveu deixar o Tarcísio visitar Bolsonaro na papudinha, a prisão de luxo onde o ex-mito cumpre sua pena. Só que, assim que a notícia saiu, Flavitcho já correu dizer que sabia direitinho o que o pai iria falar para o governador de São Paulo: que o 01 será o candidato dele à presidência.

Parece que azedou o pé do frango e, hoje, Tarcísio resolveu dar um perdido em Bolsonaro e adiou a visitinha, sem uma nova data confirmada. A explicação? Compromissos em São Paulo! Claro, claro!

A galera do Centrão soltou aqui e ali na imprensa que esse adiamento é para ganhar tempo, já que a direita tá mais perdida que cachorro que caiu do caminhão de mudança, afinal eles não querem Flavitcho Bolsonaro para encarar o Lula nas próximas eleições.

Só contextualizando o rolezinho do Tarcísio: primeiro, ele curte um comentário da própria esposa, que escreveu nas redes que o Brasil precisa de um CEO como ele. Agora, adia a visita a Bolsonaro, que já confirmou que o Flávio é o candidato. Huuum! Acho que tá querendo!

Master Pânico

E Walfrido Warde, que é o advogado supra-sumo star dos mega litígios empresariais, também andou pulando fora hoje. Só que, nesse caso, foi um pulo pra fora da defesa do Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, no caso que corre no Supremo e que investiga toda essa treta que envolve o banqueiro. E a explicação é porque ele não atua na área criminal. E, pelo andar da carruagem, bota criminal nisso tudo.

Nota aleatória: Walfrido, desde 2018, vira o nariz para delações premiadas. Por isso, teve um certo povo meio em pânico com esse movimento.

Quanto mais mexe…

Deputados do PSOL e PT pediram explicações ao Banco Central sobre o rolê da Clava Forte Bank, que foi fundada pelo pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha. E quem era pastor na tal Igreja Lagoinha? Fábio Zettel, o cunhado do Vorcaro, que foi preso no dia em que estava embarcando para Dubai.

E, falando em Banco Central, ele liquidou hoje o Will Bank, que era o Nubank do Vorcaro, com 60% dos clientes sendo das classes de baixa renda e do Nordeste. Mais uns 6 bi de prejuízo, inclusive para o BRB, o Banco de Brasília, que o governador Ibaneis, dia sim, outro também, jura que está bem. Mesmo com o rolê dos empréstimos fraudulentos na tentativa de salvar o Master.

A propósito, o BC não respondeu até agora por que deu um banco para o ex-sócio do Vorcaro, o Augusto Lima, já que tinha identificado fraudes no Master. O tal Lima era o braço baiano com boas relações com o PT baiano. O Vorcaro já andava mais à direita.

Por falar em coisa mal explicada…

E a imprensa segue na cola do supremo Toffoli

Folha contou hoje que, mesmo depois de seus irmãos se desfazerem da participação que tinham no resort de luxo na divisa entre Paraná e São Paulo, ele continuava a frequentar o lugar e chegava de helicóptero e tudo. Para quem está perdido, os irmãos do ministro em algum momento foram sócios do empreendimento junto com um fundo que fazia parte das tretas do Banco Master. Mas eles já venderam a participação no negócio… para um advogado da JBS — sim, a do Joesley Jojo Batista. Ufa, melhor mesmo se livrar de tretas, né?

Mas a galera que trabalhou e que ainda trabalha no resort jura de pés juntos que a Family Dias Toffoli ainda é dona do babado. Aff.

Já o Estadão resolveu visitar a sede da empresa dos irmãos do ministro supremo. A tal sede, na verdade, é a casa do José Eugênio Dias Toffoli, um dos maninhos. Segundo a reportagem, a casa está com a pintura zuadinha e rachada, e o piso da garagem e da calçada rachados. Nada de luxo. E a esposa do Zé Toffoli mandou essa: “Sócio? Olha minha casa.” Digo nada, só óleo.

Por falar em Laranja, digo, Orange…

Donald J. Trump (J de João, eu juro) jurou de dedinhos hoje que não vai usar a força na Groenlândia. Ele disse que já definiu com a OTAN o rascunho de um futuro acordo nesse rolê da ilha gelada.

E daí cancelou aquelas tarifas de 10% que a galera da Europa iria ter que começar a pagar no começo de fevereiro. Trump sendo Trump. Agindo ao sabor do topete.

Chega, BRASEW. Que não tenho resort, nem banco.

 

Fachin diz a ministros do STF que código de ética não é ideia dele, mas demanda da sociedade

 

Fachin diz a ministros do STF que código de ética não é ideia dele, mas demanda da sociedade

Por Catia Seabra e Luísa Martins/Folhapress

22/01/2026 às 07:00

Atualizado em 22/01/2026 às 10:00

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

Imagem de Fachin diz a ministros do STF que código de ética não é ideia dele, mas demanda da sociedade

Edscon Fachin

Na tentativa de convencer os ministros da necessidade de aprovar um código de conduta para contornar a crise de imagem do STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente da corte, Edson Fachin, tem dito aos colegas que a iniciativa não é uma ideia dele próprio, mas uma demanda da sociedade por mais integridade.

Fachin concluiu nesta terça-feira (20) uma rodada de conversas com todos os magistrados. Ele voltou a Brasília em meio às férias para lidar mais de perto com os desgastes enfrentados atualmente pelo tribunal, especialmente devido à condução da investigação sobre as fraudes do Banco Master.

Segundo relatos feitos à Folha, o presidente do STF tentou desvincular do seu nome a proposta de fixar diretrizes para a magistratura dos tribunais superiores, afirmando que a sugestão partiu de entidades como a Fundação FHC (Fernando Henrique Cardoso) e conta com apoio, por exemplo, da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil).

Nessas interlocuções, o ministro rechaçou a denominação "código de Fachin" e disse que, embora seja pessoalmente favorável à implementação das medidas, nada será imposto, mas construído a partir de um consenso. Prova disso, segundo ele, seria o fato de o texto ainda estar em aberto e apto a receber colaborações.

No entanto um grupo de ministros ainda resiste ao avanço desse debate e defende que as discussões sejam pausadas até que as tensões arrefeçam. A avaliação é de que a ofensiva de Fachin a favor do código de conduta acontece em um momento inoportuno, deixando os ministros e a própria corte sujeitos a uma nova onda de ataques.

O tema começou a ganhar tração em dezembro, quando vieram à tona informações sobre a viagem de jatinho do ministro Dias Toffoli com o advogado de um diretor do Master e sobre o contrato que a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmou com a instituição financeira. O STF não comenta esses episódios.

Fachin evitou entrar especificamente no assunto Master com os ministros. As conversas foram descritas como "exploratórias", com o presidente da corte querendo colher as impressões de cada um sobre os desafios para 2026, medindo a temperatura sobre o código de conduta e se colocando à disposição para diálogos institucionais.

Auxiliares de Fachin afirmam que, como o STF está permanentemente sob os holofotes, é difícil prever um momento de calmaria que resulte no "‘timing’ perfeito" para levar a proposta adiante. Por isso, o presidente da corte deve insistir na aprovação das diretrizes como um legado da sua gestão.

Inspirada no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, a minuta inicial de Fachin prevê, como um dos principais pontos, a divulgação obrigatória de verbas recebidas por ministros pela participação em eventos e palestras. Também restringe manifestações públicas a respeito de processos que tramitam no Supremo.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que fiscaliza magistrados de todo o Brasil, não tem competência para analisar casos dos ministros do STF. Hoje já há regras a que os ministros estão submetidos, como o Estatuto da Magistratura, que proíbe, por exemplo, a manifestação de opinião sobre processo pendente de julgamento.

O ministro assumiu a presidência defendendo a contenção do Judiciário. Em seu discurso de encerramento do ano de 2025, disse que o código de ética ganhou "corpo expressivo" de forma espontânea e que a magistratura deve ser exercida "com rigor técnico, sobriedade e consciência histórica".

"Não poderia, nessa direção, deixar de fazer referência à proposta, ainda em gestação, de debatermos um conjunto de diretrizes éticas para a magistratura", afirmou o presidente do Supremo na ocasião.

Donald Trump está preocupadíssimo com as críticas que recebe na GloboNews


Por paralisação no governo, Trump cancela viagem de delegação dos EUA ao Fórum Econômico Mundial | G1

Trump em Davos: ‘Só os EUA podem proteger a Groenlândia’

Vicente Limongi Netto

Um raio de lucidez, nos furiosos ataques e insultos da turma afoita da GloboNews, surgiu, dia desses,   de uma veterana profissional, Leilane Neubarth, ao afirmar: “Trump não nega nem esconde, desde o iniício do segundo mandato, fazendo um ano hoje, o que quer e o que pretende fazer”. 

Realmente, o objetivo principal das ações do polêmico Trump é proteger os interesses do país e dos norte-americanos. Trump sacou faz tempo, “a  América  para os americanos”.

BOM DISCURSO – Trump fez bom discurso em Davos. Defendeu o mandato, o povo norte-americano e, claro, elogiou sua gestão. Trump fala o que o norte-americano deseja e quer ouvir. Simples assim.

Voltava feliz para a Casa Branca quando soube que Valdo Cruz, Otavinho Guedes,  Miriam Leitão,  Fernando Gabeira, Marcelo Lins, Merval Pereira e outros ainda piores, não gostaram do tom triunfalista do discurso dele.  Aí, Trump ficou deprimido. É político sensível, não quer se indispor nem a admiração que tem, de longa data, pelos repórteres da notável GloboNews. 

GPS TOGADO – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, perdeu o sono. Anda preocupado com a imagem da Suprema Corte. Auxiliares mais chegados sugeriram ao diligente ministro a compra de novo e mais moderno GPS para o carro oficial.

É um aparelho genial que fala e orienta o motorista em vários idiomas. Assim ficará mais fácil, explicaram ao ministro, localizar a imagem do STF. Em qualquer lugar do planeta.

Também aconselharam Fachin a comprar imagem para o STF em farmácias qualificadas. Preços camaradas para o judiciário. Mas souberam que a exigente Anvisa proibiu a venda de imagens com tarja preta ou roxa, sem receita médica. Fachin ficou de pedir ajuda ao ministro Dias Toffoli, que resolve tudo, de uma hora para outra.


Flávio Bolsonaro esbarra em resistência evangélica como herdeiro do bolsonarismo


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Prefeitura de Santo Amaro das Brotas exonera todos os cargos comissionados

 A exoneração dos funcionários ocorre após retenção de todo o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)

A informação foi divulgada pelo prefeito do município, Paulo César (Foto: Santo Amaro das Brotas, como eu vejo/Facebook)

A Prefeitura de Santo Amaro das Brotas anunciou a exoneração de todos os cargos comissionados da gestão municipal diante da grave situação financeira do município. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 21.

Segundo o prefeito Paulo César Oliveira, a exoneração dos funcionários ocorre após a decisão do Governo Federal de reter todo o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para a quitação de dívidas do município com a Receita Federal do Brasil.

Em nota, o gestor explicou que não haveria condições reais para garantir o pagamento mensal dos funcionários. Além disso, afirmou que apenas os cargos necessários para continuidade dos serviços essenciais serão mantidos.

“É necessário um passo atrás para reorganizar as finanças, recuperar recursos, quitar pagamentos pendentes e garantir a continuidade da administração do nosso município”, relatou o prefeito.

Complicações financeiras

No início do mês, a prefeitura do município já havia informado sobre as complicações financeiras, anunciando o cancelamento da Festa de Janeiro de 2026, que contaria com atrações como Lambissaia, Mikael Santos e O Kannalha, após o bloqueio de mais de R$ 500 mil do FPM.

por Carol Mundim

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Nota da redação Deste Blog - Jeremoabo: entre a herança maldita e a coragem de governar

A situação encontrada pelo prefeito Tista de Deda ao assumir a administração municipal de Jeremoabo talvez tenha sido até mais grave do que a vivida recentemente em Santo Amaro das Brotas. A inadimplência herdada, fruto de uma gestão desastrosa, comprometeu finanças, credibilidade e a própria capacidade de o município honrar seus compromissos básicos. Era, sem exagero, um cenário de terra arrasada — a clássica “herança maldita”.

Diante desse quadro, muitos prefeitos teriam optado pelo caminho mais fácil: demissões em massa, cortes radicais e a transferência de responsabilidades para os trabalhadores e para a população mais vulnerável. Em Santo Amaro das Brotas, por exemplo, a prefeitura anunciou a exoneração de todos os cargos comissionados após o Governo Federal reter integralmente o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para quitar dívidas com a Receita Federal. O bloqueio de mais de R$ 500 mil levou inclusive ao cancelamento da tradicional Festa de Janeiro de 2026. Um choque administrativo que, embora compreensível do ponto de vista contábil, tem efeitos sociais devastadores.

Em Jeremoabo, no entanto, Tista de Deda escolheu outro rumo. Mesmo enfrentando dificuldades extremas, críticas oportunistas e o discurso do “quanto pior, melhor”, ele decidiu agir pelo lado humano. Apelou ao bom senso, à responsabilidade e à sabedoria política. Não saiu demitindo quase ninguém, preservou empregos, manteve serviços funcionando e encarou a tempestade de frente, como bom timoneiro que sabe que abandonar o leme no meio do mar revolto só agrava o naufrágio.

As críticas, muitas delas seletivas, surgiram a cada atraso pontual ou dificuldade de pagamento. Mas é preciso honestidade intelectual: quem governa sobre escombros não faz milagres da noite para o dia. Reorganizar finanças, recuperar credibilidade e quitar pendências exige tempo, disciplina e coragem para tomar decisões impopulares sem perder de vista a dimensão humana da gestão pública.

Tista de Deda parece ter entendido algo que muitos esquecem: a prefeitura não é uma empresa qualquer, e os servidores não são números descartáveis em uma planilha. Governar também é cuidar de gente. É por isso que sua postura contrasta com a de outros municípios que, diante do caos financeiro, optaram por medidas drásticas e imediatistas.

Como diz o provérbio popular, “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. Tudo é transitório. Os momentos ruins passam — e passam mais rápido quando há determinação, seriedade e compromisso com o coletivo. Mas também é verdade que os momentos bons só se sustentam quando há planejamento e responsabilidade.

Jeremoabo atravessa um período difícil, sem dúvida. Mas, ao invés de aprofundar a crise com demissões em massa e decisões precipitadas, o prefeito resolveu enfrentar a realidade com coragem e humanidade. Isso não elimina os problemas herdados, mas aponta para um caminho mais justo, equilibrado e promissor.

No fim das contas, governar em tempos de bonança é fácil. Difícil é governar em meio ao caos — e ainda assim escolher não abandonar quem mais precisa. É nesse ponto que se mede a grandeza de um gestor. E, gostem ou não os críticos de plantão, Tista de Deda tem demonstrado que prefere enfrentar a tempestade com dignidade a jogar o povo ao mar para salvar a própria imagem.

Abrigo dos Vicentinos: esquecido por quem só aparece em época de eleição

 

Abrigo dos Vicentinos: esquecido por quem só aparece em época de eleição

* Por José Montalvão

Entra período eleitoral, termina período eleitoral, e o filme se repete em Jeremoabo: as redes sociais são inundadas por promessas, sorrisos ensaiados, fotos em obras, anúncios de emendas, discursos sobre “compromisso com o povo” e juras de amor à cidade. Mas há um silêncio constrangedor que atravessa todos esses ciclos políticos: ninguém aparece dizendo que conseguiu qualquer recurso em benefício do Abrigo dos Vicentinos.

Nenhum deputado, nenhum senador, nenhum pré-candidato a nada. Nenhum politiqueiro de ocasião. Nenhuma selfie com placa de obra, nenhum vídeo emocionado dizendo: “trouxemos dignidade para quem mais precisa”. Nada. Absolutamente nada.

E isso é grave.

O Abrigo dos Vicentinos não é um detalhe na paisagem social de Jeremoabo. Ele é um dos lugares mais importantes do município. Um espaço que acolhe, cuida, protege e dá dignidade a pessoas que já deram tudo o que tinham para dar à vida. Um local que amanhã — sim, amanhã — poderá ser a moradia de qualquer um de nós. Porque ninguém adivinha o que está determinado para o amanhã de cada um.

A velhice, a doença, a solidão e a vulnerabilidade não escolhem partido, cor, ideologia nem posição social. Hoje muitos se acham intocáveis; amanhã podem estar batendo à porta do mesmo abrigo que hoje é ignorado por quem só enxerga voto e palanque.

Vale lembrar o que é, de fato, a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) e a magnitude do trabalho dos vicentinos.

Inspirados por Antônio Frederico Ozanam, os vicentinos formam uma verdadeira rede de caridade, que atua diretamente nos momentos mais difíceis da vida. Eles não ficam em gabinetes climatizados nem em redes sociais disputando curtidas. Eles estão nas casas, nas ruas, nos leitos improvisados, nas situações de abandono, pobreza e risco social.

A atuação dos vicentinos vai muito além da assistência material. Sim, eles distribuem alimentos, roupas, remédios e até materiais de construção quando necessário. Mas também oferecem algo que nenhum orçamento público consegue comprar: escuta fraterna, acolhimento humano e conforto espiritual.

Por meio das “Conferências” — os grupos locais de voluntários — eles identificam necessidades urgentes e agem onde o poder público frequentemente não chega ou finge não ver. São eles que estendem a mão quando o discurso acaba e a propaganda se cala.

Mas é preciso dizer algo com todas as letras: o Abrigo dos Vicentinos não pode — e não deve — viver apenas de ajuda da Prefeitura. A Prefeitura tem, sim, responsabilidade social, e o prefeito, muito ou pouco, faz a sua parte dentro das limitações do orçamento municipal. Isso é fato.

O que não é aceitável é jogar todo o peso dessa missão humanitária nas costas do município e dos voluntários.

Onde estão os deputados estaduais e federais que pedem voto em Jeremoabo?
Onde estão os senadores que prometem “olhar com carinho” para a cidade?
Onde estão os políticos que dizem representar a região?

Nenhum deles aparece com emenda parlamentar para o Abrigo dos Vicentinos. Nenhum articula recurso estadual ou federal. Nenhum assume publicamente esse compromisso. Todos sabem pedir voto; poucos sabem devolver em forma de dignidade.

A resposta é dura, mas necessária: porque o Abrigo dos Vicentinos não rende voto fácil, não vira palco, não dá foto bonita com fita para cortar. Ali não há multidão para aplaudir, nem música alta, nem bandeiras tremulando. Há silêncio, fragilidade, dor e necessidade real.

E é justamente por isso que deveria ser prioridade.

Jeremoabo precisa parar de aceitar esse teatro político cíclico, onde tudo gira em torno de eleição e nada em torno de humanidade. O Abrigo dos Vicentinos não pode continuar sobrevivendo apenas da boa vontade de voluntários, de doações esporádicas e de uma ajuda municipal limitada, enquanto milhões circulam em emendas, convênios e discursos vazios.

Se há um lugar que simboliza dignidade, solidariedade e o verdadeiro sentido de política pública, é ali.

Que os politiqueiros de plantão, tão falantes nas redes sociais, tenham ao menos a decência de olhar para o Abrigo dos Vicentinos. Que algum deles, pela primeira vez, apareça não para prometer, mas para entregar. Não para posar, mas para resolver.

Porque amanhã pode ser tarde.
E amanhã pode ser a nossa vez.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

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