quarta-feira, janeiro 21, 2026

Políticos na marcha de Nikolas são acusados por 10 crimes e podem pegar mais de 40 anos de prisão

 

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 Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 20:41

A marcha de Minas Gerais a Brasília organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reúne uma série de parlamentares da direita brasileira que, juntos, são investigados, denunciados, processados ou condenados por, pelo menos, dez crimes.

Se condenados por tais ilícitos, os colegas de caminhada de Nikolas poderão cumprir, ao todo, mais de 40 anos de prisão em regime fechado. É com essa turma que o deputado mineiro caminha para transformar e libertar o Brasil

::Leia mais: “VÍDEO – Frota zomba de caminhada de Nikolas rumo a Brasília: ‘Vou encontrar com eles’“::

Veja, abaixo, alguns dos principais companheiros de jornada de Nikolas, e o que a Polícia e Justiça têm contra eles.

Deputado Gustavo Gayer (PL-GO): matou cidadão dirigindo bêbado e foi preso fugindo da polícia

O deputado federal Gustavo Gayer (dir.): matou dois e nunca respondeu por isso (crédito: reprodução)

No dia 16 de julho de 2015, o deputado (então empresário) Gustavo Gayer bateu sozinho seu Toyota Corolla à 1h30 da manhã, na avenida 85, em Goiânia. Ele perdeu o controle do carro e colidiu no meio-fio e em uma proteção de um ponto de ônibus. Com o acidente, o pneu dianteiro esquerdo estourou, e toda a parte da frente do veículo foi danificada, o que não impediu o parlamentar de seguir trafegando com seu Corolla.

Uma viatura da polícia presenciou o acidente e solicitou que ele parasse, no que não foi atendida, dando início a uma perseguição que se estendeu por alguns quilômetros, até que ele finalmente resolveu parar, na Avenida T-63 da capital goiana.

Os policiais submeteram-no ao teste do bafômetro, momento em que foi constatado que Gustavo Gayer estava bêbado. Resultado: foi preso em flagrante, sendo posteriormente posto em liberdade com o pagamento de fiança.

Veja documentos oficiais da Polícia Civil e do Ministério Público de Goiânia que registram o ocorrido.

A prisão dirigindo bêbado e batendo sozinho no meio-fio não foi o primeiro acidente de trânsito em que Gustavo Gayer se envolveu. No dia 26 de novembro de 2000, ele atropelou uma pessoa no município de Rialma, a 183 quilômetros da capital goiana. A vítima veio a morrer em virtude dos ferimentos, e Gustavo Gayer foi processado por homicídio culposo (sem a intenção de matar), nos termos dos artigos 302 e 303 do Código Brasileiro de Trânsito.

Por este fato, o parlamentar não chegou a ser condenado, posto que o processo penal se estendeu por tempo demais, ultrapassando o prazo prescricional dos crimes, sendo, portanto, extinto sem o julgamento do mérito.

O parlamentar, que arrastou o processo por dez anos com recursos sobre recursos, nunca foi preso pelo crime nem jamais pagou qualquer indenização à família da vítima. Veja abaixo trecho de documento do Tribunal de Justiça de Goiás.

Carlos Bolsonaro (PL-SC): indiciado por organização criminosa, espionagem e rachadinha

Carlos Bolsonaro (PL-SC, à esquerda): investigado por crimes que somam mais de 20 anos de pena (crédito: reprodução)

O pré-candidato a senador por Santa Catarina Carlos Bolsonaro (PL-SC) foi indiciado pela Polícia Federal em junho do ano passado, por comandar um grupo de disseminação de desinformação contra alvos ilegalmente espionados que ficou conhecido como “Abin Paralela” e que começou a atuar durante o governo de jair Bolsonaro (2019-22).

Segundo a PF, Carlos Bolsonaro “integrou, de forma consciente e voluntária, o NÚCLEO POLÍTICO da organização criminosa, atuando na disseminação de desinformação e na integração da ‘estrutura paralela de inteligência’, sendo beneficiário e direcionador de ações clandestinas de inteligência e desinformação”.

A PF investiga o pré-candidato pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado e por integrar organização criminosa, delito majorado por contar com a participação de funcionário público na quadrilha. Se condenado, pode pegar mais de 20 anos de prisão.

Finalmente, Carlos é alvo também de investigações pela prática de “rachadinha”, recolha compulsória de parte dos salários dos funcionários de seu gabinete para uso próprio, que, segundo a polícia, teriam ocorrido ao longo de mais de dez anos enquanto Carlos era vereador pelo Rio de Janeiro.

Deputado Luciano Zucco (PL-RS): réu por atacar indígenas no sul da Bahia

Deputado Zucco (PL-RS, à esquerda): réu por ameaçar indígenas (crédito: reprodução Facebook)

O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) largou os afazeres em Brasília e acompanha a caminhada de Nikolas desde a última terça-feira (20).

Ele é réu em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal desde abril de 2024, por ter invadido, em agosto de 2023, território indígena no sul da Bahia, acompanhado de agentes da Polícia Federal, para ameaçar os moradores e coagi-los a deixar o local.

É que ele afirmou, sem qualquer base documental ou probatória, que aquele local era uma propriedade privada que tinha sido invadida pelos indígenas.

O Ministério Público Federal, no processo em que demanda que o deputado pague R$ 500 mil de reparação e multa, afirma:

“Embora sem fazer parte do Poder Judiciário, o Parlamentar Federal agiu como se tivesse alguma função a exercer ali. Afinal, o que lá foi fazer?” Sobre o fato alegado de que os indígenas se encontrariam em propriedade privada de terceiros, o MPF explicou que são afirmações “desprovidas de mínimo fundamento, porquanto o deputado, é evidente, nada testemunhou.”

“Ouviu alguma versão, a tomou como ‘verdade’, sem processo, sem contraditório, sem apuração e, mais grave, resolveu se deslocar ao local, acompanhado da Polícia Federal, para intimidar os indígenas e ofendê-los em sua própria existência e dignidade na busca pelos direitos que lhes são constitucionalmente assegurados”.

Leia a acusação completa do MPF clicando aqui. Veja, abaixo, imagens anexadas pelos procuradores ao processo, do deputado forçando sua entrada em território indígena. O cdceputado segue como réu no processo, que tramita em segunda instância no TRF 1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) segue tramitando na Justiça Federal.

Deputado Zucco tentanto expulsar indígenas de um território indígena: ele não conseguiu, mas responde na Justiça por ter tentado (crédito: MPF/BA)

Deputado André Fernandes (PL-CE): condenado por crime eleitoral e ataques à imprensa

André Fernandes (PL-CE), à direita: tentou comprar votos com abadás, mas perdeu eleição a prefeito (crédito: reprodução)

O deputado federal André Fernandes se tornou nacionalmente conhecido ao gravar e publicar um vídeo em que faz um tutorial de como depilar o próprio ânus, mas isso não representa qualquer crime.

Por outro lado, o parlamentar, que se candidatou e perdeu a disputa pela prefeitura de Fortaleza em 2024, foi condenado pela Justiça Eleitoral a pagar R$ 50 mil em multas por abuso do poder econômico e práticas ilegais de campanha.

É que, durante a última eleição municipal, Fernandes, junto com Nikolas, montou uma série de micaretas, eventos de carnaval fora de época, e confeccionou abadás, vestimentas festivas para este tipo de evento, com os autoacusatórios dizeres “Bloco do 22”. O candidato fez mais: distribuiu de graça os abadás para mais de 20 mil eleitores, em flagrante crime eleitoral. Veja imagem abaixo.

Em outro caso de Justiça, em 2021, Fernandes foi condenado a pagar indenização de R$ 50 mil à Patrícia Campos Mello, depois de publicar nas redes sociais ataques machistas contra a jornalista da Folha de São Paulo.

O deputado publicou em suas redes sociais declarações ofensivas contra ela, acusando-a, sem qualquer prova, de trocar sexo por informações que fossem prejudiciais ao então presidente Jair Bolsonaro.

A publicação foi feita no dia 11 de fevereiro de 2020 no perfil oficial do Twitter de André Fernandes. “Se você acha que está na pior, lembre-se da jornalista do Folha de SP que oferece sexo em troca de alguma matéria para prejudicar Jair Bolsonaro. Depois de hoje, vai chover falsos informantes pra cima desta senhora. Força, coragem e dedicação Patrícia, você vai precisar!”, dizia a postagem.

Senador Marcos do Val (PL-ES): com passaporte retido e licenciado do Senado por doença, mas presente na marcha de Nikolas

Marcos do Val. Foto: Divulgação

Conhecido por publicar, durante as madrugadas, vídeos de difícil compreensão, o senador Marcos do Val (PL-ES) solicitou uma licença médica de aproximadamente quatro meses no final de 2025, afastando-se temporariamente de suas atividades parlamentares enquanto lida com questões jurídicas e familiares. Isso não o impediu, porém, de se juntar à marcha de Nikolas pela liberdade.

::Leia mais: “Em live surtada, Do Val xinga Moraes, ataca fotógrafo e mostra tornozelo sangrando“::

Enquanto isso, ele responde a múltiplas investigações e processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em agosto do ano passado, a Polícia Federal indiciou formalmente o senador pelos crimes de obstrução da Justiça, corrupção de menores (relacionado ao uso de um menor para ataques a agentes públicos), incitação ao crime e associação criminosa.

O parlamentar também é alvo de investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes, que apuram ataques institucionais, divulgação de dados pessoais e ofensas contra delegados da PF e ministros do STF.

Também é acusado pela PF de criar planos para gravar ilegalmente o ministro Alexandre de Moraes e contestar o resultado das eleições de 2022.

Além disso, o senador já foi submetido a diversas medidas restritivas devido ao descumprimento de ordens judiciais, como a sua viagem aos Estados Unidos sem autorização, em julho de 2025. No final do ano, o STF revogou parte das cautelares (como o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno) após ele se licenciar do mandato para tratamento de saúde. Do Val permanece proibido de deixar o país e com os passaportes retidos.

Jeremoabo, a política dos “pais da criança”

Por José Montalvão

A turma de Jeremoabo anda com os olhos bem abertos. Hoje, em um bate-papo com alguns leitores, ouvi algo que faz todo sentido: Jeremoabo está mesmo diferente — principalmente neste ano em que todo mundo quer mostrar que tem votos para repassar aos seus futuros candidatos nas próximas eleições.

De repente, cada benfeitoria que chega ao município ganha um “pai”. Obra de estrada? Tem dono. Ambulância nova? Já aparece o padrinho político. Reforma de escola? Surge logo alguém dizendo: “isso foi graças a mim”. É uma verdadeira disputa de paternidade política, como se o município fosse um grande cartório de registros eleitorais.

O curioso é que, quando a coisa dá errado — buracos nas ruas, atraso em serviços, falhas na saúde ou na educação — ninguém quer assumir a autoria. Aí não aparece pai, nem padrinho, nem tutor. Some todo mundo. A criança fica órfã.

Mas é assim mesmo. Em ano eleitoral, milagre vira rotina e rotina vira propaganda. Cada ação do poder público passa a ser tratada como favor pessoal, como se recursos públicos fossem esmola de político e não direito do cidadão. E o eleitor, que não é bobo, vai observando tudo com desconfiança.

Como diz o velho ditado: quem tem boca diz o que quer, e também acredita quem quer. Só que, desta vez, parece que o povo está mais atento. Já não engole tão fácil a conversa fiada nem a selfie em obra pública como prova de compromisso com Jeremoabo.

Porque, no fim das contas, o que importa não é quem posa na foto nem quem grita mais alto que “foi eu”. O que importa é quem trabalha de verdade, quem planeja, quem executa e quem respeita o dinheiro do contribuinte.

E, para não perder o tom irônico que a situação exige, plagiando Ibrahim Sued, eu digo:

“Ademã, que eu vou em frente.”

Porque Jeremoabo precisa seguir em frente — com menos propaganda, menos vaidade e mais responsabilidade.


 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

Europa aprova revisão jurídica e congela acordo UE-Mercosul

 

Europa aprova revisão jurídica e congela acordo UE-Mercosul

Por apenas 10 votos, euroeputados atendem manifestantes que cercaram a Casa nesta semana

Por José Henrique Mariante/Folhapress

21/01/2026 às 17:45

Atualizado em 21/01/2026 às 22:28

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Europa aprova revisão jurídica e congela acordo UE-Mercosul

Bandeiras do Mercosul E da União Europeia

O Parlamento Europeu aprovou a revisão jurídica do acordo UE-Mercosul, nesta quarta-feira (21), em Estrasburgo. Cercada de manifestantes desde o começo da semana, a Casa acatou resolução proposta por 144 deputados de submeter o documento ao Tribunal de Justiça da União Europeia. O procedimento consumirá ao menos dois anos.

Por uma maioria de apenas 10 votos, os eurodeputados apoiaram a solicitação de um parecer da corte sobre a conformidade do pacto comercial com as leis fundamentais da UE. Aplausos brotaram do plenário assim que o resultado foi anunciado: 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções.

Assinado no último sábado (17) por representantes do bloco sul-americano e por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo de livre comércio criaria o maior mercado do gênero no mundo, com 722 milhões de consumidores. Agora, promete entrar em nova espiral de espera, espécie de marca da negociação que começou em 1999.

Um porta-voz declarou que a Comissão Europeia "lamentava a decisão" e que procuraria sanar as dúvidas dos parlamentares sobre a importância do tratado. O assunto deverá entrar na pauta do Conselho Europeu, nesta quinta-feira (22), em reunião marcada às pressas devido à crise da Groenlândia.

A expectativa no começo da semana era a de que o Parlamento ratificasse o acordo em abril ou maio, votação que agora não poderá ocorrer até que a revisão jurídica seja finalizada. Dois aspectos do documento são contestados: o fato de a parte comercial ter sido separada do tratado maior, que dispõe também sobre questões políticas e diplomáticas, para acelerar a aprovação; o mecanismo de balanceamento pelo qual países do Mercosul podem adotar medidas compensatórias caso eventuais mudanças futuras na legislação europeia prejudiquem suas exportações.

O histórico do tribunal em casos semelhantes relacionados a acordos comerciais na última década aponta para um prazo mínimo de dois anos.

A ampla maioria que era a favor do tratado até dezembro, quando a Itália ameaçou vetar a negociação em busca de novas concessões da UE, agora virou minoria, dado o resultado desta quarta-feira.

Se a influência política dos agricultores é exacerbada em vários países do continente, no Parlamento ela ganha ainda mais força em um ano de eleições regionais. Além da ultradireita e de populistas, que exploram o nacionalismo e a crise do setor em busca de ganhos eleitorais, parte da esquerda também é contra o tratado por razões ambientais e sociais.

A última versão do acordo ganhou salvaguardas para proteger os produtores europeus. Cláusulas anteriores também obrigam a permanência dos países do Mercosul no Acordo de Paris e respeito às normas sanitárias europeias. De acordo com ambientalistas, as ressalvas não são suficientes para assegurar a proteção de biomas e florestas.

"Absolutamente irresponsável. Isso é um gol contra", escreveu no X Bernd Lange, presidente da comissão de negócios do Parlamento.

Nesta semana, nem mesmo a disputa política e comercial da UE com os EUA, renovada pelas reiteradas ameaças de Donald de Trump de anexar a Groenlândia, amenizaram a oposição ao projeto com o bloco sul-americano, que é negociado desde 1999.

O Parlamento congelou a tramitação do acordo tarifário assinado no ano passado entre UE e EUA e, no Fórum Econômico de Davos, na terça-feira (20), Von der Leyen usou o acordo como exemplo de independência do bloco. "A Europa escolhe o mundo, e o mundo escolhe a Europa", declarou em discurso recheado de críticas ao presidente americano.

Segundo a Comissão Europeia, o acordo UE-Mercosul já poderia entrar em vigor mesmo sem a ratificação dos eurodeputados ou a apreciação da corte. Friedrich Merz, primeiro-ministro alemão, defendeu em postagem no X a aplicação provisória do acordo.

Talvez antecipando a chance de a situação chegar a esse ponto, alguns parlamentares chegaram a vazar à imprensa europeia emails em que Bruxelas prometia não agir unilateralmente.

É improvável que a Comissão vá alimentar no curto prazo qualquer indisposição com o Parlamento. A Casa aprecia nesta quinta-feira (22) a quarta moção de censura contra Von der Leyen em sete meses.

Até aqui, nada indica que o movimento tenha alguma chance de sucesso.

Tarcísio expõe incômodo com Flávio e descontenta aliados de Bolsonaro ao cancelar visita

 

Tarcísio expõe incômodo com Flávio e descontenta aliados de Bolsonaro ao cancelar visita

Governador planejava visita de solidariedade mas ficou aborrecido com fala do senador de que visita sacramentaria sua candidatura

Por Bruno Ribeiro/Carolina Linhares/Thaísa Oliveira/Folhapess

21/01/2026 às 20:00

Atualizado em 21/01/2026 às 22:55

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Imagem de Tarcísio expõe incômodo com Flávio e descontenta aliados de Bolsonaro ao cancelar visita

O senador Flávio Bolsnaro (PL) e o governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos)

O cancelamento da visita que Tarcísio de Freitas (Republicanos) faria a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha nesta quinta-feira (22) se deu em meio a ações desalinhadas entre auxiliares do ex-presidente e do governador, expôs o distanciamento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e irritou aliados que trabalhavam pelo encontro.

Embora Tarcísio tenha dito que cancelou a visita porque teria outros compromissos na quinta, ele tomou a decisão, segundo o jornal Folha de São Paulo apurou, porque entendeu que estava sendo pressionado por Flávio —o senador disse à CNN que o encontro seria para o governador ouvir que sua candidatura presidencial estava "descartada".

A defesa de Bolsonaro pediu autorização para a visita de Tarcísio na última segunda-feira (19), em uma lista que incluiu também Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e ex-assessor de Tarcísio, e Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia.

Os nomes tinham sido determinados pelo ex-presidente a sua mulher, segundo interlocutores de Michelle. Tarcísio recebeu o convite e confirmou o encontro. Depois, a jornalistas, fez uma confirmação pública.

"Vou lá visitar um amigo, sobretudo um grande amigo. Uma pessoa por quem eu tenho muita consideração. Vou lá manifestar a minha solidariedade, manifestar meu apoio, ver se ele está precisando de alguma coisa e reforçar que ele vai sempre poder contar comigo", afirmou Tarcísio, durante um evento de entrega de casas em São José da Bela Vista (a 380 km de São Paulo), na terça-feira (20).

Mais tarde, porém, a assessoria do governador divulgou nota afirmando que a visita seria adiada e uma nova data seria solicitada. Nesta quarta-feira (21), Tarcísio também participou de entregas de casas no interior, mas não deu declarações a jornalistas. A reportagem tentou ouvir o governador, mas ele não respondeu.

Antes de cancelar a visita, o governador consultou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de remarcar o encontro, segundo o relato de aliados, e só recuou diante da certeza de que a porta permaneceria aberta.

Michelle e os advogados do ex-presidente, porém, só souberam da decisão depois de Tarcísio informar a imprensa. Aliados da ex-primeira-dama ficaram incomodados com o modo como o governador lidou com o tema, cancelando o encontro sem a preocupação de deixar nova data agendada.

Entre bolsonaristas, a desistência de ver o presidente também gerou críticas: "Tarcísio deveria ir. É um equívoco cancelar. A visita é um gesto humanitário", afirmou o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). "Metade da população brasileira gostaria de visitá-lo".

Ainda na terça, antes mesmo de Flávio se manifestar sobre a visita, o governador havia sido aconselhado a adiar o encontro para um momento mais próximo do prazo, no início de abril, de renunciar ao governo do estado caso vá tentar o Planalto —embora Tarcísio nunca tenha admitido que é pré-candidato presidencial, parte de seus aliados atua nesse sentido.

Quando soube das declarações de Flávio, o governador decidiu pelo recuo, por entender que o senador tentou intimidá-lo, de acordo com um de seus interlocutores.

Aliados de Tarcísio afirmam ainda que a intenção da visita a Bolsonaro era fazer um gesto humanitário a um amigo. O governador iria aproveitar a ocasião para relatar ao ex-presidente que tem conversado com ministros do STF para tentar viabilizar a prisão domiciliar.

A declaração de Flávio, no entanto, teria irritado o governador. A reclamação foi a de que o senador estaria tentando pautar a visita, que tinha caráter pessoal.

Na semana passada, os dois conversaram por telefone e, de acordo com relatos, o governador voltou a dizer que apoia a candidatura presidencial do senador e que vai embarcar na campanha na hora certa. O governador tem sido pressionado pelos bolsonaristas a demonstrar um apoio mais enfático ao senador.

Condenado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro foi retirado do regime domiciliar e enviado para a Superintendência da PF em Brasília em novembro, após tentar violar a sua tornozeleira eletrônica. No último dia 15, Moraes transferiu o ex-presidente para o 19º Batalhão da Polícia Militar, unidade conhecida como Papudinha.

A mudança levou aliados do ex-presidente, como o pastor Silas Malafaia, a elogiar Tarcísio e Michelle, atribuindo a ambos a responsabilidade pela saída da sala em que ele estava. O gesto, contudo, fez a dupla virar alvo de críticas de bolsonaristas próximos a Flávio, como o irmão dele, Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

Visitas de Tarcísio a Bolsonaro

7 de agosto de 2025

Na primeira visita ao ex-presidente após o início de sua prisão domiciliar, Tarcísio disse que Bolsonaro estava "sereno". Naquela data, ele aproveitou a ida a Brasília para participar de um encontro com governadores e políticos de centro-direita que defendiam sua candidatura presidencial.

29 de setembro de 2025

Na segunda visita, Flávio estava na casa do ex-presidente e, ao atender jornalistas após a reunião, atrelou a definição do projeto de lei da anistia, em tramitação na época, à decisão sobre quem seria o nome do grupo que concorreria à Presidência. Tarcísio, na ocasião, reforçou que disputaria a reeleição em São Paulo.

Leia tambémValdemar Costa Neto nega que haja climão entre Bolsonaro e Tarcísio após visita cancelada

Convergência da direita, fragmentação e a vantagem de Lula na corrida presidencial

 

Charge do Amorim (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Nos debates sobre a próxima eleição presidencial no Brasil, um argumento que tem ganhado destaque é o impacto da fragmentação da direita sobre a vantagem do presidente Lula da Silva na corrida de 2026. Essa análise — que emerge nos bastidores políticos e nas interpretações de jornalistas e analistas — não se baseia apenas em retórica: os cenários eleitorais projetados por diversas pesquisas refletem uma realidade em que a dispersão de candidaturas no espectro de centro-direita e direita acaba fortalecendo numericamente o atual ocupante do Palácio do Planalto.

Pesquisas recentes mostram Lula consistentemente à frente em todos os cenários de primeiro turno, com percentuais que variam em torno de 36% a 41% das intenções de voto, enquanto seus principais adversários — incluindo candidatos identificados com a direita — oscilam em patamares substancialmente mais baixos.

DIANTEIRA – Em simulações comparativas, Lula chega a ultrapassar 40% das intenções, com concorrentes como Flávio Bolsonaro, Ratinho Jr. ou Tarcísio de Freitas bem abaixo desse patamar. Essa vantagem permanente, mesmo na ausência de uma candidatura única da oposição, tem duas causas interligadas.

A primeira é matemática e estrutural: quando o eleitorado não converge para um nome ou para um bloco coeso, os votos contrários à continuidade de um governo se dispersam entre múltiplos postulantes, diluindo o potencial de cada um e, na prática, elevando a possibilidade de vitória de quem lidera com folga.

A segunda causa é política: a insistência de diferentes segmentos da direita em lançar pré-candidaturas paralelas — por razões estratégicas ou por falta de consenso — debela a formação de um polo oposicionista forte e unitário, que possa confrontar Lula de maneira competitiva.

PULVERIZAÇÃO – Não por acaso, esse fenômeno tem sido destacado por observadores atentos como um elemento que transcende a simples vantagem numérica. Para alguns estrategistas, essa pulverização não apenas amplia a probabilidade de vitória de Lula no primeiro ou segundo turno, mas também reduz a pressão sobre a candidatura petista em arenas decisivas, como debates e estratégia de alianças.

A reflexão vale tanto do ponto de vista eleitoral quanto do análise política mais ampla. Em regimes democráticos, a força de um candidato ou partido costuma estar associada não só ao desempenho nas pesquisas, mas também à capacidade de construção de uma frente coerente de apoio e de articulação política.

Quando os adversários — especialmente no mesmo campo ideológico — estão fragmentados, essa tarefa se torna mais árdua, e o espaço para disputas internas tende a consumir energia política que poderia ser mobilizada contra o líder dominante. É nesse vácuo que Lula, no cenário atual, tem consolidado vantagem, mantendo uma posição de destaque que pode ser tanto reflexo de sua própria base de apoio quanto do vácuo estratégico à direita.

DINÂMICA POLÍTICA – Importante notar que esse quadro não é estático: a dinâmica política ainda pode se alterar nos próximos meses, seja pela emergência de um nome único capaz de unificar a oposição, seja pela alteração de prioridades eleitorais da sociedade. No entanto, até o momento, a dispersão de candidatos à direita não apenas reflete divergências programáticas e estratégicas, mas também se traduz em vantagem concreta para Lula, que desponta nas pesquisas com folga sobre múltiplos nomes concorrentes.

Em suma, a vantagem de Lula nas pesquisas não é apenas uma fotografia estática, mas o resultado de uma arquitetura competitiva em que a fragmentação da oposição funciona como um multiplicador involuntário de sua liderança eleitoral — uma realidade que, se persistir, pode definir o resultado das eleições de 2026 tanto quanto qualquer outro fator diretamente relacionado ao desempenho do governo.

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