segunda-feira, janeiro 12, 2026

Sem acesso à Casa Branca, Flávio Bolsonaro volta frustrado dos EUA


Flávio queria registro ao lado de Marco Rubio, mas não conseguiu

Gabriel Sabóia
O Globo

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se frustrou em viagem aos Estados Unidos, onde passou as últimas semanas, por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca.

Ao lado de um dos seus irmãos mais novos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Flávio tentou um registro ao lado do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. A invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, no início do ano, entretanto, impossibilitaram o objetivo bolsonarista.

ALINHAMENTO – O encontro tinha por objetivo posicionar ao eleitorado bolsonarista um alinhamento do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro com o governo americano e, com isso, frear qualquer insurgência de outro nome do campo da direita. Além disso, o registro com Rubio mostraria que a família Bolsonaro ainda goza de prestígio junto ao primeiro escalão do governo Trump, apesar da recente aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tentativa, entretanto, não teria soado bem entre nomes do Centrão, que ainda enxergam o apoio a Flávio com ressalvas, apesar de considerarem a empreitada “irreversível”, diante das últimas pesquisas de intenção de votos.

Na interpretação caciques de partidos de centro ouvidos pelo O Globo, o registro de Flávio com Rubio dialogaria apenas “com a bolha bolsonarista” e mostraria que a família ainda flerta com o radicalismo simbolizado pela atuação de Eduardo. Teria partido do filho 03 de Bolsonaro os contatos, que se encerraram no dia 3, após a divulgação da operação militar em território venezuelano.

“ROADSHOW” – A ideia de Flávio é voltar aos Estados Unidos até abril, quando deve fazer uma espécie de “roadshow” pelo país. Até lá, o senador pretende se posicionar mais ao centro e, de acordo com interlocutores, planeja convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para viajar com ela. Desta forma, ele imagina que conseguiria se posicionar como nome de centro-direita.

Dias antes, Flávio passou a virada de ano em evento organizado pelo pastor André Valadão para brasileiros que moram em Orlando. Oficialmente, a ida aos Estados Unidos se tratou de uma “viagem em família para visitar o irmão”. Flávio retornará ao Brasil nos próximos dias.

RECIBO DE BOLSONARO –  Durante a viagem, Flávio ainda transmitiu a Eduardo um recado dado pelo pai, que encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em uma conversa reservada de aproximadamente uma hora, o senador teria passado ao irmão orientações sobre a postura que deve ser adotada de agora em diante: sem confrontos com membros do Centrão e falas que exponham discordâncias com nomes do PL, a exemplo do que já ocorreu anteriormente, quando Eduardo brigou publicamente com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

A orientação dada por Bolsonaro para que os filhos demonstrassem união em torno do nome de Flávio, levada ao pé da letra, também se transformou em problema. Em uma transmissão, Flávio definiu Eduardo como “um craque nas relações internacionais” e disse ser uma honra poder contar com ele para o Itamaraty, caso seja eleito. A fala gerou mal-estar entre os membros do Centrão e Flávio já fez chegar a eles o recado de que tinha a intenção apenas de mostrar o alinhamento familiar.

PRESSÃO – Eduardo compareceu à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e passou a articular meios de pressão para que a pena ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, fosse relaxada, ainda antes do julgamento por participação na trama golpista.

Depois de ver o Brasil sofrer sanções comerciais do governo norte-americano, sob o argumento de que isso ocorria pelo fato de Trump considerar “injustas” as acusações feitas a Bolsonaro, Eduardo viu uma aproximação do americano com Lula, o que culminou acordos para redução das tarifas e a retirada a sanções contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.


Ataque ao Banco Central no caso Master expõe a República viciada


charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #bancomaster #master #moraes #stf #banco #brasil #Natal #papainoel  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Andreazza
Estadão

O caso Master não existiria – não como o conhecemos – sem aqueles, os políticos, os eleitos, cujas atividades foram decisivas à prosperidade fraudulenta do banco. Não estamos diante apenas de empreendimento criminoso contra o sistema financeiro. Essa conta não fechará sem corrupções, sem coação – sem gestões de quem controla o poder.

Essa conta avança desviada-distraída, com o Banco Central de repente até entre os suspeitos. A desqualificação do BC é estratégia de defesa que se tornou influente. Mas a autoridade financeira não está entre os investigados.

DESONESTIDADE – É da ordem da desonestidade intelectual, observada a trama bilionária que compôs a pirâmide do Master, apregoar que o BC teria se precipitado ao liquidar o banco, porque haveria solução alternativa. Tentou-se a solução de mercado – aquela por meio da qual o BRB absorveria o Master para lhe diluir as falcatruas.

O Banco Central – isto, sim – terá demorado a agir. O BC, mais ou menos atrasado, não é investigado. Investigadas são a fraude no Master e suas jogadas com o BRB.

Esses são os objetos deste caso de polícia. Que não existiria sem as relações que Daniel Vorcaro plantou. Não haveria BRB na parada, para comprar carteiras inexistentes, não fossem os afetos que o banqueiro cultivou.

OBRA E GRAÇA – Paulo Henrique Costa não terá se tornado presidente do BRB por graça do Espírito Santo. O governador do DF, Ibaneis Rocha, não é – não pode passar por – observador externo dessa barbaridade; nem se isenta de responsabilidade porque trocou o comando do banco.

Não é crível que Costa tivesse autonomia para negociar bilhões em papéis do Master.

A isso – a esse apagamento das ordens de comando, a esse deslocamento do eixo responsável – também presta serviços a tentativa de criminalização do BC.

FORA DA MIRA – Desapareceram do noticiário também os rolos previdenciários dos Estados com o Master, sumido da teia o Rioprevidência. Que, contra todos os alertas, botou mais de bilhão de reais dos servidores no castelo de cera, outro que ofertaria ao banco a liquidez que a exposição de sua mentira fazia escoar. Transações que jamais prosperariam somente por vontade de burocrata executivo de fundo.

O burocrata executivo de fundo foi escolhido por alguém. Está sob influência do governador. Cláudio Castro não é – não pode ser – observador externo da atrocidade.

Não poderia não saber, ainda que talvez seja melhor passar por incompetente desinformado sobre o que corre no próprio governo.

TAMBÉM ALCOLUMBRE – O mesmo raciocínio serve ao padrinho – Davi Alcolumbre – do sujeito que autorizou o lançamento de milhões do fundo previdenciário do Estado do Amapá na perdição do Master.

O Master não seria Master – não teria chegado aonde chegou, não teria contrato milionário com esposa de ministro do Supremo – sem as relações políticas (incluídas as consultorias de um Lewandowski) que fundamentam exotismos como os do TCU lirista contra o BC.

E sem as relações que fazem juiz de Corte constitucional perguntar ao fraudador sobre a qualidade do trabalho do órgão que lhe liquidou a fraude.

Vinte anos de resistência, coerência e compromisso com a verdade



Vinte anos de resistência, coerência e compromisso com a verdade



Por José Montalvão

O ano de 2026 marca um momento emblemático na história deste blog: são vinte anos de existência ininterrupta, edificados com coragem, coerência e, sobretudo, independência editorial. Desde a sua criação, este espaço jamais se esquivou dos grandes debates públicos, especialmente nos períodos eleitorais, mantendo-se fiel às convicções que lhe deram origem. Aqui, nunca houve neutralidade conveniente nem silêncio cúmplice diante dos abusos do poder, venham eles de onde vierem.

Ao longo dessa trajetória, não faltaram tentativas de intimidação, censura velada, mordaças institucionais e injustiças explícitas. Ainda assim, nada foi capaz de desviar o rumo escolhido. A linha editorial permaneceu firme, sem medo, sem submissão e sem dependência de interesses políticos, econômicos ou pessoais. Como ensina o velho adágio popular, os cães podem até ladrar, mas a caravana segue adiante — e seguiu.

A credibilidade construída ao longo dessas duas décadas não é fruto do acaso. Ela resulta do trabalho diário, da persistência e da recusa sistemática em negociar princípios. Cada ataque sofrido, cada perseguição e cada tentativa de cerceamento acabaram, paradoxalmente, fortalecendo este espaço, sustentado não apenas pela confiança dos leitores, mas também pela fé, que ofereceu amparo, discernimento e direção nos momentos mais difíceis.

Em toda profissão chega um instante decisivo: ou se permanece fiel aos próprios valores, ou se escolhe o caminho mais fácil, geralmente pavimentado pelo dinheiro, pela conveniência e pelo oportunismo. O jornalismo não foge a essa regra. Não se trata de santidade, mas de limites éticos inegociáveis. Existe uma linha que não pode ser cruzada sem que se perca a própria razão de existir da profissão. Aceitar a lógica perversa de que tudo tem preço — inclusive a consciência — é decretar a falência moral do jornalismo.

Quando o jornalista deixa de se indignar diante das injustiças, da corrupção sistêmica, dos privilégios escandalosos e das chamadas “mamatas” institucionalizadas, chega o momento de encerrar o ofício. Aqui, a escolha sempre foi outra: continuar indignado, atento às dores sociais e com coragem suficiente para denunciar as imundícies que contaminam diferentes esferas da sociedade — inclusive aquelas que, por tradição, conveniência ou medo, muitos insistem em tratar como intocáveis.

Essa postura crítica jamais poupou instituições historicamente blindadas. Prova disso foram episódios marcantes envolvendo o sistema de Justiça em Jeremoabo, contexto no qual este jornalista, ao republicar opinião de terceiro com a devida identificação e autoria, acabou penalizado. Situações como essa evidenciam ambientes hostis à liberdade de expressão e exigiram posicionamento ético firme e compromisso inegociável com a verdade. Em todos os momentos, a verdade esteve acima de cargos, títulos, hierarquias ou convenções sociais.

Entre as inúmeras marcas deixadas ao longo desses quase vinte anos, uma se destaca de forma simbólica e contundente: a perseguição sofrida por este blog, devidamente registrada em relatório oficial. O espaço passou a figurar no Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa em Jeremoabo,  no Brasil, documento que monitora ataques, intimidações e perseguições contra profissionais da comunicação, publicado anualmente pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Longe de representar vaidade, esse registro confirma que exercer o jornalismo com firmeza, fé e compromisso ético ainda incomoda — e muito, inclusive em realidades locais como a de Jeremoabo.

Vinte anos depois, este blog permanece fiel ao seu propósito original: informar, provocar reflexão e incomodar quando necessário. Porque jornalismo que não questiona o poder, que não enfrenta privilégios e que não se indigna diante da injustiça não é jornalismo — é propaganda disfarçada de notícia.

E enquanto houver voz, consciência crítica e leitores dispostos a pensar, este espaço continuará existindo.

Sem medo.
Sem venda.
Sem silêncio.


Embarcação afunda no Rio São Francisco e pessoas são resgatadas com vida

 Durante o trajeto para Festa de Bom Jesus dos Navegantes, o barco em que estavam afundou, deixando os tripulantes no meio do rio

Imagens do ocorrido repercutiram nas redes sociais (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Uma embarcação naufragou no Rio São Francisco, entre os municípios de Pão de Açúcar, em Alagoas, e Poço Redondo, em Sergipe. O caso ocorreu neste domingo, 11, enquanto um grupo de mais de 20 pessoas, seguia para uma celebração da Festa de Bom Jesus dos Navegantes em Pão de Açúcar . Todos foram resgatados com vida.

Imagens do ocorrido repercutiram nas redes sociais. Os vídeos mostram parte do grupo dentro da água, utilizando as lanternas dos celulares para indicar o local em que estavam

Segundo relatos de moradores da região, a embarcação naufragou após ser atingida por ventos fortes. Durante o trajeto, o barco em que estavam afundou, deixando os tripulantes no meio do rio. 

Pescadores da região auxiliaram no resgate do grupo e equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha de Alagoas foram acionadas para a ocorrência. A Marinha do Brasil vai apurar o caso.

por Carol Mundim

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Não há pacificação com golpistas: anistia e “dosimetria” são ameaças diretas ao Estado Democrático de Direito


Por José Montalvão

O pronunciamento do senador Renan Calheiros na Comissão de Constituição e Justiça não foi apenas um posicionamento político: foi um alerta institucional ao país. Ao rejeitar de forma categórica qualquer proposta de anistia ou de suposta “dosimetria” para os crimes praticados contra a democracia, o senador reafirmou um princípio elementar do Estado de Direito: quem atenta contra a ordem constitucional deve responder integralmente por seus atos, sem atalhos, concessões ou indulgências históricas.

Renan foi taxativo ao afirmar que não apoia e não apoiará a proposta de dosimetria, por entender que ela representa um retrocesso jurídico e moral. E não poderia ser diferente. A Constituição Federal de 1988 é clara ao consagrar a defesa do Estado Democrático de Direito como cláusula pétrea. Crimes contra esse fundamento não são infrações comuns; são ataques diretos à soberania popular, às instituições republicanas e à própria Constituição.

A tentativa de relativizar penas, sob o pretexto de “pacificação”, ignora deliberadamente a experiência histórica brasileira. O chamado perdão concedido aos facínoras do golpe de 1964, travestido de reconciliação nacional, não pacificou o país. Ao contrário, produziu um efeito perverso: consolidou a impunidade, normalizou o golpismo e criou a falsa ideia de que crimes contra a democracia podem ser negociados politicamente. Os golpistas de hoje são herdeiros diretos dessa omissão histórica.

Do ponto de vista jurídico, a chamada dosimetria seletiva defendida por setores interessados na impunidade configura uma anistia disfarçada, incompatível com os princípios da legalidade, da proporcionalidade e da igualdade perante a lei. Não cabe ao criminoso — muito menos ao criminoso político — ditar sua própria pena, escolher o alcance da lei ou impor ao Judiciário uma revisão benevolente de seus atos.

Como bem afirmou o senador Renan Calheiros, não existe pacificação com golpista solto. Não existe estabilidade institucional quando o Estado abdica de punir quem tentou destruí-lo. A verdadeira pacificação só se constrói com a aplicação rigorosa da lei, com decisões judiciais firmes e com o claro recado de que rupturas institucionais não serão toleradas em hipótese alguma.

Flexibilizar penas hoje é estimular novos atentados amanhã. É sinalizar que o crime compensa, desde que praticado em grupo, com viés ideológico e pressão política suficiente. Democracia não sobrevive à conivência, nem à relativização da legalidade.

O Brasil não pode repetir o erro de 1964. Anistia não é pacificação; é incentivo à reincidência golpista. Defender a democracia exige coragem institucional, memória histórica e compromisso com a Constituição. Como deixou claro Renan Calheiros, ceder agora é trair o Estado Democrático de Direito e comprometer o futuro do país.

Embates com Rui Costa teria influenciado saída de Lewandowski do Governo Federal

 

Embates com Rui Costa teria influenciado saída de Lewandowski do Governo Federal
Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

Um conjunto de desgastes entre Ricardo Lewandowski com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), teria levado à saída do ex-ministro da Justiça da pasta, no Governo Federal. De acordo com publicação do O GLOBO, Lewandowski estaria ainda sofrendo “fogo amigo”dos colegas de Esplanada.

 

Ele deixou o cargo em meio a falta da aprovação da principal bandeira de sua administração: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A tramitação pode retardar por conta da incerteza sobre o novo comando do ministério.

 

Segundo a publicação, Lewandowski estaria se sentido mais contrariado por alguns de seus colegas de governo. Conforme interlocutores da gestão, isso teria ocorrido de uma forma mais clara, durante a ideia de criar uma secretaria extraordinária vinculada à Casa Civil para concentrar as ações do governo na área da segurança pública.

 

Mesmo não sendo aprovada por Lula, Lewandowski entendeu que havia uma pressão interna para enfraquecer o seu ministério. Em uma tensa reunião no mês de novembro, ele chegou a questionar se Rui teria interesse em seu cargo. 

 

“Se quiser a segurança pública, pode ficar para você”, disse. 

 

Nos bastidores da administração federal, Lewandowski apontou que não se sentia “bem tratado” pelo governo e se sentia isolado nas articulações no Congresso. 

 

Após a saída de Lewandowski, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), Rui Costa e o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, tem defendido uma indicação em conjunta. O nome da ala baiana para comandar a pasta é o de Wellington Cesar Lima e Silva, advogado-geral da Petrobras.

 

Wagner é um dos principais apoiadores do nome de Wellington ao cargo. Quando era governador da Bahia, ele chegou a indicar César para o comando do Ministério Público do estado. Já Rui e Sidônio atuam de forma mais discreta para indicar o chefe do jurídico da Petrobras.

Opinião: Após enxugar gelo para ser candidato à reeleição, Coronel vê chances derreterem publicamente

 

Opinião: Após enxugar gelo para ser candidato à reeleição, Coronel vê chances derreterem publicamente
Foto: Reprodução/ Redes sociais
Para integrar a chapa majoritária de 2026 do governo, o senador Angelo Coronel terá que se contentar com uma suplência e a promessa de que Jaques Wagner ou Rui Costa, se eleitos, sejam convidados para um ministério. Claro que só se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, o que amplia o número de "ses" para a conta fechar. O vídeo em que enxugava gelo foi um prenúncio do que estava porvir, já que dias depois o senador Otto Alencar veio a público assegurar que o PSD vai manter apoio ao projeto de Jerônimo Rodrigues, independente de Coronel estar ou não nas principais cadeiras da chapa.

Desde que o PT iniciou o discurso de uma "chapa imbatível", com três governadores, era difícil resistir à pressão para que o desejo não se concretizasse. Na perspectiva deles, o recall eleitoral de Wagner e o Rui não apenas garantiria duas vagas no Senado, como também impulsionaria um governador ligeiramente claudicante. Essa lógica permeou as conversas políticas de bastidores ao longo dos últimos meses, com a desculpa que o martelo só seria batido no começo de 2026. Assim, os aliados foram cozinhados em "banho-maria" para fingir que não havia uma decisão tomada.

Coronel tentou de todas as formas. E com todas as forças. Construiu alianças com prefeitos, ampliou as próprias bases, tornou-se peça relevante nas negociações no Senado e até mesmo insinuou que poderia sair com uma candidatura avulsa. Tudo para se manter ativo no jogo eleitoral, investindo boa parte do capital político e da influência adquirida ao longo dos muitos anos de presença na cena local. Ao que parece, foi tudo em vão. Com o ônus de ter ficado na vitrine para críticas de aliados que o aceitaram a contragosto na chapa em 2018.

Apesar da chapa puro-sangue ser considerada imbatível pelos petistas, os adversários até sugerem que seria a melhor agrupamento a ser batido. Para eles, a estratégia é jogar as mazelas da Bahia sob inteira responsabilidade do grupo que completa 20 anos no poder em 2026, com os rostos daqueles que comandaram o processo desde então. É uma aposta arriscada, principalmente em um contexto em que Lula se mantém não somente competitivo mas também como o principal nome na corrida presidencial. A dobradinha do 13, algo decisivo em 2022, por exemplo, tende a manter efeito similar no próximo ano e os adversários reconhecem isso.

Além disso, o argumento que a Bahia enfrenta mazelas por causa do legado maldito de quem antecedeu o petismo perde força argumentativa. E nisso, o próprio Coronel, que nascera em um grupo político diferente, poderia ser beneficiário. Entretanto, entre ser esquecido e ser um suplente com chance de ascensão temporária, a segunda opção parece muito mais segura. Depois de enxugar gelo durante tanto tempo para ser candidato à reeleição, pendurar a toalha enquanto os filhos se mantém relevantes no tabuleiro político não parece ser tão ruim.

Veja como fica o desconto do INSS no seu salário em 2026

 

Veja como fica o desconto do INSS no seu salário em 2026

Por Ana Paula Branco, Júlia Galvão e Luciana Lazarini | Folhapress

Veja como fica o desconto do INSS no seu salário em 2026
Foto: Agência Brasil

Profissionais com carteira assinada, empregadores de trabalhadores domésticos e contribuintes avulsos pagarão novos valores de contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 2026.
 

A Previdência divulgou a nova tabela de contribuição válida desde o dia 1º de janeiro para trabalhadores com carteira assinada, empregados domésticos e trabalhadores avulsos. Os novos valores serão descontados a partir do pagamento de fevereiro.
 

As faixas de contribuição foram atualizadas seguindo o índice de inflação acumulado no ano passado, de 3,90%, medido pelo INPC, o mesmo percentual aplicado no reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo. Essas alíquotas, relativas aos salários de janeiro, deverão ser recolhidas apenas em fevereiro, uma vez que, em janeiro, os segurados pagam a contribuição referente ao mês anterior.
 

VEJA A NOVA TABELA DE DESCONTOS DO INSS
 

_Tabela de contribuição dos segurados empregados, empregado doméstico e trabalhador avulso, válida desde janeiro_
 

SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$) - ALÍQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS
 

até 1.621,00 - 7,50%
 

de 1.621,01 até 2.902,84 - 9%
 

de 2.902,85 até 4.354,27 - 12%
 

de 4.354,28 até 8.475,55 - 14%
 

A pedido da reportagem o advogado Wagner da Silva e Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados, simulou quanto o trabalhador irá recolher pelos próximos 12 meses ao INSS, considerando o reajuste da tabela de contribuição pela inflação do ano anterior, e também o valor do novo salário mínimo, de R$ 1.621.
 

Os valores de contribuições de autônomos e facultativos também são calculados considerando os limites mínimos do salário mínimo e máximo do teto do INSS, que subiu para R$ 8.475,55.
 

PARA TRABALHADORES COM CARTEIRA ASSINADA E DOMÉSTICOS
 

As alíquotas, que variam de 7,5% a 14%, são progressivas e incidem de acordo com a faixa salarial do trabalhador com carteira assinada, domésticos e trabalhadores avulsos. A mudança é aplicada desde a reforma da Previdência, válida desde novembro de 2019.
 

Os índices são aplicados sobre cada faixa de remuneração, como se fossem fatias do salário, e não sobre o valor cheio. No caso do assalariado, o recolhimento é feito diretamente pela empresa.
 

O INSS ainda deve divulgar os valores exatos de cada faixa de contribuição para 2026. Veja a simulação que o advogado Wagner da Silva e Souza fez para os valores de contribuição ao INSS para diferentes níveis de renda, considerando o salário mínimo vigente e o teto:
 

SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - CONTRIBUIÇÃO AO INSS
 

R$ 1.621,00 - R$ 121,58
 

R$ 2.000,00 - R$ 155,69
 

R$ 2.500,00 - R$ 200,69
 

R$ 3.000,00 - R$ 248,60
 

R$ 3.500,00 - R$ 308,60
 

R$ 4.000,00 - R$ 368,60
 

R$ 4.500,00 - R$ 431,51
 

R$ 5.000,00 - R$ 501,51
 

R$ 5.500,00 - R$ 571,51
 

R$ 6.000,00 - R$ 641,51
 

R$ 6.500,00 - R$ 711,51
 

R$ 7.000,00 - R$ 781,51
 

R$ 7.500,00 - R$ 851,51
 

R$ 8.000,00 - R$ 921,51
 

R$ 8.475,55 - R$ 988,09
 

PARA TRABALHADORES AUTÔNOMOS
 

O pagamento de contribuição ao INSS dos contribuintes individuais, facultativos e donas de casa de baixa renda sobre um salário mínimo segue o novo piso nacional, de R$ 1.621.
 

Os autônomos que prestam serviços a pessoas físicas (e não a pessoas jurídicas) podem contribuir com 11% sobre o salário mínimo. Neste caso, porém, o segurado terá direito somente à aposentadoria por idade e no valor do salário mínimo.
 

VEJA QUANTO IRÁ CONTRIBUIR AO INSS EM 2026
 

_Cálculos consideram alíquota de 11%_
 

Salário de contribuição - Valor contribuição previdenciária
 

R$ 1621 - R$ 178,31
 

R$ 2000 - R$ 220
 

R$ 2500 - R$ 275
 

R$ 3000 - R$ 330
 

R$ 3500 - R$ 385
 

R$ 4000 - R$ 440
 

R$ 4500 - R$ 495
 

R$ 5000 - R$ 550
 

R$ 5500 - R$ 605
 

R$ 6000 - R$ 660
 

R$ 6500 - R$ 715
 

R$ 7000 - R$ 770
 

R$ 7500 - R$ 825
 

R$ 8000 - R$ 880
 

R$ 8475,55 - R$ 932,31
 

_Fonte: Wagner Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados_
 

Outro tipo de recolhimento de contribuição de autônomos é com a alíquota de 20% em cima de um valor que deve ser entre o salário mínimo e o teto do INSS.
 

VEJA QUANTO IRÁ CONTRIBUIR AO INSS EM 2026
 

_Cálculos consideram alíquota de 20%_
 

Salário de contribuição - Valor contribuição previdenciária
 

R$ 1621 - R$ 324,20
 

R$ 2000 - R$ 400
 

R$ 2500 - R$ 500
 

R$ 3000 - R$ 600
 

R$ 3500 - R$ 700
 

R$ 4000 - R$ 800
 

R$ 4500 - R$ 900
 

R$ 5000 - R$ 1000
 

R$ 5500 - R$ 1100
 

R$ 6000 - R$ 1200
 

R$ 6500 - R$ 1300
 

R$ 7000 - R$ 1400
 

R$ 7500 - R$ 1500
 

R$ 8000 - R$ 1600
 

R$ 8475,55 - R$ 1695,11
 

_Fonte: Wagner Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados_
 

Neste ano, a contribuição mensal do MEI (Microempreendedor Individual) passou a R$ 81,05, valor equivalente a 5% do novo salário mínimo. Em 2025, o valor era de R$ 75,90. Além do pagamento ao INSS, o microempreendedor precisa pagar taxas ligadas a sua atividade: ICMS (para comércio e indústria) e/ou ISS (para prestação de serviços). O recolhimento é feito em uma guia única, chamada de DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
 

O pagamento mensal também garante acesso a essas pessoas benefícios previdenciários como aposentadoria por idade, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão, desde que a contribuição esteja em dia e seja cumprida a carência exigida para cada benefício.

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