segunda-feira, outubro 13, 2025

Aliado de Lula deve relatar recondução de Gonet à PGR; sabatina ocorre em novembro

 


Recondução de Gonet ao cargo foi anunciada no final de agosto

Mariana Muniz e
Camila Turtelli
O Globo

O senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado do governo, deve ser o relator da recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado está prevista para ocorrer no dia 12 de novembro.

Interlocutores de Gonet ouvidos pelo O Globo afirmam que o procurador-geral da República já foi informado sobre a data provável da sabatina e recebeu positivamente o nome de Aziz. O nome do relator ainda não foi oficializado, mas há expectativa de que a escolha seja anunciada nos próximos dias.

APROVAÇÃO – Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais dois anos à frente da PGR, Gonet precisa ser aprovado pela CCJ e pelo plenário do Senado para continuar no cargo. Ele foi nomeado pela primeira vez em dezembro de 2023, após passar por sabatina e votação com ampla maioria.

Durante seu primeiro mandato, Gonet apresentou uma série de denúncias, incluindo a acusação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 33 investigados por tentativa de golpe após as eleições de 2022. Também denunciou o deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo por coação contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

AÇÃO PENAL – A recondução de Gonet ao cargo foi anunciada pelo presidente Lula no final de agosto, poucos dias antes do início da ação penal contra o núcleo crucial da trama golpista.

A decisão foi interpretada como um gesto de confiança na atuação de Gonet, além de uma estratégia para evitar especulações sobre favorecimento político após uma eventual condenação do ex-presidente.


Sérgio Moro devia pedir desculpas por ter ofendido Gilmar Mendes?


Moro diz que foi ofendido 'gratuitamente' por Gilmar Mendes

Moro pediu desculpas, mas Gilmar Mendes não aceitou…

Carlos Newton

Em 2022, por conta de um comentário infeliz, inadvertidamente gravado durante uma festa junina em Curitiba, e no qual o senador Sérgio Moro insinuou que “seria possível comprar um habeas corpus” do ministro Gilmar Mendes, o ex-juiz da antiga operação Lava Jato foi denunciado pelo crime de calúnia, recebido pela maioria dos ministros da primeira turma do Supremo Tribunal Federal – Carmen Lúcia, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Cristiano Zanin.

De acordo com o artigo 138 do Código Penal é crime “caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime”. O réu poderá ser condenado a pena de detenção, de dois meses a dois anos.

NAS MÃOS DE FUX – A denúncia foi apresentada em 2023 pelo então procurador-geral da República, Augusto Aras, e no momento cabe ao ministro Luiz Fux apreciar um recurso apresentado pelo réu e cujo desfecho determinará o seu destino nos próximos 90 dias.

Importante notar que o comentário – gratuito e feito em um pequeno grupo de participantes do evento junino, em Curitiba, não teve o alcance de denúncias e acusações veiculadas diariamente pela grande imprensa e com repercussões nas redes sociais que alcançam algumas vezes centenas de milhares de leitores e não poucas vezes atingindo a honra de cidadãos dignos e de agentes públicos.

Por exemplo, seria acusação muito mais grave a que Luís Roberto Barroso fez ao responder a uma crítica de Gilmar Mendes em 2018, numa tumultuada sessão do STF, transmitida ao vivo pela TV Justiça e outras redes de TV, com milhões de telespectadores em todo o país.

DISSE BARROSO – Dirigindo-se a Gilmar, e bem alterado, Barroso soltou o verbo para todo o Brasil:

“Me deixa de fora desse seu mau sentimento, você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia. Isso não tem nada a ver com o que está sendo julgado. É um absurdo vossa excelência vir aqui fazer um comício cheio de ofensas, grosserias. Vossa Excelência não consegue articular um argumento, fica procurando, já ofendeu a presidente, já ofendeu o ministro Fux, agora chegou a mim. A vida para vossa excelência é ofender as pessoas, não tem nenhuma ideia, nenhuma, nenhuma, só ofende as pessoas”.

SEM PROCESSO – Ora, por muito menos, nossos tribunais estão repletos de ações criminais e de indenizações por danos materiais e morais com condenações reparadoras.

Se o procurador-geral da República estava presente à sessão onde o ato potencialmente criminoso foi cometido, por que não apresentou as denúncias obrigatórias, considerando o respeito devido à Instituição, ao Poder Judiciário e à reputação ilibada de todos os membros da Suprema Corte?

Não há lógica em acusações seletivas. Se há calúnia, injúria e difamação entre julgadores, a autoridade competente deve agir, independentemente da vontade do ofendido, pois mais agredida, no caso, foi a grandeza e a credibilidade do Poder Judiciário.

OUTRAS OFENSAS – Não muito distante no tempo, os mesmos ministros protagonizaram novos debates e ofensas. Gilmar Mendes afirmou que Barroso “fala pelos cotovelos” e teria de “suspender a própria língua”.

Sem citar o nome de Mendes, Barroso respondeu: “Não frequento palácios, não troco mensagens amistosas com réus e não vivo para ofender as pessoas”.

É claro que Moro errou ao fazer comentário desairoso ao ministro e deveria se retratar pedindo desculpas públicas, porém, sem efeito concreto, porque o crime imputado a ele é de ação penal pública, ou seja, o Ministério Público propõe a denúncia após autorização do ofendido, o que não foi implementado em outros eventos acusatórios com participação de outros ministros da Corte. Por que Gilmar Mendes não pediu autorização?

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P.S. – Recentemente, Gilmar Mendes afirmou que uma das maiores contribuições do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foi tirar Moro de Curitiba e “tê-lo devolvido ao nada”. Ele também disse, durante a mesma entrevista, que o senador e outros agentes da Lava-Jato “gostam muito de dinheiro”. E agora, Gilmar pode ofender Moro gratuitamente? (C.N.)   

Por que as denúncias contra Moraes jamais são apuradas pelo Supremo?


Quem é Alexandre de Moraes, o novo ministro do STF - BBC News Brasil

Moraes erra tanto que já era para ter sofrido impeachment

Fernando Schüler
Estadão

“A quem exatamente eu iria denunciar?”, perguntou Eduardo Tagliaferro, dias atrás. Ele depôs três vezes no Congresso, fez denúncias graves e diz ter provas. O resultado é curioso. Ao invés de investigar o que ele diz, é ele o investigado. Contas bloqueadas, pedido de extradição e tudo que sabemos.

Como quase tudo no Brasil dos últimos anos, seu caso caiu na vala comum da guerra política. E isto não deveria ser assim.

DENTRO DO TSE – Tagliaferro coordenou a área de “enfrentamento à desinformação”, no TSE. Uma de suas denúncias fala do uso de opiniões políticas na internet para incriminar aquelas pessoas presas no pós-8 de janeiro.

O sujeito postava uma crítica mais ácida ao Tribunal ou um elogio a Bolsonaro e ganhava um “positivo”, em uma planilha. E por aí poderia ser preso. Meras opiniões políticas tomadas como “crimes”? Valeria saber se ele está dizendo a verdade?

Tagliaferro diz coisas ainda mais complicadas. Assegura que foi orientado a forjar um documento oficial incriminando aquelas pessoas censuradas no famoso grupo de WhatsApp, em 2022. De minha parte, não acho que algo assim possa ter acontecido, em nossa República. E penso que isto deveria ser investigado por um órgão de fato imparcial. Até mesmo para que nenhuma suspeita paire sobre nosso sistema de Justiça.

PAÍS EM TRANSE – Vai aí uma boa síntese do transe brasileiro atual. Parte da mídia trata o caso como mais uma peça de nosso fla-flu político. Uma “estratégia bolsonarista contra o STF”, como li, por estes dias.

Na algazarra política ele é traidor, para alguns, e herói, para outros. O que é uma tremenda bobagem. Suas informações são de interesse público. E é isto que deveria importar.

Seu caso me lembrou o de Mark Felt. O “Garganta profunda” do caso Watergate. Todos conhecem a saga investigativa de Bob Woodward e Carl Berstein. Em algum momento, eles decidiram levar a sério as denúncias de um funcionário delator, vindo de dentro do próprio sistema.

FALTA ALGUÉM – O caso envolvia a Casa Branca na invasão do QG do Partido Democrata. Envolvia o próprio Nixon, e todos sabemos o desfecho. Talvez nos falte um Berstein ou um Woodward neste país acomodado. Ou, quem sabe, certos valores comuns que desejamos preservar, acima dos humores da política.

Nos Estados Unidos há o Whistleblower Protection Act, que protege cidadãos com denúncias relevantes. É assim que funciona, em grandes democracias. No Brasil, vemos o contrário. E no fundo é isso que incomoda.

Uma democracia pode viver com os gritões de redes sociais e mesmo com uma mídia que muito pouco investiga. Mas não com um aparato de Estado que recusa a investigação de si mesmo. Que opta pela lógica confortável do “não saber”. Lógica algo estranha, vamos convir, para a democracia republicana que um dia imaginamos construir.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Fernando Schüller é um dos maiores cronistas políticos. Fazem campanha contra ele, dizendo que é de direita. Uma tremenda bobajada, porque o que interessa é se Schüler é justo e procura sempre a verdade. (C.N.) 

domingo, outubro 12, 2025

Carta Aberta em Homenagem aos Jovens Guerreiros da Democracia no Sertão Baiano

 

Carta Aberta em Homenagem aos Jovens Guerreiros da Democracia no Sertão Baiano

Aldo Carvalho
Carta Aberta em Homenagem aos Jovens Guerreiros da Democracia no Sertão BaianoFoto: Arquivos Zé Ivaldo - Restaurada por Anderson Ferreira

Em tempos sombrios, quando a liberdade era vigiada e a esperança parecia sufocada pelo peso da repressão, um grupo de jovens do sertão baiano ousou sonhar, resistir e lutar. Em plena ditadura militar, quando o verde-oliva rondava cada esquina e o sistema não oferecia espaço para vozes dissonantes, esses jovens se tornaram faróis de coragem e consciência democrática.

A sociedade progressista do sertão baiano tem, nesses nomes, um motivo de profundo orgulho. Genivaldo Teixeira, Nivaldo, Gilmar Teixeira, Marcos Antônio, Genivan, Zé Ivandro, Zé Ivaldo, Dimas, Gilberto Santana, Paulo Rangel — e tantos outros que se somaram a essa jornada — são protagonistas de uma história que precisa ser contada, lembrada e reverenciada.

Nas escolas, o movimento fervilhava. O CEUSPA e a UNESPA foram mais que entidades estudantis: foram trincheiras de resistência, espaços de formação política e de união entre estudantes de todas as unidades escolares de Paulo Afonso, e também daqueles que viviam nas capitais nordestinas como Maceió, Salvador e Recife. Ali, a juventude se encontrava para pensar o Brasil, para defender a democracia, para plantar as sementes de um futuro mais justo.

Recordo com emoção o tempo em que fui vice-presidente do CEUSPA pela saudosa Escola Murilo Braga, enquanto Gilmar ocupava o mesmo posto no COLEPA. Era o início de uma militância que florescia mesmo sob o olhar conservador de instituições como a CHESF. Era o despertar de uma consciência coletiva que não se calaria diante da opressão.

A semente plantada por Zé Ivaldo e sua trupe germinou em fundamentos sólidos de um socialismo democrático que, até hoje, inspira e orienta nossa postura em defesa da liberdade, da justiça social e da democracia.

A esses jovens guerreiros, nossa eterna gratidão. Foram eles que abriram caminhos, que enfrentaram o medo, que nos permitiram sonhar com um Brasil mais livre. Foram eles que garantiram que Paulo Afonso tivesse voz na luta histórica pela democracia.

Que esta carta seja um tributo à memória, à coragem e ao legado desses heróis do sertão.

Com respeito, admiração e compromisso,

Aldo Carvalho da Silva


Passeata anos 80 - 
Foto Original

https://www.tribunadopovo.net/noticia/9232/paulo-afonso/politica/carta-aberta-em-homenagem-aos-jovens-guerreiros-da-democracia-no-sertao-baiano.htmll

O Príncipe de Maquiavel | RESUMO COMPLETO

Uma breve análise da obra "O príncipe" de Maquiavel.

 Uma breve análise da obra "O príncipe" de Maquiavel.

Análise política.


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A obra “O príncipe” de Nicolau Maquiavel é considerada o manual da ciência política. O livro apresenta como um príncipe deve se portar, agir e determinar para se manter no poder ou chegar até ele. Dentre os capítulos - 26 ao todo - o autor apresenta fatos históricos e atuais - para a época da idade média - para exemplificar sua tese. No decorrer da obra fica claro o tema central do livro, a governabilidade, visto que ele - o livro - atua como um manual a ser seguido pelos monarcas, com atitudes a seguir, a não seguir, fatos históricos como base etc.



Algumas das inúmeras fontes notadas na obra são: casos de imperadores romanos, filósofos conhecidos para a época da idade média e até para a atualidade, Papas, revoltas populares contra seus governantes entre outros.



No que tange a linguagem do livro como um todo, é utilizada a linguagem formal, rebuscada, com a presença de palavras no Latim, tendo em vista o tempo em que foi produzida a obra e, apresenta, além dos já citados exemplos históricos e atuais, argumentos que conduzem o leitor para uma visão que não difere de sua tese. Sobre essa linguagem persuasiva, estão presentes na obra elementos que hoje é sabido que exercem papel de persuasão no contexto, como a utilização marcante de exemplos, no caso da obra, atuais e históricos. Esses exemplos são utilizados demasiadamente ao longo de todo o livro afim de comprovar a tese sugerida pelo autor em cada capítulo.



Dos capítulos mais marcantes e recomendados para o presente trabalho pode-se destacar do capítulo XVIII ao XXVI, que apresentam como um príncipe deve se portar frente a questões como suas fortalezas, sua percepção para o povo, a forma como governa, a honra de sua palavra, seus ministros entre outros.



Sobre a obra, é possível redigir a seguinte síntese:



Maquiavel, preocupado com a situação em que a Itália se encontrava - um círculo vicioso de guerras, disputas territoriais e saques - passou a escrever a obra analisada. De inicio ele apresenta as formas de governo e as exemplifica como o fez em toda a obra.



Nicolau Maquiavel propõe que um monarca deve agir e nunca esperar por resultados, neste pensamento ele sugere a tese de que o príncipe deve realizar o necessário para o bem do governo e do reino.



A obra apresenta aos príncipes que é mais válido para sua imagem e para seu governo que ele seja temido, pois isso faz com que a população não compile contra ele e faz com que seu exército seja obediente e enfrente com ele as guerras e disputas. O autor apresenta também a ideia de que o bem deve ser concedido aos poucos, para que o povo se sinta grato e aproveite este. Já o mal deve ser utilizado como o que foi proposto "um jacto” - de modo que a dor, embora forte e eficaz, seja rápida.



Maquiavel apresenta, também a questão do poder centralizado, fazendo com que o monarca detenha a força com o controle dos exércitos, a riqueza e o apoio do povo. Isto tudo obtido e mantido com rispidez, astúcia e atenção.



Aprofundando na leitura da obra, é destacável no capítulo XVIII a comparação que o autor faz com o uso de metáforas, quando trata que o príncipe deve utilizar para o combate tanto seu lado humano, com as leis, quanto seu lado animal com a força bruta. Agindo dessa forma ele terá êxito. Maquiavel cita como exemplo o Leão e a raposa, com referência à força presente no Leão e à perspicácia da raposa. Ainda nesse capítulo é tratado que o príncipe possui o direito de não cumprir suas promessas caso o cumprimento dessas lhe causar prejuízos. É aplicado neste conceito o exemplo da fonte moderna - para a época - de Alexandre VI. De acordo com Maquiavel, não é imprescindível que um príncipe possua todas as qualidades de um, todavia se faz necessário que ele - príncipe - aparente possui-las. São essas qualidades: fiel, piedoso, humano, íntegro e religioso, entre outras. Um conceito apresentado neste referido capitulo é o de que: “[…] que havendo a possibilidade ele não se aparte do bem, mas que, havendo a necessidade, saiba valer-se do mal”.


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Nicolau Maquiavel ainda trata sobre o príncipe como pessoa e suas características pessoais, apresentando que ideal seria aquele governante que tenha aliadas as suas virtudes - virtu e sua fortuna - sorte. O autor apresenta também que o príncipe nunca deve atentar contra o patrimônio nem contra a honra dos homens de seu reino, com isso eles viverão satisfeitos e não atentarão contra ele salvo poucos que o príncipe poderá voltar sua plena atenção para refrea-los. Ao longo dessa ideia apresentada, principalmente no capítulo XIX, é apresentado como uma das fontes aludidas: Nabis Esparta - rei de Esparta do ano 207 à 192 a.C.. \



Maquiavel cita que um governante novo jamais deve desarmar seu povo e súditos, pois, se assim o fizer, estará colocando a desconfiança e a raiva contra sua pessoa e por consequência, contra seu governo. Nesta parte da obra, nota-se a presença de expressões em Latim, como a seguinte: “e praesertim” que significa “sobretudo/ especialmente. São citados nessa parte como exemplos os feitos dos nomes de Pandolfo Petruci - senhor de Siena, Messer Niccolò Vitelli, Guidobaldo - Duque de Urbino, César Borgia, entre outros.



É apresentado também que as grandes ações de um príncipe que o tornam benquisto com o povo. Um exemplo atual - para a época - citado nessa tese é o nome de Fernando de Aragão - Rei da Espanha que realizou feitos considerados até mesmo extraordinários. O príncipe deve deixar-se transparecer integridade, inteligência e bondade para o povo, fazendo com que ele o vender e o siga. O autor propõe também que o governante não seja neutral, e que tome um partido, escolha um lado e tenha parcialidade.



Sobre a escolha dos ministros do governo, o monarca deve saber como escolhe-los e como os manter fiéis. Disso, demanda-se inteligência e perspicácia do príncipe, que deve quando realizar uma escolha ruim de ministro, reflete em desconfiança em seu governo e nele mesmo como governante. Maquiavel cita como exemplificação de sua tese a escolha de Messer Antonio da Venafro como ministro de Pandolfo Petrucci. O autor sugere que para o príncipe conhecer se determinada pessoa é adequada ao cargo de ministro, basta verificar se ela possui como interesses principais o bem do governo, estado e a estabilidade ou o seu próprio bem, o seu benefício próprio. Caso for avaliado e constatado o segundo caso, então esta pessoa não serve para cargo de ministro.



Prosseguindo, deparamo-nos com os aduladores, Maquiavel propõe que estes sejam anulados quando houver a permissão para manifestar a verdade. Um príncipe deve, acima de tudo, ser cercado de pessoas que lhe digam a verdade quando ela lhes é solicitada por ele. Dessas pessoas não é esperada outra atitude, pois com a verdade e com os conselhos obtidos o governante pode com sabedoria e com o apoio, governar livremente. Nesse assunto, Maquiavel propõe um exemplo para provar sua tese e, com isso fazer com que o leitor aceite seu ponto de vista, o exemplo citado foi o do imperador romano Maximiliano.



Adentrando na obra, chegamos a parte do porquê os príncipes perderam seus estados. Nesse segmento o auto de maneira persuasiva - com exemplos - cita casos em que os governantes acabaram por ruir, perdendo o poder. Segundo Maquiavel isso ocorreu por causa da utilização de milícias, em decorrência da falta de amizade com o povo, ou com a falta de amizade com os “grandes”, pois como já fora visto ao longo do livro, o príncipe deve ter um equilíbrio de amizade - o apoio do povo e dos nobres. São esses exemplos o Rei de Nápoles, entre outros mais. Como caso de sucesso, o autor cita Filipe da Macedônia.



Finalizando a obra, Maquiavel trata sobre a situação da Itália e expõe que em nenhum momento a região estava tão propícia à ser regida por um novo príncipe que demonstrasse as qualidades de um.

https://www.jusbrasil.com.br/artigos/uma-breve-analise-da-obra-o-principe-de-maquiavel/591843961

O Príncipe de Maquiavel explicado

 

O Príncipe de Maquiavel explicado

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura
Tempo de leitura:10 min.

O Príncipe, criado em 1513 e publicado em 1532, foi escrito por Nicolau Maquiavel (1469-1527) e é um dos mais importantes ensaios de política do mundo ocidental. A obra é uma referência nas ciências humanas e é muito estudada especialmente nas áreas do direito, da filosofia e da sociologia.

Na obra que se tornou clássica, Maquiavel escreveu não só como um político deveria conquistar o poder, mas sobretudo o que ele deveria fazer para se manter no seu cargo de liderança.

Explicação da obra O Príncipe

Na sua obra mais famosa, Maquiavel, ao longo de 26 capítulos, escreveu sobre a política na prática, como ela é, e não no plano das ideias, na teoria presente nos livros.

O escritor, que viveu durante muitos anos nos bastidores do poder de Florença, teve a coragem de colocar no papel aquilo que considerava ser correto e incorreto, ético e condenável, para um político se estabelecer no poder.

O senso de moralidade de Maquiavel, no que se referia a política, foi delineado com base no que ele assistia no dia a dia da vida pública em Florença. O objetivo maior de Maquiavel ao escrever O Príncipe era demonstrar todo o seu conhecimento político prático para a família Médici, que estava no poder, a fim de conseguir reaver o cargo público que tinha.

Depois que o seu protetor Soderini saiu do poder, Maquiavel ficou cada vez mais distante da vida pública de Florença. Através do seu livro, Nicolau Maquiavel queria mostrar que estava por dentro das questões políticas palacianas florentinas e dos principais centros da Europa.

O destinatário do seu livro era Lorenzo di Piero de Médici (1492-1519), que governou Florença durante três anos e a quem Maquiavel tentou impressionar.

Principais temas discutidos em O Príncipe

Política

Para Maquiavel, em O Príncipe, todas as sociedades precisam de uma estrutura que ordene e domine o coletivo, caso contrário terá lugar a anarquia e o conflito.

A natureza do homem é, para o escritor, egoísta e corruptível, e o ser humano pensa, acima de tudo, no seu próprio prazer. Diante dessa verdade, cabe ao Estado regular as relações entre os homens e cabe ao líder pensar no bem coletivo não permitindo que atitudes egoístas individuais destruam o bem comum.

A política seria justamente essa vocação para organizar a cidade, para impedir que destruidores dominassem o espaço público. Dominar politicamente é, portanto, essencial para o bem coletivo.

Pode-se dizer que a perspectiva de Maquiavel sobre o assunto é pessimista nesse quesito se comparada com a tese dos filósofos gregos, por exemplo, que viam o bem comum e a felicidade como os pilares essenciais para se construir a vida política. Para Maquiavel, a vida política é necessária para que os homens não destruam uns aos outros.

Características de um príncipe

Segundo o Maquiavel, um príncipe deve apresentar cinco características essenciais para ser capaz de governar e se estabelecer no poder: piedade, fidelidade, humanidade, integridade e religiosidade.

Não é preciso que o líder tenha todas essas características, mas é preciso que o povo acredite que o líder as tem, ainda que para isso ele precise agir de modo “falso”. Isto é, o príncipe deve conseguir transparecer para os seus súditos essas cinco características para convencer as pessoas e se manter no cargo, ainda que elas não sejam verdadeiras, genuínas.

Um líder deve manter sempre uma postura de autoridade e confiança, apesar de nunca dever confiar na lealdade dos seus súditos. O ser humano pensa, antes de tudo, no seu próprio bem-estar individual, por isso o líder deve manter uma postura de desconfiança, esperando sempre do outro que ele se torne em algum momento o seu rival.

Como governar

Para governar, um príncipe precisa ter fortuna (palavra que usa como sinônimo de sorte) e virtude (que nesse contexto quer dizer habilidade de governar e negociar).

Esse “jogo de cintura”, que Maquiavel se refere, não tinha uma conotação negativa no sentido do governante ser malicioso ou cruel, o intelectual fala aqui de uma característica diplomática, mediadora, de quem tem habilidade de “saber estar”.

Maquiavel reconhece que a política é dinâmica e muda muito rápido, por isso um príncipe deve estar sempre atento e atuar assim que for necessário. Um príncipe também deve ser firme, capaz de manter a segurança do país que lidera, mesmo que para isso seja preciso entrar em conflitos e guerras.

Idealmente Maquiavel assume que todo político deveria ser, ao mesmo tempo, amado e temido. Mas, no caso de uma das características não existir, o intelectual recomenda que o líder seja antes de tudo temido, ao invés de amado.

Maquiavel também comenta que, às vezes, um político não pode honrar a palavra dada e, quando isso acontecer, não deve ter medo de ser enérgico. O povo deve temer o seu líder, mas um líder jamais deve temer os seus súditos.

Uma das citações mais conhecidas da obra de Maquiavel fala justamente sobre a importância de um político ser, ao mesmo tempo, querido e temido pelo seu povo:

Daí nasce uma controvérsia, qual seja: se é melhor ser amado ou temido. Pode-se responder que todos gostariam de ser ambas as coisas; porém, como é difícil conciliá-las, é bem mais seguro ser temido que amado, caso venha a faltar uma das duas. Porque, de modo geral, pode-se dizer que os homens são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, avessos ao perigo, ávidos de ganhos; assim, enquanto o príncipe agir com benevolência, eles se doarão inteiros, lhe oferecerão o próprio sangue, os bens, a vida e os filhos, mas só nos períodos de bonança, como se disse mais acima; entretanto, quando surgirem as dificuldades, eles passarão à revolta, e o príncipe que confiar inteiramente na palavra deles se arruinará ao ver-se despreparado para os reveses.

A ética do político

Mentir, distorcer os fatos, ameaçar os opositores, tirar dinheiro e poder dos ricos e dar aos pobres, usar de charme, palavras bonitas e de efeito… para manter-se no poder!

Maquiavel sublinha em O Príncipe que um bom político deve ser capaz de manipular a realidade, muitas vezes mentindo ou enganando para se perpetuar no poder.

Interpretado por muitos como um escritor que elogiava o desonesto, Maquiavel quis, através da sua obra, mostrar o funcionamento da máquina política como ela é. O escritor assistiu durante a vida muitos líderes optarem por posturas eticamente questionáveis para conseguirem aquilo que queriam no final: se manter no poder.

Apesar de não ter escrito a frase “os fins justificam os meios”, que foi erroneamente atribuída a Maquiavel, a sentença ajuda a compreender um pouco da essência exposta pelo pensador na sua obra O Príncipe.

O estigma do escritor foi tão forte que a palavra maquiavélico, um substantivo pejorativo, é usado até os dias de hoje para se referir aqueles que manipulam para alcançarem o que desejam.

Contexto histórico

A família Médici era muito poderosa na região, tendo governado Florença durante cerca de 100 anos. A Florença de 1500 era um polo importante: foi o berço do humanismo, a capital do Renascimento, e brilhou durante um período marcado por uma efervescência cultural, social e política.

Por outro lado, havia muita instabilidade na região, muitos conflitos na Itália, que ainda não era unificada e era frequentemente palco de batalhas que geravam enorme derramamento de sangue.

Em termos de sistema político, Florença não era uma monarquia como muitos Estados europeus daquela época. A região era uma República, onde o poder estava concentrado nas mãos de algumas poucas famílias ricas.

Nicolau Maquiavel, que havia nascido em Florença (e morreu na mesma cidade), era um defensor da República, tendo tido alguns altos cargos políticos públicos como chanceler, embaixador e conselheiro.

Maquiavel estava vendo a estrutura política que acreditava ser a ideal ruir. Com os desdobramentos do fim da República, Maquiavel chegou a ser preso, torturado e exilado no campo.

O escritor no final da sua vida achou que Florença ia ser governada por um príncipe e, por isso, resolveu escrever para Lorenzo di Piero de Médici, o maior candidato ao cargo, para conseguir a sua função de conselheiro de volta. Maquiavel queria, portanto, através do seu livro, demonstrar de forma clara e didática que tinha muito conhecimento sobre o funcionamento da sociedade.

Maquiavel esteve mergulhado na vida política italiana

O escritor criou O Príncipe em 1513, muitos anos antes de a obra ser publicada (O Príncipe foi publicado em 1532, cinco anos depois da morte do autor). A sua intenção era inicialmente ser lido pelo neto de Lourenço de Médici (o Magnífico), Lorenzo di Piero de Médici (1492-1519), que governava Florença durante aquele período histórico.

Lorenzo esteve no poder por apenas três anos, mas a sua família era influente na região há décadas.

Nicolau Maquiavel testemunhou um momento político importante, entre o século XV e o XVI, quando os governos pós Idade Média começaram a se estabelecer de modo mais estável.

Em 1498, Maquiavel foi nomeado secretário e segundo chanceler da República Florentina tendo sido um nome muito importante da vida pública na região.

Maquiavel foi observador na eleição papal de 1503, por exemplo, e esteve ao lado de Júlio II na sua primeira conquista além de ter organizado uma força de infantaria para capturar Pisa novamente em 1509.

Em 1512, no entanto, Maquiavel perdeu o poder que tinha e chegou a ser torturado e preso, tendo que se refugiar no campo ao lado da mulher e dos seis filhos. Foi durante esse período recluso que mais escreveu tendo criado inclusive O Príncipe.

O Príncipe é uma obra atemporal

Apesar de ter sido escrito num contexto histórico completamente diferente, a obra de Maquiavel dialoga conosco até os dias de hoje exibindo o comportamento típico de muitos indivíduos que optaram pela vida política.

O escritor há mais de 500 anos já resumia a sociedade dividindo-a em dois grupos: os poderosos e os que obedeciam. Mesmo sabendo que governos caem e outros ascendem, porque o sistema político é por natureza dinâmico, a sociedade continua sendo regida a partir dessa divisão básica em dois grupos.

Se quiser conhecer mais profundamente o autor vá para o artigo Nicolau Maquiavel: biografia e principais obras.

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks

Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018). 

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