Uma breve análise da obra "O príncipe" de Maquiavel.
Análise política.
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A obra “O príncipe” de Nicolau Maquiavel é considerada o manual da ciência política. O livro apresenta como um príncipe deve se portar, agir e determinar para se manter no poder ou chegar até ele. Dentre os capítulos - 26 ao todo - o autor apresenta fatos históricos e atuais - para a época da idade média - para exemplificar sua tese. No decorrer da obra fica claro o tema central do livro, a governabilidade, visto que ele - o livro - atua como um manual a ser seguido pelos monarcas, com atitudes a seguir, a não seguir, fatos históricos como base etc.
Algumas das inúmeras fontes notadas na obra são: casos de imperadores romanos, filósofos conhecidos para a época da idade média e até para a atualidade, Papas, revoltas populares contra seus governantes entre outros.
No que tange a linguagem do livro como um todo, é utilizada a linguagem formal, rebuscada, com a presença de palavras no Latim, tendo em vista o tempo em que foi produzida a obra e, apresenta, além dos já citados exemplos históricos e atuais, argumentos que conduzem o leitor para uma visão que não difere de sua tese. Sobre essa linguagem persuasiva, estão presentes na obra elementos que hoje é sabido que exercem papel de persuasão no contexto, como a utilização marcante de exemplos, no caso da obra, atuais e históricos. Esses exemplos são utilizados demasiadamente ao longo de todo o livro afim de comprovar a tese sugerida pelo autor em cada capítulo.
Dos capítulos mais marcantes e recomendados para o presente trabalho pode-se destacar do capítulo XVIII ao XXVI, que apresentam como um príncipe deve se portar frente a questões como suas fortalezas, sua percepção para o povo, a forma como governa, a honra de sua palavra, seus ministros entre outros.
Sobre a obra, é possível redigir a seguinte síntese:
Maquiavel, preocupado com a situação em que a Itália se encontrava - um círculo vicioso de guerras, disputas territoriais e saques - passou a escrever a obra analisada. De inicio ele apresenta as formas de governo e as exemplifica como o fez em toda a obra.
Nicolau Maquiavel propõe que um monarca deve agir e nunca esperar por resultados, neste pensamento ele sugere a tese de que o príncipe deve realizar o necessário para o bem do governo e do reino.
A obra apresenta aos príncipes que é mais válido para sua imagem e para seu governo que ele seja temido, pois isso faz com que a população não compile contra ele e faz com que seu exército seja obediente e enfrente com ele as guerras e disputas. O autor apresenta também a ideia de que o bem deve ser concedido aos poucos, para que o povo se sinta grato e aproveite este. Já o mal deve ser utilizado como o que foi proposto "um jacto” - de modo que a dor, embora forte e eficaz, seja rápida.
Maquiavel apresenta, também a questão do poder centralizado, fazendo com que o monarca detenha a força com o controle dos exércitos, a riqueza e o apoio do povo. Isto tudo obtido e mantido com rispidez, astúcia e atenção.
Aprofundando na leitura da obra, é destacável no capítulo XVIII a comparação que o autor faz com o uso de metáforas, quando trata que o príncipe deve utilizar para o combate tanto seu lado humano, com as leis, quanto seu lado animal com a força bruta. Agindo dessa forma ele terá êxito. Maquiavel cita como exemplo o Leão e a raposa, com referência à força presente no Leão e à perspicácia da raposa. Ainda nesse capítulo é tratado que o príncipe possui o direito de não cumprir suas promessas caso o cumprimento dessas lhe causar prejuízos. É aplicado neste conceito o exemplo da fonte moderna - para a época - de Alexandre VI. De acordo com Maquiavel, não é imprescindível que um príncipe possua todas as qualidades de um, todavia se faz necessário que ele - príncipe - aparente possui-las. São essas qualidades: fiel, piedoso, humano, íntegro e religioso, entre outras. Um conceito apresentado neste referido capitulo é o de que: “[…] que havendo a possibilidade ele não se aparte do bem, mas que, havendo a necessidade, saiba valer-se do mal”.
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Nicolau Maquiavel ainda trata sobre o príncipe como pessoa e suas características pessoais, apresentando que ideal seria aquele governante que tenha aliadas as suas virtudes - virtu e sua fortuna - sorte. O autor apresenta também que o príncipe nunca deve atentar contra o patrimônio nem contra a honra dos homens de seu reino, com isso eles viverão satisfeitos e não atentarão contra ele salvo poucos que o príncipe poderá voltar sua plena atenção para refrea-los. Ao longo dessa ideia apresentada, principalmente no capítulo XIX, é apresentado como uma das fontes aludidas: Nabis Esparta - rei de Esparta do ano 207 à 192 a.C.. \
Maquiavel cita que um governante novo jamais deve desarmar seu povo e súditos, pois, se assim o fizer, estará colocando a desconfiança e a raiva contra sua pessoa e por consequência, contra seu governo. Nesta parte da obra, nota-se a presença de expressões em Latim, como a seguinte: “e praesertim” que significa “sobretudo/ especialmente. São citados nessa parte como exemplos os feitos dos nomes de Pandolfo Petruci - senhor de Siena, Messer Niccolò Vitelli, Guidobaldo - Duque de Urbino, César Borgia, entre outros.
É apresentado também que as grandes ações de um príncipe que o tornam benquisto com o povo. Um exemplo atual - para a época - citado nessa tese é o nome de Fernando de Aragão - Rei da Espanha que realizou feitos considerados até mesmo extraordinários. O príncipe deve deixar-se transparecer integridade, inteligência e bondade para o povo, fazendo com que ele o vender e o siga. O autor propõe também que o governante não seja neutral, e que tome um partido, escolha um lado e tenha parcialidade.
Sobre a escolha dos ministros do governo, o monarca deve saber como escolhe-los e como os manter fiéis. Disso, demanda-se inteligência e perspicácia do príncipe, que deve quando realizar uma escolha ruim de ministro, reflete em desconfiança em seu governo e nele mesmo como governante. Maquiavel cita como exemplificação de sua tese a escolha de Messer Antonio da Venafro como ministro de Pandolfo Petrucci. O autor sugere que para o príncipe conhecer se determinada pessoa é adequada ao cargo de ministro, basta verificar se ela possui como interesses principais o bem do governo, estado e a estabilidade ou o seu próprio bem, o seu benefício próprio. Caso for avaliado e constatado o segundo caso, então esta pessoa não serve para cargo de ministro.
Prosseguindo, deparamo-nos com os aduladores, Maquiavel propõe que estes sejam anulados quando houver a permissão para manifestar a verdade. Um príncipe deve, acima de tudo, ser cercado de pessoas que lhe digam a verdade quando ela lhes é solicitada por ele. Dessas pessoas não é esperada outra atitude, pois com a verdade e com os conselhos obtidos o governante pode com sabedoria e com o apoio, governar livremente. Nesse assunto, Maquiavel propõe um exemplo para provar sua tese e, com isso fazer com que o leitor aceite seu ponto de vista, o exemplo citado foi o do imperador romano Maximiliano.
Adentrando na obra, chegamos a parte do porquê os príncipes perderam seus estados. Nesse segmento o auto de maneira persuasiva - com exemplos - cita casos em que os governantes acabaram por ruir, perdendo o poder. Segundo Maquiavel isso ocorreu por causa da utilização de milícias, em decorrência da falta de amizade com o povo, ou com a falta de amizade com os “grandes”, pois como já fora visto ao longo do livro, o príncipe deve ter um equilíbrio de amizade - o apoio do povo e dos nobres. São esses exemplos o Rei de Nápoles, entre outros mais. Como caso de sucesso, o autor cita Filipe da Macedônia.
Finalizando a obra, Maquiavel trata sobre a situação da Itália e expõe que em nenhum momento a região estava tão propícia à ser regida por um novo príncipe que demonstrasse as qualidades de um.
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