Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)
Bruno Boghossian
Folha
Meses antes do terremoto político de junho de 2013, havia gente na rua gritando “fora, Renan”. O senador era símbolo da política fisiológica. Manifestantes de direita viam Calheiros como ícone da corrupção e amigo do governo de esquerda, enquanto a esquerda acreditava que ele puxava o governo Dilma Rousseff para a direita.
Renan Calheiros e seu PMDB faziam parte do centrão da época. Protagonizavam os arranjos de Brasília que seriam alvo do sentimento antipolítica que se tornou dominante nos megaprotestos de junho e se fortaleceu nos anos seguintes.
A MESMA POLÍTICA – O papel de Calheiros e o tamanho do PMDB mudaram, mas o centrão continuou fazendo sua política às claras. Apesar de acomodações internas, o grupo não apenas sobreviveu a 2013 como se tornou, nas palavras de Celso Rocha de Barros, “o grande vencedor desses dez anos de contestação sistêmica”.
O centrão resistiu à onda da antipolítica dobrando a aposta na velha política. Depois que a fúria das ruas drenou a popularidade presidencial, cardeais do Congresso aproveitaram para reforçar seu poder de barganha, ampliar o acesso aos cofres do governo e despejar dinheiro em suas bases eleitorais para facilitar a preservação de seus cargos.
Os agentes do centrão também foram poupados porque seriam úteis para a turma da antipolítica.
ADOTADO NOS PROTESTOS – Sem base social, o grupo foi adotado pela direita que prevaleceu nos protestos. Eduardo Cunha ganhou força, liderou o impeachment de Dilma, foi tratado como herói e só acabou descartado após a queda da petista.
O ocaso do ex-presidente da Câmara oferece uma explicação extra para a resistência do centrão. O grupo foi favorecido por um sistema eleitoral personalista, que fez com que as jornadas causassem danos a figuras específicas. Presidente, governadores e prefeitos tiveram prejuízo imediato. No Legislativo, a conta demorou a chegar e abateu velhos líderes com imagens já desgastadas.
O centrão de 2013 manteve e aperfeiçoou seus métodos. Seus sucessores dão as cartas até hoje.