
Ilustração de Kleber Sales (Correio Braziliense)
Vinicius Doria
Correio Braziliense
Luiz Inácio Lula da Silva e Arthur Lira reafirmaram, nesta semana, em um café da manhã um pouco amargo, as fronteiras do território político de cada um. Não há jogo de cena nem faca no pescoço.
São dois chefes de Poder que acumularam cacife alto. A diferença é que, enquanto o presidente da Câmara já tem suas trincheiras bem estabelecidas, o presidente da República ainda patina para organizar sua frente de articulação. E os dois sabem o preço de uma declaração de guerra — que não virá.
SEMIPRESIDENCIALISMO – Lira disse que não é um novo Eduardo Cunha, que comandou o Centrão no embate com a então presidente Dilma Rousseff, em 2016. O resultado, todos conhecem: Dilma sofreu impeachment e o deputado Eduardo Cunha acabou cassado.
Agora, em meio a mais uma crise entre Poderes, ressurge a tese do semipresidencialismo, que tenta tirar prerrogativas do chefe do Executivo sem os freios e contrapesos do parlamentarismo clássico — regime que prevê dissolução do Parlamento e convocação de novas eleições.
Também não vingará. E Lula ainda tem a seu favor a barreira de contenção do Senado, de Rodrigo Pacheco, e uma Suprema Corte vigilante contra ameaças ao equilíbrio democrático.
OLHO NA CODEVASF – Um dos principais drenos por onde escorriam as verbas do orçamento secreto, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) está no centro das atenções da Controladoria-Geral da União.
Desde o início do ano, o órgão já divulgou 24 relatórios de apuração e avaliação sobre convênios de obras, serviços e compras contratados até o fim do governo de Jair Bolsonaro. Todos com indícios de irregularidades.
E ainda há muitas investigações em curso.
LEVANTANDO ACAMPAMENTO – Os indígenas que vieram a Brasília acompanhar o julgamento do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal, já desmontaram o acampamento.
Mas prometem voltar assim que o ministro André Mendonça, que pediu vista, devolver o processo para a Corte. Ou antes, se o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) marcar a votação pelo Senado do projeto que institui o marco temporal.
Mas o senador não está disposto a pautar a matéria tão cedo.