sexta-feira, junho 16, 2023

Exército barra ida aos EUA de coronel que trocou mensagens golpistas com Mauro Cid

Publicado em 16 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Exército diz que coronel que tramou golpe responderá na Justiça e perderá  cargo no exterior - Brasil 247

General golpista perdeu a sinecura e será processado

Monica Gugliano
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stadão

O Exército decidiu barrar nesta sexta-feira, 16, a designação do coronel Jean Lawand Júnior para o posto de adjunto do adido militar em Washington após a vir a público um plano de golpe de Estado envolvendo o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Lawand estava indicado para a função nos Estados Unidos, mas revelações sobre suas conversas com o então auxiliar do ex-presidente inviabilizaram sua ida.

O comandante da Exército, general Tomás Paiva, determinou que Lawand fique no Brasil para responder aos inquéritos que estão sendo conduzidos pela Polícia Federal sobre os atos golpistas do 8 de janeiro. Naquela data, apoiadores de Bolsonaro tomaram a Praça dos Três Poderes, em Brasília, e deixaram um rastro de destruição nos prédios do Congresso, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto, em inconformismo com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

CELULAR REVELADOR – As informações publicadas pela revista Veja nesta quinta-feira, 15, desconcertaram altos oficiais da Força. Lawand era um dos subchefes do Estado-Maior do Exército. Ele estava lotado no Escritório de Projetos, chefiado pelo general Rocha Lima. De acordo com a reportagem, foi encontrado no celular de Cid o roteiro para um possível “golpe de Estado”.

No aparelho telefônico, também foram encontradas trocas de mensagens entre Cid e Lawand do início de novembro, após a eleição presidencial, até o fim de dezembro.

Em uma delas, Lawand sugere que Bolsonaro precisava “dar a ordem” para que as Forças Armadas agissem. “Cidão (Mauro Cid), pelo amor de Deus, cara. Ele dê a ordem, que o povo está com ele (…). Acaba o Exército Brasileiro se esses caras não cumprirem a ordem do comandante supremo”, afirmou Lawand ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro por mensagem.

INSUSTENTÁVEL – Ao tomar conhecimento dos diálogos, o comandante Tomás Paiva considerou insustentável a permanência de Lawand na função e a promoção do subordinado nos Estados Unidos.

Pela manhã desta sexta, o presidente Lula, que estava de viagem marcada para Goiás, cancelou a ida para conversar com Paiva e o ministro da Defesa, José Múcio. Mas a decisão de afastar Lawand já estava tomada pelo Comando.

A Força divulgou nota na qual afirma que a opinião e os comentários de Cid e Lawand “não representam o pensamento da cadeia de comando do Exército brasileiro e tampouco o posicionamento oficial da Força”. “Como instituição de Estado apartidária, o Exército prima sempre pela legalidade e pelos respeitos aos preceitos constitucionais”, diz a corporação. “Os fatos recentes somente ratificam e comprovam a atitude legalista do Exército de Caxias.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Esta expressão legalista deve ser saudada por todos os brasileiros. Começou a ser popularizada em 1955, quando a posição legalista do ministro da Guerra, marechal Henrique Teixeira Lott, garantiu a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. E agora a expressão volta a se popularizar, com a posição do Alto Comando do Exército, que não aceitou dar um novo golpe de estado para evitar a posse de Lula. Recordar é viver. (C.N.)

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