segunda-feira, dezembro 10, 2018

Interlocutores de Bolsonaro pedem “explicação convincente” sobre ex-assessor


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Flávio Bolsonaro coloca o pai em situação constrangedora
Gerson CamarottiG1 Brasília
Integrantes do governo de transição e interlocutores do presidente eleito Jair Bolsonaro já não escondem mais a preocupação com os desdobramentos do caso da movimentação bancária atípica de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), apontada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O blog apurou que esse desconforto é maior principalmente entre os interlocutores da área militar do futuro governo. Para esse grupo, é necessária uma explicação convincente para encerrar o caso.
SILÊNCIO DE QUEIROZ – Há forte contrariedade com o silêncio prolongado de Fabrício Queiroz, que ainda não se pronunciou desde que o caso foi noticiado, na quinta-feira (dia 6). A percepção é que isso pode causar desgaste precoce na imagem do próprio Bolsonaro, que tem sido questionado constantemente pelo episódio.
“Uma coisa é a justificativa jurídica para o Ministério Público; outra coisa é uma resposta imediata para a sociedade. Caso contrário, haverá desgaste político”, disse ao Blog um integrante da equipe de transição.
De forma reservada, existe desconforto até mesmo com a resposta de Bolsonaro, que disse que os R$ 24 mil depositados por Fabrício na conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro, eram pagamento de uma dívida.
EXIBIR OS REGISTROS – Segundo outro interlocutor, o presidente eleito deveria mostrar todos os registros bancários do dinheiro emprestado para Fabrício Queiroz ao longo dos anos. “Como tem o registro do Coaf do dinheiro de volta, é preciso mostrar o registro do dinheiro que foi para o ex-assessor”, ressaltou.
A avaliação dessa fonte é que quando a justificativa é simples, ela tem que ser imediata. “O tempo da política não permite demora para uma explicação que seja convincente”, reforçou esse interlocutor.
RACHA NO PSL – Outra preocupação na equipe de transição é com o racha na bancada do PSL, como mostrou recentemente o vazamento de conversas entre deputados eleitos pelo WhatsApp.
Isso porque já começa a dar um sinal externo de divisão, o que fragiliza muito a estratégia de governabilidade no Congresso da futura gestão. “É preciso que o próprio Bolsonaro assuma o comando”, resumiu.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O deputado Flávio Bolsonaro disse que o ex-assessor Queiroz lhe deu “explicações plausíveis”, mas não mencionou quais foram. Ora, se existissem “explicações plausíveis”, é claro que já teriam sido divulgadas. O jeito é acusar o subtenente Queiroz de agiotagem, para não ficar patente que a família Bolsonaro cobrava “pedágio” de seus assessores, digamos assim, o que na verdade significa inclui vários crimes, inclusive lavagem de dinheiro. Conforme a “Tribuna da Internet” já revelou, a solução é inventar o “assessor agiota”. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

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