Fernando Klein Nunes
Não é preciso ser expert do ramo dos combustíveis para perceber que os preços da gasolina e do óleo diesel vendidos pela Petrobras, indústria petrolífera estatal brasileira, são mais caros no Brasil do que no exterior. Questionado pela imprensa, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirma que os preços estão alinhados com a média mundial. Porém, quando são adicionados os tributos e a margem de lucro do revendedor, o preço ultrapassa países como Estados Unidos, Canadá e China.
Mas não é somente em países de primeiro mundo que notamos esta absurda margem de diferença. Analisando lugares bem mais próximos, constatamos que o diesel brasileiro é o 2.° mais caro da América do Sul, ficando atrás apenas do Uruguai, que cobra R$ 2,25 por litro. No Brasil, paga-se pelo litro cerca de R$ 2,04. Já no Chile ou Argentina, o valor é de R$ 1,45 e R$ 1,62, respectivamente.
Mas por que os combustíveis são tão caros no Brasil? Chega a ser hilário imaginar que somos praticamente o único país da América do Sul a termos petróleo e continuamos a pagar as tarifas mais caras pelos combustíveis. Mas, infelizmente no nosso país estas commodites são utilizadas como fonte de arrecadação do governo brasileiro. Explico: o litro da gasolina sai das refinarias por um determinado valor, mas os tributos federais como PIS, Cofins, ICMS e Cide oneram consideravelmente o preço do litro. Desta forma, o combustível chega às bombas por mais do dobro do preço que saiu da refinaria e isto faz com que os preços no Brasil estejam entre os mais caros do mundo.
Somente no último aumento, em abril de 2008, o diesel brasileiro subiu 15% e a gasolina foi reajustada em 10%. Isto é um absurdo! Existe espaço para reduzir o valor dos combustíveis. Mas, devido às políticas de arrecadação da Petrobras e do governo não existe hipótese de se conseguir baratear estes valores. O que acaba prejudicando não só o transporte rodoviário de carga, mas sim, toda a população.
Agora, diante da crise financeira, o governo prepara uma redução de preço do óleo diesel e não descarta baixar também a gasolina. Mas essa queda pode não ocorrer ainda no primeiro semestre. Porém, uma redução, neste momento, evitaria o repasse aos fretes dos demais aumentos de custos acumulados ao longo dos meses, tais como pneus, veículos, implementos e mão-de-obra, entre outros.
É preciso que nossos representantes reduzam o quanto antes o preço dos combustíveis e que a população questione a manutenção abusiva dos preços altos, principalmente se comparamos com nossos vizinhos de fronteira. É preciso também que haja mudanças para que possamos caminhar para um futuro mais junto neste país, sem corrupção, tarifas abusivas e outros fatores que tornam a situação dos empresários e cidadãos cada vez mais insustentável. Para o país continuar crescendo é preciso que se dirija para essa direção. E a redução dos combustíveis pode ser o primeiro passo.
Fernando Klein Nunes é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná Setcepar).
Fonte: Gazeta do Povo
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