sábado, novembro 29, 2025

FLICACAU APONTA A LITERATURA COMO CAMINHO PARA OUTROS MUNDOS.

 PRIMEIRO DIA

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                             Fotos: Márcio Araújo, Pedro Augusto e Guthierry / Divulgação Flicacau



FLICACAU APONTA A LITERATURA COMO CAMINHO 

PARA OUTROS MUNDOS.


Festa Literária da Região Cacaueira estreia com casa cheia, e segue até sábado (29).


A Festa Literária da Região Cacaueira estreou em grande estilo, nesta quinta-feira (27), no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, sul da Bahia. O primeiro ato com os estudantes, e lançamento do livro Pequenos Autores Grapiúnas: Quem Conta um Conto, Aumenta Encontros, coletânea de textos de alunos da rede municipal de ensino.

A apresentação da Banda Marcial Território, Educação e Cultura, do Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológico (Ciebtec) e depois, o espetáculo Cabruca levou o público em cortejo até o palco principal da Festa, o Espaço Jorge Amado, na abertura oficial do evento.


No pronunciamento, o prefeito Augusto Castro (PSD) agradeceu ao Governo do Estado e à organização da Flicacau pela parceria que devolveu Itabuna ao circuito das festas literárias, após um hiato de nove anos sem eventos desse tipo na cidade.

Chefe de Gabinete da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria da Cultura do Estado, Caruso Costa ressaltou o impacto do Edital Bahia Literária como política de fomento cultural. “Hoje, a Bahia é o estado que mais investe em feiras literárias no País”, afirmou, acrescentando que, nesta edição do edital, o estado investiu R$ 22 milhões em 81 festas literárias em todos os 27 territórios de identidade baianos. “Isso torna a Bahia o estado literário do Brasil”.

A professora Adélia Pinheiro, assessora especial e representante do governador Jerônimo Rodrigues no evento, disse que a Flicacau é como um ninho-abrigo para um conjunto de vivências, linguagens e oportunidades. “Uma feira literária é sempre uma oportunidade para o nosso povo – e é de oportunidade que nós fazemos, no presente, o futuro de cada um”.


UM MUNDO NOVO DIANTE DOS SINAIS DA MÃE TERRA.


Na roda de conversa A Mãe Terra não para de dar sinais, o músico e poeta Arnaldo Antunes, o escritor e professor Jorge Araújo e o jornalista e escritor Daniel Thame bateram um papo sobre o papel das artes e suas linguagens num mundo assolado por crises – ambiental, política, econômica, social – e por protótipos de ditadores.

Para o trio, as artes são aliadas da imaginação de outros mundos possíveis. “A poesia, a arte e a literatura não mudam o mundo praticamente, mas mudam a consciência, a sensibilidade de cada pessoa. E essas pessoas vão fazer a diferença com cada pequeno gesto, com cada pequena atitude, inclusive para compor uma energia que possa trazer transformações reais”, disse Arnaldo.

“[Para essas transformações], falta consciência planetária, falta às pessoas deixarem de se ver separadas da natureza. O que podemos fazer pela natureza? Não, somos parte da natureza. O que podemos fazer por nós, enquanto parte da natureza? Isso é uma coisa que os povos indígenas têm muito a nos ensinar”, acrescentou.

Jorge Araújo constatou – e criticou - a onipresença da forma mercadoria. “Vivemos um processo de mercantilização das atividades humanas em que tudo se transforma em dinheiro. Dinheiro não tem cheiro, não tem cor, mas tem origem e destino. A produção e o consumo se resolvem na prática de outras atividades que levam a outros consumos e outras defecções do espírito”.

A literatura provém ao ser humano a sensibilidade para desvelar o que é encoberto pelo embotamento da cotidianidade. “O mundo é antigo, e antiga é a alma humana. E a alma humana, muitas vezes, não encontra respostas porque o seu olhar está nublado por esses compromissos que a realidade imediata sugere a ele o tempo todo”, concluiu Jorge Araujo. 

Além do público geral, o Centro de Cultura Adonias Filho recebeu vários estudantes das escolas municipais Flávio Simões Costa; Luiz Vianna; Tereza Cristina Ribeiro Estrela; Milton Rodolfo de Souza Machado; Caic Jorge Amado; Professor Everaldo Cardoso; e João Mangabinha Filho.


Coletivos e Editoras.

A Festa Literária da Região Cacaueira também é um espaço de colaboração com os coletivos e editoras independentes que fazem a literatura produzida na Bahia viajar Brasil afora: Editora Tertúlias, Editora Teatro Popular de Ilhéus, Editora Via Litterarum, Vixe Bahia Literária e Editora Mondrongo.

A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA), e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC) e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC). 


Realização: Seneh Comunicação & Projetos.

Assessoria de Imprensa: Thiago Dias

Fábio Costa Pinto - Jornalista Mtb 33.166/RJ

40 anos depois, Paulo Afonso aplaude seus heróis do Intermunicipal de 1985

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Quarenta anos se passaram, mas a memória permanece viva.

                              Foto: https://ligadesportivapauloafonso.blogspot.com/


Na noite desta quinta-feira (27), a Câmara de Vereadores de Paulo Afonso se transformou em um palco de lembranças, gratidão e reconhecimento. Lá, onde tantas decisões políticas já foram tomadas, falou mais alto o coração: atletas, dirigentes e familiares receberam a Medalha de Honra ao Mérito Desportivo pelos 40 anos do título histórico conquistado pela Seleção Pauloafonsina de Futebol no Intermunicipal de 1985, o maior feito do nosso futebol.


A homenagem surgiu a partir do Projeto de Resolução do vereador Jean Roubert e reuniu pessoas que carregam o futebol na alma, entre elas familiares de atletas que já não estão mais entre nós. Também esteve presente o secretário municipal de Cultura e Esporte, Koka Tavares, representando o Executivo.


Foi uma noite para reviver o passado.


Uma noite para dizer, com orgulho: não esquecemos o que vocês fizeram por nós.


Em 2025, ano em que se completam quatro décadas do título, ficou oficialmente marcado o reconhecimento público daquela geração que levou Paulo Afonso ao topo do futebol baiano. Foram 126 seleções em disputa — e foi Paulo Afonso quem levantou a taça, enfrentando na final a seleção de São Félix. A goleada por 6 a 0 no primeiro jogo entrou para a história. Mesmo com a derrota por 1 a 0 na volta, a soma dos resultados consagrou a seleção como campeã estadual. A decisão foi concluída apenas em janeiro de 1986, o que tornou aquele triunfo ainda mais inesquecível.


Os homenageados da noite


Foram reverenciados os dirigentes da LDPA que conduziram, com coragem e amor ao futebol, a campanha vitoriosa:


Elói (in memoriam), Peri-Peri (in memoriam), Branchu (in memoriam), Dr. Zezinho Costa (in memoriam), Valdomiro do Hospital, Toinho Mão Branca, Demostenes Mota, Ivanildo Souza (in memoriam), Dr. Hemetério (in memoriam), Danilson Fortes, Iratan Rocha, Dr. Fred (in memoriam), Antônio Calado (in memoriam), Professor Silva (in memoriam). Zé Ivaldo prefeito a época, e que apoiou a Seleção, também foi lembrado nesta noite especial, ele não pode comparecer e foi representado na cerimônia pelo ex-jogador da seleção Valdeci Rufino Marques.


Da comissão técnica, receberam a honraria:


Alonsão (in memoriam), Professor Kléber, Batatinha (in memoriam), Castelo e Mauro Kemps.


E, no centro de tudo isso, os homens que entraram em campo, suaram a camisa e escreveram a história com os próprios pés. O elenco campeão foi representado por eles ou por familiares:


Joãozinho, Fábio, Paulão, Nêgo Edson, Zé Orlando, Catimbó, Lalau, Edilson Galego (in memoriam), Duda, Capá, Pingo, Cabeça (in memoriam), Valmir Brasil, Ivaldo, Toni, Moisés, Sandro, Valdinho, Paulo Castor, Pajé, Fernando Piaba, Ailton (in memoriam), Grilo, Mário Vitor e Normando.


Nomes que, ao serem chamados, ecoaram como um gol.


O tempo passou, mas o brilho não apagou.

A homenagem não devolve a juventude aos que correram em campo, mas devolve algo maior: o sentimento de pertencimento, de vitória, de gratidão.


Em Paulo Afonso, o futebol é feito de histórias.

E ontem, mais uma vez, elas foram aplaudidas de pé.

GALERIA DE FOTOS


















https://www.tribunadopovo.net/noticia/10057/paulo-afonso/cultura-amp-esportes/40-anos-depois-paulo-afonso-aplaude-seus-herois-do-intermunicipal-de-1985.html


Nota da Redação deste Blog - Quarenta Anos Depois, Paulo Afonso Faz Justiça à Sua História Esportiva

Por José Montalvão

O passado nunca deverá ser esquecido. E quando uma cidade decide olhar para trás com respeito e gratidão, ela reafirma sua identidade, sua memória e seus verdadeiros heróis. Foi exatamente isso que aconteceu no último dia 27 de novembro, quando a Câmara de Vereadores de Paulo Afonso se transformou em um palco de emoção, reconhecimento e justiça histórica.

Quatro décadas depois, o coração falou mais alto. Atletas, dirigentes e familiares foram homenageados com a Medalha de Honra ao Mérito Desportivo, uma das mais nobres condecorações concedidas pelo Legislativo municipal. A celebração marcou os 40 anos da histórica conquista da Seleção Pauloafonsina de Futebol no Intermunicipal de 1985, vitória que permanece como o maior feito já alcançado pelo futebol local.

Aquele time de 1985 não venceu apenas partidas — venceu barreiras, uniu a cidade, despertou orgulho e deixou um legado que resistiu ao tempo. Para muitos pauloafonsinos, aquela campanha tornou-se símbolo de superação e identidade, um marco que formou gerações de torcedores e espelhou o talento esportivo do município.

Ao prestar homenagem a esses protagonistas, a Câmara não apenas celebrou um título, mas resgatou e oficializou um capítulo fundamental da história de Paulo Afonso. Foi um reconhecimento que ecoou não só no plenário, mas em toda a cidade, pois representou o aplauso coletivo de um povo inteiro — através de seus legítimos representantes — àqueles que também fizeram história através do esporte.

Foi mais do que uma cerimônia: foi um acerto de contas com a memória, um gesto de gratidão e, sobretudo, um lembrete de que quem constrói o passado digno, merece sempre um futuro lembrado.

Paulo Afonso, enfim, fez justiça aos seus campeões.


sexta-feira, novembro 28, 2025

PF mira rede de apoio e rota de fuga de Ramagem após apreender celular da mulher

Publicado em 28 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Foragido e com segredos da Abin, Ramagem preocupa oficiais da inteligência


STF considera o deputado Ramagem foragido da Justiça

Octavio Guedes
G1

A permanência do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos Estados Unidos para fugir e ficar longe do alcance da justiça brasileira está preocupando oficiais de inteligência do Estado brasileiro, tanto civis quanto militares.

O deputado federal, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe, deixou o Brasil em setembro – mês em que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o núcleo crucial da trama golpista. A decisão do STF determinou que ele não poderia deixar o país e que deveria entregar o passaporte, e o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva dele após pedido sigiloso da PF.

FORAGIDO – Nesta semana, o STF determinou o cumprimento de pena de todos os condenados do núcleo crucial da trama golpista, considerou que Ramagem está foragido e determinou a perda de mandato do deputado.

Ramagem dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre 2019 e 2022, e como diretor-geral teve conhecimento de informações relevantes para a soberania geral. Ele participou da Operação Paraguai por haver suspeitas de que o governo de Donald Trump estivesse por trás de uma campanha movida por ONGs para que o país vizinho parasse de vender energia excedente da hidrelétrica Itaipu para o Brasil.

ENERGIA DE ITAIPU – O próprio secretário Marco Rubio manifestou publicamente o interesse dos EUA na energia de Itaipu para alimentar as datas centers americanos de inteligência artificial.

Um oficial de inteligência explicou o risco: “Como diretor da Abin, ele teve acesso liberado a todas as investigações e informações. Quem vai negar uma informação para o DG, ainda mais que não entende os protocolos de compartimento das informações, já que veio de outra instituição, a Polícia Federal”, disse.

Ramagem pode ter em seu poder a identidade de fontes humanas da Abin que estão em outros países, informações de serviços de inteligência de outros países que colaboram com o Brasil, além de documentos classificados, de acesso restrito. Um militar da área de inteligência lembra que ao deixar a Abin, levou consigo um notebook da agência. ”Quem garante que não levou também informações ou cópias de documentos sensíveis?”, afirma essa fonte.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É impressionante o massacre que a imprensa faz em relação a Ramagem. O ministro Moraes e o procurador Gonet não acharam nada contra ele e absolveram de irregularidades na Abin. Mas acabaram condenando por golpe, abolição do Estado democrático e organização criminosa armada, sem levar em conta que durante a prática desses supostos crimes em Brasília, ele já tinha deixado o governo e morava no Rio. Ou seja, Ramagem se tornou o único réu no mundo a ser condenado por estar a mais de mil quilômetros da cena do crime. (C.N.)

"😡 INSS à Beira do Caos: Vice-presidente da Anasps cobra o bônus dos servidores para liberar 2 milhões de processos, denuncia falta de recursos e sugere 'Emenda Pix'."

 


"😡 INSS à Beira do Caos: Vice-presidente da Anasps cobra o bônus dos servidores para liberar 2 milhões de processos, denuncia falta de recursos e sugere 'Emenda Pix'."

Por Paulo César Régis de Souza*
Recebemos com preocupação e indignação, através da imprensa, a informação de que o INSS não tem dinheiro para pagar o bônus aos servidores pelo trabalho de análise de quase dois milhões de processos represados, que não se tratam apenas de processos, mas de vidas que aguardam seus benefícios, quer por problemas de saúde, quer por suas tão almejadas aposentadorias.
Não é admissível que o INSS, como a autarquia maior distribuidora de renda do país, atendendo a 40 milhões de segurados e pagando, anualmente, um trilhão de reais, não tenha recursos financeiros para pagar seus servidores.
A arrecadação previdenciária, a segunda maior do país, só perde para a da Receita Federal. Ressalta-se que, após a centralização da receita no Tesouro, passamos a desconhecer o verdadeiro caixa previdenciário e, como patinho feio, fomos acusados de deficitários, quando, na realidade, o déficit é de origem rural, que, apesar de grande e poderoso, é quase isento de contribuição.
Atualmente, os servidores previdenciários trabalham em home office utilizando os recursos de que dispõem, enquanto, nos gabinetes, as instalações são contempladas com ar-condicionado, poltronas, cadeiras ergonômicas, garçons, secretárias, diárias e passagens para viagens — sendo que muitos desses dirigentes não têm compromisso com os assistidos da Previdência.
Quanto aos equipamentos usados para o desenvolvimento dos trabalhos em home office, são os de uso pessoal — celular, notebook, wi-fi, água etc. — e, até agora, o INSS não se preocupou em fornecê-los ou oferecer uma linha de crédito junto aos bancos estatais para a aquisição dos mesmos, nem em aprimorar os sistemas da Dataprev, que recentemente ficaram três dias inoperantes, inviabilizando a produtividade desses abnegados servidores.
O INSS não provê nada, nem mesmo treinamento. Pergunto: como o INSS irá formar especialistas e futuros dirigentes para o fortalecimento da Casa?
Mas fica aqui a pergunta que não quer calar: com a negativa do pagamento do bônus, será possível exigir a manutenção da produtividade?
O número de servidores é ínfimo por falta de concurso e pelas aposentadorias. E só o servidor concursado pode conceder benefícios; portanto, a terceirização nunca foi solução para os dois milhões de processos represados e as vidas aflitas por esse represamento. Vamos robotizar o serviço? Mas esse procedimento não prescinde da atuação humana. Estamos à beira do caos.
Nossos servidores são tratados com certo demérito, demonstrado em relação aos seus pleitos. Ao pedirem o reajuste do vale-alimentação em 35%, só está sendo oferecido 17,5%, e o pobre do aposentado nem vale-alimentação recebe — o que dirá reajuste. Continuarão todos a comer feijão, arroz e, às vezes, carne.
Aliás, o aposentado perdeu o direito até de um serviço de Recursos Humanos digno nas unidades do INSS, onde ele possa ter informações a respeito do seu contracheque — função essa que hoje está sendo desempenhada pela ANASPS, com muita eficiência, através de um acordo de cooperação técnica.
Avizinha-se uma reforma administrativa, cujo foco é o servidor e, como os seus direitos já foram quase todos subtraídos, surgiu uma ideia: vamos acabar com o direito de pagamento administrativo de diferenças de remunerações — todas deverão ser pagas judicialmente. E, como a Justiça é demorada, haverá uma postergação dos pagamentos dos direitos do servidor. Um escárnio.
Então, senhores parlamentares, minha sugestão é uma emenda Pix. Como é para liberar quase dois milhões de processos e, assim, pagar nossos velhinhos, acredito que o nosso ministro Dino não irá se opor.
A Previdência está ferida de morte, senhores parlamentares. Bora pagar o bônus de quem trabalha.
Emenda Pix já.
(*) Paulo César Régis de Souza - jornalista e escritor: é vice-presidente executivo da Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social – Anasps.

Entre o capricho e a responsabilidade, a ausência que não se justifica


Motta e Alcolumbre faltam ao evento de sanção do IR no Planalto

Pedro do Coutto

Há gestos na política que ultrapassam o campo do protocolo e se instalam no terreno simbólico, onde verdadeiramente se mede a maturidade institucional de um país. A decisão de Hugo Motta e Davi Alcolumbre de não comparecerem ao ato em que o presidente Lula da Silva oficializou o reajuste da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil por mês pertence exatamente a esse campo: é um gesto pequeno, mas que produz sombras longas.

A medida anunciada por Lula — tecnicamente relevante, socialmente sensível e politicamente expressiva — deveria ter sido o tipo de ato público capaz de unir as principais lideranças do país em torno de um objetivo comum: aliviar a carga tributária de milhões de brasileiros, reorganizar critérios de justiça fiscal e sinalizar responsabilidade econômica.

COMPROMISSOS DE ESTADO – Em democracias consolidadas, movimentos desse porte são tratados como compromissos de Estado, não como eventos facultativos submetidos ao humor de parlamentares. Mas, ao faltar deliberadamente, Motta e Alcolumbre transformaram um ato de governo em palco para ressentimentos pessoais.

Um comportamento juvenil que fere a liturgia dos cargos que ambos ocupam. Não se trata aqui de alinhamento com o Executivo, mas de respeito à institucionalidade, ao cargo que representam e à maturidade política que se espera de dirigentes do Legislativo.

A justificativa implícita — o inconformismo com a não indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal — expõe algo ainda mais grave: uma leitura patrimonialista das instituições. O STF não é extensão dos desejos do Congresso, do Planalto ou de qualquer grupo específico. É uma Corte de Estado, e suas cadeiras não podem ser tratadas como moeda de troca, prêmio de consolação ou compensação por acordos não atendidos.

BOICOTE – Não existe, em nenhum manual republicano, base moral para um boicote dessa natureza. A escolha de ministros do Supremo é prerrogativa constitucional do presidente da República, que deve exercê-la de acordo com critérios técnicos, políticos e institucionais — e não como pagamento de promessas informais a chefes de Poder. Se Lula julgou que Pacheco não era o nome adequado, cabe aos demais atores respeitar essa decisão. Divergir, sim. Retaliar com ausência calculada, não.

Esse tipo de comportamento corrói algo profundo: o pacto tácito de responsabilidade entre os Poderes. Quando figuras centrais do Legislativo se permitem atitudes performáticas para sinalizar descontentamentos internos, enviam ao país a mensagem de que as prioridades nacionais podem ser atropeladas por disputas de bastidores. É a política convertida em teatro de vaidades.

SOLAVANCOS – Mais do que um episódio isolado, esse gesto ajuda a explicar por que o Brasil tantas vezes avança aos solavancos: porque ainda convivemos com lideranças que se esquecem de que cargos públicos exigem grandeza — não apenas habilidade de articulação. O país não pode ser refém da frustração de parlamentares que tratam a institucionalidade como extensão de seus desejos individuais.

Num momento em que o Brasil precisa de estabilidade, cooperação e foco nas agendas estruturais, atitudes assim não apenas surpreendem: envergonham. É preciso lembrar, todos os dias, que a política não é sobre quem foi lembrado ou preterido para um cargo; é sobre como as lideranças servem ao país — e não a si mesmas.

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