O que está em jogo é saber até que ponto o crime organizado consegue pressionar as autoridades e evitar punições. Não se tem notícia de um ataque, comandado por delinquentes, tão forte contra forças policiais em toda a história do Estado de São Paulo --o que só revela como a marginalidade social vai criando áreas necrosadas na sociedade brasileira, da qual o principal reflexo é a violência.Há dezenas de policiais mortos e feridos, mas, de fato, o alvo é toda a sociedade. O dia em que o poder público ceder à chantagem dessas organizações, estará em risco toda a segurança de uma comunidade, gerando a percepção de que ninguém conseguirá impor a ordem.
Daí que, nesse momento, ao invés de tentar proveito eleitoral (Lula está usando a tragédia como palanque para alfinetar Alckmin e prometer a redenção social), partidos, sindicatos, empresários, intelectuais, educadores, ongs, devem se perfilar para que, dentro da lei, a chantagem não vença.
Infelizmente, são cenas como essas que despertam as pessoas para que melhorem as instituições e, mais ainda, que se faça do investimento em educação o melhor mecanismo contra geração de marginais.
(*) Fonte: Folha de São Paulo 14/5
segunda-feira, maio 15, 2006
PIADA BRASIL
Por: Adriana Vandoni
O jornalista Sérgio Porto criou na década de 50/60, com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País). Era um arquivo das besteiras praticadas pelos políticos brasileiros. Naquela época Stanislaw já dizia que no Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer. E não é que é assim até hoje? Nunca se viu, como hoje, tantas besteiras feitas e desfeitas, faladas e desfaladas, praticadas, assumidas e absolvidas. A impressão é que o Brasil está passando por um processo de expurgação.Chegamos a um ponto em que duvidam até das denúncias comprovadas, não acreditamos nas investigações e desconfiamos dos julgamentos. Bem, os veredictos a esta altura são meras peças para os anais do Congresso Nacional ou do Ministério Público, ou da Polícia Federal ou de qualquer veículo de comunicação que se interesse em manter um arquivo de fatos brasileiros.Até quando vamos suportar essa situação? É bem verdade que o crime é uma invenção da sociedade, isto é, a sociedade determina o que é certo ou errado. Dentro da visão de um infrator ele pode acreditar que não está, de fato, cometendo uma transgressão, restando apenas convencer seus julgadores de que não houve crime, logo, não há culpado. Tudo depende do ponto de vista. Básico e límpido. Aliás, José Cavalcanti, deputado federal pela UDN da Paraíba até 1963, quando foi cassado, disse certa vez que: o homem de responsabilidade política não mente, inventa a verdade. Portanto!Nossa classe política é fantástica, ela está em constante processo de auto-superação. Uma parte não viu nada, outra não escutou e outra não falou. Se falou, esqueceu. Silvinho “land Rover” que o diga. Triste mesmo é ter memória num país de desmemoriados. Ser imbecil é muito mais fácil, vamos nos imbecilizar para suportar.De nada vai adiantar ficarmos como boiótas indignados. Chego apensar que é melhor acabarmos achando graça, porque o Brasil de hoje está muito mais divertido que antes. Em qual época existiu um Garotinho fazendo greve de fome por terem descoberto que seu financiador mora dentro de um presídio? É uma piada. É a banalização da corrupção. Não existe, nisso eu acredito, que haja um só programa ou ação governamental na qual não se encontre ao menos um indício de desvio de dinheiro público.Até quando vamos suportar essa situação? Como dizia o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade ou locupletemos-nos todos!Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ e articulista de A Gazeta. Blog: www.argumento.bigblogger.com.br E-mail: avandoni@uol.com.br
O jornalista Sérgio Porto criou na década de 50/60, com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País). Era um arquivo das besteiras praticadas pelos políticos brasileiros. Naquela época Stanislaw já dizia que no Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer. E não é que é assim até hoje? Nunca se viu, como hoje, tantas besteiras feitas e desfeitas, faladas e desfaladas, praticadas, assumidas e absolvidas. A impressão é que o Brasil está passando por um processo de expurgação.Chegamos a um ponto em que duvidam até das denúncias comprovadas, não acreditamos nas investigações e desconfiamos dos julgamentos. Bem, os veredictos a esta altura são meras peças para os anais do Congresso Nacional ou do Ministério Público, ou da Polícia Federal ou de qualquer veículo de comunicação que se interesse em manter um arquivo de fatos brasileiros.Até quando vamos suportar essa situação? É bem verdade que o crime é uma invenção da sociedade, isto é, a sociedade determina o que é certo ou errado. Dentro da visão de um infrator ele pode acreditar que não está, de fato, cometendo uma transgressão, restando apenas convencer seus julgadores de que não houve crime, logo, não há culpado. Tudo depende do ponto de vista. Básico e límpido. Aliás, José Cavalcanti, deputado federal pela UDN da Paraíba até 1963, quando foi cassado, disse certa vez que: o homem de responsabilidade política não mente, inventa a verdade. Portanto!Nossa classe política é fantástica, ela está em constante processo de auto-superação. Uma parte não viu nada, outra não escutou e outra não falou. Se falou, esqueceu. Silvinho “land Rover” que o diga. Triste mesmo é ter memória num país de desmemoriados. Ser imbecil é muito mais fácil, vamos nos imbecilizar para suportar.De nada vai adiantar ficarmos como boiótas indignados. Chego apensar que é melhor acabarmos achando graça, porque o Brasil de hoje está muito mais divertido que antes. Em qual época existiu um Garotinho fazendo greve de fome por terem descoberto que seu financiador mora dentro de um presídio? É uma piada. É a banalização da corrupção. Não existe, nisso eu acredito, que haja um só programa ou ação governamental na qual não se encontre ao menos um indício de desvio de dinheiro público.Até quando vamos suportar essa situação? Como dizia o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade ou locupletemos-nos todos!Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ e articulista de A Gazeta. Blog: www.argumento.bigblogger.com.br E-mail: avandoni@uol.com.br
Congresso Nacional: imenso e incompetente
Por: Antônio Augusto Mayer dos Santos, advogado especialista em Direito Eleitoral
A recente alteração promovida no texto da Lei Eleitoral comprova e acentua, salvo as justas e necessárias exceções, que o Congresso Nacional é um imenso e incompetente agrupamento humano. As exceções ficam por conta dos poucos parlamentares lúcidos, combativos e vocacionados para a árdua e responsável tarefa de apresentar e votar leis em prol do corpo eleitoral que os elege e remunera. Especificamente com relação às pálidas e inconsistentes alterações determinadas pela Lei Federal 11.300, que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais 15 dias antes da eleição e também a distribuição de brindes mas sabe-se lá porque motivo não fixou o objetivo e bem elaborado conceito jurídico de “caixa-dois” constante no Substitutivo do Projeto Bornhausen, elas correspondem a uma perfumaria inútil. Menos mal que o Executivo vetou a proibição das cenas externas que o projeto apresentava. Manter tal excrescência seria involuir aos termos da Lei Falcão.O nó da questão envolvendo as campanhas eleitorais do Brasil está assentado num tríplice engenho legal: sistema de financiamento, prestação de contas e possibilidade de cassação do mandato parlamentar obtido pela via espúria da sonegação. Enquanto estas situações não forem tratadas objetivamente, de nada adiante impedir doação de lixa de unha, cesta básica ou coisa similar pois a troca do voto continuará intensa. O TSE que o diga. Basta uma leitura na sua jurisprudência mais recente. A rigor, o sistema jurídico atual é incapaz de punir candidatos eleitos por “caixa-dois”. Salvo, é claro, se o eleitor acredita em “quebra de decoro”. Os violadores confessos do painel do Senado de 2001 que o digam... Ademais, se a intenção era dar uma resposta para este pleito geral que se aproxima, a incompetência fica explícita pois conforme recentemente frisou o Ministro Marco Aurélio, “está na Constituição, em bom vernáculo, que qualquer modificação normativa do processo eleitoral deve se fazer com antecedência mínima de uma ano”. Este, aliás, foi o entendimento que prevaleceu por maioria tanto no TSE como no STF para impedir a derrubada da Verticalização. De duas, uma: ou os Congressistas burlam a Justiça Eleitoral ao apresentar o Registro afirmando que são alfabetizados ou não pretenderam gerar efeitos imediatos e diretos contra as suas próprias campanhas eleitorais, na iminência de começar. Assim, se efetivamente quisessem promover alguma alteração visando dar credibilidade ao processo eleitoral deste ano por conta das lições extraídas a partir dos intermináveis escândalos, a maioria dos 594 congressistas do maior Parlamento do mundo poderia ter derrubado a exigência da anualidade do texto constitucional. Para esta tarefa, bastava o debate e a votação da Proposta de Emenda Constitucional 446/05 que, aliás, tem parecer favorável do relator. Como não o fizeram (a PEC está parada desde 15 de dezembro do ano passado), remeteram os efeitos da “nova” lei para a próxima eleição. Com isto, além da nova e evidente frustração generalizada que o país assiste, fica a necessidade de uma reflexão inadiável em torno de um tema que não tem sido abordado objetivamente: a necessidade de redução do Congresso Nacional a patamares mais razoáveis, seja por razões de economia de dinheiro público, seja por conta da evidente inoperância que o atual significa ou, principalmente, em vista dos resultados sociais que não produz.
Fonte: DiegoCasagrande
A recente alteração promovida no texto da Lei Eleitoral comprova e acentua, salvo as justas e necessárias exceções, que o Congresso Nacional é um imenso e incompetente agrupamento humano. As exceções ficam por conta dos poucos parlamentares lúcidos, combativos e vocacionados para a árdua e responsável tarefa de apresentar e votar leis em prol do corpo eleitoral que os elege e remunera. Especificamente com relação às pálidas e inconsistentes alterações determinadas pela Lei Federal 11.300, que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais 15 dias antes da eleição e também a distribuição de brindes mas sabe-se lá porque motivo não fixou o objetivo e bem elaborado conceito jurídico de “caixa-dois” constante no Substitutivo do Projeto Bornhausen, elas correspondem a uma perfumaria inútil. Menos mal que o Executivo vetou a proibição das cenas externas que o projeto apresentava. Manter tal excrescência seria involuir aos termos da Lei Falcão.O nó da questão envolvendo as campanhas eleitorais do Brasil está assentado num tríplice engenho legal: sistema de financiamento, prestação de contas e possibilidade de cassação do mandato parlamentar obtido pela via espúria da sonegação. Enquanto estas situações não forem tratadas objetivamente, de nada adiante impedir doação de lixa de unha, cesta básica ou coisa similar pois a troca do voto continuará intensa. O TSE que o diga. Basta uma leitura na sua jurisprudência mais recente. A rigor, o sistema jurídico atual é incapaz de punir candidatos eleitos por “caixa-dois”. Salvo, é claro, se o eleitor acredita em “quebra de decoro”. Os violadores confessos do painel do Senado de 2001 que o digam... Ademais, se a intenção era dar uma resposta para este pleito geral que se aproxima, a incompetência fica explícita pois conforme recentemente frisou o Ministro Marco Aurélio, “está na Constituição, em bom vernáculo, que qualquer modificação normativa do processo eleitoral deve se fazer com antecedência mínima de uma ano”. Este, aliás, foi o entendimento que prevaleceu por maioria tanto no TSE como no STF para impedir a derrubada da Verticalização. De duas, uma: ou os Congressistas burlam a Justiça Eleitoral ao apresentar o Registro afirmando que são alfabetizados ou não pretenderam gerar efeitos imediatos e diretos contra as suas próprias campanhas eleitorais, na iminência de começar. Assim, se efetivamente quisessem promover alguma alteração visando dar credibilidade ao processo eleitoral deste ano por conta das lições extraídas a partir dos intermináveis escândalos, a maioria dos 594 congressistas do maior Parlamento do mundo poderia ter derrubado a exigência da anualidade do texto constitucional. Para esta tarefa, bastava o debate e a votação da Proposta de Emenda Constitucional 446/05 que, aliás, tem parecer favorável do relator. Como não o fizeram (a PEC está parada desde 15 de dezembro do ano passado), remeteram os efeitos da “nova” lei para a próxima eleição. Com isto, além da nova e evidente frustração generalizada que o país assiste, fica a necessidade de uma reflexão inadiável em torno de um tema que não tem sido abordado objetivamente: a necessidade de redução do Congresso Nacional a patamares mais razoáveis, seja por razões de economia de dinheiro público, seja por conta da evidente inoperância que o atual significa ou, principalmente, em vista dos resultados sociais que não produz.
Fonte: DiegoCasagrande
PCC ataca bancos e incendeia mais de 60 ônibus
Por: FAUSTO SALVADOs atentados atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital) --que começaram na sexta-feira (12) com ataques contra policiais e guardas civis, provocando mais de 60 mortes-- diversificaram os alvos nas últimas horas. Entre a noite de domingo (14) e a madrugada desta segunda-feira, criminosos incendiaram 61 ônibus na Grande SP e atingiram pelo menos dez agências bancárias.Os ataques contra a polícia, porém, não foram deixados de lado. Em Cangaíba (zona leste), criminosos atiraram contra a casa de um capitão da PM e atearam fogo ao carro na garagem.No final da noite de domingo, o delegado Godofredo Bittencourt e o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, já haviam comentado que atacar bancos era a nova estratégia do PCC para tentar demonstrar força. "A bronca deles não é somente contra os atos da polícia, existe uma insatisfação social. Estão fazendo esses ataques [aos bancos] para criar desequilibrio social e econômico. Pode, daqui para frente, ter um cunho político", disse Bittencourt.Os criminosos atiraram contra um Banco do Brasil da rua Bom Pastor, no Ipiranga (zona sul), outro Banco do Brasil na rua São Silvestre, em Heliópolis (zona sul), duas agências (do Bradesco e da Caixa Econômica Federal) na avenida São João Clímaco (zona sul) e um Banco do Brasil na avenida Campanela, em São Miguel (zona leste).Em outras agências, os criminosos preferiram provocar incêndios utilizando coquetéis molotov. A tática foi usada em um Itaú na avenida Francisco Morato, na Vila Sônia (zona oeste), e em outro Itaú instalado na rua do Tesouro, no centro de Taboão da Serra (Grande São Paulo). Outra agência do mesmo banco foi incendiada na alameda Vicente Pizon, na Vila Olímpia (bairro nobre na zona sul de São Paulo). Na mesma rua, os criminosos atacaram uma prédio comercial e ainda tentaram atingir uma testemunha, sem sucesso. Um coquetel molotov foi atirado num Unibanco da avenida Nazaré, no Ipiranga, mas o vigia conseguiu deter o princípio de incêndio com um extintor. Uma agência do HSBC foi incendiada na estrada de Itapecerica, no Capão Redondo (zona sul).ÔnibusOs bombeiros registraram 61 ônibus incendiados na Grande São Paulo: 42 na capital (a maioria na zona sul), 14 no ABC (a maior parte em Diadema), três em Guarulhos e dois em Osasco, entre a tarde de domingo e a madrugada de segunda. Duas empresas de ônibus da zona sul recolheram as frotas mais cedo por causa dos ataques. Em Campinas (95 km a noroeste da capital) e Hortolândia (105 km), os ataques queimaram cinco ônibus entre 20h40 e 0h15.As ações são uma resposta à decisão do governo estadual de isolar líderes da facção. Na quinta-feira (11), 765 presos foram transferidos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), com a intenção de coibir ações promovidas pela facção.No dia seguinte, oito líderes foram levados para a sede do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), em Santana (zona norte de São Paulo). Entre eles estava o líder da facção, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. No sábado, ele foi levado para a penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo), considerada a mais segura do país. Na unidade, ele ficará sob o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), mais rigoroso.Com Folha de S.Paulo e Agência FolhaORI FILHOda Folha Online
domingo, maio 14, 2006
A vitória sobre a fome
Por: Célia Chaim e Eliane Lobato (ISTOÉ Online)
Sem ajuda do governo, voluntários fazem comque 56 milhões de brasileiros consigam comer
Carolyne, dois anos, é filha de Monalisa, 17. Mas não são apenas esses nomes nobres que elas carregam com orgulho. Ela, a mãe, representa centenas e centenas de mulheres que moram numa das maiores favelas de São Paulo, a Paraisópolis, na zona sul da cidade, com 50 mil habitantes. Ali é fato: ninguém passa fome, embora saiba bem o que é isso. A comida vem graças à União dos Moradores da Paraisópolis, entidade mantida por doações generosas. Na hora do almoço, crianças e idosos fazem fila na porta do refeitório. Terça-feira 9 o cardápio era arroz, feijão, macarrão e lingüiça, aguardado pelas crianças com água na boca. Tudo o que recebem vem exclusivamente de doações. Se alguma autoridade esteve por lá, foi passagem relâmpago, suficiente para deixar promessas não cumpridas. “Neste ano eles vêm porque terá eleição, mas nós não acreditamos mais”, diz a voluntária Graça, moradora do bairro. Com comida, escolas, creches, esportes e até aulas de inglês, além de muitos voluntários, Paraisópolis chegou a um nível em que dispensa a demagogia de políticos e a ajuda do governo.
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Na promessa: Lula anunciou na posse que acabaria com a fome no País. Fez mais do que os antecessores, masnão cumpriu a meta
O Brasil produz alimentos com abundância. E tem recursos naturais de sobra para resolver rapidamente as carências alimentares de todos os seus habitantes. Por tudo isso, é incrível que 56 milhões de pessoas no País encontrem, de alguma maneira, dificuldade para comer todo dia. Só conseguem trocar o prato de farinha com água por outro com arroz, feijão e “mistura” (carnes e legumes) porque uma corrente de pessoas e instituições civis, sem esperar e muito menos receber auxílio do governo, ajuda essa pobre massa. Esses socorridos vivem na faixa da indigência, com renda mensal individual inferior a R$ 79. Um valor insuficiente até mesmo para comprar alimentos com o mínimo de calorias para manter de pé, com dignidade, uma pessoa o mês inteiro. O presidente Lula fez mais do que seus antecessores no combate à fome. Apesar disso, chega ao final de seu mandato sem cumprir a promessa feita na posse: “No meu governo todos os brasileiros vão tomar café da manhã, almoçar e jantar.” A verdadeira revolução que ele faria – e não fez – não está totalmente perdida graças a esses grupos não governamentais que, patrocinados por empresas privadas, combatem a fome em várias frentes, da música ao esporte, da educação à tecnologia.
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Carência: milhões vivemcom menos de R$ 79 por mês. Por isso, falta dinheiro para comprar até ascalorias necessárias
Oberlan Motta, 53 anos, distribui quentinhas para moradores de rua no subúrbio do Rio de Janeiro. Na terça-feira 9, reconheceu um antigo companheiro de escola entre os miseráveis que esperavam na fila. Ambos estudaram na Escola Técnica de Niterói e se emocionaram com o reencontro. Motta é um dos 400 voluntários fixos da entidade Movimento de Amor ao Próximo (MAP), que nasceu há mais de duas décadas para distribuir alimentos, roupas e remédios para moradores de rua. A organização é ecumênica, mas a maioria dos voluntários é kardecista. Não recebe verba pública, só doações. Atua em bairros de subúrbio do Rio, como Ilha do Governador, Rocha Miranda, Manguinhos e Jacarepaguá. Hoje, distribuem dez mil quentinhas por mês. A comida é servida acompanhada de talheres de plástico e água. “Eles pedem muita água, principalmente as crianças que cheiram cola. Ficam ressecadas e precisam de líquido”, diz.
Motta costuma ouvir dos amigos que é um louco por fazer caridade “para esses vagabundos!” E responde: “Sou louco sim, espero morrer louco. Se tivesse mais malucos como eu, não teríamos tanta violência no mundo.” E os “loucos” se multiplicam em associações e entidades. A dona-de-casa carioca Delclemir Ferraz Dias, 54 anos, é uma. Ela é um dos pilares do comitê Fraternidade Sol, ligado à ONG Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Assim como Motta, partiu para a ação no combate à fome. “Não aceitamos políticos. Nosso trabalho é todo feito graças à boa vontade de pessoas comuns que querem ajudar”, diz ela. Del, como é conhecida, distribui sopa para moradores de rua. Seu “ponto” é na praça Cruz Vermelha, no centro do Rio. “Temos 40 famílias cadastradas para receber, o ano todo, cestas básicas. E distribuímos cerca de 100 caixinhas de sopa por noite”, explica.
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Panelas cheias: as cozinheirasIvaneide, Adalgisa e Maria numafavela de São Paulo: comidapara crianças todos os dias
As caixas a que ela se refere são embalagens de leite recolhidas por voluntários, recicladas e reaproveitadas como recipiente para a sopa. Del trabalha como poucos voluntários e recebe doações de restaurantes como o Cheio de Vida, o mais assíduo, doador há cinco anos. Ela diz que sua ação “não é apenas dar comida”. E explica: “É um meio de não só matar a fome, mas também conversar, dar uma ajuda, tentar encontrar empregos, dar apoio moral, mostrar que tem alguém preocupado com eles, que não estão sozinhos.” Segundo ela, há “pessoas boas” nas ruas. “Muitos são viciados sim, mas o álcool é uma fuga. Eles foram abandonados pela família, pelo Estado... Beber é uma maneira de esquecer.”
Entre os voluntários do comitê de Del está o jovem Rafael Bteshe, 22 anos, carioca, morador de Ipanema. Filho de pais médicos, é estudante de artes plásticas da UFRJ e integra a banda Ruah. Ele ajuda a distribuir sopa duas vezes por semana. “Acho que é o mínimo que posso fazer.” Morador de rua, Luiz Francisco da Silva, 52 anos, nasceu em Macaé, interior do Rio de Janeiro, e vive abandonado nas ruas da capital. “Tô desempregado há anos”, justifica. Ex-marceneiro e ajudante de camelô, hoje ele vive como “catador de latinhas” para reciclagem. “Ontem, catei dois quilos de latinhas, vendi por R$ 5,80, deu para almoçar”, diz. Luiz não tem planos para o futuro. Seus projetos mais longos são estar vivo e assistir aos jogos da Copa no telão que será instalado na Central do Brasil, no Rio. “Se o Brasil ganhar a Copa, as coisas vão melhorar”, acredita.
Esperar dádivas que virão com o futebol é bobagem. Com a música, a Associação Meninos do Morumbi, de São Paulo, resgatou da fome, da pobreza aguda e da violência mais de quatro mil crianças e adolescentes pobres de toda a região – Campo Limpo, Paraisópolis, Vila Sonia, Real Parque, Jardim Jaqueline, Morumbi pobre (existe sim e é grande), Caxingui e os municípios de Taboão da Serra e Embu. O show do grupo é o produto das oficinas de canto, dança e percussão. Integram o repertório músicas folclóricas do Brasil e da África, do universo pop, dos cultos brasileiros e composições próprias. A banda fez em torno de 500 shows no Brasil e na Europa (Inglaterra e França) desde 1996. Eles se apresentaram em grandes teatros e festivais no Brasil e no Exterior, como o Teatro Municipal, Sala São Paulo e no nobre Royal Festival Hall, em Londres. Gravaram CDs com grandes nomes da música brasileira e internacional. É na associação que eles, dia a dia, recuperam sua cidadania. Eles se orgulham do que fazem – o que seria impossível se Flávio Pimenta não tivesse criado a associação.
Os Meninos do Morumbi se mantêm em pé porque comem o ideal para arrebentar nos instrumentos musicais (de 2.000 a 2.500 calorias diárias). Diz a medicina que não dá para tapear o estômago: 100 calorias abaixo desse patamar por dia e já se vive com uma fome crônica e se é vítima das conseqüências que a subnutrição traz à saúde, como o fraco desenvolvimento físico e intelectual do indivíduo. O recado final, da Food and Agriculture Organization, a FAO, das Nações Unidas, é direto: “É hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança.” Poucas questões são tão adequadas ao Brasil como essa.
Sem ajuda do governo, voluntários fazem comque 56 milhões de brasileiros consigam comer
Carolyne, dois anos, é filha de Monalisa, 17. Mas não são apenas esses nomes nobres que elas carregam com orgulho. Ela, a mãe, representa centenas e centenas de mulheres que moram numa das maiores favelas de São Paulo, a Paraisópolis, na zona sul da cidade, com 50 mil habitantes. Ali é fato: ninguém passa fome, embora saiba bem o que é isso. A comida vem graças à União dos Moradores da Paraisópolis, entidade mantida por doações generosas. Na hora do almoço, crianças e idosos fazem fila na porta do refeitório. Terça-feira 9 o cardápio era arroz, feijão, macarrão e lingüiça, aguardado pelas crianças com água na boca. Tudo o que recebem vem exclusivamente de doações. Se alguma autoridade esteve por lá, foi passagem relâmpago, suficiente para deixar promessas não cumpridas. “Neste ano eles vêm porque terá eleição, mas nós não acreditamos mais”, diz a voluntária Graça, moradora do bairro. Com comida, escolas, creches, esportes e até aulas de inglês, além de muitos voluntários, Paraisópolis chegou a um nível em que dispensa a demagogia de políticos e a ajuda do governo.
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Na promessa: Lula anunciou na posse que acabaria com a fome no País. Fez mais do que os antecessores, masnão cumpriu a meta
O Brasil produz alimentos com abundância. E tem recursos naturais de sobra para resolver rapidamente as carências alimentares de todos os seus habitantes. Por tudo isso, é incrível que 56 milhões de pessoas no País encontrem, de alguma maneira, dificuldade para comer todo dia. Só conseguem trocar o prato de farinha com água por outro com arroz, feijão e “mistura” (carnes e legumes) porque uma corrente de pessoas e instituições civis, sem esperar e muito menos receber auxílio do governo, ajuda essa pobre massa. Esses socorridos vivem na faixa da indigência, com renda mensal individual inferior a R$ 79. Um valor insuficiente até mesmo para comprar alimentos com o mínimo de calorias para manter de pé, com dignidade, uma pessoa o mês inteiro. O presidente Lula fez mais do que seus antecessores no combate à fome. Apesar disso, chega ao final de seu mandato sem cumprir a promessa feita na posse: “No meu governo todos os brasileiros vão tomar café da manhã, almoçar e jantar.” A verdadeira revolução que ele faria – e não fez – não está totalmente perdida graças a esses grupos não governamentais que, patrocinados por empresas privadas, combatem a fome em várias frentes, da música ao esporte, da educação à tecnologia.
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Carência: milhões vivemcom menos de R$ 79 por mês. Por isso, falta dinheiro para comprar até ascalorias necessárias
Oberlan Motta, 53 anos, distribui quentinhas para moradores de rua no subúrbio do Rio de Janeiro. Na terça-feira 9, reconheceu um antigo companheiro de escola entre os miseráveis que esperavam na fila. Ambos estudaram na Escola Técnica de Niterói e se emocionaram com o reencontro. Motta é um dos 400 voluntários fixos da entidade Movimento de Amor ao Próximo (MAP), que nasceu há mais de duas décadas para distribuir alimentos, roupas e remédios para moradores de rua. A organização é ecumênica, mas a maioria dos voluntários é kardecista. Não recebe verba pública, só doações. Atua em bairros de subúrbio do Rio, como Ilha do Governador, Rocha Miranda, Manguinhos e Jacarepaguá. Hoje, distribuem dez mil quentinhas por mês. A comida é servida acompanhada de talheres de plástico e água. “Eles pedem muita água, principalmente as crianças que cheiram cola. Ficam ressecadas e precisam de líquido”, diz.
Motta costuma ouvir dos amigos que é um louco por fazer caridade “para esses vagabundos!” E responde: “Sou louco sim, espero morrer louco. Se tivesse mais malucos como eu, não teríamos tanta violência no mundo.” E os “loucos” se multiplicam em associações e entidades. A dona-de-casa carioca Delclemir Ferraz Dias, 54 anos, é uma. Ela é um dos pilares do comitê Fraternidade Sol, ligado à ONG Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Assim como Motta, partiu para a ação no combate à fome. “Não aceitamos políticos. Nosso trabalho é todo feito graças à boa vontade de pessoas comuns que querem ajudar”, diz ela. Del, como é conhecida, distribui sopa para moradores de rua. Seu “ponto” é na praça Cruz Vermelha, no centro do Rio. “Temos 40 famílias cadastradas para receber, o ano todo, cestas básicas. E distribuímos cerca de 100 caixinhas de sopa por noite”, explica.
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Panelas cheias: as cozinheirasIvaneide, Adalgisa e Maria numafavela de São Paulo: comidapara crianças todos os dias
As caixas a que ela se refere são embalagens de leite recolhidas por voluntários, recicladas e reaproveitadas como recipiente para a sopa. Del trabalha como poucos voluntários e recebe doações de restaurantes como o Cheio de Vida, o mais assíduo, doador há cinco anos. Ela diz que sua ação “não é apenas dar comida”. E explica: “É um meio de não só matar a fome, mas também conversar, dar uma ajuda, tentar encontrar empregos, dar apoio moral, mostrar que tem alguém preocupado com eles, que não estão sozinhos.” Segundo ela, há “pessoas boas” nas ruas. “Muitos são viciados sim, mas o álcool é uma fuga. Eles foram abandonados pela família, pelo Estado... Beber é uma maneira de esquecer.”
Entre os voluntários do comitê de Del está o jovem Rafael Bteshe, 22 anos, carioca, morador de Ipanema. Filho de pais médicos, é estudante de artes plásticas da UFRJ e integra a banda Ruah. Ele ajuda a distribuir sopa duas vezes por semana. “Acho que é o mínimo que posso fazer.” Morador de rua, Luiz Francisco da Silva, 52 anos, nasceu em Macaé, interior do Rio de Janeiro, e vive abandonado nas ruas da capital. “Tô desempregado há anos”, justifica. Ex-marceneiro e ajudante de camelô, hoje ele vive como “catador de latinhas” para reciclagem. “Ontem, catei dois quilos de latinhas, vendi por R$ 5,80, deu para almoçar”, diz. Luiz não tem planos para o futuro. Seus projetos mais longos são estar vivo e assistir aos jogos da Copa no telão que será instalado na Central do Brasil, no Rio. “Se o Brasil ganhar a Copa, as coisas vão melhorar”, acredita.
Esperar dádivas que virão com o futebol é bobagem. Com a música, a Associação Meninos do Morumbi, de São Paulo, resgatou da fome, da pobreza aguda e da violência mais de quatro mil crianças e adolescentes pobres de toda a região – Campo Limpo, Paraisópolis, Vila Sonia, Real Parque, Jardim Jaqueline, Morumbi pobre (existe sim e é grande), Caxingui e os municípios de Taboão da Serra e Embu. O show do grupo é o produto das oficinas de canto, dança e percussão. Integram o repertório músicas folclóricas do Brasil e da África, do universo pop, dos cultos brasileiros e composições próprias. A banda fez em torno de 500 shows no Brasil e na Europa (Inglaterra e França) desde 1996. Eles se apresentaram em grandes teatros e festivais no Brasil e no Exterior, como o Teatro Municipal, Sala São Paulo e no nobre Royal Festival Hall, em Londres. Gravaram CDs com grandes nomes da música brasileira e internacional. É na associação que eles, dia a dia, recuperam sua cidadania. Eles se orgulham do que fazem – o que seria impossível se Flávio Pimenta não tivesse criado a associação.
Os Meninos do Morumbi se mantêm em pé porque comem o ideal para arrebentar nos instrumentos musicais (de 2.000 a 2.500 calorias diárias). Diz a medicina que não dá para tapear o estômago: 100 calorias abaixo desse patamar por dia e já se vive com uma fome crônica e se é vítima das conseqüências que a subnutrição traz à saúde, como o fraco desenvolvimento físico e intelectual do indivíduo. O recado final, da Food and Agriculture Organization, a FAO, das Nações Unidas, é direto: “É hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança.” Poucas questões são tão adequadas ao Brasil como essa.
O contrabando do urânio brasileiro
Por: Rodrigo Rangel – Enviado especiala Macapá e Porto Grande (AP) (ISTOÉ Online)
Investigação secreta da Polícia Federaldesvenda quadrilha que extrai e enviamaterial radioativo para fora do País
Por Rodrigo Rangel – Enviado especiala Macapá e Porto Grande (AP)
Em julho de 2004, a PolíciaFederal apreendeu no interiordo Amapá, na caçamba de uma caminhonete, 18 sacas de ummineral granulado escuro muito mais pesado do que aparentava ser. O material, examinado depois nos laboratórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), era um composto de urânio e tório, minérios altamente radioativos que abundam em jazidas encravadas no extremo Norte brasileiro. Estava ali o fio da meada para a descoberta de uma das mais obscuras máfias em atuação no País, com braços internacionais e especializada na extração clandestina e na comercialização ilegal de urânio. Nas duas últimas semanas, ISTOÉ avançou nesse explosivo terreno. Conheceu a realidade das minas onde garimpeiros põem suas vidas em risco, expostos à radiação, e desvendou uma investigação que, até aqui, vinha sendo tratada como segredo de Estado. São centenas de horas de gravações telefônicas feitas pela polícia que revelam por dentro o funcionamento da máfia, desde a extração do minério nos garimpos situados em plena selva amazônica até as negociatas encabeçadas por quadrilhas que exportam o urânio para clientes tão misteriosos quanto elas próprias – e, muitas vezes, com o respaldo de autoridades constituídas e políticos. Além de brasileiros, estão sob a mira das polícias irlandesa, russa e alemã supostos integrantes de uma conexão que, segundo os investigadores, estaria levando o minério para países da Europa, Ásia e África, em particular a Rússia e a Coréia do Norte. O Palácio do Planalto já recebeu o alerta de que, daqui, o urânio pode estar indo parar, também, nas mãos do terrorismo internacional.
No rastreamento da teia de relações mantidas pelos traficantes, a polícia chegouao nome de Haytham Abdul Rahman Khalaf, libanês apontado como o elo com o grupo extremista islâmico Hamas. Na ponta brasileira da trama, até agora a Polícia Federal já identificou três grupos especializados no tráfico de urânio. Todos com base em Macapá. O principal deles tem como testa-de-ferro o empresário JoãoLuís Pulgatti, dono de um pool de empresas de mineração que consegue autorização oficial para pesquisar jazidas de ouro, mas que, na prática, explora e negocia minério radioativo. Por trás de Pulgatti está John Young, 58 anos, irlandês naturalizado canadense que diz representar no Brasil os interesses de uma companhia internacional de mineração. A partir de 2004, Young passou a sersócio das empresas de Pulgatti. De olho nas jazidas e com dólares para investir, a parceria do estrangeiro com o brasileiro avançou. Em agosto do ano passado, o canadense destacou um geólogo para visitar minas no Amapá. Queria comprar uma área de mil hectares que, segundo as conversas grampeadas pela polícia, guarda nada menos que 50 mil toneladas de minério radioativo. Provavelmente de tório e urânio. “Pode mandar o seu pessoal lá checar, trazer amostras e analisar”, diz o dono da área a Pulgatti, encarregado de cuidar das negociações. Pelas terras, o grupo pagaria US$ 1,2 milhão. As escutas revelam que, fora os planos para ampliar a exploração direta de urânio, a dupla tem toda uma estrutura para comprar minério radioativo. Espalha garimpeiros em lugares estratégicos e tem preferência na compra do que for encontrado. Segundo a polícia, outro grupo especializado na aquisição de urânio é encabeçado por Robson André de Abreu, dono de madeireiras, de uma mineradora e de um conhecido restaurante de Macapá. A exemplo de Pulgatti, ele possui uma rede de fornecedores de urânio. O terceiro “grupo criminoso”, como escrevem os agentes nos relatórios secretos obtidos por ISTOÉ, é chefiado por um homem até agora identificado apenas como Nogueira. Ao longo da investigação, os policiais descobriram que o negócio é infinitamente maior que aqueles 600 quilos apreendidos há quase dois anos. Nas escutas, surgem negociações de até dez toneladas.
A máfia do urânio também tem um braço no poder público. Os grampos da Polícia Federal registraram conversas em que o geólogo José Guimarães Cavalcante, braço direito de João Pulgatti, revela o auxílio de um senador da República para desencravar no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Brasília, um processo em que se buscava autorização para pesquisa de minério. O senador em questão é Papaléo Paes, do PSDB do Amapá. “Ele (um advogado de nome Luís Carlos) ia falar amanhã com o Papaléo pra pedir pra ele ver se segunda-feira ele vai logo lá falar com o diretor-geral (do DNPM), porque assim ele manda publicar isso”, diz Guimarães a um interlocutor, de nome Édson. Mais adiante, ele festeja: “O caminho do doutor Papaléo foi exatamente os orixás que abriram para solucionar o meu problema.” Também conhecido como Zé do Mapa, José Guimarães já foi diretor do distrito do DNPM no Amapá. Acabou afastado após investigação da própria Polícia Federal. Ao mesmo tempo que ocupava o cargo, ele era dono de garimpos no Estado. O atual diretor do distrito, João Batista Picanço Neto, é outro que foi sugado para dentro da investigação. Ele aparece falando com um dos sócios de Pulgatti. Dá orientações sobre como aprovar processos de lavra e indica o funcionário que pode resolver o problema. O interlocutor acolhe a orientação e evidencia a existência de algo suspeito no ar. “Vou procurá-lo pessoalmente. Isso não se fala por telefone”, diz. A investigação envolve até o procurador da República, que estava encarregado de acompanhar o caso. José Cardoso, um dos representantes do Ministério Público Federal no Amapá, passou a ser investigado depois de ter sido citado nas conversas grampeadas. Numa delas, um homem não identificado diz que ele o ajudaria a resolver em Brasília uma pendência burocrática no DNPM. “O dr. José Cardoso levou meu processo em mãos para Brasília e me garantiu que ele mesmo ia falar com o diretor-geral”, afirma o homem em conversa com o sócio de uma das empresas investigadas. Além de ter aparecido nos grampos, Cardoso tem algo mais a explicar. Até o mês passado, José Guimarães, o ex-diretor do DNPM pilhado no contrabando de urânio, trabalhava como funcionário de seu gabinete. Como passou a ser alvo, o procurador foi afastado do inquérito. Há, ainda, outras autoridades e políticos na mira da polícia. Entre eles, um deputado estadual, Jorge Salomão (PFL), e um ex-deputado federal, Sérgio Barcellos.
Investigação secreta da Polícia Federaldesvenda quadrilha que extrai e enviamaterial radioativo para fora do País
Por Rodrigo Rangel – Enviado especiala Macapá e Porto Grande (AP)
Em julho de 2004, a PolíciaFederal apreendeu no interiordo Amapá, na caçamba de uma caminhonete, 18 sacas de ummineral granulado escuro muito mais pesado do que aparentava ser. O material, examinado depois nos laboratórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), era um composto de urânio e tório, minérios altamente radioativos que abundam em jazidas encravadas no extremo Norte brasileiro. Estava ali o fio da meada para a descoberta de uma das mais obscuras máfias em atuação no País, com braços internacionais e especializada na extração clandestina e na comercialização ilegal de urânio. Nas duas últimas semanas, ISTOÉ avançou nesse explosivo terreno. Conheceu a realidade das minas onde garimpeiros põem suas vidas em risco, expostos à radiação, e desvendou uma investigação que, até aqui, vinha sendo tratada como segredo de Estado. São centenas de horas de gravações telefônicas feitas pela polícia que revelam por dentro o funcionamento da máfia, desde a extração do minério nos garimpos situados em plena selva amazônica até as negociatas encabeçadas por quadrilhas que exportam o urânio para clientes tão misteriosos quanto elas próprias – e, muitas vezes, com o respaldo de autoridades constituídas e políticos. Além de brasileiros, estão sob a mira das polícias irlandesa, russa e alemã supostos integrantes de uma conexão que, segundo os investigadores, estaria levando o minério para países da Europa, Ásia e África, em particular a Rússia e a Coréia do Norte. O Palácio do Planalto já recebeu o alerta de que, daqui, o urânio pode estar indo parar, também, nas mãos do terrorismo internacional.
No rastreamento da teia de relações mantidas pelos traficantes, a polícia chegouao nome de Haytham Abdul Rahman Khalaf, libanês apontado como o elo com o grupo extremista islâmico Hamas. Na ponta brasileira da trama, até agora a Polícia Federal já identificou três grupos especializados no tráfico de urânio. Todos com base em Macapá. O principal deles tem como testa-de-ferro o empresário JoãoLuís Pulgatti, dono de um pool de empresas de mineração que consegue autorização oficial para pesquisar jazidas de ouro, mas que, na prática, explora e negocia minério radioativo. Por trás de Pulgatti está John Young, 58 anos, irlandês naturalizado canadense que diz representar no Brasil os interesses de uma companhia internacional de mineração. A partir de 2004, Young passou a sersócio das empresas de Pulgatti. De olho nas jazidas e com dólares para investir, a parceria do estrangeiro com o brasileiro avançou. Em agosto do ano passado, o canadense destacou um geólogo para visitar minas no Amapá. Queria comprar uma área de mil hectares que, segundo as conversas grampeadas pela polícia, guarda nada menos que 50 mil toneladas de minério radioativo. Provavelmente de tório e urânio. “Pode mandar o seu pessoal lá checar, trazer amostras e analisar”, diz o dono da área a Pulgatti, encarregado de cuidar das negociações. Pelas terras, o grupo pagaria US$ 1,2 milhão. As escutas revelam que, fora os planos para ampliar a exploração direta de urânio, a dupla tem toda uma estrutura para comprar minério radioativo. Espalha garimpeiros em lugares estratégicos e tem preferência na compra do que for encontrado. Segundo a polícia, outro grupo especializado na aquisição de urânio é encabeçado por Robson André de Abreu, dono de madeireiras, de uma mineradora e de um conhecido restaurante de Macapá. A exemplo de Pulgatti, ele possui uma rede de fornecedores de urânio. O terceiro “grupo criminoso”, como escrevem os agentes nos relatórios secretos obtidos por ISTOÉ, é chefiado por um homem até agora identificado apenas como Nogueira. Ao longo da investigação, os policiais descobriram que o negócio é infinitamente maior que aqueles 600 quilos apreendidos há quase dois anos. Nas escutas, surgem negociações de até dez toneladas.
A máfia do urânio também tem um braço no poder público. Os grampos da Polícia Federal registraram conversas em que o geólogo José Guimarães Cavalcante, braço direito de João Pulgatti, revela o auxílio de um senador da República para desencravar no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Brasília, um processo em que se buscava autorização para pesquisa de minério. O senador em questão é Papaléo Paes, do PSDB do Amapá. “Ele (um advogado de nome Luís Carlos) ia falar amanhã com o Papaléo pra pedir pra ele ver se segunda-feira ele vai logo lá falar com o diretor-geral (do DNPM), porque assim ele manda publicar isso”, diz Guimarães a um interlocutor, de nome Édson. Mais adiante, ele festeja: “O caminho do doutor Papaléo foi exatamente os orixás que abriram para solucionar o meu problema.” Também conhecido como Zé do Mapa, José Guimarães já foi diretor do distrito do DNPM no Amapá. Acabou afastado após investigação da própria Polícia Federal. Ao mesmo tempo que ocupava o cargo, ele era dono de garimpos no Estado. O atual diretor do distrito, João Batista Picanço Neto, é outro que foi sugado para dentro da investigação. Ele aparece falando com um dos sócios de Pulgatti. Dá orientações sobre como aprovar processos de lavra e indica o funcionário que pode resolver o problema. O interlocutor acolhe a orientação e evidencia a existência de algo suspeito no ar. “Vou procurá-lo pessoalmente. Isso não se fala por telefone”, diz. A investigação envolve até o procurador da República, que estava encarregado de acompanhar o caso. José Cardoso, um dos representantes do Ministério Público Federal no Amapá, passou a ser investigado depois de ter sido citado nas conversas grampeadas. Numa delas, um homem não identificado diz que ele o ajudaria a resolver em Brasília uma pendência burocrática no DNPM. “O dr. José Cardoso levou meu processo em mãos para Brasília e me garantiu que ele mesmo ia falar com o diretor-geral”, afirma o homem em conversa com o sócio de uma das empresas investigadas. Além de ter aparecido nos grampos, Cardoso tem algo mais a explicar. Até o mês passado, José Guimarães, o ex-diretor do DNPM pilhado no contrabando de urânio, trabalhava como funcionário de seu gabinete. Como passou a ser alvo, o procurador foi afastado do inquérito. Há, ainda, outras autoridades e políticos na mira da polícia. Entre eles, um deputado estadual, Jorge Salomão (PFL), e um ex-deputado federal, Sérgio Barcellos.
Código Da Vinci, o filme
Por: Ivan Claudio (ISTOÉ Online)
Chega a 500 cinemas do País a obrapolêmica estrelada por Tom Hanksque envolve a vida de Jesus Cristo,a Igreja Católica e o Opus Dei numatrama de suspense, crime e mistério
O Brasil possui 2.045 salas de cinema. A conta é exata. Na sexta-feira 19, de cada quatro salas, pelo menos uma estará exibindo O código Da Vinci (The Da Vinci code, Estados Unidos, 2006). É o filme mais aguardado dos últimos anos. Desde o início das filmagens, pouca coisa foi revelada da adaptação cinematográfica do polêmico best seller homônimo do americano Dan Brown. O sigilo, bem apropriado ao lado investigativo da história, cheia de enigmas, códigos, decifrações e descobertas, foi uma estratégia da Sony Pictures, dona dos US$ 125 milhões da produção. O filme também se cerca de boatos e protestos, sendo que as últimas manifestações foram muito bem-vindas ao diretor Ron Howard, que mirou na Igreja Católica e, sobretudo, em sua ala mais conservadora, representada pela organização Opus Dei. Portanto, é com aura de mistério e uma expectativa alimentada por 46 milhões de leitores (só no Brasil são 1,2 milhão) que O código Da Vinci chega às telas, sem sequer passar pelo teste da crítica – ou seja, depois de abrir o Festival de Cannes, o thriller histórico-teológico aterrissa direto em mais de 500 salas do País.
Expectativa: Audrey Tautou e Tom Hanks diante de A última ceia, de Da Vinci, e o diretor Ron Howard com a equipe em Paris
É irrelevante discutir se o filme é ou nãouma boa adaptação do romance, se estamos diante de um fenômeno de marketing que explodiu no exato momento do anúncio das filmagens em 2004. Primeiro, com a escolha de Tom Hanks para viver Robert Langdon, o professor de semiótica de Harvard, protagonista da história. Depois, com todos os problemas gerados pela proibição de se filmar na Inglaterra na Abadia de Westminster. A seguir, vieram as negociações bem-sucedidas para se conseguir filmar no Museu do Louvre, em Paris. O próprio presidente da França, Jacques Chirac, reuniu-se com Howard pedindo que, em troca da cessão do museu, o papel da criptógrafa francesa Sophie Neveu, que auxilia Langdon nas investigações, fosse dado a uma “atriz amiga de sua filha”. Quem venceu a disputa foi a atriz francesa Audrey Tautou.
É em razão de um assassinato acontecido na Grande Galeria do Louvre que Langdon é procurado pela polícia e a sua difícil missão é tentar decifrar ocenário do crime, a poucos passos da tela de Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci. Lá estava o cadáver do curador do museu, Jacques Saunière (Jean-Pierre Marielle), que antes de morrer se postou com as pernas e os braços abertos em V, como em O homem vitruviano, do mesmo Da Vinci (outros trabalhos do italiano, como a Madona das rochas e A última ceia, terão papel importante nas investigações). Por trás desse crime estão dois personagens ligados ao Opus Dei: o monge albino Silas (Paul Bettany) e o Bispo Aringarosa (Alfred Molina). Se existe alguém que ainda não saiba o enredo de O código Da Vinci, após o sucesso estrondoso do livro, é o monge Silas quem mata, a mando de Aringarosa, o curador do museu – que vem a ser o Grão-Mestre do Priorado de Sião. Ele o faz para preservar um dos maiores segredos da Igreja, o fato de Jesus Cristo ser supostamente pai de uma filha com Maria Madalena.
Enigma: Sophie (Audrey Tautou) eo curador do Louvre assassinado
Retratado como um psicótico, Silas se pune com chicotadas e usa um instrumento de tortura, o cilício (aro de metal feito de pontas cortantes) encravado nas coxas como forma de penitência. “Não é exatamente o que eu descreveria como uma roupa confortável”, diz o ator Bettany – que obviamente utilizou um modelo flexível que não penetrava nas pernas. De todos os personagens da história, Silas é o mais excomungado pelos protestos religiosos. A instituição americana Organização Nacional pelo Albinismo e Hipopigmentação (Noah) anunciou que fará manifestações nas portas dos cinemas. O Opus Dei adotou uma estratégia apelidada de Operação Limonada. “Se tem um limão, faça uma limonada. Uma declaração de guerra só interessa ao marketing do filme”, disse o porta-voz da organização, Marc Carroggio. O Opus Dei já havia pedido à Sony Pictures que colocasse nos créditos a ressalva de que se trata de uma história fictícia, mas a empresa não se comprometeu a atender ao pedido: “Não temos intenção de revelar nenhum aspecto do filme antes da estréia”, disse a ISTOÉ Jim Kennedy, porta-voz da Sony. É nesse clima de mistério, portanto, que os espectadores formarão filas nos cinemas.
Preocupada com a mensagem negativa, a Igreja calculou o prejuízo e considera que o público potencial a ser atingido pela heresia fica em torno de 800 milhões de pessoas. Embora não peça um boicote, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Geraldo Majella Agnelo, condenou a “maneira leviana e desrespeitosa” com que estão sendo tratadas convicções tão sagradas para os cristãos. O editor Geraldo Jordão Pereira, da Sextante, que teve a sorte de comprar os direitos de publicação do livro por US$ 12 mil, espera que a estréia do filme dê uma nova alavancada nas vendas. Ele não revela o seu lucro, mas diz: “Pela primeira vez na vida, com 50 anos de carreira editorial, coloquei algum dinheiro no bolso.” E tenta relativizar a polêmica passada do livro e a polêmica presente do filme: “Trata-se de uma ficção.” O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Fernando Altemeyer, tenta não levar Dan Brown muito a sério. “Ele está a milhões de anos-luz da seriedade teológica. O seu Jesus não tem nada a ver com o de Nazaré, o seu Opus Dei não coincide com o real, Da Vinci não pertencia a nenhuma organização secreta”, diz ele. Certo ou errado, não importa. É certo que o filme vem com a marca de estrondoso sucesso de público.
Chega a 500 cinemas do País a obrapolêmica estrelada por Tom Hanksque envolve a vida de Jesus Cristo,a Igreja Católica e o Opus Dei numatrama de suspense, crime e mistério
O Brasil possui 2.045 salas de cinema. A conta é exata. Na sexta-feira 19, de cada quatro salas, pelo menos uma estará exibindo O código Da Vinci (The Da Vinci code, Estados Unidos, 2006). É o filme mais aguardado dos últimos anos. Desde o início das filmagens, pouca coisa foi revelada da adaptação cinematográfica do polêmico best seller homônimo do americano Dan Brown. O sigilo, bem apropriado ao lado investigativo da história, cheia de enigmas, códigos, decifrações e descobertas, foi uma estratégia da Sony Pictures, dona dos US$ 125 milhões da produção. O filme também se cerca de boatos e protestos, sendo que as últimas manifestações foram muito bem-vindas ao diretor Ron Howard, que mirou na Igreja Católica e, sobretudo, em sua ala mais conservadora, representada pela organização Opus Dei. Portanto, é com aura de mistério e uma expectativa alimentada por 46 milhões de leitores (só no Brasil são 1,2 milhão) que O código Da Vinci chega às telas, sem sequer passar pelo teste da crítica – ou seja, depois de abrir o Festival de Cannes, o thriller histórico-teológico aterrissa direto em mais de 500 salas do País.
Expectativa: Audrey Tautou e Tom Hanks diante de A última ceia, de Da Vinci, e o diretor Ron Howard com a equipe em Paris
É irrelevante discutir se o filme é ou nãouma boa adaptação do romance, se estamos diante de um fenômeno de marketing que explodiu no exato momento do anúncio das filmagens em 2004. Primeiro, com a escolha de Tom Hanks para viver Robert Langdon, o professor de semiótica de Harvard, protagonista da história. Depois, com todos os problemas gerados pela proibição de se filmar na Inglaterra na Abadia de Westminster. A seguir, vieram as negociações bem-sucedidas para se conseguir filmar no Museu do Louvre, em Paris. O próprio presidente da França, Jacques Chirac, reuniu-se com Howard pedindo que, em troca da cessão do museu, o papel da criptógrafa francesa Sophie Neveu, que auxilia Langdon nas investigações, fosse dado a uma “atriz amiga de sua filha”. Quem venceu a disputa foi a atriz francesa Audrey Tautou.
É em razão de um assassinato acontecido na Grande Galeria do Louvre que Langdon é procurado pela polícia e a sua difícil missão é tentar decifrar ocenário do crime, a poucos passos da tela de Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci. Lá estava o cadáver do curador do museu, Jacques Saunière (Jean-Pierre Marielle), que antes de morrer se postou com as pernas e os braços abertos em V, como em O homem vitruviano, do mesmo Da Vinci (outros trabalhos do italiano, como a Madona das rochas e A última ceia, terão papel importante nas investigações). Por trás desse crime estão dois personagens ligados ao Opus Dei: o monge albino Silas (Paul Bettany) e o Bispo Aringarosa (Alfred Molina). Se existe alguém que ainda não saiba o enredo de O código Da Vinci, após o sucesso estrondoso do livro, é o monge Silas quem mata, a mando de Aringarosa, o curador do museu – que vem a ser o Grão-Mestre do Priorado de Sião. Ele o faz para preservar um dos maiores segredos da Igreja, o fato de Jesus Cristo ser supostamente pai de uma filha com Maria Madalena.
Enigma: Sophie (Audrey Tautou) eo curador do Louvre assassinado
Retratado como um psicótico, Silas se pune com chicotadas e usa um instrumento de tortura, o cilício (aro de metal feito de pontas cortantes) encravado nas coxas como forma de penitência. “Não é exatamente o que eu descreveria como uma roupa confortável”, diz o ator Bettany – que obviamente utilizou um modelo flexível que não penetrava nas pernas. De todos os personagens da história, Silas é o mais excomungado pelos protestos religiosos. A instituição americana Organização Nacional pelo Albinismo e Hipopigmentação (Noah) anunciou que fará manifestações nas portas dos cinemas. O Opus Dei adotou uma estratégia apelidada de Operação Limonada. “Se tem um limão, faça uma limonada. Uma declaração de guerra só interessa ao marketing do filme”, disse o porta-voz da organização, Marc Carroggio. O Opus Dei já havia pedido à Sony Pictures que colocasse nos créditos a ressalva de que se trata de uma história fictícia, mas a empresa não se comprometeu a atender ao pedido: “Não temos intenção de revelar nenhum aspecto do filme antes da estréia”, disse a ISTOÉ Jim Kennedy, porta-voz da Sony. É nesse clima de mistério, portanto, que os espectadores formarão filas nos cinemas.
Preocupada com a mensagem negativa, a Igreja calculou o prejuízo e considera que o público potencial a ser atingido pela heresia fica em torno de 800 milhões de pessoas. Embora não peça um boicote, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Geraldo Majella Agnelo, condenou a “maneira leviana e desrespeitosa” com que estão sendo tratadas convicções tão sagradas para os cristãos. O editor Geraldo Jordão Pereira, da Sextante, que teve a sorte de comprar os direitos de publicação do livro por US$ 12 mil, espera que a estréia do filme dê uma nova alavancada nas vendas. Ele não revela o seu lucro, mas diz: “Pela primeira vez na vida, com 50 anos de carreira editorial, coloquei algum dinheiro no bolso.” E tenta relativizar a polêmica passada do livro e a polêmica presente do filme: “Trata-se de uma ficção.” O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Fernando Altemeyer, tenta não levar Dan Brown muito a sério. “Ele está a milhões de anos-luz da seriedade teológica. O seu Jesus não tem nada a ver com o de Nazaré, o seu Opus Dei não coincide com o real, Da Vinci não pertencia a nenhuma organização secreta”, diz ele. Certo ou errado, não importa. É certo que o filme vem com a marca de estrondoso sucesso de público.
O sexo pago
Por: Celso Fonseca (ISTOÉ Online)
A prostituição na Alemanha, um trabalhoregulamentado, vai receber reforço depelo menos 40 mil garotas para o Mundial
Depois de ficar 90 minutos assistindo a 22 homens correndo atrás de uma bola, muitos alemães e turistas da Copa do Mundo deverão procurar diversões mais excitantes. Sexo, por exemplo. Durante o Mundial, a Alemanha, que alavancou vários mercados com a competição, será também uma espécie de paraíso do prazer remunerado. No país, desde 2001 a prostituição tornou-se uma profissão como outra qualquer. Há uma lei oficializando a atividade das “profissionais” e não se pode punir freqüentadores de bordel. Por lá, das meninas aos administradores, o mercado sexual envolve 440 mil pessoas. Mas, para a Copa, apenas os países do Leste Europeu deverão enviar um reforço de 40 mil mulheres, muitas ilegais. Neste contingente, há suspeitas de tráfico e exploração, inclusive envolvendo brasileiras.
A polícia começa a agir para conter os excessos. Na quinta-feira 11, 100 pessoas, entre elas 74 prostitutas, foram presas depois que um dos maiores bordéis do País, o Pascha, de Colônia, publicou anúncio em seu site oficial recrutando mão-de-obra para o evento. Queria garotas de toda a Comunidade Européia e assegurava a regularização profissional das candidatas. A empresa gaba-se de ser a única a oferecer devolução de pagamento, caso o cliente não fique feliz com o atendimento. Mas, se o Pascha tem as melhores promoções, o bordel mais badalado e luxuoso da Copa será o Artemis, em Berlim. Está estrategicamente situado bem perto do palco reservado para a final, a apenas três paradas de trem do estádio Olímpico. Oportunamente inaugurado meses atrás, está instalado numa construção de três andares e 5, 5 mil metros quadrados. Custou sete milhões de euros – algo em torno de R$ 18,2 milhões. Deverá dispor de cerca de 100 cortesãs, entre as melhores mulheres do mundo, e poderá promover a satisfação de pelo menos 300 clientes por dia. É uma espécie de Nações Unidas do sexo, com garotas vindas de todas as partes do mundo, até de lugares improváveis como o Afeganistão.
Artemis: só a entrada custa 70 euros
A Copa, que acontecerá entre 9 de junho e 9 de julho, terá uma platéia essencialmente masculina, com dinheiro e tempo disponível. No caso do Artemis, bolso cheio é essencial. São 70 euros apenas para entrar, consumo à parte. Os honorários das moças não saem por menos de 120 euros (R$ 243) e elas, segundo a administração, não pagam taxa de faturamento. Quem não tiver tanta bala na agulha pode apelar para as garotas da rua e utilizar as cabines individuais distribuídas nos subúrbios das cidades-sede dos jogos. A perspectiva de tanto movimento sexual preocupa. Desde janeiro, o Parlamento da União Européia solicita que a Alemanha evite exageros criados pelo mercado do sexo durante a Copa, mas há pouco a fazer. Associações de defesa da família começam a se mobilizar contra o que consideram excessos. Tentam angariar a participação dos jogadores da seleção alemã, mas até agora o único a se engajar foi o goleiro Jens Lehman, que curiosamente trava um duelo árduo com Oliver Kahn, eleito o melhor jogador da Copa de 2002, para ser o titular. No seu caso, qualquer iniciativa que aumente sua popularidade é bem-vinda. Os jogadores da Suécia aderiram à castidade. Anunciaram aos ventos gelados que em hipótese alguma visitarão um bordel. As preocupações não vêm apenas dos conservadores. As próprias prostitutas querem clientes educados, higiênicos e, no país da cerveja, estão em campanha contra o risco de violência por parte de beberrões exagerados. Porque ninguém merece, em qualquer profissão, agüentar um bêbado agressivo.
A prostituição na Alemanha, um trabalhoregulamentado, vai receber reforço depelo menos 40 mil garotas para o Mundial
Depois de ficar 90 minutos assistindo a 22 homens correndo atrás de uma bola, muitos alemães e turistas da Copa do Mundo deverão procurar diversões mais excitantes. Sexo, por exemplo. Durante o Mundial, a Alemanha, que alavancou vários mercados com a competição, será também uma espécie de paraíso do prazer remunerado. No país, desde 2001 a prostituição tornou-se uma profissão como outra qualquer. Há uma lei oficializando a atividade das “profissionais” e não se pode punir freqüentadores de bordel. Por lá, das meninas aos administradores, o mercado sexual envolve 440 mil pessoas. Mas, para a Copa, apenas os países do Leste Europeu deverão enviar um reforço de 40 mil mulheres, muitas ilegais. Neste contingente, há suspeitas de tráfico e exploração, inclusive envolvendo brasileiras.
A polícia começa a agir para conter os excessos. Na quinta-feira 11, 100 pessoas, entre elas 74 prostitutas, foram presas depois que um dos maiores bordéis do País, o Pascha, de Colônia, publicou anúncio em seu site oficial recrutando mão-de-obra para o evento. Queria garotas de toda a Comunidade Européia e assegurava a regularização profissional das candidatas. A empresa gaba-se de ser a única a oferecer devolução de pagamento, caso o cliente não fique feliz com o atendimento. Mas, se o Pascha tem as melhores promoções, o bordel mais badalado e luxuoso da Copa será o Artemis, em Berlim. Está estrategicamente situado bem perto do palco reservado para a final, a apenas três paradas de trem do estádio Olímpico. Oportunamente inaugurado meses atrás, está instalado numa construção de três andares e 5, 5 mil metros quadrados. Custou sete milhões de euros – algo em torno de R$ 18,2 milhões. Deverá dispor de cerca de 100 cortesãs, entre as melhores mulheres do mundo, e poderá promover a satisfação de pelo menos 300 clientes por dia. É uma espécie de Nações Unidas do sexo, com garotas vindas de todas as partes do mundo, até de lugares improváveis como o Afeganistão.
Artemis: só a entrada custa 70 euros
A Copa, que acontecerá entre 9 de junho e 9 de julho, terá uma platéia essencialmente masculina, com dinheiro e tempo disponível. No caso do Artemis, bolso cheio é essencial. São 70 euros apenas para entrar, consumo à parte. Os honorários das moças não saem por menos de 120 euros (R$ 243) e elas, segundo a administração, não pagam taxa de faturamento. Quem não tiver tanta bala na agulha pode apelar para as garotas da rua e utilizar as cabines individuais distribuídas nos subúrbios das cidades-sede dos jogos. A perspectiva de tanto movimento sexual preocupa. Desde janeiro, o Parlamento da União Européia solicita que a Alemanha evite exageros criados pelo mercado do sexo durante a Copa, mas há pouco a fazer. Associações de defesa da família começam a se mobilizar contra o que consideram excessos. Tentam angariar a participação dos jogadores da seleção alemã, mas até agora o único a se engajar foi o goleiro Jens Lehman, que curiosamente trava um duelo árduo com Oliver Kahn, eleito o melhor jogador da Copa de 2002, para ser o titular. No seu caso, qualquer iniciativa que aumente sua popularidade é bem-vinda. Os jogadores da Suécia aderiram à castidade. Anunciaram aos ventos gelados que em hipótese alguma visitarão um bordel. As preocupações não vêm apenas dos conservadores. As próprias prostitutas querem clientes educados, higiênicos e, no país da cerveja, estão em campanha contra o risco de violência por parte de beberrões exagerados. Porque ninguém merece, em qualquer profissão, agüentar um bêbado agressivo.
Belo, o exigente
Por: Ricardo Miranda (ISTOÉ Online)
Bandido-cantor recusa emprego de R$ 2,8 mile pede mais “flexibilidade”. Detalhe: ele estácondenado a oito anos de prisão
Condenado por tráfico e associação para o tráficode drogas, mas beneficiado pela Justiça com o regime semi-aberto, o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, conseguiu um trabalho invejável. O pagodeiro só precisava comparecer, de segunda a sexta-feira, a um escritório no centro do Rio de Janeiro, entre nove da manhã e sete da noite. Transportaria documentose recibos para um escritório de direitos autorais e receberia um salário mensal de R$ 2,8 mil – oito vezeso valor do salário mínimo. Desdenhou. No primeiro dia, esperado às nove horas, chegou às 12h45. Na terça-feira 9, pediu as contas. A justificativa veio de seu secretário particular – sim, ele tem um: “Belo é um cantor e esse emprego não atendeu à necessidade dele de voltar à vida artística. Ele precisa de mais flexibilidade na função”, disse Stênio Madeira.
O assessor do bandido-cantor negou que seu pupilo tivesse aproveitado parte do primeiro dia de trabalho para passear na praia, transgredindo as normas do regime semi-aberto. Não soube explicar, porém, o motivo do atraso. E nem se preocupou com isso. Belo já tem outro emprego engatilhado, numa gravadora na Urca, zona sul do Rio. “Assim ele poderá compor e gravar dentro da própria empresa”, adiantou sua advogada Sandra Almeida, lembrando que cabe ao réu definir o emprego que lhe convier. Um detalhe que ela esqueceu de contar: a Justiça ainda tem que autorizar o novo trabalho para o presidiário.
Ao se demitir do emprego, Belo perdeu provisoriamente o direito ao regime semi-aberto e acabou transferido para o Presídio Plácido Carvalho, no Complexo de Bangu, na zona oeste. “Este novo trabalho é mais complexo e envolve gravações externas que devem ser previamente autorizadas”, avisou o juiz Carlos Augusto Borges, titular da Vara de Execuções Penais do Rio. O pagodeiro está preso há um ano e meio. Sua prisão foi decretada em junho de 2002, depois que gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça, revelaram suas ligações com traficantes de drogas e armas. Em novembro de 2004, ele foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio a oito anos de prisão em regime fechado. Em março deste ano, a Justiça aprovou a progressão de pena do regime fechado para o semi-aberto. Ao encontrar um emprego e, imediatamente, recusá-lo, Belo mostrou que realmente confia na liberalidade da Justiça. Sua aposta é a de que o benefício do regime semi-aberto lhe será concedido indefinidamente até o dia em que, finalmente, encontre um trabalho à altura do que julga ser seu talento.
Bandido-cantor recusa emprego de R$ 2,8 mile pede mais “flexibilidade”. Detalhe: ele estácondenado a oito anos de prisão
Condenado por tráfico e associação para o tráficode drogas, mas beneficiado pela Justiça com o regime semi-aberto, o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, conseguiu um trabalho invejável. O pagodeiro só precisava comparecer, de segunda a sexta-feira, a um escritório no centro do Rio de Janeiro, entre nove da manhã e sete da noite. Transportaria documentose recibos para um escritório de direitos autorais e receberia um salário mensal de R$ 2,8 mil – oito vezeso valor do salário mínimo. Desdenhou. No primeiro dia, esperado às nove horas, chegou às 12h45. Na terça-feira 9, pediu as contas. A justificativa veio de seu secretário particular – sim, ele tem um: “Belo é um cantor e esse emprego não atendeu à necessidade dele de voltar à vida artística. Ele precisa de mais flexibilidade na função”, disse Stênio Madeira.
O assessor do bandido-cantor negou que seu pupilo tivesse aproveitado parte do primeiro dia de trabalho para passear na praia, transgredindo as normas do regime semi-aberto. Não soube explicar, porém, o motivo do atraso. E nem se preocupou com isso. Belo já tem outro emprego engatilhado, numa gravadora na Urca, zona sul do Rio. “Assim ele poderá compor e gravar dentro da própria empresa”, adiantou sua advogada Sandra Almeida, lembrando que cabe ao réu definir o emprego que lhe convier. Um detalhe que ela esqueceu de contar: a Justiça ainda tem que autorizar o novo trabalho para o presidiário.
Ao se demitir do emprego, Belo perdeu provisoriamente o direito ao regime semi-aberto e acabou transferido para o Presídio Plácido Carvalho, no Complexo de Bangu, na zona oeste. “Este novo trabalho é mais complexo e envolve gravações externas que devem ser previamente autorizadas”, avisou o juiz Carlos Augusto Borges, titular da Vara de Execuções Penais do Rio. O pagodeiro está preso há um ano e meio. Sua prisão foi decretada em junho de 2002, depois que gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça, revelaram suas ligações com traficantes de drogas e armas. Em novembro de 2004, ele foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio a oito anos de prisão em regime fechado. Em março deste ano, a Justiça aprovou a progressão de pena do regime fechado para o semi-aberto. Ao encontrar um emprego e, imediatamente, recusá-lo, Belo mostrou que realmente confia na liberalidade da Justiça. Sua aposta é a de que o benefício do regime semi-aberto lhe será concedido indefinidamente até o dia em que, finalmente, encontre um trabalho à altura do que julga ser seu talento.
Câmara recebe contratos dos shows
Por: Jornal da Cidade
A Prefeitura de Aracaju encaminhou ontem à Câmara Municipal a documentação relativa aos contratos dos shows, promovidos no último mês de março e orçados em R$ 1,5 milhão. A solicitação foi feita pelo vereador Daniel Fortes (PSC), através de requerimento. A partir da análise da documentação, os vereadores vão decidir se pedem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de irregularidades nas contratações.
Segundo o prefeito Edvaldo Nogueira, os documentos só foram encaminhados ontem porque cópia do requerimento, aprovado há duas semanas pela Câmara Municipal só chegou ao seu gabinete na última quinta-feira. "Eu já havia inclusive cobrado do presidente da Câmara, o vereador Zeca, que esse requerimento chegasse logo aqui (na prefeitura) para que pudéssemos encaminhar tudo assim como fizemos com o Tribunal de Contas do Estado (TCE)", contou.
O prefeito explicou que se tivesse se antecipado "estaria me imiscuindo nos assuntos da Câmara e essa é uma atitude que eu reprovo veementemente. Não tenho problema nenhum em apresentar a documentação, porque nós fazemos um governo transparente e ético. No ano passado, comemoramos o aniversário da cidade com três shows lindos de Leonardo, Daniela Mercury e Cidade Negra e ninguém questionou nada. É claro que o que está acontecendo hoje é porque estamos num ano eleitoral", afirmou.
Ele explicou novamente que todos os shows para as inaugurações foram contratados através de empresas que detinham exclusividade com os artistas e que as diferenças entre os valores que eles dizem ter recebido e os que foram pagos correspondem não apenas ao cachê pessoal dos artistas, mas também às despesas com o transporte de equipamentos, passagens aéreas, hospedagens e alimentação dos componentes das bandas, bailarinos e equipes de produção de cada evento, traslados na cidade, organização de camarins e impostos incidentes sobre os contratos, além do próprio e legítimo lucro da empresa responsável pela negociação.
Além disso, explicou Edvaldo, para os shows pagos pela Secretaria Municipal de Saúde foram utilizados recursos próprios do município, arrecadados com os impostos. "Governos de todo o país, inclusive o de Sergipe, contratam como nós contratamos. É uma prática extremamente natural. Nenhum dinheiro do Fundo Nacional de Saúde foi utilizado para shows e a verba foi investida na inauguração de obras da própria SMS", disse Edvaldo Nogueira.
Pefelista é criticado
O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B), criticou ontem a atitude atribuída ao governador João Alves Filho (PFL) que teria mandado a Secretaria de Segurança Pública (SSP) intimar os servidores da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) para explicar sobre a apreensão dos panfletos com a reprodução da matéria publicada esta semana pela Revista Veja, denunciando os contratos de shows feitos pela Prefeitura de Aracaju, durante o mês de março. "Aracaju deixou de ser um departamento do governo estadual com o fim da ditadura militar", reagiu.
Em entrevista coletiva, no Palácio Ignácio Barbosa, ele reafirmou que não permitirá "a nenhuma autoridade interferir no trabalho da administração municipal". Segundo Edvaldo, a prefeitura da cidade "é um poder autônomo e vai continuar assim". Para o prefeito, o governador do Estado está tentando mais uma vez ingerir no trabalho da administração municipal.
"Eu não vou permitir que o governador João Alves ou qualquer outra autoridade queira sentar na minha cadeira a pretexto de nada. Aracaju sempre manteve e vai manter uma relação respeitosa com o governo de Sergipe, mas em hipótese alguma será subordinada a ele", enfatizou o prefeito. O material gráfico foi apreendido na última quarta-feira pela Emsurb, porque estava sendo distribuído na cidade irregularmente e encaminhado imediatamente à Procuradoria Regional Eleitoral.
"Isto porque é papel legal da Emsurb zelar pela limpeza da cidade e fiscalizar toda a publicidade feita nas ruas da cidade, o que inclui a autorização para distribuição de panfletos de qualquer natureza, fixação de faixas e cartazes, dentre outros. A distribuição era inclusive ilegal porque a empresa que estava entregando os panfletos não possuía nem autorização da Revista Veja para fazê-lo", acrescentou o prefeito.
Preservar
De acordo com ele, a prefeitura vai fazer todo o possível para preservar a integridade dos funcionários da Emsurb. "Eles não vão se apresentar e os advogados da Emsurb irão representá-los. A prefeitura vai levar esta situação até as últimas conseqüências na luta para que nossos servidores não sejam punidos, porque eles não cometeram nenhuma irregularidade na apreensão dos panfletos", frisou Edvaldo Nogueira. "Nós não fizemos papel de polícia judiciária e não prendemos ninguém, mas é tarefa cotidiana da Emsurb apreender materiais que estejam sendo distribuídos ilegalmente e não tenham dúvidas de que isso continuará sendo feito", garantiu.
Depois da apreensão, foi constatado que a empresa distribuidora dos panfletos é prestadora de serviço do governo estadual. "Se eu fosse Sherlock Holmes, diria que o governador João Alves deixou sua impressão digital neste caso. Que interesse uma empresa prestadora de serviços ao governo estadual tem em divulgar uma matéria como esta da revista Veja, que todos sabemos tem um conteúdo extremamente eleitoral?", indagou o prefeito, ao informar que vai mandar um ofício ao governador João Alves explicitando sua posição em relação aos fatos ocorridos.
Edvaldo informou ainda que a PMA requereu da Revista Veja direito de resposta à matéria, já que em momento algum o prefeito Edvaldo Nogueira ou o ex-prefeito Marcelo Déda foram ouvidos. "Não há declaração de guerra ao governo, mas do mesmo jeito que eu respeito o governador como autoridade maior do Estado eleita pelo povo, ele tem que me respeitar como autoridade maior da capital. Este episódio reflete a exacerbação dos ânimos já antes do período eleitoral deste ano e, enquanto prefeito da capital, eu peço que não deixem a campanha deste ano descambar para este nível".
A Prefeitura de Aracaju encaminhou ontem à Câmara Municipal a documentação relativa aos contratos dos shows, promovidos no último mês de março e orçados em R$ 1,5 milhão. A solicitação foi feita pelo vereador Daniel Fortes (PSC), através de requerimento. A partir da análise da documentação, os vereadores vão decidir se pedem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de irregularidades nas contratações.
Segundo o prefeito Edvaldo Nogueira, os documentos só foram encaminhados ontem porque cópia do requerimento, aprovado há duas semanas pela Câmara Municipal só chegou ao seu gabinete na última quinta-feira. "Eu já havia inclusive cobrado do presidente da Câmara, o vereador Zeca, que esse requerimento chegasse logo aqui (na prefeitura) para que pudéssemos encaminhar tudo assim como fizemos com o Tribunal de Contas do Estado (TCE)", contou.
O prefeito explicou que se tivesse se antecipado "estaria me imiscuindo nos assuntos da Câmara e essa é uma atitude que eu reprovo veementemente. Não tenho problema nenhum em apresentar a documentação, porque nós fazemos um governo transparente e ético. No ano passado, comemoramos o aniversário da cidade com três shows lindos de Leonardo, Daniela Mercury e Cidade Negra e ninguém questionou nada. É claro que o que está acontecendo hoje é porque estamos num ano eleitoral", afirmou.
Ele explicou novamente que todos os shows para as inaugurações foram contratados através de empresas que detinham exclusividade com os artistas e que as diferenças entre os valores que eles dizem ter recebido e os que foram pagos correspondem não apenas ao cachê pessoal dos artistas, mas também às despesas com o transporte de equipamentos, passagens aéreas, hospedagens e alimentação dos componentes das bandas, bailarinos e equipes de produção de cada evento, traslados na cidade, organização de camarins e impostos incidentes sobre os contratos, além do próprio e legítimo lucro da empresa responsável pela negociação.
Além disso, explicou Edvaldo, para os shows pagos pela Secretaria Municipal de Saúde foram utilizados recursos próprios do município, arrecadados com os impostos. "Governos de todo o país, inclusive o de Sergipe, contratam como nós contratamos. É uma prática extremamente natural. Nenhum dinheiro do Fundo Nacional de Saúde foi utilizado para shows e a verba foi investida na inauguração de obras da própria SMS", disse Edvaldo Nogueira.
Pefelista é criticado
O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B), criticou ontem a atitude atribuída ao governador João Alves Filho (PFL) que teria mandado a Secretaria de Segurança Pública (SSP) intimar os servidores da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) para explicar sobre a apreensão dos panfletos com a reprodução da matéria publicada esta semana pela Revista Veja, denunciando os contratos de shows feitos pela Prefeitura de Aracaju, durante o mês de março. "Aracaju deixou de ser um departamento do governo estadual com o fim da ditadura militar", reagiu.
Em entrevista coletiva, no Palácio Ignácio Barbosa, ele reafirmou que não permitirá "a nenhuma autoridade interferir no trabalho da administração municipal". Segundo Edvaldo, a prefeitura da cidade "é um poder autônomo e vai continuar assim". Para o prefeito, o governador do Estado está tentando mais uma vez ingerir no trabalho da administração municipal.
"Eu não vou permitir que o governador João Alves ou qualquer outra autoridade queira sentar na minha cadeira a pretexto de nada. Aracaju sempre manteve e vai manter uma relação respeitosa com o governo de Sergipe, mas em hipótese alguma será subordinada a ele", enfatizou o prefeito. O material gráfico foi apreendido na última quarta-feira pela Emsurb, porque estava sendo distribuído na cidade irregularmente e encaminhado imediatamente à Procuradoria Regional Eleitoral.
"Isto porque é papel legal da Emsurb zelar pela limpeza da cidade e fiscalizar toda a publicidade feita nas ruas da cidade, o que inclui a autorização para distribuição de panfletos de qualquer natureza, fixação de faixas e cartazes, dentre outros. A distribuição era inclusive ilegal porque a empresa que estava entregando os panfletos não possuía nem autorização da Revista Veja para fazê-lo", acrescentou o prefeito.
Preservar
De acordo com ele, a prefeitura vai fazer todo o possível para preservar a integridade dos funcionários da Emsurb. "Eles não vão se apresentar e os advogados da Emsurb irão representá-los. A prefeitura vai levar esta situação até as últimas conseqüências na luta para que nossos servidores não sejam punidos, porque eles não cometeram nenhuma irregularidade na apreensão dos panfletos", frisou Edvaldo Nogueira. "Nós não fizemos papel de polícia judiciária e não prendemos ninguém, mas é tarefa cotidiana da Emsurb apreender materiais que estejam sendo distribuídos ilegalmente e não tenham dúvidas de que isso continuará sendo feito", garantiu.
Depois da apreensão, foi constatado que a empresa distribuidora dos panfletos é prestadora de serviço do governo estadual. "Se eu fosse Sherlock Holmes, diria que o governador João Alves deixou sua impressão digital neste caso. Que interesse uma empresa prestadora de serviços ao governo estadual tem em divulgar uma matéria como esta da revista Veja, que todos sabemos tem um conteúdo extremamente eleitoral?", indagou o prefeito, ao informar que vai mandar um ofício ao governador João Alves explicitando sua posição em relação aos fatos ocorridos.
Edvaldo informou ainda que a PMA requereu da Revista Veja direito de resposta à matéria, já que em momento algum o prefeito Edvaldo Nogueira ou o ex-prefeito Marcelo Déda foram ouvidos. "Não há declaração de guerra ao governo, mas do mesmo jeito que eu respeito o governador como autoridade maior do Estado eleita pelo povo, ele tem que me respeitar como autoridade maior da capital. Este episódio reflete a exacerbação dos ânimos já antes do período eleitoral deste ano e, enquanto prefeito da capital, eu peço que não deixem a campanha deste ano descambar para este nível".
Idosa ganha batalha em plano de saúde
Por: A CRÍTICA
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão que pode abrir um precedente importante para os usuários de planos de saúde. Os ministros da 4ª Turma do STJ confirmaram por unanimidade que a Unimed Ribeirão Preto (SP) – Cooperativa de Trabalho Médico não poderia rescindir unilateralmente o contrato de uma cliente de 84 anos de idade que se recusou a pagar o reajuste determinado pela prestadora, alegando não ter condições financeiras.
Os ministros estudaram o caso e mantiveram a decisão anterior, definida pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Nessa instância, os juízes consideraram que dificilmente a idosa conseguiria aderir a um novo plano de saúde.
“Sendo a autora, Catharina Zema da Silva, octogenária, nascida em 1912, a prevalecer tal denúncia unilateral, certamente não teria a mesma possibilidade de ingresso em outra empresa similar, ficando, assim, desassistida de assistência médico-hospitalar, para a qual contribui desde 1992”, afirmou durante o julgamento no TJ o desembargador Ruy Camilo.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo Almeida, considera a posição do STJ perigosa para as empresas. Ele avaliou que a decisão pode trazer impacto negativo para as operadoras.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão que pode abrir um precedente importante para os usuários de planos de saúde. Os ministros da 4ª Turma do STJ confirmaram por unanimidade que a Unimed Ribeirão Preto (SP) – Cooperativa de Trabalho Médico não poderia rescindir unilateralmente o contrato de uma cliente de 84 anos de idade que se recusou a pagar o reajuste determinado pela prestadora, alegando não ter condições financeiras.
Os ministros estudaram o caso e mantiveram a decisão anterior, definida pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Nessa instância, os juízes consideraram que dificilmente a idosa conseguiria aderir a um novo plano de saúde.
“Sendo a autora, Catharina Zema da Silva, octogenária, nascida em 1912, a prevalecer tal denúncia unilateral, certamente não teria a mesma possibilidade de ingresso em outra empresa similar, ficando, assim, desassistida de assistência médico-hospitalar, para a qual contribui desde 1992”, afirmou durante o julgamento no TJ o desembargador Ruy Camilo.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo Almeida, considera a posição do STJ perigosa para as empresas. Ele avaliou que a decisão pode trazer impacto negativo para as operadoras.
Preso em SE estuprador denunciado no Programa Linha Direta
Por: Cinform
Justiça o condenou a 18 anos de prisão, mas ele conseguiu fugir para Tobias Barreto, onde construiu família e conseguiu um emprego
O foragido da Justiça Paulo Rocha dos Santos, 39 anos, foi preso na última sexta-feira, 12, no município sergipano de Tobias Barreto, depois de ter sua foto veiculada no programa Linha Direta, da Rede Globo, na quinta-feira. Ele é acusado de estupro e atentado violento ao pudor contra duas crianças de 5 e 8 anos de idade.O crime aconteceu em Itabuna-BA e Paulo Rocha foi condenado a 18 anos de prisão, mas conseguiu fugir antes mesmo de ser transferido para a Penitenciária de Salvador. Em Sergipe, ele casou, teve um filho e vinha levando uma vida normal, trabalhando há mais de quatro anos.Paulo foi denunciado por vizinhos da casa onde morava. Policiais de Tobias Barreto, sob o comando do delegado Kássio Viana, foram ao local e efetuaram a prisão. O estuprador também é suspeito de ser o autor de um homicídio que teve como vítima o filho de uma ex-cunhada. O crime aconteceu no dia 22 de junho de 2003. O garoto de apenas 11 anos foi encontrado morto a trezentos metros de casa com sinais de violência na região da cabeça.
Justiça o condenou a 18 anos de prisão, mas ele conseguiu fugir para Tobias Barreto, onde construiu família e conseguiu um emprego
O foragido da Justiça Paulo Rocha dos Santos, 39 anos, foi preso na última sexta-feira, 12, no município sergipano de Tobias Barreto, depois de ter sua foto veiculada no programa Linha Direta, da Rede Globo, na quinta-feira. Ele é acusado de estupro e atentado violento ao pudor contra duas crianças de 5 e 8 anos de idade.O crime aconteceu em Itabuna-BA e Paulo Rocha foi condenado a 18 anos de prisão, mas conseguiu fugir antes mesmo de ser transferido para a Penitenciária de Salvador. Em Sergipe, ele casou, teve um filho e vinha levando uma vida normal, trabalhando há mais de quatro anos.Paulo foi denunciado por vizinhos da casa onde morava. Policiais de Tobias Barreto, sob o comando do delegado Kássio Viana, foram ao local e efetuaram a prisão. O estuprador também é suspeito de ser o autor de um homicídio que teve como vítima o filho de uma ex-cunhada. O crime aconteceu no dia 22 de junho de 2003. O garoto de apenas 11 anos foi encontrado morto a trezentos metros de casa com sinais de violência na região da cabeça.
Escuta do PCC: 'Matem o pessoal do PSDB'
Por: Rita Magalhães (Estadão)
Diálogo de criminosos determinou interrogatório de líderes da facção no Deic
"Matem o pessoal do PSDB. Os irmãos que não cumprirem a missão também ficam sujeitos à morte." Essa foi a ordem que a Polícia Civil interceptou na tarde de sexta-feira nos celulares de criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A gravação provocou correria nas Secretarias da Administração Penitenciária e da Segurança Pública. Inicialmente, pensava-se que o crime organizado tinha ordenado o assassinato de autoridades políticas: governador e secretários de Estado. A interceptação telefônica levou o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, a pedir a intervenção do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) custodiar os oito principais líderes da organização, entre eles o número um, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O objetivo era tentar identificar o mandante e os possíveis executores.
O tiro saiu pela culatra. Os líderes, transferidos para São Paulo anteontem, permaneceram calados e, duas horas depois da chegada de Marcola, os ataques foram deflagrados. Nessa hora, por volta das 20h30, constatou-se que as conversas dos criminosos faziam referência apenas a servidores da segurança pública.
ARROGÂNCIA
Convocado para uma conversa com o delegado Godofredo Bittencourt, Marcola, provocou: "Eu posso entrar numa delegacia e matar policiais. Vocês não podem entrar no presídio para me matar." A petulância do líder revoltou os policiais civis que fizeram a segurança do prédio do Deic. Armados de fuzis e metralhadoras, cerca de 50 policiais da elite da Polícia Civil fizeram vigília na frente do departamento para evitar ataques.
Algumas delegacias da periferia funcionavam com efetivo reduzido. No 40º DP (Vila Santa Maria), apenas um escrivão e dois investigadores trabalhavam. "Se os ladrões invadirem aqui, o que nós vamos fazer?", questionou um plantonista.
Amedrontados, os policiais se diziam alvos ambulantes dos criminosos. "Estamos assistindo ao massacre de nossos colegas e estamos de mãos atadas. O que nós podemos fazer? Sair à caça deles com a viatura de sirene ligada para morrermos também?", questionou indignado um policial.
Por volta de 1h30 de ontem, os secretários Nagashi Furukawa e Saulo Abreu convocaram uma reunião de emergência para definir medidas para pôr fim aos ataques. O encontro durou quase quatro horas.
Quando deixou a sala, o secretário da Segurança apresentou o saldo de 21 mortos, sendo 15 policiais e seis criminosos - números que iriam aumentar ao longo do dia. Naquela hora, em tom de alívio, Furukawa comentava que apenas dois presídios estavam rebelados - logo começaria a onda de rebeliões. A expectativa da polícia era que o cessar fogo ocorresse com o nascer do dia, mas os ataques continuaram, atingindo principalmente as cidades da região metropolitana e interior do Estado.
Diálogo de criminosos determinou interrogatório de líderes da facção no Deic
"Matem o pessoal do PSDB. Os irmãos que não cumprirem a missão também ficam sujeitos à morte." Essa foi a ordem que a Polícia Civil interceptou na tarde de sexta-feira nos celulares de criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A gravação provocou correria nas Secretarias da Administração Penitenciária e da Segurança Pública. Inicialmente, pensava-se que o crime organizado tinha ordenado o assassinato de autoridades políticas: governador e secretários de Estado. A interceptação telefônica levou o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, a pedir a intervenção do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) custodiar os oito principais líderes da organização, entre eles o número um, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O objetivo era tentar identificar o mandante e os possíveis executores.
O tiro saiu pela culatra. Os líderes, transferidos para São Paulo anteontem, permaneceram calados e, duas horas depois da chegada de Marcola, os ataques foram deflagrados. Nessa hora, por volta das 20h30, constatou-se que as conversas dos criminosos faziam referência apenas a servidores da segurança pública.
ARROGÂNCIA
Convocado para uma conversa com o delegado Godofredo Bittencourt, Marcola, provocou: "Eu posso entrar numa delegacia e matar policiais. Vocês não podem entrar no presídio para me matar." A petulância do líder revoltou os policiais civis que fizeram a segurança do prédio do Deic. Armados de fuzis e metralhadoras, cerca de 50 policiais da elite da Polícia Civil fizeram vigília na frente do departamento para evitar ataques.
Algumas delegacias da periferia funcionavam com efetivo reduzido. No 40º DP (Vila Santa Maria), apenas um escrivão e dois investigadores trabalhavam. "Se os ladrões invadirem aqui, o que nós vamos fazer?", questionou um plantonista.
Amedrontados, os policiais se diziam alvos ambulantes dos criminosos. "Estamos assistindo ao massacre de nossos colegas e estamos de mãos atadas. O que nós podemos fazer? Sair à caça deles com a viatura de sirene ligada para morrermos também?", questionou indignado um policial.
Por volta de 1h30 de ontem, os secretários Nagashi Furukawa e Saulo Abreu convocaram uma reunião de emergência para definir medidas para pôr fim aos ataques. O encontro durou quase quatro horas.
Quando deixou a sala, o secretário da Segurança apresentou o saldo de 21 mortos, sendo 15 policiais e seis criminosos - números que iriam aumentar ao longo do dia. Naquela hora, em tom de alívio, Furukawa comentava que apenas dois presídios estavam rebelados - logo começaria a onda de rebeliões. A expectativa da polícia era que o cessar fogo ocorresse com o nascer do dia, mas os ataques continuaram, atingindo principalmente as cidades da região metropolitana e interior do Estado.
Alerta nos EUA para risco de suicídio ligado a antidepressivo
Por: Estadão
Em 2004, a FDA ordenou que avisos fossem colocados nos rótulos dos antidepressivos, alertando para o risco de suicídio infantil
AP-AE
WASHINGTON - O antidepressivo Paxil pode elevar o risco de comportamento suicida entre jovens adultos, informam o fabricante, GlaxoSmithKline, e a FDA, órgão do governo americano que supervisiona o mercado de medicamentos e alimentos. O alerta foi feito numa carta aos médicos. O princípio ativo do Paxil, a paroxetina, é comercializado no Brasil como Aropax, Pondera e Cebrilin, entre outros nomes comerciais. A carta de alerta vem acompanhada por mudanças no rótulo do Paxil e do Paxil CR.
Uma análise recente de dados produzidos em testes clínicos de cerca de 15.000 pacientes tratados com Paxil ou pílulas de placebo revelou uma maior freqüência de comportamento suicida em jovens adultos tratados com a droga, de acordo com a carta. A FDA informa que houve 11 tentativas de suicídio - nenhuma resultando em morte - entre os pacientes que receberam Paxil nos testes. Apenas um dos pacientes que tomavam placebo tentou suicídio.
Dado o pequeno número, os resultados "devem ser interpretados com cautela", diz a FDA. Oito das 11 tentativas foram feitas por pacientes com idades entre 18 e 30. Todos os participantes do teste sofriam de problemas psiquiátricos, incluindo depressão grave.
Na carta aos médicos, o diretor de desenvolvimento clínico da GlaxoSmithKline para psiquiatria clínica da América do Norte diz que a companhia continua a crer que seus benefícios compensam os riscos. A FDA avisa que todos os pacientes tratados com Paxil, especialmente jovens adultos e os que estão apresentando sinais de melhora, devem ser monitorados de perto.
Em 2004, a FDA ordenou que avisos fossem colocados nos rótulos dos antidepressivos, alertando para o risco de suicídio infantil
Em 2004, a FDA ordenou que avisos fossem colocados nos rótulos dos antidepressivos, alertando para o risco de suicídio infantil
AP-AE
WASHINGTON - O antidepressivo Paxil pode elevar o risco de comportamento suicida entre jovens adultos, informam o fabricante, GlaxoSmithKline, e a FDA, órgão do governo americano que supervisiona o mercado de medicamentos e alimentos. O alerta foi feito numa carta aos médicos. O princípio ativo do Paxil, a paroxetina, é comercializado no Brasil como Aropax, Pondera e Cebrilin, entre outros nomes comerciais. A carta de alerta vem acompanhada por mudanças no rótulo do Paxil e do Paxil CR.
Uma análise recente de dados produzidos em testes clínicos de cerca de 15.000 pacientes tratados com Paxil ou pílulas de placebo revelou uma maior freqüência de comportamento suicida em jovens adultos tratados com a droga, de acordo com a carta. A FDA informa que houve 11 tentativas de suicídio - nenhuma resultando em morte - entre os pacientes que receberam Paxil nos testes. Apenas um dos pacientes que tomavam placebo tentou suicídio.
Dado o pequeno número, os resultados "devem ser interpretados com cautela", diz a FDA. Oito das 11 tentativas foram feitas por pacientes com idades entre 18 e 30. Todos os participantes do teste sofriam de problemas psiquiátricos, incluindo depressão grave.
Na carta aos médicos, o diretor de desenvolvimento clínico da GlaxoSmithKline para psiquiatria clínica da América do Norte diz que a companhia continua a crer que seus benefícios compensam os riscos. A FDA avisa que todos os pacientes tratados com Paxil, especialmente jovens adultos e os que estão apresentando sinais de melhora, devem ser monitorados de perto.
Em 2004, a FDA ordenou que avisos fossem colocados nos rótulos dos antidepressivos, alertando para o risco de suicídio infantil
Lula é violento com caseiro e fraquinho com Morales, diz Alckmin
Por: ChristianAlckmin desembarcou na madrugada de hoje em Salvador, em meio a uma disputa entre o PSDB e o PFL da Bahia pela campanha
SALVADOR - O pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin voltou a criticar a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na questão da nacionalização do gás da Bolívia. "O governo Lula é violento com o caseiro, para acobertar a corrupção e fraquinho, fraquinho para defender os interesses do Brasil", disse Alckmin, à Agência Estado.
Ele se referia à violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que testemunhou a presença do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na mansão da chamada República de Ribeirão Preto.
Alckmin está visitando as obras sociais de Irmã Dulce, em Salvador. Acompanham a visita o governador da Bahia, Paulo Souto, e o senador Antonio Carlos Magalhães, entre outros pefelistas.
Disputa entre PFL e PSDB
Alckmin desembarcou na madrugada de hoje em Salvador, em meio a uma disputa entre o PSDB e o PFL da Bahia pela campanha. Até ontem à noite a agenda oficial de Alckmin não incluía nenhum compromisso com os tucanos baianos. Foi dura a negociação entre o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), para acertar a agenda do candidato.
A briga local está em torno da candidatura do ex-prefeito pefelista de Salvador, Antonio Embassahy, que disputará o Senado pelo PSDB, contra o candidato de ACM, senador Rodolpho Tourinho. ACM não queria que Alckmin tivesse qualquer encontro com os tucanos que pudesse ser interpretado como apoio à candidatura de Embassahy.
Alckmin perdeu o vôo em São Paulo e sua chegada a Salvador, prevista para às 21 horas, acabou acontecendo pouco depois da meia-noite. Ainda assim, ACM e o governador Paulo Souto o recepcionaram no aeroporto. Temerosos de que o atraso irritasse o anfitrião, a assessoria de Alckmin informou ACM que a Varig havia cancelado o vôo. O único tucano presente na chegada de Alckmin foi o deputado João Almeida.
Hoje a programação do pré-candidato será toda com o PFL, a exceção de uma visita à sede do PSDB. Cauteloso, Alckmin evita comentar sobre a polêmica das duas candidaturas ao Senado. Disse apenas que os dois partidos estão conversando, e que a aliança está consolidada.
SALVADOR - O pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin voltou a criticar a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na questão da nacionalização do gás da Bolívia. "O governo Lula é violento com o caseiro, para acobertar a corrupção e fraquinho, fraquinho para defender os interesses do Brasil", disse Alckmin, à Agência Estado.
Ele se referia à violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que testemunhou a presença do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na mansão da chamada República de Ribeirão Preto.
Alckmin está visitando as obras sociais de Irmã Dulce, em Salvador. Acompanham a visita o governador da Bahia, Paulo Souto, e o senador Antonio Carlos Magalhães, entre outros pefelistas.
Disputa entre PFL e PSDB
Alckmin desembarcou na madrugada de hoje em Salvador, em meio a uma disputa entre o PSDB e o PFL da Bahia pela campanha. Até ontem à noite a agenda oficial de Alckmin não incluía nenhum compromisso com os tucanos baianos. Foi dura a negociação entre o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), para acertar a agenda do candidato.
A briga local está em torno da candidatura do ex-prefeito pefelista de Salvador, Antonio Embassahy, que disputará o Senado pelo PSDB, contra o candidato de ACM, senador Rodolpho Tourinho. ACM não queria que Alckmin tivesse qualquer encontro com os tucanos que pudesse ser interpretado como apoio à candidatura de Embassahy.
Alckmin perdeu o vôo em São Paulo e sua chegada a Salvador, prevista para às 21 horas, acabou acontecendo pouco depois da meia-noite. Ainda assim, ACM e o governador Paulo Souto o recepcionaram no aeroporto. Temerosos de que o atraso irritasse o anfitrião, a assessoria de Alckmin informou ACM que a Varig havia cancelado o vôo. O único tucano presente na chegada de Alckmin foi o deputado João Almeida.
Hoje a programação do pré-candidato será toda com o PFL, a exceção de uma visita à sede do PSDB. Cauteloso, Alckmin evita comentar sobre a polêmica das duas candidaturas ao Senado. Disse apenas que os dois partidos estão conversando, e que a aliança está consolidada.
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