Publicado em 8 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet
Helio Fernandes esperou 41 anos por sua indenização
Carlos Newton
No domingo passado, dia 5, publicamos artigo sobre a saga do jornalista Helio Fernandes, que aguardou 41 anos pelo pagamento da indenização devido pela União à “Tribuna da Imprensa”, mas morreu antes do final do processo e seus herdeiros nada receberão, porque o dinheiro (cerca de R$ 39 milhões) foi inteiramente destinado a pagamento de impostos federais, credores da empresas e dívidas trabalhistas.
No artigo, julgamos ter deixado claro que o escritório de advocacia que conduziu a causa (Sérgio Bermudes & Associados) atuou de forma leniente e jamais se interessou realmente em levar ao final essa causa. No entanto, muitos leitores entenderam o contrário e alguns até julgaram que eu estaria elogiando a atuação de Bermudes, o que jamais me passou pela cabeça. Pensei ter exercitado bem a arte da ironia, deixando as coisas subentendidas, mas parece que errei na dose.
BERMUDES FALHOU – Aproveito para me desculpar junto aos filhos do grande jornalista, Luciana, Bruno e Ana Carolina, porque, ao contrário do que ficou parecendo no artigo que escrevi domingo, o respeitadíssimo advogado Sérgio Bermudes e seu principal associado, Alexandre Sigmaringa Seixas, falharam absurdamente ao defender Helio Fernandes.
É o mais importante escritório de advocacia do país, porém jamais usou sua força e seu prestígio para pressionar a Justiça Federal a tocar o processo com a mesma velocidade conseguida por outros veículos da grande imprensa, como Jornal do Brasil e Diários Associados, que receberam milionárias indenizações sem que tivessem sofrido perseguição equivalente à da Tribuna da Imprensa, único jornal que ficou sob censura por 10 anos seguidos, de 1968 até 1978, e teve suas oficinas destruídas em atentado a bomba em março de 1981,após ter sido aprovada a Lei da Anistia no governo João Figueiredo.
CULPA DA JUSTIÇA? – Em carta a Helio Fernandes, o advogado Sérgio Bermudes tentou se esquivar da responsabilidade pela demora do processo e culpou “a caótica Justiça Federal”.
Bem, se houve falhas, jamais se poderia atribui-las apenas à Justiça Federal. Nenhum escritório de advocacia pode sair enaltecido num processo que demorou mais de 40 anos, o autor não recebeu um só centavo, mas o caixa do escritório foi engordado em R$ 3,9 milhões.
Na minha concepção, a explicação é simples. Quem defende Petrobrás, Ike Batista, grandes bancos e corporações, dificilmente não vai pôr a mão no fogo por um cliente que a todos criticava em nome da liberdade de imprensa. Essa é a grande verdade. O escritório Bermudes se omitiu claramente e não teve remorsos ao embolsar E$ 3,9 milhões e deixar a família de Helio Fernandes a ver navios, como se dizia antigamente.
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P.S. – Vou voltar ao assunto, quantas vezes quiser, em nome de minha grande amizade a Helio e aos dois filhos que partiram antes dele, Helinho e Rodolfo Fernandes. Estou aguardando autorização da família para divulgar as cartas que Helio Fernandes me mostrou, endereçadas ao advogado Sérgio Bermudes, e que jamais tiveram resposta. O texto vai emocionar ou revoltar a todos. (C.N.)