domingo, dezembro 05, 2021

Nessa crise, a falta que faz Carlos Castelo Branco, um dos maiores jornalistas brasileiros

Publicado em 5 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Via de regra e o dia em que Carlos Castello Branco puxou as orelhas de  Paulo Francis - Jornal Opção

Castelinho, um grande comentarista da política brasileira

José Carlos Werneck

Como faz falta nestes dias confusos vividos pelo país o texto direto, através do qual o jornalista Carlos Castelo Branco analisava com uma precisão cirúrgica os acontecimentos da política brasileira. Seu texto era brilhante, conciso, direto, prendia o leitor do princípio ao fim.

Em sua “Coluna do Castelo”, publicada durante 31 anos no igualmente saudoso “Jornal do Brasil”, esse grande jornalista retratava de maneira extremamente precisa tudo o que de mais importante acontecia no Brasil.

ADVOGADO E JORNALISTA – Carlos Castelo Branco nasceu em Teresina no dia 25 de junho de 1920. Sua família mudou-se para Minas Gerais. Em março de 1939 ingressou Faculdade de Direito de Belo Horizonte.

Ainda acadêmico começou a trabalhar como repórter de polícia no jornal “O Estado de Minas”, integrante dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, onde foi subsecretário de redação e ligou-se à nova geração de escritores e intelectuais mineiros, como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Autran Dourado, Otto Lara Resende e Hélio Pelegrino.

Bacharelou-se em 1943 e, logo em seguida, abriu um escritório de advocacia. Pouco depois, desistiu da profissão para dedicar-se definitivamente ao jornalismo. Permanecendo como secretário em O Estado de Minas, expandiu suas atividades na área da imprensa e, em 1944, tornou-se secretário da Agência Meridional de Notícias, em Belo Horizonte, também pertencente aos Diários Associados.

JUNTO À UDN – Com o processo de redemocratização do Brasil em 1945 e o surgimento de novos partidos políticos, aproximou-se da União Democrática Nacional (UDN). Embora vinculado às principais personalidades mineiras que organizaram o partido no Estado, não chegou a se engajar politicamente na legenda.

No mesmo ano foi convidado por Carlos Lacerda para trabalhar no Diário Carioca e transferiu-se para o Rio de Janeiro. No entanto, quando se apresentou no novo emprego, Lacerda já havia deixado a direção do jornal e, por isso, não foi admitido. Pouco depois, por intermédio de Neiva Moreira, que trabalhava nos Diários Associados, foi contratado como subsecretário de O Jornal, órgão líder da cadeia, chegando a ocupar o cargo de secretário-geral.

Mais tarde foi indicado por Assis Chateaubriand para executar outras tarefas em diversos órgãos dos Diários Associados, tendo promovido em 1947, após três meses de trabalho em Belém, o relançamento do jornal A Província do Pará. De volta ao Rio, foi secretário do Diário da Noite durante alguns meses.

OUTROS TRABALHOS – Em 1948 deixou o cargo de secretário em O Jornal para trabalhar como analista de política no mesmo órgão. Nesse período começou a publicar colunas assinadas e a intensificar seus contatos políticos, o que lhe permitiu adquirir um maior conhecimento da realidade nacional.

Em 1950 foi convidado por Pompeu de Sousa para trabalhar como editor político no Diário Carioca, recém-remodelado, onde criou uma coluna intitulada “Diário de um repórter”.

 Em 1953 começou a trabalhar como editor na Tribuna da Imprensa, de propriedade de Carlos Lacerda, e tornou-se Correspondente político da Folha de S. Paulo e colaborador de O Estado de S. Paulo. Em setembro de 1953 deixou a Tribuna da Imprensa para organizar, ao lado de Neiva Moreira, a seção política da revista O Cruzeiro.

MORTE DE VARGAS – Após o suicídio de Getúlio Vargas e a posse do vice-presidente João Café Filho na presidência da República em agosto de 1954, foi convidado por Odylo Costa, filho, recém-nomeado diretor do jornal A Noite, das empresas Incorporadas ao patrimônio da União, para assinar a seção política. Aceitou a proposta, e continuou a manter as atividades que realizava anteriormente em outras empresas jornalísticas.

Com a deposição de Café Filho em novembro de 1955 e a saída de Odylo Costa, filho da direção do A Noite, deixou suas funções no jornal. Castelo Branco exerceu a profissão ao longo dos governos de 13 presidentes e da vigência de três constituições (as de 1946, 1969 e 1988).

Quem quiser saber tudo sobre a vida de Carlos Castelo Branco, membro da Academia Brasileira de Letras, deve ler “Todo aquele imenso mar de liberdade”, livro de Carlos Marchi, que mostra a trajetória desde grande jornalista brasileiro, que morreu com 72 anos, no Rio de Janeiro, em 1º de junho de 1993.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Nosso grande amigo Carlos Chagas costuma recordar uma ocasião em que o então presidente Castelo Branco comentou com o jornalista sobre uma notícia publicada em um jornal uruguaio, que colocava Castelinho como “filho do presidente”. Em tom sério, relatava Carlos Chagas, Castelinho disse ao marechal presidente que o jornal estrangeiro o qualificara como “o maior colunista do Brasil, filho do ditador de plantão”(C.N.)

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