Publicado em 5 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet
Pedro Henrique Gomes
G1 — Brasília
O projeto que institui um passaporte nacional de imunização no Brasil divide Jair Bolsonaro e o líder no Senado do PL, partido ao qual o presidente da República se filiou nesta semana e pelo qual pretende disputar a reeleição no ano que vem.
Em discurso proferido nesta quinta-feira (dia 2) no plenário, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) cobrou a votação pela Câmara de um projeto apresentado por ele e aprovado no Senado, que cria o Passaporte Nacional de Imunização e Segurança Sanitária. E perfil nacional do PL, em uma rede social, compartilhou texto publicado no site do partido sobre o discurso de Portinho.
No mesmo dia, na transmissão ao vivo semanal que faz por redes sociais, Bolsonaro — que diz não ter tomado a vacina contra a Covid-19 — reafirmou que é contra restrições a não vacinados. “Se eu morrer, o problema é meu”, justificou.
SEM OBRIGAÇÃO – “Nós compramos vacina para todo mundo. Você nunca viu o governo federal obrigar ninguém a tomar vacina nem vai ver o governo federal exigir passaporte vacinal”, afirmou o presidente.
Bolsonaro se filiou na última terça-feira (30) ao PL, nono partido da carreira política do presidente. A proposta do Líder do PL, senador Carlos Portinho, prevê a criação do Passaporte Nacional de Imunização e Segurança Sanitária, que seria requisito para ingresso em locais e eventos públicos e privados.
O texto já foi aprovado no Senado e seguiu para a Câmara dos Deputados. No discurso nesta quinta, Portinho pediu ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que interceda junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a fim de que o projeto seja logo pautado.
SEM DESCONFORTO – O senador afirmou que não sente “desconforto” se essa for a “única divergência” de pautas com o presidente Bolsonaro.
“É verdade que o presidente da República havia anunciado veto se esse projeto avançasse. Não tenho o menor desconforto se essa for a nossa única divergência. Mas não vou deixar de insistir nesse projeto, porque agora, mais do que nunca, ele é vital”, declarou.
Segundo ele, a Câmara dos Deputados “precisa aprová-lo o quanto antes, haja vista o aumento dos casos, a nova cepa, e principalmente a necessidade do controle das nossas fronteiras”.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O ainda desconhecido senador, que era suplente do titular Arolde de Oliveira, que morreu em outubro de ano passado, está certíssimo em contestar a orientação de Bolsonaro e tocar para frente seu projeto. Como se falava antigamente, o que Bolsonaro diz não se escreve… É preciso tomar todas as medidas possíveis para combater e vencer a pandemia. (C.N.)