
Dória, Moro e outros candidatos preparam uma coligação
Merval Pereira
O Globo
A conversa de Sergio Moro com João Doria é importante, se os dois tiverem juízo. A combinação deles é que por volta de abril do ano que vem, quem tiver menos chance abrirá mão. É um acordo sensato. Mais sensato do que fazer prévia entre os candidatos da terceira via.
As pesquisas eleitorais marcarão bem a posição de cada um na corrida eleitoral. Se houver esse acordo, é um avanço e sai uma chapa muito forte. Entre os demais, não vejo muita gente para aparecer como candidato forte da terceira via, a não ser Ciro Gomes, que já esteve em alta e agora foi superado por Moro.
POLARIZAÇÃO – Não vejo alguém que possa mexer na polarização entre Lula e Bolsonaro. Moro ocupou esse espaço, está fazendo trabalho político forte, conversando com todos e abrindo portas. Doria tem uma máquina partidária muito forte e uma base em São Paulo muito importante, mas não está conseguindo que se transforme em votos.
Faz um bom governo, mas não consegue transferir para sua imagem os votos correspondentes à sua atuação política. A vacinação é um instrumento espetacular para levá-lo para frente, mas não está funcionando.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A eleição é como a vida, em geral, “pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”, segundo Matheus, 22. Os candidatos João Dória, Sérgio Moro, Henrique Mandetta, Alessandro Vieira, Luiz Felipe d’Avila agem acertadamente, ao se comprometerem a apoiar o candidato da terceira que estiver à frente nas pesquisa. Acredita-se que Simone Tebet também o fará, sobrando na liça apenas Ciro Gomes, Rodrigo Pacheco e Cabo Daciolo. Isso significa que surgirá um nome fortíssimo na terceira via, que pode alavancar a eleição e até pulverizar a polarização Lula/Bolsonaro. Teremos, portanto, a eleição mais eletrizante da História Republicana, com três candidatos em idênticas chances de vitória. Por fim, voltando à Bíblia, no final desse versículo Matheus diz que Cristo teria afirmado: “Então, deem a César o que é de César”. Ou seja, temos de esperar para saber quem será o novo César. (C.N.)