Indústria do armamento aumento vendas em 2020 apesar da crise gerada pela pandemia e chegou a faturar US$531 bilhões
Enquanto o mundo vive os efeitos da crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19, o setor do armamento vai muito bem. As 100 maiores empresas do setor até aumentaram suas vendas em 1,3%, em 2020, chegando a faturar US$ 531 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões), de acordo com informações do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), publicadas nesta segunda-feira (6).
A resiliência das grandes empresas é explicada pelas políticas de apoio dos governos diante da pandemia. A cifra significa um aumento de 17% em relação a 2015, o primeiro ano em que o SIPRI incluiu dados sobre empresas chinesas.
Este é o sexto ano consecutivo de crescimento na venda de armas mundial, mostrando que o ramo resiste bem à pandemia e à recessão econômica. Empresas norte-americanas continuam a dominar o ranking, representando 54% do total, com 41 empresas cuja soma dos lucros no ano passado alcança US$ 285 bilhões (R$ 1,6 trilhão).
A indústria de armas norte-americana está passando por uma onda de fusões e aquisições, como forma de ampliar seus portfolios e obter uma vantagem competitiva nas licitações por contratos. A China representa 13% do total das vendas, a segunda maior parcela do ranking.
As vendas de armas das cinco principais empresas chinesas somaram um total estimado de US$ 66,8 bilhões de dólares em 2020, um aumento de 1,5% comparado com 2019. A parte da China é menor que a dos Estados Unidos, mas maior que a do Reino Unido, que fica com o terceiro lugar.
“Nos últimos anos, as empresas chinesas se beneficiaram dos programas de modernização militar do país e do foco na fusão entre o campo militar e o civil”, analisa Nan Tian, pesquisador sênior do SIPRI. “Essas empresas se tornaram algumas das mais importantes produtoras de tecnologia militar avançada do mundo”.
As vendas de armas das 26 principais empresas europeias, somaram em conjunto US$ 109 bilhões, ou 21% do total. As vendas de armas da BAE Systems – a única empresa europeia no top 10 – aumentaram em 6.6%, alcançando o valor de US$ 24 bilhões.
Ajudas dos governos
“Os gigantes da indústria foram protegidos em grande medida por uma contínua demanda governamental por bens e serviços militares”, diz Alexandra Marksteiner, pesquisadora do Programa de gastos militares e produção de armamentos do SIPRI. Segundo os especialistas do instituto, o impacto da crise foi diminuído devido aos investimentos do governo no setor. “Em grande parte do mundo, os gastos militares cresceram e alguns governos aceleraram os pagamentos à indústria de armas como forma de mitigar o impacto da crise do Covid-19”.
Impacto da pandemia
Mas ainda assim, algumas empresas sentiram o choque da pandemia. A venda de armas francesas registrou queda de 7,7%. Isto seria resultado, em grande parte, da diminuição abrupta nas entregas da aeronave de combate Rafale produzida pela Dassault.
A empresa de armamentos Thales, por exemplo, atribuiu a queda de 5,8 % nas suas vendas de armas ao lockdown imposto pelo governo na primavera de 2020.
Algumas empresas também reportaram interrupções na cadeia de produção e atrasos nas entregas. A venda de armas da Rússia também caíram pelo terceiro ano consecutivo. No último ano registraram uma queda de 6,5%.
O decréscimo recente continua uma tendência observada desde 2017, quando as vendas de armas de empresas russas alcançaram seu ápice. Isso coincidiu com o fim do Programa estatal de armamento (2011-2020) e com atrasos nas entregas de armas
RFI / DefesaNet
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Vendas das 100 maiores empresas de armas crescem apesar da pandemia
Fabricantes dos EUA mantêm sua hegemonia global com mais da metade das vendas, de acordo com relatório do SIPRI
Por Carlos Torralba
Madri - Os principais fabricantes de armas aumentaram suas vendas em meio a uma recessão global. As 100 maiores empresas globais de equipamentos militares aumentaram seu faturamento em 1,3% em termos reais em 2020 em relação ao ano anterior, apesar da pandemia do coronavírus, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI). O valor total das vendas foi de 531 bilhões de dólares (3 trilhões de reais), após seis anos consecutivos de aumentos. O volume comercial dos cem maiores fabricantes de armas cresceu mais de 15% nos últimos cinco anos.
Os Estados Unidos mantiveram a sua hegemonia global: as 41 empresas deste país incluídas entre as 100 maiores do mundo representaram 54% das vendas totais no ano passado, com 285 bilhões de dólares (1,6 trilhão milhões de reais), um alta de 1,9%. Como tem acontecido desde 2018, as cinco maiores empresas são norte-americanas: Lockheed Martin, Raytheon, Boeing, Northrop Grumman e General Dynamics, em ordem decrescente. A indústria de armamentos dos Estados Unidos passa por uma onda de fusões e aquisições, principalmente no setor espacial, destaca o SIPRI, citando o exemplo da Northrop e da KBR.
A pesquisadora do SIPRI Alexandra Marksteiner observa no relatório que “os gigantes da indústria foram amplamente protegidos pela demanda sustentada dos governos por bens e serviços militares”. O especialista acrescenta que “em muitas partes do mundo, os gastos militares cresceram e alguns governos aceleraram os pagamentos à indústria para mitigar o impacto da crise”.
Apesar do aumento generalizado, a pandemia fez com que algumas empresas experimentassem interrupções na cadeia de suprimentos e atrasos na entrega. Outras, como a francesa Thales, especializada em sistemas eletrônicos, sofreram quedas nas vendas por conta dos confinamentos decretados em dezenas de países.
As cinco empresas chinesas incluídas no ranking venderam 66,8 bilhões de dólares, o que representa 13% do total e 1,5% a mais no comparativo anual. O pesquisador Nan Tian explica no relatório do think tank sueco que “as empresas chinesas se beneficiaram dos programas de modernização promovidos por Pequim e do foco na fusão civil-militar”, tornando-se “um dos mais avançados produtores de tecnologia militar do mundo”. As vendas dos fabricantes chineses não param de crescer desde que o SIPRI passou a incluir dados sobre empresas do gigante asiático em seu relatório anual de 2015.
A venda conjunta das nove empresas russas entre as 100 maiores caiu 6,5% ao ano, para 28,2 bilhões de dólares, seguindo a tendência de queda iniciada em 2017, principalmente devido ao fim do programa de armas do Estado. Outros países cujas empresas de armamento têm posição de destaque são: Japão, Coreia do Sul, Índia e Israel.
Vinte e seis empresas europeias —sem incluir as russas— figuram no ranking, com vendas totais de 109 bilhões de dólares, 21% do total mundial. Destes, a britânica BAE Systems é a única entre os 10 primeiros, na sexta posição. Os países da UE com mais empresas no ranking são: França (6), Alemanha (4) e Itália (2).
A Navantia continua a ser a única empresa espanhola entre as 100 maiores, caindo da 78ª para a 84ª posição e com vendas de 1,18 bilhões de dólares, 10% menos que no ano anterior. Suécia, Polônia, Ucrânia e Noruega também têm ao menos uma empresa de armas entre as 100 melhores do mundo.
El País