segunda-feira, janeiro 25, 2021

O que tem a ver a saída da Ford com o abandono do Fundo Científico e Tecnológico?


Camaçari deve perder 12 mil empregos com a saída da Ford

Fernando Peregrino
Estadão

As indústrias em geral, como a automobilística, há muitos anos (vide “Tempos Modernos”, filme do Carlitos) estão cada vez mais robotizadas e, com isso, conseguem maior produtividade, ganhos de escala e custo menor. Isso só se consegue com tecnologia e mercados planetários.

Nosso país, entretanto, não investiu em tecnologia o suficiente para abastecê-las ao longo de décadas. Historicamente, o investimento nesse segmento gira em torno de 1% do PIB, quando de deveria ser de 2% a 3% do PIB.

MONSTRO BUROCRÁTICO – Isso para não falar do monstro da burocracia feroz que impede a ligação da universidade com a indústria, contra a qual o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES) tanto se bate!

Resultado, embora com subsídio, a fábrica automobilística deixou de ser competitiva no mercado mundial (capitalismo não tem apreço pelo social, mas pelo lucro), vis a vis outras instalações como as do México! A Ford foi embora do Brasil. Com ela 5 mil empregos diretos. 15 mil indiretos.

Outras irão.

MAIS VETOS, MENOS VERBAS – Enquanto reclamava da Ford, o mesmo presidente Jair Bolsonaro ontem vetava artigos cruciais do PLP 135 e reduzia em R$ 5 bilhões os investimentos em pesquisa pelo FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)! E deu como razão do veto o interesse público (sic)! De quem podemos reclamar? Da Ford ou do Governo?

O País caminha acelerado para seu destino: ser uma pobre periferia do capitalismo! Qual a vacina para isso?

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