terça-feira, novembro 25, 2025

Prefeitura de Socorro abre inscrição para programa de habitação social

 Com o Habita Socorro – Social, através do Minha Casa Minha Vida, serão contempladas com moradia 480 famílias

(Foto: Divulgação)

A Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro abriu, nesta segunda-feira, 24,  as inscrições para beneficiários do Programa Minha Casa, Minha Vida, através do programa Habita Socorro – Social. Serão beneficiadas 480 famílias socorrenses com uma unidade habitacional através do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).

O FAR é uma modalidade do Minha Casa Minha Vida em que o Governo Federal paga quase ou todo o valor do imóvel. As pessoas selecionadas que forem beneficiárias do Bolsa Família ou BPC não terão nenhum custo. Pessoas com renda familiar de até R$ 2.850,00 irão arcar com uma mensalidade de R$ 80 a R$ 330, variando de acordo com análise feita pela Caixa Econômica Federal. O tempo de pagamento também será definido pela instituição financeira.

Para participar da seleção, é necessário que o cidadão atenda os critérios exigidos no decreto nº 4.099, de 17 de novembro de 2025. É obrigatório estar dentro do limite de renda bruta familiar mensal até R$ R$ 2.850,00 e residir em Socorro há, no mínimo, dois anos. Além disso, é necessário comprovar ao menos um dos critérios determinados pelo Ministério das Cidades. Clique aqui para acessar o decreto e conferir os itens.

Estando dentro dos critérios, a seleção será feita mediante priorização. Quanto mais critérios, comprovadamente, atender o candidato, maior será sua prioridade de seleção. Terão prioridade, segundo o decreto, famílias que já constam na lista do auxílio-moradia da Secretaria Municipal da Família e Assistência Social (Semfas), e na lista da Defesa Civil do município para áreas de risco alto ou muito alto.

Inscrições

As inscrições para participar da seleção começam nesta segunda-feira, 24, e seguem até 15 de dezembro, através do portal https://conta.e-siri.com/servicos/habita-socorro/rio-sergipe. De 1º a 15 de dezembro, as inscrições podem ser feitas presencialmente, para quem desejar. Equipes da Prefeitura estarão de plantão em um espaço montado no Shopping Prêmio, para efetuar o cadastro e tirar eventuais dúvidas.

Documentos necessários

Para fazer a inscrição é necessário anexar no sistema ou levar presencialmente a seguinte documentação: RG (com no máximo 10 anos da data de emissão) e CPF do proponente, ou, em substituição, a Carteira Nacional de Habilitação – CNH (desde que dentro do prazo de validade); certidão de casamento ou nascimento ou declaração de união estável, ou certidão de óbito (quando houver); caso haja separação, cópia e original da certidão averbada da separação; folha resumo do Cadastro Único; os três últimos comprovantes de renda do proponente e do grupo familiar, se houver; laudo médico com o CID, se houver, podendo estar em nome do candidato, do cônjuge ou companheiro(a), ou do dependente

Residencial Rio Sergipe

O Residencial Rio Sergipe será construído pela Prefeitura no bairro Porto Grande, garantindo moradia digna para quem precisa e marcando o avanço da política habitacional do município. Serão utilizados recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), representando um investimento de R$ 83 milhões, sendo R$13 milhões de contrapartida do município.

Com informações da Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro

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Aeroportos de Aracati e Jericoacoara passam por visita técnica antes da primeira rodada do AmpliAR

 Aeroportos de Aracati e Jericoacoara passam por visita técnica antes da primeira rodada do AmpliAR

 

Com forte vocação para o turismo, os terminais estão na primeira fase do programa. Investimentos podem ultrapassar R$ 140 milhões
 

Aeroportos de Aracati e Jericoacoara serão leiloados no primeiro bloco do programa Ampliar - Foto: Eduardo Oliveira/MPor
 


O secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, realizou no sábado (22) visita técnica aos aeroportos de Aracati e Jericoacoara, acompanhado do secretário de Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck, e da secretária executiva adjunta do MPor, Thairyne Oliveira. A comitiva avaliou as condições operacionais dos terminais e conversou com lideranças, passageiros e funcionários.
 

Os aeroportos integram a primeira fase do Programa AmpliAR e podem receber mais de R$ 140 milhões em obras de ampliação de pátio, reforma de terminal, melhorias de pista e construção de áreas de segurança.
 

Aracati
 

Em Aracati, o secretário verificou as instalações da área de embarque, desembarque, saguão, praça de alimentação e pista de pousos e decolagens. Pelo Programa AmpliAR, a previsão é de que seja realizado um investimento de aproximadamente R$ 42 milhões para ampliação do pátio de aeronaves, reforma do terminal de passageiros e ampliação do estacionamento de veículos.
 

“Graças a sua localização, Aracati é de grande importância para o desenvolvimento do litoral leste cearense e do oeste potiguar. Um aeroporto requalificado tem potencial para fortalecer a aviação geral e retomar a aviação comercial com a abertura de novas rotas, que se traduzem em mais turistas, mais empregos e oportunidades para a região”, comentou Franca.
 

Em uma região com forte vocação turística, é em Aracati que fica a famosa praia de Canoa Quebrada, conhecida por suas falésias, mar verde e dunas.
 

Jericoacoara
 

No município de Cruz, vizinho da famosa praia de Jericoacoara, a comitiva verificou a operação de desembarque de passageiros no Aeroporto Regional Comandante Ariston Pessoa, terminal que tem recebido em torno de 300 mil visitantes por ano.
 

“Jericoacoara é conhecida mundialmente pelas belezas naturais e deve ter um aeroporto à altura. Colocado em oferta pública, a previsão é de que tenhamos um investimento de quase R$ 100 milhões para reformar o terminal, ampliar a pista de pousos e decolagens e garantir mais segurança aeronáutica com a construção nas duas cabeceiras de RESA (área de segurança de fim de pista, na sigla em inglês)”, detalhou o secretário.
 

O programa AmpliAR busca trazer para os aeroportos regionais a experiência bem-sucedida das concessões aeroportuárias nos principais aeroportos brasileiros. Concessionárias que já possuem contrato de gestão destes grandes terminais com a União podem apresentar propostas para operação dos terminais regionais; em contrapartida, terão o reequilíbrio do contrato em vigor (por extensão do prazo de contrato, redução da outorga ou revisão tarifária).
 

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Trump amplia a lista de exceções a produtos brasileiros

 


Trump amplia a lista de exceções a produtos brasileiros

Fernanda Brandão, Doutora em Relações Internacionais, Professora e Coordenadora do
Curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio
 

 

Donald Trump assinou uma ordem executiva que retirou produtos alimentícios como carne, café e frutas da lista de itens sobre os quais incide a tarifa extra de 40%. O Brasil fornece cerca de um terço do café consumido nos Estados Unidos e é um importante exportador de carne e outros produtos alimentícios para o país. Produtos como açaí, banana, manga, cacau e tomate também foram incluídos nessa lista de exceções.

A medida é vista como uma vitória da diplomacia brasileira e da estratégia escolhida pelo país de não retaliar de forma recíproca os Estados Unidos, buscando manter canais abertos de negociação com as autoridades americanas. A partir da sinalização de disposição para negociar feita por Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, a diplomacia brasileira e o governo federal procuraram promover essas conversas com brevidade, aproveitando a janela de oportunidade aberta.

É importante ressaltar que a decisão de Trump não resulta apenas de uma aproximação diplomática com o Brasil, mas também de pressões domésticas decorrentes do aumento de preços e, consequentemente, da inflação, sobretudo de bens alimentícios, que podem ter impacto negativo sobre sua gestão e suas perspectivas nas eleições de meio de mandato do próximo ano. Esse cenário pode levar o Partido Republicano a perder o controle da maioria em ambas as casas do Congresso americano. Eleições recentes em alguns estados e cidades registraram vitórias significativas de candidatos democratas, apontando certo descontentamento com a gestão republicana. Assim, a remoção desses produtos da tarifa de 40% resulta da confluência entre fatores diplomáticos e pressões internas relacionadas à inflação de alimentos.

Para o Brasil, a medida atenua os efeitos das tarifas impostas de forma arbitrária e unilateral pelos Estados Unidos, baseadas em argumentos políticos e não econômicos ou comerciais. A ampliação da lista de exceções reduz os impactos negativos sobre importantes setores exportadores da economia nacional. A ordem assinada por Trump ainda prevê a possibilidade de reembolso dos impostos pagos durante o período de vigência das tarifas.

As negociações entre as duas partes devem continuar, uma vez que o objetivo do Brasil é a eliminação total das tarifas extras de 40% aplicadas sobre seus produtos. Contudo, o país deve seguir buscando a diversificação de seus parceiros comerciais para reduzir sua dependência do mercado americano, que tem sinalizado não ser um parceiro confiável e que utiliza políticas tarifárias de forma coercitiva para obter ganhos políticos em áreas diversas, e não apenas econômicas.

Além disso, à medida que as tensões em torno da questão venezuelana aumentam e cresce a especulação sobre uma possível intervenção militar americana no país vizinho, a manutenção de canais diplomáticos abertos e a construção de uma relação sólida serão fundamentais para o Brasil, que seria diretamente afetado por qualquer intervenção, inclusive em termos de segurança nacional. Ademais, o Brasil e a América Latina compõem uma zona de influência direta dos Estados Unidos, que procura manter sua posição na região em um cenário global de crescente competição com a China.



Assessoria de Imprensa Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

isabelrizzo@agenciarace.com.br
Isabel Rizzo
(21) 99818-5409

[Boletim Esfera] Prisão de ex-presidente altera tabuleiro da política

 

“Ah! Que pena!”

 

Arte: Marcelo Chello

Eu diria que a reação de Donald J. Trump (J de João, juro) com a prisão de Bolsonaro no sábado resume bem qual foi a reação do Centrão. “Ah! Que pena”, e vida que segue. Foi mais ou menos isso, BRASEW. Especialmente depois que começou a circular aquele vídeo que mostra a tornozeleira de Bolsonaro toda queimada, com Bolsonaro dizendo que meteu um ferro de solda. A solda parece que selou o destino de Bolsonaro.

Mas hoje também é dia de contar o que significa essa história de os chefes do Congresso romperem com os líderes do PT na Câmara e no Senado. E vou te dizer: pode até parecer que Lula é que está no paredão, mas, na visão de um experiente operador desse sistema, é bem exatamente o contrário. Então vem com a Tixa que é dia de alucinar, BRASEW.

Nosso ex se complicou. Ele tentou derreter sua tornozeleira eletrônica. Depois de falar com os advogados, tentou emplacar a história de que estava só alucinado por causa de remédios. Não colou. Ainda mais que, para o mesmo dia em que ele tentou essa proeza, seu filho 01 tinha convocado os truta bolsonaristas para fazer uma vigília próxima à casa de Bolsonaro. Era só uma vigília? Só uma oração? O Supremo achou que era tudo parte de um plano de fuga. O fato é que, num primeiro momento, os aliados de Bolsonaro saíram defendendo nosso ex, dizendo que era absurdo mandar prender por causa de vigília. Depois do vídeo em que Bolsonaro confessa que meteu o ferro na tornozeleira, a reação nos bastidores foi meio do tipo: deixa o homem preso e vida que segue. Já o advogado de Bolsonaro, o Celso Vilardi, deve estar indo ali na padaria comprar um pão doce e volta mais tarde.

Mas eis a realidade política da Family neste momento: sabe o Ciro Nogueira, o cacique do PP que foi ministro de Bolsonaro e que outro dia lançou Tarcísio como candidato? Poucos dias antes deste ocorrido, ele já tinha dado o tom da estratégia do Centrão: “Irei defender que nosso foco principal sejam as eleições estaduais e as nossas bancadas.”

E que tom é esse, BRASEW? É o tom de quem já vislumbra que, dificilmente, a direita terá um candidato competitivo o suficiente para bater Lula em 2026. Bolsonaro, com seu vitimismo, parece estar conseguindo minar o bolsonarismo. Mas focar nas bancadas de deputados e senadores é uma estratégia esperta, porque um quarto mandato de Lula com mais gente da direita no Congresso não será nada fácil.

E hoje a notícia que tomou conta é a de que Alcolumbre, o Davi estrela mor do Senado, e Huguito Motta, que manda na Câmara frigorífica, andaram tretando com os líderes do governo tanto no Senado quanto na Câmara. Alcolumbre rompeu com Jaques Wagner porque dizem que ele queria a indicação de Pacheco para o Supremo, e não o Messias, que foi de fato o indicado. Já Motta rompeu com o Lindt, o Lindenberg, meio sem novos motivos, a não ser as declarações do petista, já de dias atrás, de que Motta aprovou um projeto contra a bandidagem que tira poder da Polícia Federal — que é quem anda botando essa mesma bandidagem na prisão.

E agora? Lula está emparedado?

Enfim, eu fui conversar com quem entende do babado e falei com um antigo operador deste rolê congressual, daqueles do tempo de Eduardo Cunha. E, para ele, ao contrário do que parece, Lula não estaria emparedado pelos chefes do Congresso, mas ele diz que é exatamente o contrário. Na sua visão, Lula desarmou completamente seus adversários, especialmente Alcolumbre.

E como Lula está conseguindo isso? Com esse monte de investigações da Polícia Federal. Comecemos pelo Alcolumbre. Sabe o Daniel Vorcaro, do banco Master, que foi preso por conta das operações fraudulentas do seu banco com o Banco de Brasília (BRB)? Então, o Master andou vendendo R$ 400 milhões em títulos para o fundo de pensão dos servidores do Amapá (vocês sabem que o Amapá é o estado de Alcolumbre, né?). Adivinha quem está lá na administração do fundo do Amapá? Um irmão de Davi. E o fundo é de responsabilidade do governo do estado, que é comandado por um aliado de Alcolumbre.

Apesar de o fundo do Amapá ter investido menos que o Rioprevidência, do governador Cláudio Castro, proporcionalmente é muito mais dinheiro.

Já Huguito Motta tentou passar a PEC da Blindagem, mas morreu no caminho. Agora passou esse PL Antifacção, mas ficou no ar a história de querer reduzir o poder da Polícia Federal.

Entendeu a treta, né? Não é fácil, não, eu sei. Bora lá comprar um pãozinho doce junto com o Vilardi?

A anistia

O Flavitcho, filho 01, disse que agora, mais do que nunca, a oposição vai lutar pela anistia de Bolsonaro. Resta saber se o Centrão também está nessa onda velha aí. Só o que se ouviu hoje foram suspiros de alívio da galera que não vai mais precisar ir visitar Bolsonaro (porque, na prisão domiciliar, era mais fácil entrar na lista de visitantes).

Aceita que dói menos

Tem bolsonarista brabo com a Tixa porque escrevemos sobre o risco de fuga de Bolsonaro. Veja bem: nosso ex tentou romper a tornozeleira, Flavitcho tinha convocado, para o mesmo dia, a tal vigília. Alexandre Ramagem, que era o chefe da agência de inteligência do Brasil durante o governo Bolsonaro (é como se fosse o chefe da CIA), fugiu para os Estados Unidos e ficou meses lá sem ninguém ter notado que ele tinha fugido. Uns três blogueiros bolsonaristas fugiram ao longo dos últimos anos. A Carla Zambelli fugiu. O Dudu Bolsonaro nem voltou. O próprio Bolsonaro já tinha ido passar um carnaval numa embaixada, fugindo. Gente, é muita gente fugindo. Fica difícil dizer que o Supremo não tem razão em acreditar na fuga, pelos vastos indícios.

Mas vamos supor que, de fato, Bolsonaro só estava alucinado e com paranoia. Gente, Bolsonaro estar alucinado e paranoico é algo bom para a imagem dele? O que o eleitor vai pensar? Alô, Quaest, faz essa pesquisa. Quem garante que nosso ex não estará alucinado quando declarar seu apoio para o próximo candidato a presidente?

Não matem o mensageiro, BRASEW.

segunda-feira, novembro 24, 2025

Bolsonaro: o último ato de indignidade

 

Publicação de Gervásio Castro Neto
Bolsonaro encerra sua carreira pública do mesmo jeito que a percorreu: fugindo do que deve
por João Lister
A prisão de Jair Bolsonaro, após o rompimento de sua tornozeleira eletrônica, não surpreende ninguém que tenha acompanhado sua trajetória pública. Se há algo de coerente em sua biografia política, é justamente essa vocação compulsiva para a indignidade. Romper a tornozeleira — gesto típico de quem tenta fugir da própria sombra — não é apenas uma violação judicial; é a metáfora final de uma vida dedicada a escapar: escapar da verdade, da razão, do decoro, da lei, do senso mínimo de dignidade que se espera de qualquer figura pública.
Mas, claro, seria pedir demais. A natureza não dá saltos — especialmente quando se trata de Bolsonaro. Sua estrutura íntima não comporta gestos grandiosos. Onde outros fariam da derrota uma lição, ele faz da vergonha um espetáculo. Onde líderes verdadeiros enfrentam seus erros, ele se encolhe. Onde heróis se erguem, ele rasteja. Romper uma tornozeleira, afinal, exige menos coragem do que sustentar a própria narrativa heroica diante da Justiça.
A tentativa de fuga, ainda que tosca, apenas repete um padrão antigo. Durante anos, Bolsonaro cultivou uma estética de valentia que sempre desmoronou diante da realidade. O homem que elogia torturadores nunca suportou ser contestado; o mandatário que zombou de mortos na pandemia não teve coragem de enfrentar uma CPI; o presidente que incitou seus seguidores contra as instituições foi o primeiro a fugir do país quando finalmente precisaria responder por seus atos. A suposta virilidade, tão ostentada nos palanques, sempre se revelou frágil como papel molhado quando confrontada pela concretude da vida pública.
E o mais trágico — ou cômico, dependendo do ponto de vista — é que seus seguidores continuam a enxergar heroísmo onde só há covardia. Transformam cada escândalo em perseguição, cada delito em martírio, cada ato indigno em capítulo bíblico. Talvez esperassem que, desta vez, ele ao menos honrasse a lenda e enfrentasse sua pena como um líder. Talvez imaginassem o mito caminhando ereto para a prisão, bradando que o sistema o teme. Em vez disso, receberam o que sempre esteve ali, mas que muitos se recusaram a ver: um homem que não lidera, não enfrenta, não assume — apenas foge.
A cena da prisão, portanto, não inaugura nada; apenas conclui. É a assinatura final de alguém que sempre fez da indignidade seu modo de existir. Assim como a pandemia expôs sua incapacidade moral, a retórica golpista revelou sua mediocridade intelectual, e o exílio voluntário nos Estados Unidos exibiu sua covardia estrutural, agora o rompimento da tornozeleira oferece a imagem perfeita para seu epitáfio político: um líder de opereta, incapaz de ser heroico até na queda.
No fundo, não havia como terminar de outro modo. Bolsonaro encerra sua carreira pública do mesmo jeito que a percorreu: fugindo do que deve, culpando quem pode e decepcionando até aqueles que se ajoelham diante dele. Não foi capaz de um único gesto altivo — nem mesmo o gesto final, quando lhe restava apenas a dignidade que nunca teve.
A História, generosa como é, ainda tentará entender como alguém tão pequeno conseguiu ser tão grande em estragos. Mas, para o presente, basta constatar o óbvio: romper a tornozeleira não é apenas um crime; é sua autobiografia em miniatura. É a prova final de que Bolsonaro nunca foi perseguido, nem herói, nem mártir. Foi — e segue sendo — apenas aquilo que o ato de hoje confirma com precisão cirúrgica: um indigno em tempo integral, intérprete fiel de sua própria covardia.
transcrito do 247

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