segunda-feira, outubro 27, 2025

Tropa de choque de Lula tenta romper barreira tarifária e reacender parceria com os EUA

Publicado em 27 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Próximo encontro poderia acontecerna próxima semana 

Marcelo Ninio
O Globo

O desejo do governo brasileiro é começar a negociação sobre tarifas com os Estados Unidos o quanto antes e no mais alto nível possível. Segundo uma fonte do governo, o próximo encontro poderia acontecer já na semana que vem em Washington. A ideia é enviar uma “tropa de choque” pelo lado brasileiro, composta pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio, também vice-presidente da República).

Numa reunião que durou cerca de uma hora na manhã desta segunda-feira na Malásia (noite de domingo no Brasil), negociadores brasileiros e americanos começaram a formatar como será o prosseguimento dos contatos, após o sinal verde dado no encontro de domingo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

SALDO POSITIVO – Quem esperava que os EUA concordassem com a demanda brasileira de cancelar de imediato o tarifaço contra o Brasil, ficou frustrado. Ainda assim, a reunião foi considerada positiva pelo governo. Conforme disse o presidente Lula logo no início de sua conversa com Trump, o objetivo imediato do Brasil é que seja suspensa a aplicação de sobretaxa de 50% sobre os produtos do país exportados pelos EUA.

Não é uma precondição do governo brasileiro para continuar a negociação, mas assessores do Planalto dizem que é um “gesto de boa vontade” esperado dos americanos, depois que Trump manifestou-se otimista em chegar a um acordo.

Na reunião desta segunda participaram, do lado brasileiro, o chanceler Mauro Vieira, o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa; e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência, os mesmos que acompanharam Lula no encontro com Trump. Pelo lado americano, o time teve um desfalque em relação à véspera: estiveram presentes Scott Bessent, secretário do Tesouro, e Jamieson Greer, representante do Comércio, mas Marco Rubio, o secretário de Estado, não apareceu.

CRONOGRAMA – Embora o Brasil tenha pressa, e Trump se manifeste otimista sobre um desfecho rápido, não ficou estabelecido um cronograma claro, já que os assessores do presidente americano estarão nos próximos dias acompanhando ele na reunião de cúpula da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), em Seul. Lá eles estarão envolvidos com um encontro que está no topo das prioridades da Casa Branca, entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping.

Além disso, o governo brasileiro estará ocupado com a contagem regressiva para a COP30 em Belém, que começa dia 10. Mas caso seja marcada, a negociação com os americanos será considerada prioridade, disse uma fonte do governo brasileiro.

A reunião desta segunda não tratou de pormenores, como setores específicos da economia atingidos pelo tarifaço e o que pode entrar na barganha. Mas o lado brasileiro deixou claro que espera, além da suspensão das tarifas, o cancelamento de sanções contra autoridades brasileiras, como a que atingiu o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO – Para a delegação brasileira, o que pode ajudar a acelerar a chegada a um acordo, além da instrução dada pelos presidentes, é que os dois países já estavam em processo de negociação sobre a tarifa de 10% aplicada anteriormente pelos EUA. Isso, no entendimento de um negociador, encurta o caminho para o acordo, pois já havia “opções mapeadas”.

Um sinal positivo de que os EUA podem ter realmente virado a chave e estão prontos para um acordo, como espera o governo brasileiro, foi a resposta amistosa dada por Donald Trump durante seu voo da Malásia ao Japão, nesta segunda.

CHANCES DE ACORDO – A primeira pergunta da imprensa que acompanha o presidente foi sobre o Brasil e o encontro com Lula, algo por si só incomum, já que as atenções da mídia americana estão voltadas principalmente para a China. Questionado sobre as chances de um acordo, Trump não deu certeza, mas fez elogios a Lula e deu parabéns ao presidente brasileiro pelo seu aniversário de 80 anos, nesta segunda:

— Não sei se algo vai acontecer, vamos ver. Eles gostariam de fechar um acordo. Vamos ver, agora eles estão pagando, acho que 50% de tarifa. Mas tivemos uma ótima reunião. Quero desejar feliz aniversário ao presidente, ok? Hoje é o aniversário dele. Ele é um cara muito vigoroso, na verdade, e foi muito impressionante. Mas hoje é o aniversário dele, então feliz aniversário.

Defesa de Bolsonaro aposta em manobra jurídica para escapar do risco Papuda

Publicado em 27 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Advogados devem tentar ‘ressuscitar’ dosimetria em recurso

Malu Gaspar
O Globo

Com as discussões do chamado “PL da Dosimetria” travadas no Congresso por falta de consenso, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro deve retomar a discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) ao contestar a decisão da Primeira Turma que o condenou a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento numa trama golpista para impedir a posse de Lula.

Em tese, os recursos, conhecidos como “embargos de declaração” servem para esclarecer a sentença, apontar omissões ou contradições no acórdão, publicado na última quarta-feira (22). Em outras palavras, para as defesas “reciclarem” argumentos já apresentados antes da condenação, buscarem uma reversão do resultado ou ainda tentarem emplacar teses alternativas para uma “redução de danos”.

REDUÇÃO DE PENA – É com esse último propósito que os advogados de Bolsonaro vão retomar o assunto, em um esforço para reduzir a pena do ex-presidente. No mês passado, o STF o condenou a 27 anos e três meses – mas ainda não foi determinado o início do cumprimento da pena, que pode ser no complexo penitenciário da Papuda, hipótese que preocupa cada vez mais o seu entorno.

Além de tentar derrubar a condenação de Bolsonaro, a defesa do ex-presidente deve insistir que os crimes de abolição violenta do Estado democrático de direito (de 4 a 8 anos) e tentativa de golpe de Estado (com pena prevista de 4 a 12 anos de prisão) devem ser considerados como se fossem um só. Outros réus devem adotar estratégia semelhante.

Esse argumento já havia aparecido na fase das “alegações finais”, como uma espécie de tese secundária, quando a defesa tenta trabalhar com todos os cenários possíveis antes da condenação. Agora esses argumentos devem ser mais explorados num momento em que seu time jurídico luta para afastar o “risco Papuda”.

CONDENAÇÃO – Na condenação imposta a Bolsonaro no mês passado, as penas por abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado foram, respectivamente, de 6 anos e 6 meses e 8 anos e 2 meses. O ex-presidente também foi condenado por organização criminosa, dano qualificado e deterioração do patrimônio público.

Dos cinco ministros que participaram do julgamento que resultou na condenação de Bolsonaro, apenas um concorda com a tese de absorção desses dois crimes – Luiz Fux, que já se posicionou nesse sentido em outros casos do 8 de Janeiro e deu o único voto pela absolvição do ex-presidente.

Na última terça-feira (21), Fux surpreendeu seus colegas na Primeira Turma ao pedir para mudar de colegiado e ir para Segunda. Mesmo após a transferência para outro colegiado, Fux pretende seguir participando do julgamento dos recursos das investigações da trama golpista. O ministro planeja “construir uma solução” nesse sentido com o presidente da Corte, Edson Fachin, e os seus colegas de Turma.

SEM AVANÇOS – A absorção dos dois crimes é uma das medidas discutidas no Congresso pelo relator do PL da Dosimetria, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que prevê que a pena de Bolsonaro poderia reduzir em até 11 anos. O texto, no entanto, não avançou após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) cobrar ajustes, além de enfrentar resistência da tropa de choque bolsonarista, que insiste na aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita.

“O PL votaria contra esse projeto. Não dá para concordar com um projeto que passaria de 14 anos para 8 anos a pena da Débora [dos Santos], que pichou uma estátua com batom como se ela tivesse tentado dar um golpe de Estado. Isso aí é uma insanidade com a qual a gente não vai concordar”, disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em referência ao caso da cabeleireira que se tornou uma espécie de símbolo da direita contra os excessos praticados por Moraes.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no entanto, tem dado sinais em outra direção nos bastidores. A interlocutores, já admitiu que não tem como a legenda votar contra uma proposta que pode levar à soltura de dezenas de investigados e réus por envolvimento nos atos que culminaram com a invasão e a depredação da sede dos Três Poderes, em Brasília.

Sugestão de pauta | Lula exalta resultado de maratona pelo leste asiático: "Mais uma viagem exitosa"

 Lula exalta resultado de maratona pelo leste asiático: “Mais uma viagem exitosa”

Em entrevista na reta final da passagem por Indonésia e Malásia e pela Cúpula da Asean, presidente ressalta potencial das novas parcerias com países de forte crescimento na região

 

O presidente Lula em coletiva de imprensa na Malásia: 'Temos que fazer a nossa economia crescer, aumentar o comércio exterior, a nossa atração de investimentos. Isso só se faz com a química rolando'. Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

Visitas oficiais, reuniões bilaterais, acordos comerciais, aberturas de mercados, encontros com empresários, participação inédita na Cúpula de países do leste asiático e título de Doutor Honoris Causa. Na reta final de uma intensa agenda de compromissos na Indonésia e na Malásia desde a última quarta (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma coletiva de imprensa para traçar um balanço de seus compromissos, que ainda se estendem numa fala durante a Cúpula da Ásia do Leste na tarde desta segunda-feira.
 

O presidente não faz negócio, ele abre portas. E a receptividade tem sido extraordinária. Há muita vontade de conhecer o Brasil, de conhecer a transição energética que o Brasil está pensando, essa coisa maravilhosa de um país que tem quase 90% da sua energia elétrica renovável, de um país que tem petróleo e, ao mesmo tempo, defende que vamos trabalhar para que a gente não precise mais usar combustível fóssil”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
 

Na bagagem de volta, novas perspectivas em áreas como agricultura e pecuária, semicondutores, ciência e tecnologia, minas e energia, segurança, transição energética e educação. “É mais uma viagem exitosa do governo brasileiro ao exterior. Temos um potencial extraordinário em todas as áreas para crescer a relação com a Indonésia, uma relação muito boa construída com o presidente Prabowo SubiantoE eu nunca tinha vindo à Malásia, e o primeiro-ministro Anwar Ibrahim é uma figura extraordinariamente agradável, que gosta do Brasilque quer ter uma relação forte com o povo brasileiro”, afirmou Lula.
 

PORTAS ABERTAS – O presidente ressaltou a importância da vinda de mais de 100 empresários brasileiros na comitiva, para conhecer potencialidades e abrir caminhos para trocas comerciais. “O presidente não faz negócio, ele abre portas. E a receptividade tem sido extraordinária. Há muita vontade de conhecer o Brasil, de conhecer a transição energética que o Brasil está pensando, essa coisa maravilhosa de um país que tem quase 90% da sua energia elétrica renovável, de um país que tem petróleo e, ao mesmo tempo, defende que vamos trabalhar para que a gente não precise mais usar combustível fóssil”, disse o presidente.


OUTRO PATAMAR – Para o líder brasileiro, a viagem tem sido, em especial, uma oportunidade para o Brasil conhecer o que os dois países do leste asiático têm a oferecer para permitir que o fluxo comercial saia do patamar de US$ 6 bilhões anuais para um outro patamar. “Temos que fazer a nossa economia crescer, aumentar o comércio exterior, a nossa atração de investimentos. Isso só se faz com a química rolando. Isso não se faz por WhatsApp, não se faz por e-mail, se faz pegando na mão das pessoas, olhando nos olhos e convencendo”, argumentou o presidente.


ATIVA E ALTIVA – Lula enfatizou que o convite para participar da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, foi motivo de alegria e distinçãoe retrato da retomada do protagonismo do Brasil no tabuleiro geopolítico internacional desde 2023. Uma perspectiva ativa e altiva na defesa do livre-comércio, das instituições multilaterais e do fim da dependência comercial concentrada em um ou outro parceiro.


DIVERSIFICAÇÃO –“Eu fui o primeiro presidente do Brasil a participar do G7, o primeiro a participar da reunião da União Europeia com a CELAC, o primeiro a participar da reunião da União Africana e estou sendo o primeiro convocado a participar da ASEAN, que são 11 países com uma afinidade grande pelo Brasil”, listou o presidente, que também teve encontros bilaterais à margem da cúpula com o presidente do Vietnã e o primeiro-ministro de Singapura, além de se reunir como presidente Donald Trump, dos Estados Unidos.


30 ANOS – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lembrou durante a coletiva que o encontro de Lula com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim rompeu um hiato de 30 anos que um chefe de Estado brasileiro não visitava a Malásia. “E esse foi o terceiro encontro entre o presidente Lula e o primeiro-ministro em menos de um ano, já que ele esteve duas vezes no Brasil recentemente, em novembro de 2024 para a Cúpula do G20 e agora, em 2025, para a Cúpula do BRICS”. O chanceler celebrou o apoio público da Malásia ao pleito brasileiro de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e citou a importância estratégica da assinatura de um acordo de cooperação na indústria de semicondutores. “A Malásia é o sexto maior exportador de semicondutores do mundo e indústria responsável por uma verdadeira revolução na sua economia”.

 


Confira um resumo das agendas do presidente Lula nos últimos dias


COOPERAÇÃO – Na Malásia, no início da visita oficial, o líder brasileiro teve uma reunião bilateral com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim. Foram firmados sete instrumentos de cooperaçãoentre eles memorandos de entendimento nas áreas de semicondutores, ciência e tecnologia, inovação tecnológica, pesquisa espacial e agricultura sustentável, além de acordos entre instituições de formação diplomática e centros de pesquisa. Foram abertos seis novos mercados a produtos brasileiros.


EMPRESÁRIOS – Na Reunião Empresarial Brasil - Malásia, os dois países firmaram entendimentos sobre biotecnologia, cultivo de algas, inovação genética e desenvolvimento de sustentabilidade.


BILATERAL COM VIETNÃ – Neste domingo, o presidente Lula encontrou-se com o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chinhcom quem esteve em visita oficial no primeiro semestre. Lula agradeceu os avanços na abertura do mercado vietnamita a produtos brasileiros e reafirmou a intenção de ampliar o fluxo bilateral para 15 bilhões de dólares até 2030. Ambos concordaram que a diversificação de parcerias é fundamental para atravessar os atuais desafios no comércio global. O primeiro-ministro Pham reiterou o interesse em estreitar a relação com o MERCOSUL, e Lula expressou disposição de negociar Acordo Quadro de Cooperação Econômica com o Vietnã até o fim da presidência brasileira do bloco.


BILATERAL COM SINGAPURA – O presidente Lula se reuniu com o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, no domingoOs mandatários reafirmaram a disposição em aprofundar a cooperação bilateral em áreas como inovação, economia verde e mineração. Destacaram o compromisso dos dois países com o enfrentamento do aquecimento global e concordaram quanto à importância de uma governança climática mais efetiva. Os líderes discutiram oportunidades de investimento geradas pela transição energética e pela descarbonização do setor de transportes, incluindo hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis de aviação, diesel verde, geração de energia eólica offshore e minerais estratégicos.


BILATERAL COM ESTADOS UNIDOS – O presidente Lula se reuniu com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, para tratar das tarifas impostas às exportações brasileirasDurante a conversa, descrita por Lula como “franca e construtiva”, os líderes discutiram caminhos para a suspensão das medidas e reforçaram o compromisso de aprofundar o diálogo econômico entre os dois países.


ASEAN — Na Cúpula Empresarial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), o presidente Lula destacou o potencial de cooperação em áreas como sustentabilidadetransformação digital e segurança alimentar. O evento reuniu líderes políticos e empresariais e marcou uma nova fase no fortalecimento das relações entre o Brasil e o bloco asiático, que hoje é o quinto maior parceiro comercial brasileiro no mundo. Do ponto de vista econômico, a corrente comercial do Brasil com os países da ASEAN passou de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, aumento de 12 vezes.


HONORIS CAUSA – O presidente Lula recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional e Sul Global concedido pela Universidade Nacional da Malásia (UKM)A homenagem reconheceu a trajetória política de Lula e sua atuação em prol da inclusão social, do combate à fome e da cooperação internacional.


INDONÉSIA – Na primeira escala da viagem, na Indonésia, foram firmados oito acordos e parcerias em temas como agricultura e pecuária, ciência e tecnologia e na área de energia e recursos mineraisAlém da visita de Estado, Lula participou de um fórum com mais de 100 empresários, entre brasileiros e indonésios.

 

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

CONTATOS:
ATENDIMENTO
E-mail: secom.imprensa@presidencia.gov.br
Tel.: (61) 3411-1601/1044

FOTOGRAFIA
E-mail: seaud.secom@presidencia.gov.br
Tel.: (61) 98100-1993 (apenas por mensagem via Whatsapp)

Sugestão de pauta | Lula sobre reunião com Trump: "Logo, logo não haverá problema entre EUA e Brasil"

 

Lula sobre reunião com Trump: “Logo, logo não haverá problema entre EUA e Brasil”
Segundo o presidente, negociadores dos dois países receberam a missão de construir nos próximos dias as bases para um acordo satisfatório para equacionar a questão das tarifas

 

Lula sobre a perspectiva brasileira no comércio exterior: 'O nosso negócio é fazer negócio'. Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

Um dia depois de se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásiao presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou otimismo nesta segunda-feira, 27 de outubro, em relação a uma solução célere para as questões envolvendo tarifas impostas às exportações brasileiras por parte dos Estados Unidos.

 

“O que interessa numa mesa de negociação é o futuro, é o que você vai negociar para frente. A gente não quer confusão, a gente quer negociação. A gente não quer demora, quer resultado”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República


“Logo, logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil. O que interessa numa mesa de negociação é o futuro, é o que você vai negociar para frente. A gente não quer confusão, a gente quer negociação. A gente não quer demora, quer resultado”, resumiu Lula, em conversa com jornalistas na reta final de sua passagem pelo leste asiático.


RESPEITO MÚTUO – O presidente reforçou que questões ideológicas não serão empecilhos para que as tratativas avancem para um desfecho favorável aos dois países. “Fiz questão de dizer ao presidente Trump que o fato de termos posições ideológicas diferentes não impede que dois chefes de Estado tratem a relação com muito respeito. Eu o respeito porque ele foi eleito presidente dos Estados Unidos pelo voto democrático do povo americano e ele me respeita porque fui eleito pelo voto democrático do povo brasileiro. Com isso colocado na mesa, tudo fica mais fácil”, ponderou.
 

NOVA RODADA – Na manhã desta segunda-feira na Malásia, como desdobramento do encontro entre Lula e Trump no domingo (26/10), o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), acompanhado do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e do assessor especial da Presidência, embaixador Audo Faleiro, reuniram-se com o representante de comércio dos Estados Unidos e com o secretário do Tesouro.


Eu volto para o Brasil satisfeito com a reunião que tive com o Presidente Trump. Se depender dele e de mim, teremos um acordo. Estamos dispostos a fazer com que Brasil e Estados Unidos continuem com a relação que já cultivamos há 201 anos. pic.twitter.com/X9m9yQM6z0

— Lula (@LulaOficial) October 27, 2025


CRONOGRAMA – Segundo Rosa, ficou acordado que as equipes dos dois países vão trabalhar para construir um acordo satisfatório para ambas as partes, com um cronograma de reuniões entre as equipes de negociadores com foco nos setores mais afetados pelas tarifas. “Hoje estamos num cenário muito mais positivo do que estávamos há alguns dias”, declarou.

 

"Se ele quiser discutir a questão de minerais críticos, de terras raras, se quiser discutir etanol, açúcar, não tem problema. Eu sou uma metamorfose ambulante na mesa de negociação. Coloque o que quiser que eu estou disposto a discutir todo e qualquer assunto"
 

ARGUMENTO SÓLIDO – Lula relatou que entregou a Donald Trump um documento que mostra com clareza o equívoco do argumento de que a balança comercial dos Estados Unidos com o Brasil era deficitária. “Fiz questão de dizer a ele que eram infundadas as informações de que os Estados Unidos tinham déficit comercial com o Brasil. Nós provamos que houve superávit de 410 bilhões de dólares em 15 anos. Só no ano passado foram quase 22 bilhões de dólares de superávit para os Estados Unidos. Em todo o G20 só há três países em que os Estados Unidos são superavitários: Brasil, Reino Unido e Austrália”, reforçou Lula.
 

SEM VETOS – O presidente explicou que ainda não houve, por parte dos norte-americanos, uma apresentação de potenciais contrapartidas para entrar numa mesa de negociação, mas enfatizou que não existem temas proibidos. "Se ele quiser discutir a questão de minerais críticos, de terras raras, se quiser discutir etanol, açúcar, não tem problema. Eu sou uma metamorfose ambulante na mesa de negociação. Coloque o que quiser que eu estou disposto a discutir todo e qualquer assunto”.
 

PLURALIDADE – Lula também reforçou que o Brasil mantém a postura de ampliar a rede de comércio exterior do país com o maior número de nações amigas possíveis, numa postura de aposta no livre-comércio e no multilateralismo. "Não temos preferência. Quero continuar tendo uma belíssima relação com a China, com os Estados Unidos, com a União Europeia, porque é importante lembrar que, depois de 22 anos, vamos em dezembro fazer o acordo União Europeia e Mercosul. E também estamos fazendo acordo para a Indonésia com o Mercosul, para a Malásia, para a ASEAN. O nosso negócio é fazer negócio.
 

NOVO ENCONTRO – Segundo o líder brasileiro, a possibilidade de um novo encontro entre ele e Trump não está descartada. “Ele me disse que está com vontade de ir ao Brasil, eu disse que estou à disposição para ir a Washington, porque se tem uma coisa que aprendi a fazer na vida foi negociação. Vamos à estaca zero e voltar para o seguinte: aonde queremos chegar? Se houver a disposição do presidente Trump, como ele disse que tem de fazer um bom acordo com o Brasil, temos toda a intenção de fazer um bom acordo, não haverá problema para a relação entre as duas maiores democracias do Ocidente”.
 

 

LEI MAGNITSKY — No domingo, durante o encontro com Trump, Lula também citou a Lei Magnitsky, utilizada pelos Estados Unidos para impor sanções a autoridades estrangeiras. Segundo o presidente, a aplicação em relação a ministros do Supremo Tribunal Federal é “injusta”, uma vez que “respeitou-se o devido processo legal e não houve nenhuma perseguição”.
 

CASA BRANCA – Também no domingo, após a reunião entre os dois presidentes, a Casa Branca postou uma foto de Lula e Trump na Rede X com a seguinte mensagem: O presidente Trump se encontra com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula da ASEAN. “É uma grande honra estar com o presidente brasileiro... Acho que devemos conseguir fechar bons acordos para ambos os países... Sempre tivemos um bom relacionamento — acho que continuará.”

 

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

CONTATOS:
ATENDIMENTO
E-mail: secom.imprensa@presidencia.gov.br
Tel.: (61) 3411-1601/1044

FOTOGRAFIA
E-mail: seaud.secom@presidencia.gov.br
Tel.: (61) 98100-1993 (apenas por mensagem via Whatsapp)

 


"A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017)." by Moisés Lazzaretti Vieira

 

Academia.edu


From your Reading History:

A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017).
Paper Thumbnail
Author Photo Moisés Lazzaretti Vieira
2019, Dissertação (Mestrado em Ciência Política). Universidade Federal do Rio Grande do Sul
111 Views 
View PDF ▸ Download PDF ⬇

Artigo: Cavalgada em Malhada Vermelha — Tradição, Fé e Desenvolvimento no Caminho do Povo

Por: José Montalvão

O povoado Malhada Vermelha sempre foi um reduto eleitoral fiel de Tista de Deda, e essa lealdade tem sido correspondida com respeito, presença e carinho por parte do atual prefeito de Jeremoabo. Tista conhece bem o valor das comunidades rurais e reconhece que é nelas que pulsa a verdadeira alma do município.

A cavalgada realizada neste domingo foi uma demonstração viva dessa união. O evento reuniu uma multidão — parecia uma verdadeira procissão — onde o povo, a fé e a alegria caminharam lado a lado. Cavaleiros, amazonas, famílias inteiras e visitantes de várias localidades se encontraram para celebrar uma tradição que vai além do lazer: é cultura, é identidade e é também economia.

As cavalgadas, quando bem organizadas, podem se transformar em fontes de renda e oportunidades para os povoados da zona rural. O chamado turismo equestre vem crescendo em diversas regiões do país e, em Jeremoabo, pode ser um instrumento eficaz para movimentar o comércio local, valorizar os pequenos produtores e incentivar o empreendedorismo rural.

Durante eventos como esse, bares, restaurantes, lojas, agricultores e artesãos têm a chance de vender mais, divulgar seus produtos e fortalecer o ciclo econômico da comunidade. Além disso, há um resgate simbólico da cultura sertaneja — um patrimônio imaterial que merece ser preservado e transmitido às novas gerações.

O exemplo de Malhada Vermelha mostra que o povo unido em torno de suas tradições é capaz de gerar desenvolvimento e esperança. E quando o poder público, representado por um gestor sensível e comprometido como Tista de Deda, apoia essas iniciativas, o resultado é um só: crescimento com identidade e progresso com respeito às raízes.

A cavalgada deste domingo não foi apenas um evento — foi um ato de amor à terra, à cultura e ao povo de Jeremoabo.
Malhada Vermelha mostrou, mais uma vez, que tradição e futuro podem caminhar juntos — montados na mesma esperança.

Editorial: A Verdadeira Data da Emancipação Política de Jeremoabo — 6 de Julho de 1925(1925), um Fato Confirmado Pela Própria História



Editorial: A Verdadeira Data da Emancipação Política de Jeremoabo — 6 de Julho de 1925, um Fato Confirmado Pela Própria História

Retornei a um passado não muito distante — precisamente ao ano de 2015, quando a então prefeita Anabel de Sá Lima Carvalho administrava Jeremoabo. Mulher de grande capacidade intelectual, de sólida formação em gestão pública e conhecida por sua prudência e zelo pelos atos administrativos, Anabel deixou um legado de seriedade e compromisso com a legalidade. Um desses marcos foi a aprovação do Plano Municipal de Educação (PME), instituído pela Lei Municipal nº 495, de 19 de junho de 2015, elaborada em conformidade com a Lei Federal nº 13.005/2014, que criou o Plano Nacional de Educação (PNE).

No corpo do PME de Jeremoabo, há um trecho que descreve a história do município, e nele está registrada de forma inequívoca a data da emancipação política de Jeremoabo como sendo 6 de julho de 1925. Este documento não é uma simples narrativa: é uma lei municipal aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pela prefeita. Portanto, possui força legal, validade histórica e respaldo institucional.

É importante destacar que a elaboração desse Plano não foi fruto de improviso. Pelo contrário, uma comissão de alto nível foi formada, composta por professores, secretários, coordenadores e dezenas de participantes comprometidos com a educação e a história local. Cada informação, cada linha, foi cuidadosamente analisada e debatida, seguindo parâmetros técnicos e legais.

Assim, ao constatar que o PME de 2015 — aprovado, sancionado e registrado oficialmente — confirma a emancipação de Jeremoabo em 6 de julho de 1925, conclui-se que não há margem para dúvidas ou distorções. Essa data está amparada em documentos públicos, em legislação municipal e em atos administrativos legítimos.

No meu singelo entender, ninguém está acima da lei. E quando uma lei municipal, como a de nº 494/2015, ratifica a data de 6 de julho de 1925 como o marco oficial da emancipação política de Jeremoabo, qualquer tentativa de alterar ou contestar essa verdade histórica carece de fundamento.

Contra fatos, não há argumentos.
A história de Jeremoabo é uma só — e ela está registrada, de forma legítima e incontestável, na lei e na memória do seu povo.

Jeremoabo se emancipou em 6 de julho de 1925. E essa é a verdade que a própria lei confirma.

Em destaque

Em conversa com Trump, Lula propõe incluir Palestina e esvaziar Conselho da Paz

  Publicado em 26 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Líderes conversaram por telefone nesta segunda ...

Mais visitadas