sábado, outubro 25, 2025

Ato religioso que desafiou ditadura na morte de Herzog é recriado depois de 50 anos

 

Ato religioso que desafiou ditadura na morte de Herzog é recriado depois de 50 anos

Evento na Sé resgata cerimônia que reuniu Arns, Sobel e Jaime Wright contra versão de suicídio

Por Juliana Arreguy/Folhapress

25/10/2025 às 07:20

Atualizado em 25/10/2025 às 10:28

Imagem de Ato religioso que desafiou ditadura na morte de Herzog é recriado depois de 50 anos

Foto: Divulgação/Arcevo Instituto Vladimir Herzog

Um evento em memória do jornalista Vladimir Herzog, assassinado há 50 anos pela ditadura militar, busca recriar, neste sábado (25), o ato inter-religioso feito uma semana após a morte e que ficou marcado como um dos protestos mais emblemáticos contra o regime.

A data marca os exatos 50 anos da morte de Herzog e reunirá na Catedral da Sé, no centro de São Paulo, três representantes de religiões diferentes para uma celebração, a exemplo do que ocorreu em 1975. Na ocasião, o arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o pastor presbiteriano Jaime Wright promoveram um ato ecumênico em contestação à versão dada pela ditadura de que Herzog havia cometido suicídio.

Em 2025, a tarefa de conduzir a cerimônia caberá ao arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, ao rabino Uri Lam, da Congregação Israelita Beth-El, e à pastora presbiteriana Anita Wright –filha de Jaime Wright. O ato é organizado pelo Instituto Vladimir Herzog e pela Comissão Arns.

"Recordar é sempre útil para não cair nos mesmos erros do passado; ao mesmo tempo, ajuda a manter viva a lembrança e o testemunho daqueles que contribuíram para que se alcançasse o fim das violências, do regime de medo e o retorno à normalidade da vida democrática. Tentarei dizer que a convivência democrática, conquistada com o sacrifício de muitas vidas, necessita da participação e da vigilância de todos ainda hoje", disse dom Odilo ao jornal Folha de S.Paulo.

Uri Lam foi convidado apenas dois dias antes do ato. Inicialmente, o judaísmo seria representado pelo rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista, mas denúncias de que ele teria cometido assédio sexual contra fiéis, reveladas pela revista Piauí na quarta-feira (22), levaram a organização a trocar o celebrante.

O ato deste sábado terá início às 19h e, além das falas dos religiosos, são previstas apresentações musicais, como a do Coro Luther King, e a exibição, em vídeo, da leitura de uma carta de Zora Herzog, mãe de Vlado, pela atriz Fernanda Montenegro.

Convidado para o evento, o presidente Lula (PT) cumpre uma série de agendas na Malásia e será representado pelo vice Geraldo Alckmin (PSB).

A morte de Herzog, em 25 de outubro de 1975, mobilizou protestos, greves estudantis e questionamentos públicos em meio ao estado de exceção que coibia –e punia– contestações ao regime militar.

Diretor da TV Cultura, Vlado, como era conhecido, compareceu de forma espontânea à sede do DOI-Codi do Exército, na capital paulista, para falar sobre a sua militância no PCB (Partido Comunista Brasileiro). O regime promovia, então, diversas prisões de quadros ligados à organização –a principal no campo da esquerda e refratária à luta armada contra a ditadura.

Vlado morreu após ser submetido a intensas sessões de tortura e teve a morte divulgada como suicídio, provocando revolta em diversos setores da sociedade.

Os três religiosos por trás do ato de 1975, já críticos e atuantes contra a ditadura, anunciaram a celebração nos principais veículos do país e reuniram, em 31 de outubro daquele ano, cerca de 8.000 pessoas na Catedral da Sé.

Na ocasião, 800 policiais armados foram mobilizados para fechar as principais vias de acesso ao centro da cidade, provocando congestionamentos por toda a capital durante cinco horas. No entorno da Sé, 500 policiais à paisana fiscalizavam o vai e vem de manifestantes, muitos deles estudantes da USP, onde Herzog foi professor, enquanto agentes da repressão também monitoravam o ato no interior da catedral.

"Lembro de meu pai relatar a dificuldade que enfrentou para chegar até a Catedral da Sé, por conta dos bloqueios armados pelos militares nas principais vias de acesso. A parte final do percurso foi feita de metrô, e assim ele conseguiu chegar a tempo", disse Anita Wright à reportagem.

Para o seu discurso, ela pretende utilizar como base os ensinamentos do Salmo 23 ("O senhor é meu pastor, e nada me faltará"), o mesmo lido por seu pai na ocasião do ato de 1975. "É um salmo muito conhecido e presente nas liturgias dos judeus, católicos e protestantes, representados no ato ecumênico", afirmou.

O rabino Henry Sobel, que já havia desafiado a ditadura ao se negar a sepultar Herzog, judeu, como suicida, pregou o respeito aos homens e declarou que a missão de um religioso "não reside apenas dentro dos templos, mas também no contexto social e político", em especial na defesa aos direitos humanos.

Dom Odilo defendeu que as religiões "têm o papel de ajudar a formar a consciência crítica das pessoas em relação aos valores e contravalores da sociedade".

"O encontro na Catedral da Sé, 50 anos após o assassinato de Vladimir Herzog, quer fazer ressoar mais uma vez isto: não matarás; não farás injustiça nem violência ao teu próximo", afirmou.

Na fala de dom Paulo Evaristo Arns, o arcebispo lembrou que "não matarás" é um dos dez mandamentos que servem de guia para as religiões judaico-cristãs. "Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do senhor da História e não será apenas maldito na memória dos homens, mas também no julgamento de Deus", declarou à ocasião.

Em um informe interno do Ministério da Justiça, datado de 5 de novembro de 1975, a DSI (Divisão de Segurança e Informações), que vigiava e denunciava opositores ao governo, disse que o ato "adquiriu uma conotação nitidamente política" e que havia entre os presentes "uma falta de compostura que não é própria aos atos religiosos, mas sim aos comícios esquerdistas".

"Destaque-se, finalmente, as palavras de D. Paulo Evaristo Arns, cuja homilia lembra o ‘não matarás’. O tema escolhido não deixa nenhuma dúvida quanto ao sentido conotativo que se quis dar à cerimônia", diz o documento.

A ditadura apresentou uma planta da Catedral da Sé, mostrando como havia ficado a disposição dos presentes, e afirmou que "tudo isso dava a ideia de um ato dirigido por especialistas muito conhecedores da propaganda".

"Era um público conscientemente oposicionista; uma facção que estava ali presente, não por simples acaso ou por espontânea solidariedade sentimental, como pretensamente, mas adredemente preparados".

O ato teve a presença de figuras como o filósofo francês Michel Foucault e o historiador Sergio Buarque de Hollanda, além de políticos, jornalistas, sindicalistas, religiosos e estudantes.

Herzog já havia sido homenageado outras vezes na Sé, como na ocasião de 40 anos de sua morte. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o filho mais velho de Vlado, Ivo Herzog, declarou que o ato do próximo sábado (25) será também uma forma de defesa da democracia.

"Se era uma coisa dada, de repente a gente descobre que é frágil e que por um triz não voltamos a um novo período de autoritarismo", disse.

Anita Wright concorda que o contexto atual, em especial após a tentativa de golpe de Estado em 2022, que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a mais de 27 anos de prisão, demanda "reafirmar que não abrimos mão de nossa democracia e soberania nacional".

"O ato não pretende ser uma manifestação partidária, mas, certamente, também será uma forte mensagem em favor da democracia", afirmou dom Odilo.

Politica Livre

Senadores mantêm preferência por Pacheco ao STF, e oposição vê Messias como 'novo Dino'

 

Senadores mantêm preferência por Pacheco ao STF, e oposição vê Messias como 'novo Dino'

Parlamentar mineiro tem sido informalmente alçado a 'candidato da Casa', com apoio de políticos do União Brasil e do PP

Por Catarina Scortecci/Folhapress

25/10/2025 às 07:40

Imagem de Senadores mantêm preferência por Pacheco ao STF, e oposição vê Messias como 'novo Dino'

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Arquivo

O processo de escolha do novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), a partir da vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, ganhou contornos inéditos no Senado, responsável por sabatinar e deliberar sobre o nome indicado pelo presidente da República.

Ao contrário das últimas indicações do presidente Lula (PT), quando as discussões na Casa ficaram restritas entre dar aval ou não a Cristiano Zanin e Flávio Dino, o Legislativo agora tem torcida por um nome próprio, o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Lula ainda não anunciou sua escolha, mas já avisou aliados que pretende indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias.

No Senado, parte da oposição vê Messias como um "novo Dino" e não pretende votar pela aprovação dele. Outra parcela, ligada a siglas do centrão, como PP e União Brasil está disposta a insistir no nome do Pacheco ainda que não rejeite Messias. O grupo tenta angariar apoios daqueles que prefeririam o senador mineiro, mas endossariam qualquer decisão do presidente petista.

Os argumentos de senadores pró-Pacheco são de que ele conhece a política e, como ministro do STF, pode ser uma ponte com o Legislativo para reduzir a tensão entre os Poderes. Também entendem que se trata de um reconhecimento à atuação dele em períodos dramáticos do país, como os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Pacheco também comandava o Congresso Nacional durante a pandemia de Covid, e aliados lembram de sua postura pró-vacina diante de um então presidente, Jair Bolsonaro (PL), que discursava contra a imunização.

"Ele tem um crédito com os senadores pelo que ele representou em 8 de Janeiro, inclusive com o sacrifício político em Minas, porque naquela época existia uma força pró-Bolsonaro", disse o senador Otto Alencar (PSD), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), colegiado responsável pela sabatina do indicado ao STF antes do crivo do plenário, via voto secreto.

"Todos gostariam que fosse ele [Pacheco]. Tem um ‘queremismo' do Senado pelo Pacheco. Mas, se o presidente mandar o Bruno Dantas [presidente do TCU] ou o Jorge Messias, é claro que eu, como senador da base, vou trabalhar por ele. Não é que eu vou sair pedindo voto, mas vou dar o ritmo regimental na CCJ, dentro do previsto", disse Otto.

O líder do União Brasil, Efraim Filho (PB), afirma visão similar sobre Pacheco e acrescenta que Lula já indicou dois nomes e a vaga aberta por Barroso seria um "ponto fora da curva".

"O sentimento majoritário do Senado é votar a favor do Pacheco, que seria melhor diante do tensionamento entre Poderes. E ele atuou pelas vacinas, pela legitimidade das eleições. Não é contra Messias. É a favor de Pacheco", defendeu Efraim.

Sob reserva, um integrante do PP disse ver risco de o nome do Messias ser rejeitado no voto, o que seria algo inédito na história da Casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem evitado falar publicamente sobre o que conversou com o presidente Lula no início da semana, pouco antes da viagem do petista à Ásia. Mas aliados dizem que, além de deixar clara sua torcida por Pacheco, ele teria alertado o presidente sobre uma eventual derrota na Casa no caso da indicação de Messias.

Senadores petistas preferem não fazer diagnósticos do tipo, ponderam que o advogado-geral é um bom nome, assim como Pacheco e Bruno Dantas, e repetem que a decisão de Lula tem que ser respeitada. "É uma prerrogativa do presidente. Acho que Lula está com convicção formada [por Messias]", disse Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.

Lula também já declarou que vê Pacheco como o melhor nome para o Governo de Minas Gerais, importante palanque para o petista em 2026.

Entre integrantes da oposição mais ferrenha a Lula, o nome de Messias é rejeitado. Sob condição do anonimato, um integrante do PL afirma que a atuação do advogado-geral da União é de ativista e que ninguém quer mais um Dino no STF.

Outro senador da oposição também faz a comparação. "Ele [Messias] tem uma pegada de censura muito similar à do Dino", disse o senador Eduardo Girão (Novo-CE), que está entre aqueles que abertamente declaram voto contra o advogado-geral da União.

"Respeito a pessoa do Messias, mas o meu sentimento é de que a gente tem que acabar com o pessoalismo dentro do STF. Nós já temos um correligionário do Lula, o Dino, que foi ministro dele; o advogado pessoal do Lula, que é o Zanin", afirmou.

Por outro lado, Messias conta com voto do líder do Republicanos no Senado, Mecias de Jesus (RR). Ambos são evangélicos, mas Mecias afirma que seu voto será dado pelos critérios de "capacidade jurídica, de conhecimento".

Ele disse ainda que não acredita que haverá dificuldade para Messias receber o aval da Casa. "Mas logicamente que o candidato que o Senado votaria sem precisar de qualquer tipo de conversa é o Pacheco. Não tenho dúvida que ele alcançaria a unanimidade", acrescentou.

Politica Livre

Trump sinaliza reduzir tarifas sobre o Brasil nas 'circunstâncias certas'

 

Trump sinaliza reduzir tarifas sobre o Brasil nas 'circunstâncias certas'

Encontro entre o líder americano e Lula, na Ásia, será paralelo aos eventos multilaterais

Por Vitória de Góes/Folhapress

25/10/2025 às 08:40

Imagem de Trump sinaliza reduzir tarifas sobre o Brasil nas 'circunstâncias certas'

Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está disposto a reduzir as tarifas ao Brasil sob as "circunstâncias certas". A declaração vem às vésperas do encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), previsto para acontecer neste domingo (26) na Malásia.

Ambos os líderes possuem agendas no país asiático para participar de reuniões durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Este será o primeiro encontro oficial entre Lula e Trump após a sobretaxa de 40% aplicada aos produtos brasileiros, em julho deste ano.

Durante o embarque para sua viagem à Ásia, Trump foi questionado se irá reduzir as tarifas sobre o Brasil, respondendo apenas que "sob as circunstâncias certas". A declaração aumenta as expectativas sobre um acordo bilateral.

O governo brasileiro deve, de início, buscar suspender as tarifas enquanto negocia, em paralelo, um acordo definitivo. Os EUA, por sua vez, querem pôr na mesa a ampliação do acesso do etanol de milho ao mercado brasileiro e a regulação de big techs. Washington reclama da tarifa de 18% cobrada aqui; nos EUA, a alíquota é de 2,5%.

Em passagem pela Indonésia, na sexta-feira (24), Lula expôs seu posicionamento quanto ao encontro com o presidente americano. "Tenho todo o interesse e disposição de mostrar que houve equívoco nas taxações. Quero provar com números. A tese pela qual se taxou o Brasil não tem sustentação. Os Estados Unidos têm superávit de 410 bilhões de dólares em 15 anos com o Brasil", declarou.

Politica Livre

AO VIVO: Lula mira em negociação de tarifas e sanções em reunião com Trump

STF amplia alcance da Justiça e mira Paulo Figueiredo na investigação do golpe

Publicado em 24 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Em destaque

Lei que restringe o trânsito de caminhões pesados em Jeremoabo: medida acertada em defesa da cidade

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por JEREMOABO FM (@jeremoabo.fm) Lei que restringe o trânsito de caminh...

Mais visitadas