domingo, outubro 12, 2025

Celso Sabino desafia União Brasil e diz que deixar o ministério seria “grande covardia”



Lula 2025: entre o gesto social e o cálculo político

Publicado em 12 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Ações marcam o retorno de um discurso de presença do Estado

Pedro do Coutto

O presidente Lula da Silva já se movimenta em ritmo de campanha. As recentes medidas anunciadas pelo governo mostram um claro esforço de reposicionamento político e de ampliação de sua base de apoio para as eleições de 2026.

A ampliação do teto de financiamento imobiliário para cerca de R$ 2,25 milhões, contemplando também famílias de classe média, é um exemplo de como o governo tenta dialogar com diferentes camadas sociais. Embora o programa habitacional siga voltado à baixa renda, o novo limite permite que famílias que antes estavam fora das políticas de crédito tenham acesso facilitado à moradia.

FOME ZERO – Paralelamente, o relançamento da campanha Fome Zero, agora com produção publicitária sofisticada, reforça o discurso social que marcou as gestões anteriores de Lula. Outro ponto de destaque é o estudo da tarifa zero no transporte urbano para pessoas de menor renda, medida já em vigor em mais de 130 municípios e que, segundo dados da Agência Brasil, aumentou em até 300% o uso do transporte coletivo em algumas cidades.

Essas ações, somadas, apontam para uma estratégia clara: reconectar Lula com o cotidiano do eleitor. Em um momento de insegurança econômica e desgaste institucional, políticas que tocam diretamente em temas como moradia, alimentação e transporte têm enorme apelo emocional e social.

PRESENÇA DO ESTADO – Pesquisas recentes do Ipec e da Ipsos mostram que a aprovação do presidente subiu para cerca de 30%, enquanto a rejeição caiu cinco pontos percentuais desde o início do ano. Esse movimento reflete não apenas a percepção de melhora na economia, mas também o retorno de um discurso de presença do Estado, de amparo e de inclusão.

Outro tema em discussão é a revisão da jornada 6×1, que obriga o trabalhador a atuar seis dias por semana com apenas um de descanso. Lula demonstrou disposição em abrir o debate, reconhecendo as especificidades de setores que precisam operar de forma contínua, como saúde, segurança e transporte.

Ainda assim, a proposta sintoniza com um sentimento crescente na sociedade: a busca por equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Essa agenda trabalhista, combinada com programas de impacto direto na renda e no custo de vida, mostra um governo que pretende reconquistar a confiança do eleitor pela via prática, e não apenas pela retórica.

DESAFIO – No entanto, o desafio é grande. Ampliar subsídios, reduzir tarifas e discutir mudanças na jornada de trabalho têm alto custo político e fiscal. A sustentabilidade dessas políticas dependerá de equilíbrio orçamentário, eficiência na execução e diálogo federativo.

Caso contrário, o risco é que promessas bem-intencionadas se tornem foco de críticas sobre populismo e irresponsabilidade fiscal. Lula aposta que o retorno político dessas medidas compensará o desgaste. E há sinais de que essa estratégia pode funcionar: pesquisas internas do governo indicam que o presidente venceria hoje todos os principais adversários.

O Brasil entra, assim, em um novo ciclo de disputa antecipada, em que cada política pública carrega também um componente eleitoral. Lula parece consciente de que a conquista de corações e mentes em 2026 começa muito antes das urnas — e passa, mais uma vez, pela capacidade de traduzir políticas em esperança.


Decreto do governo prevê que Janja deve ser atendida pelo gabinete de Lula

 

Decreto do governo prevê que Janja deve ser atendida pelo gabinete de Lula

Por Catia Seabra e Guilherme Seto | Folhapress

Decreto do governo prevê que Janja deve ser atendida pelo gabinete de Lula
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O governo Lula (PT) publicou decreto que aumentou oficialmente o poder da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, colocando à sua disposição os serviços do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
 

O gabinete ajuda na organização da agenda e do cerimonial, no recebimento e resposta de correspondências, na formulação dos pronunciamentos, na formação do acervo privado, na gestão da coleção artística sob responsabilidade da Presidência e na preservação e adequação dos palácios e residências utilizadas pelo chefe do Executivo.
 

A estrutura é comandada pelo cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, uma das pessoas mais próximas de Lula nos últimos anos. Abaixo dele estão unidades como a ajudância de ordens, o cerimonial, o gabinete adjunto de agenda e a diretoria de documentação histórica. Entre cargos em comissão e funções de confiança, o gabinete conta com 189 postos de trabalho.
 

Publicado em agosto e assinado por Lula, Rui Costa (PT), ministro-chefe da Casa Civil, e Esther Dweck, titular da Gestão e Inovação, o decreto estabeleceu que essa estrutura também deve ficar à disposição de Janja. O decreto alterou legislação de 2023 a respeito da composição e das funções do gabinete e acrescentou que ele deve também "apoiar o cônjuge de Presidente da República no exercício das atividades de interesse público".
 

O decreto soma mais um capítulo ao debate sobre a participação de Janja na rotina do governo e nas agendas de Lula, entendida por opositores e também por parte de aliados do próprio presidente como excessiva.
 

O cônjuge ou a cônjuge do presidente não ocupa cargo público e, por isso, não tem atribuições oficiais. Janja, no entanto, conta desde o início do mandato petista com um grupo de servidores sob seu comando informalmente. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo identificou ao menos 12 pessoas como integrantes de sua equipe extraoficial.
 

A primeira-dama é criticada pelos gastos com viagens, acompanhada dessa equipe, e por intervenções políticas vistas como indevidas. Um dos casos mais rumorosos aconteceu em maio, quando ela expôs críticas ao TikTok durante reunião de Lula com Xi Jinping, líder chinês, incomodando os interlocutores.
 

Em abril, a AGU (Advocacia-Geral da União) publicou orientação normativa a respeito da atuação de cônjuge de presidente da República.
 

De acordo com o texto, Janja pode representar o presidente Lula em atividades de natureza cultural, por exemplo, ainda que não possa assumir compromissos em nome do governo. Sua atuação é de natureza voluntária, não remunerada, e deve ser objeto de prestação de contas.
 

Em nota para a reportagem, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirma que o decreto de agosto consolidou essa norma e que "os normativos estabelecem as balizas legais inerentes a tal atuação [da primeira-dama] e contribuem para a transparência no exercício das atividades".
 

Janja já disse publicamente em mais de uma ocasião que gostaria de ter um gabinete próprio. "Falam muito de eu não ter um gabinete, mas precisamos recolocar essa questão. Nos Estados Unidos, a primeira-dama tem. Tem também agenda, protagonismo, e ninguém questiona. Por que se questiona no Brasil? Vou continuar fazendo o que acho correto. Sei os limites. Eu quero saber das discussões, me informar, não quero ouvir de terceiros", disse, em entrevista publicada pelo jornal O Globo em novembro de 2023.
 

Um ano depois, ela disse que a ideia de que ela tivesse um gabinete próprio foi massacrada devido a misoginia e machismo.
 

"Ontem mesmo recebi uma carta da primeira-dama do Paraguai, que por um problema de saúde não pode estar no G20 com a gente, [assinada] do gabinete da primeira-dama. Eu não posso nem colocar isso no papel. Se eu quiser produzir alguma coisa, como uma carta, eu pago do meu bolso. Cartão, tudo, é do meu bolso que pago", afirmou à CNN Brasil.
 

Reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que Lula suspendeu plano de criar um gabinete para Janja em 2023 após ter ouvido de auxiliares que o ato poderia ser caracterizado como nepotismo.
 

Também contribuiu para o recuo o argumento de integrantes da Casa Civil e AGU de que ela ficaria exposta e sujeita a investigação por órgãos de controle, como TCU (Tribunal de Contas da União) e CGU (Controladoria Geral da União), além da própria Justiça --sem ter foro privilegiado--, e poderia ser convocada para falar no Congresso Nacional.
 

O temor do presidente era o de que adversários usassem a figura da primeira-dama para atingi-lo e que ela ficasse excessivamente exposta e se tornasse alvo de investigações judiciais.

In Fux We Trust: Ministro pede vista e paralisa julgamento de Moro no STF

 

Por JB JURÍDICO com Revista Fórum
redacao@jb.com.br

Publicado em 11/10/2025 às 08:32


                                          Moro abraça Fux em evento no DF Foto: reprodução



Por Ivan Longo - O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta sexta-feira (11) e paralisou o julgamento do senador Sergio Moro (União-PR) na Primeira Turma da Corte.

Moro é réu no STF em um processo no qual é acusado de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. A defesa do senador havia entrado com um recurso para derrubar a decisão que o tornou réu e a Primeira Turma já havia formado maioria para mantê-lo nesta condição. 

O julgamento havia sido iniciado no dia 3 de outubro de forma virtual. A relatora, ministra Cármen Lúcia, votou contra o recurso da defesa e foi acompanhada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Faltava apenas o voto de Fux para que essa parte do processo fosse encerrada e o mérito, finalmente, começasse a ser julgado. Com o pedido de vista de Fux, entretanto, a análise foi suspensa.

O pedido de vista consiste em uma solicitação de mais tempo para analisar o caso. Com isso, o julgamento virtual foi suspenso e ainda não tem data para ser retomado.

'In Fux We Trust'
A frase "In Fux We Trust", muito além de um simples gracejo, foi parte da denúncia do escândalo da Vaza Jato, de 2016, feita pelo site The Intercept Brasil. A expressão foi pinçada a partir de mensagens hackeadas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato.

Na ocasião, o então procurador Deltan Dallagnol relatava conversa em que Luiz Fux afirmava a ele que a força-tarefa da Lava Jato poderia contar com ele "para o que precisar".

"Caros, conversei com o Fux mais uma vez, hoje. Reservado, é claro: O Min Fux disse quase espontaneamente que Teori [Zavascki] fez queda de braço com Moro e viu que se queimou, e que o tom da resposta do Moro depois foi ótimo", revelou Dallagnol.

E continuou: "Disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. Só faltou, como bom carioca, chamar-me pra ir à casa dele rs. Mas os sinais foram ótimos. Falei da importância de nos protegermos como instituições. Em especial no novo governo."

As declarações foram feitas em abril de 2016, após a aprovação na Câmara dos Deputados da abertura do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Michel Temer assumiu interinamente a Presidência em maio daquele ano.

A seguir, Deltan encaminhou o relato também para o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.

Moro leu a mensagem e disse: "Excelente. In Fux we trust" ('em Fux nós confiamos').

Entenda o julgamento de Moro no STF
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes.

A denúncia foi aceita por unanimidade em junho e tem como alvo declarações feitas por Moro em uma festa junina, em 2022, quando sugeriu que decisões de Gilmar seriam “compradas”. No vídeo que circulou nas redes sociais, o ex-juiz aparece afirmando: “Não, isso é fiança, instituto… pra comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou a fala como uma calúnia, acusando o senador de atribuir falsamente ao ministro o crime de corrupção passiva e de tentar descredibilizar o Judiciário.

Possibilidade de perda de mandato
Caso condenado a pena superior a quatro anos, Moro pode perder o mandato parlamentar. A PGR destacou que o comentário foi feito diante de várias pessoas e atingiu a honra de um membro da Suprema Corte, o que agrava a conduta. Por esse motivo, o órgão rejeitou qualquer possibilidade de acordo de não persecução penal ou medidas alternativas.

A defesa do ex-juiz alega que se tratou apenas de uma “brincadeira”, sem intenção de ofensa, e sustenta que o vídeo foi editado antes de viralizar. Moro também afirmou ter feito retratação pública, o que, segundo ele, deveria encerrar a ação. O STF, no entanto, entendeu que a repercussão nacional do episódio em 2023, já durante o exercício do mandato, justifica a continuidade do processo.

https://www.jb.com.br/brasil/justica/2025/10/1057199-in-fux-we-trust-ministro-pede-vista-e-paralisa-julgamento-de-moro-no-stf.html

Uma semana que nos antecipa o ano de 2026

 Publicado em 12/10/2025 às 08:10

Alterado em 12/10/2025 às 08:10



Ainda me recuperando de uma pequena cirurgia na mão esquerda, não resisti de comentar os acontecimentos desta semana marcante, que anteciparam, no Brasil e no mundo, boa parte do calendário do ano eleitoral de 2026. Nos Estados Unidos, a eleição de meio do ano decide quem controla o Congresso; no Brasil, decide-se se Lula ganha um quarto mandato ou se o poder ficará com a oposição. A surpresa veio na manhã de segunda-feira, 6 de outubro, com o telefonema de Trump a Lula. A química de 30 segundos na Assembleia da ONU, três semanas antes, em setembro, durou meia hora. Lula pediu a revogação do tarifaço (sobretudo o aumento de 40% às exportações brasileiras em agosto). Trump, que gostou da conversa, designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para conduzir as negociações com o Brasil.

Surpresa com a mudança de cenário, a oposição chegou a comemorar o “golaço” da indicação de Marco Rubio, pois vêm do departamento de Estado as maiores sanções ao Brasil, instigadas pelo filho 03, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e o economista Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro, general João Figueiredo. Essa narrativa embalou o reagrupamento das tropas da oposição para impor uma derrota ao governo, quando a MP 1.303, que aumentava a taxação das bets, das “fintechs” e bancos, e fechava alguns canais de elisão fiscal e de concentração de renda decorrentes da escalada dos juros para conter a especulação com o dólar no segundo semestre do ano passado, ia ser votada na quarta-feira, 8 de outubro.

Para evitar que as digitais dos políticos que fariam a opção preferencial pelos ricos e rentistas fossem identificadas, a oposição ligou o modo “quanto pior, melhor” e retirou a MP de pauta, antes da votação. O governo perdeu R$ 45 bilhões que estavam previstos com a nova tributação este ano e no ano eleitoral de 2026. Como uma pedra atirada num lago calmo que vai provocando ondas, o mercado financeiro operou quinta e sexta-feira com o dólar pressionado, com certos exageros de analistas alardeando o descontrole fiscal.

Era uma reprise de 2024. No segundo semestre o dólar subiu mais de 10%. Quando bateu o recorde de R$ 6,3144, em meados de dezembro, o Banco Central continuou a elevar os juros e o maior diferencial com os juros pagos nos EUA atraiu o “turismo” especulativo de investidores estrangeiros (inclusive brasileiros situados em paraísos fiscais). As cotações vieram caindo até 15% no final do mês passado, mas o ataque especulativo da oposição, cujo objetivo – como disse na GloboNews, em debate na terça-feira à noite, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ) - era evitar dar recursos aos programas sociais que fortaleceriam o cacife eleitoral de Lula em 2026, deixou claro qual era a estratégia. Portinho ainda desembrulhou, à frente do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que a segunda parte do plano, se a oposição não saísse vitoriosa no pleito presidencial em outubro de 2026, seria garantir ampla maioria de senadores eleitos pela direita e o “Centrão”, para aplicar “impeachments” a ministros do Supremo Tribunal Federal e ao próprio governo.

Por isso, enquanto a oposição ficava atônita com a evolução do diálogo Brasil-EUA, na quinta-feira, 9 de outubro, era vez de Marco Rubio ligar para seu equivalente em responsabilidade nas relações exteriores, o chanceler Mauro Vieira. A conversa civilizada entre os representantes das duas maiores democracias do Ocidente abriu espaço para a organização de agenda de interesses para negociação em uma próxima reunião entre representantes dos dois governos, em Washington. Mas o mercado financeiro não perdeu tempo de apenas comemorar a isenção de tributos no topo da pirâmide quando a MP caiu. Tratou de espalhar, novamente, cenário de pânico na área fiscal, como se o governo não fosse capaz de encontrar saídas. O efeito foi fazer o dólar subir 2,50% na sexta-feira e acumular alta de 3% na semana.

A última do Tarcísio
Apressado come cru, diz o ditado. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, já disse aqui, parece o jóquei cujo cavalo está tão tinindo nos cascos para a corrida presidencial no ano que vem – embora não tenha vestido a jaqueta do dono do estúdio, o ex-presidente Jair Bolsonaro – pode cair do cavalo no alinhamento para o “starting gate”. Ele vem colecionando gafes seguidas. Vale recordar que celebrou o tarifaço de Trump e até usou o boné MAGA para comemorar a medida contrária aos interesses da economia paulista e do Brasil (empresários e trabalhadores). Quando tentou se corrigir, o estrago estava feito. Se Trump baixar as tarifas, como pediu Lula, será outro enorme revés.

Na investigação da atuação do PCC na execução do ex-delegado geral de Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, dia 15 de setembro, em Praia Grande (SP), pisou na bola. Depois, no caso das contaminações de bebidas alcóolicas com metanol no Estado, antes que alguém perguntasse, foi logo excluindo o PCC de suspeita. E ainda deu um “replay” do famoso meme de Bolsonaro que desdenhou das mortes por Covid-19, em 2020: “E daí, não sou coveiro”, disse o então presidente. Tarcísio, diante do aumento crescente de contaminados no estado mais populoso do país, disparou: “Só vou me preocupar quando falsificarem a Coca-Cola”, sua bebida predileta.

Na batalha da tributação das bets, “fintechs” e bancos e as aplicações dos mais ricos, ficou com o andar de cima e a Faria Lima. A última oportunidade para manter a boca fechada foi jogada pela janela na sexta-feira, quando comemorou a escolha da candidata derrotada por Nicolás Maduro nas fraudulentas eleições de 2024, na Venezuela, Maria Corina Machado, como Prêmio Nobel da Paz em 2025.

O prêmio era cobiçado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que esperava que suas ações para o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza, se juntassem a seus esforços para interromper conflitos no Oriente Médio (o ataque às instalações nucleares do Irã abriu espaço para uma trégua entre o país dos aiatolás e Israel, com mediação de países árabes que apoiaram o acordo de paz entre judeus e palestinos), na Ásia (entre Paquistão e Índia e Tailândia e Camboja), na África (entre a República Democrática do Congo e Ruanda, e entre Egito e Etiópia pela disputa do uso da água do Nilo). Trump queria ser o quinto presidente americano nomeado (o último foi Barack Obama), alegando impedir uma guerra entre a Sérvia e o Kosovo e ainda entre a Armênia e o Azerbaijão. Faltou o progresso entre Rússia e Ucrânia.

A escolha de Maria Corina não só frustrou a Trump, como deve ter criado mais restrições dele ao secretário de Estado, Marco Rubio. O filho de exilados cubanos (ainda nos tempos do ditador Fulgêncio Batista, derrubado pela revolução de Fidel Castro, em 1959) foi um forte cabo-eleitoral da escolha da venezuelana por um júri dominado por cubanos-americanos e que dá nítida preferência na América Latina a signatários da direita local à Carta de Madri, de 2020, como Maria Corina, do Chile e da Colômbia. Na direita brasileira, assinou Eduardo Bolsonaro. Na Espanha, a articulação foi do direitista Vox.

Como se vê, Tarcísio de Freitas está igual biruta de aeroporto. Mal capta a direção do vento, faz escolhas erradas. Trump, um anti-imigrante, queria comemorar o Nobel da Paz na festa do “SuperBowl” americano, na California. A láurea foi a uma “cucaracha”, e ainda terá de ouvir o “show” do porto riquenho Bad Bunny. A frustração de Trump levou-o a ameaçar a China com tarifas de até 100%. Será trágico, se não for cômico, para a direita brasileira, se Trump, que teme o impacto das altas da carne e café na vida dos americanos, não obrigar Rubio a desembrulhar o pacote anti-Brasil, feito com ajuda do 03.

Quem indicar para o STF?
O que se depreende da emoção do ministro Luís Roberto Barroso, ao anunciar, quinta-feira, 9 de outubro, no Plenário do Supremo Tribunal Federal, sua saída da Suprema Corte, oito anos antes do término do mandato, é que não foram poucas nem leves as pressões que sofreu, com sua família, nos dois anos em que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de maio de 2020 a fevereiro de 2022 e depois presidiu a STF de 28 de setembro de 2023 a 29 de setembro de 2025, período de julgamento dos acusados da tentativa golpista de 2022, que resultou no 8 de janeiro de 2023.

Por sua firme atuação no TSE, combatendo as desinformações sobre as urnas eletrônicas (para eliminar desconfianças chamou representantes das Forças Armadas para a comissão de estudos e sugestões ao aperfeiçoamento do processo eleitoral, que culminou com o relatório do Exército que não encontrou uniformidades, mereceu o ódio dos bolsonaristas. Mas as maiores reações que o tornaram o mais odiado do STF, depois de Alexandre de Moraes, foram duas declarações: em palestra numa faculdade de direito, após as eleições de outubro de 2022, deixou escapar um “derrotamos [a sociedade] o bolsonarismo”. O ódio triplicou quando foi hostilizado por um bolsonarista em Nova Iorque e exclamou, na virada do ano de 2023: “Perdeu, mané”. As perseguições se materializaram nas sanções do governo americano à Suprema Corte, que presidiu até duas semanas, e lhe atingiram pessoalmente e ao filho advogado que atua nos EUA e que teve, também, o visto cassado.

O dilema de Lula
Lula só esperava indicar um novo ministro para o STF, se for reeleito no ano que vem, em abril de 2028, quando o ministro Luiz Fux completa 75 anos. Depois, em abril de 2029, seria a aposentadoria da ministra Carmem Lúcia, o único voto feminino na Suprema Corte. Com a oposição ensarilhando armas, Lula precisa se fortalecer no STF, e a escolha mais lógica seria um auxiliar de confiança, o Advogado Geral da União, Jorge Messias. Filiado no PT e evangélico, pode criar pontes com o eleitorado conservador, arredio a Lula.

Mas a disposição belicosa da oposição no Senado, onde o governo corre o risco de ser minoria em 2026, o que aumentaria as pressões por “impeachment” no STF e no Executivo, pode recomendar a indicação do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que conta com o apoio do atual presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre.

A sociedade pode clamar ainda pela indicação de uma juíza, mas o tempo é dos guerreiros.

https://www.jb.com.br/colunistas/coisas-da-politica/2025/10/1057205-uma-semana-que-nos-antecipa-o-ano-de-2026.html

China pode retaliar EUA e escalar crise

 Foto: Reprodução

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump12 de outubro de 2025 | 08:04

China pode retaliar EUA e escalar crise

mundo

O anúncio de um novo tarifaço sobre a China, feito na sexta-feira, 10, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem grandes chances de escalar para novas retaliações chinesas nos próximos dias, segundo o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale. Caso a taxa adicional de 100% seja mesmo confirmada, há “grandes chances” de a China anunciar medidas na mesma linha e proporção, afirma.

“A China é o único país que tem capacidade e condições de usar a mesma ferramenta contra os EUA – e já fez isso anteriormente”, diz o economista. Segundo Vale, até 1º de novembro, prazo dado por Trump para o início das novas tarifas, o mercado deve atravessar um período de forte volatilidade.

Na sexta-feira, diferentes indicadores sofreram impacto assim que a retaliação foi anunciada. O petróleo caiu mais de 4% e o Ibovespa futuro registrou queda de 1,15%. As cotações de moedas digitais, como o bitcoin e o ethereum, encolheram 8,23% e 14,56%, respectivamente. Já o dólar futuro para novembro acelerou, com alta de 2,67%.

Para Vale, o tarifaço de Trump terá efeito inócuo nas demandas pretendidas pelo presidente dos EUA, mas piorará as condições econômicas dentro do país. “Nada do que ele está propondo vai adiantar em termos de balança comercial, arrecadação ou industrialização dos EUA”, afirma. “Ele aprendeu a usar as tarifas como uma arma para fazer bullying contra outros países, mas está apenas afastando-os dos EUA, que está reduzindo seu comércio internacional, se tornando uma economia mais fechada e com maior inflação.”

TERRAS RARAS

Esta semana, a China anunciou restrições às suas exportações de terras raras. O país extrai 70% desses minerais do mundo e realiza o processamento químico de cerca de 90% do fornecimento global. Trump chamou as restrições impostas pela China de “sinistras e hostis” e disse que elas “tornariam a vida difícil para praticamente todos os países do mundo”.

“Na verdade, Trump e as empresas americanas precisam das terras raras chinesas”, afirma Vale. “A capacidade de negociação dos EUA, neste caso, não é grande.”

No caso da soja, outra reclamação de Trump, o problema é outro. “Seja por conta do combate à imigração, à alta dos fertilizantes e equipamentos por causa de tarifas, os EUA deixaram de ser competitivo”, afirma. “É natural que a China busque soja no Brasil e na Argentina.”

Cristiane Barbieri / Estadão Conteúdo

Nilo diz que genro não terá seu voto de aderir a Jerônimo

 Foto: Divulgação

Marcelo Nilo e Marcelinho Veiga11 de outubro de 2025 | 20:00

Nilo diz que genro não terá seu voto de aderir a Jerônimo

exclusivas

O ex-deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) afirmou que não pretende votar em seu genro, o deputado estadual Marcelinho Veiga (União), nas eleições de 2026, caso ele apoie a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A declaração foi dada durante entrevista ao podcast do Política Ao Vivo.

“Eu ajudei ele a ser deputado, mas o mandato é dele. O estilo de Marcelinho é outro, é um estilo pacífico, janta com o Rui Costa, almoça com a ACM Neto. Se ele ficar com o Neto, eu ficarei muito feliz. Se ele ficar com o Jerônimo, que eu não creio, nem meu voto ele terá”, afirmou Nilo.

A fala expõe o distanciamento político entre sogro e genro, que já vinham trilhando caminhos distintos desde o início da atual legislatura.

Questionado se a postura de Marcelinho representava uma decepção pessoal, Marcelo Nilo minimizou o assunto: “Mas essa é a maior decepção de sua vida? Não, que nada, eu já tive tanta decepção, pô. Eu não tenho idade mais para estar me decepcionando com nada.”

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