quarta-feira, outubro 08, 2025

Dirceu vê Bolsonaro sem equilíbrio emocional para cumprir pena na Papuda

Publicado em 7 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Trump testa a fidelidade do militar americano ao regime democrático

Publicado em 8 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Anna Moneymaker/Getty Images

Trump sonha com um terceiro mandato que não existe

Marcelo Godoy
Estadão

 

Uma reunião estranha. Um secretário que prefere ser chamado de secretário da Guerra e seu presidente mandam reunir 800 oficiais generais e sargentos vindos de todos os cantos do mundo em Quantico, na Virgínia, para mostrar que “ao meu comando” todos devem pensar como o chefe. Seria trocar o juramento de lealdade à Constituição pela ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^lealdade ao líder?

Ao ouvir o discurso de Pete Hegseth, seguido pelo de Donald Trump, é impossível não se recordar do general Mark Milley, aquele que se desculpou por ter acompanhado fardado o chefe em uma saída de Trump próxima à Casa Branca, durante protestos, e que reagiu, prontamente, contra a tentativa de invasão do Capitólio, no dia da confirmação da posse de Joe Biden. O que a reunião em Quantico buscava mostrar aos generais é que um novo Milley não seria tolerado.

MUITAS BOBAGENS – Nada contra o que Hegseth pregou existe de fato nas Forças Armadas dos EUA. O espírito espartano em contraposição ao ateniense parece desconhecer que a guerra hoje é multidomínio e não mais combatida por hoplitas e gladiadores.

Nos EUA, não há uma epidemia de militares obesos e barbados. Nem os quartéis se transformaram em um clube da luluzinha. Mas a China continua sendo uma ameaça aos Estados Unidos. E outros polos de poder começam a despontar, como a Índia.

A coluna foi ouvir alguns militares brasileiros sobre suas impressões a respeito do discurso de Hegseth e as implicações para nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA. Um deles resumiu bem a cena e o espírito do que se viu.

DIZ O ESTRATEGISTA – O coronel Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEx). “Ouvi integralmente o discurso. Até 5 minutos e meio é um discurso com generalidades, que poderia ser dito por qualquer pessoa”, afirmou.

Paulo Filho continuou sua análise, assinalando: “A partir de então, ele fala do que vai tratar: ‘Essa conversa aqui hoje é sobre cultura, hoje vamos falar de cultura’. E começa a desenhar um quadro do Exército americano que não é real. Quantos oficiais americanos barbados você já viu na sua vida? Um ou outro, exceção. O Exército virou woke, perdeu poder combativo? Isso é uma falácia. O Exército americano é a mais poderosa força armada de todos os tempos; não tem comparação com nenhuma outra”.

MUDAR EM QUÊ? -O coronel Paulo Filho prosseguiu: “Hegseth disse que os padrões de mulher e de homem em funções de combate vão ser iguais. Mas eles já são iguais. Disse que vão fazer dois testes físicos por ano. Já são dois. O que chocou os generais presentes, com 30, 40 anos de serviço, é que eles sabem que o Exército que o Hegseth diz que precisa mudar, já é tudo isso. Isso é que chocou, essa guerra cultural sendo levada ao Exército americano”.

Paulo Filho não disse. Mas a vitória de Hegseth em sua guerra cultural interessa apenas ao seu grupo político. Só ele sairá vitorioso se o secretário tiver sucesso em sua cruzada.

A questão é: os militares americanos têm os anticorpos necessários para resistir à tentação autoritária de transformar as Forças Armadas em braço armado de um grupo político? Décadas de controle civil objetivo e de fidelidade à Constituição e não a um líder resistirão ao novo governo Trump?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Artigo importantíssimo de Marcelo Godoy. Mostra que Trump e a ala civil de seu governo desconhecem inteiramente o funcionamento das Forças Armadas. Trump quer mais um mandato, que depende da Suprema Corte, porque nunca ocorreu situação semelhante. Precisa ter apoio das Forças Armadas para pressionar os ministros a aceitarem sua candidatura a um terceiro mandato em 2028. Será uma longa novela. Comprem pipocas. (C.N.)

Genial/Quaest: Maioria dos brasileiros vê Lula mais forte após diálogo com Trump


51% acham que os dois se darão bem caso façam uma reunião

Geovani Bucci e
Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 8, indica que a maioria dos brasileiros considera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu politicamente fortalecido após o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O levantamento foi realizado antes da videoconferência entre os dois líderes, ocorrida na última segunda-feira, 6.

Para 49% dos entrevistados, Lula ganhou força após a aproximação com o mandatário norte-americano. Outros 27% avaliam que ele ficou “mais fraco”, enquanto 10% dizem que sua posição permaneceu a mesma. Já 14% não souberam ou não responderam.

FORTALECIMENTO – A percepção de fortalecimento é predominante entre lulistas (78%) e eleitores que se declaram de esquerda (75%), enquanto a de enfraquecimento é maior entre bolsonaristas (51%) e pessoas que se identificam com a direita (48%). Entre os que afirmam não terem posicionamento, 44% dizem que o petista saiu mais forte e 25%, mais fraco.

A maioria dos brasileiros também acredita que Lula e Trump vão “se dar bem” ao iniciarem uma relação mais próxima, opinião de 51% dos entrevistados pelo instituto. Outros 36% avaliam que os dois não terão boa relação, enquanto 13% não souberam ou não responderam. Além disso, 65% defendem que o presidente brasileiro adote uma postura amigável em relação ao líder norte-americano. Outros 25% preferem que o petista mantenha uma posição “mais dura” diante de Trump.

No mesmo levantamento, 52% avaliaram como bom o discurso do petista na Assembleia Geral da ONU, e 34% o consideraram ruim. Em sua fala, o petista disse que as instituições do País estão “sob um ataque sem precedentes” de nações estrangeiras, mas não citou Trump nominalmente. “Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”, afirmou.

TARIFAS – Durante a conversa de cerca de 30 minutos, Lula pediu a retirada da sobretaxa de 40% aplicada a produtos brasileiros e o fim das restrições impostas a autoridades do País. Trump afirmou ter gostado do telefonema e classificou o diálogo como “ótimo”.

Segundo a Quaest, 46% dos entrevistados avaliam que Lula deveria se esforçar para realizar um novo encontro com o republicano, enquanto 44% defendem que ele adote uma postura mais cautelosa e espere. Os dois líderes concordaram em se reunir pessoalmente em breve.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 5 de outubro, com base em 2.004 entrevistas presenciais com brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.


Em Sergipe, três empregos dos sonhos serão disputados em 2026 em 8 out, 2025 8:59

 em 8 out, 2025 8:59

Adiberto de Souza

A classe política começa a se mobilizar para as eleições de 2026. Além de 24 cadeiras na Assembleia Legislativa e oito na Câmara Federal, estarão em disputa três empregos sonhados por todos: os de governador e de senador da República. O primeiro garante um salário de marajá, permite nomear e exonerar parentes, amigos e correlegionários, ser paparicado por auxiliares e puxas-saco, ter direito a segurança 24 horas, carro-batedor com girolfex, viajar pelo Brasil e o mundo às custas do contribuinte e, mesmo sem precisar, ter todas as despesas pagas pelo erário. Os outros dois empregos oferecem quase as mesmas vantagens, além de abrir caminho para presidir o Senado e, de quando em vez, assumir interinamente a Presidência da República. Não é pouca coisa! Por isso mesmo, muitos políticos estão de olhos graúdos nos empregos do governador Fábio Mitidieri (PSD) e dos senadores Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB). Para conquista-los não é tão difícil: basta ter a candidatura majoritária homologada pelo partido em que está filiado e obter os votos da maioria dos quase 2 milhões de eleitores sergipanos. Simples assim!

Viva o SUS

A vereadora aracajuana Sônia Meire (Psol) prestou solidariedade ao presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe, Helton Monteiro. Segundo a psolista, o sindicalista tem sofrido intimidações através das redes por denunciar o processo de terceirização e privatização da saúde pública na rede estadual e em Aracaju. Sônia citou o caso de uma “Organização Social, com sede fantasma e que administra o Hospital da Criança”. A vereadora promete continuar ao lado de quem defende um SUS público, gratuito, de qualidade e que oferece condições dignas de trabalho para todos os profissionais da saúde. Certíssima!

Risco de acidente

Já notaram como muitas calçadas de Aracaju são mal cuidadas, cheias de buracos? É quase impossível andar por elas, principalmente se você é idoso, está levando carrinho de bebê, tem mobilidade reduzida ou possui alguma deficiência. Por causa da falta de manutenção das nossas calçadas, as pessoas andam na rua, correndo o risco de serem atropeladas. Isso é grave e precisa mudar. Ressalte-se que é muito grande o número de pedestres que se arriscam nas mal cuidadas calçadas da capital sergipana: eles representam cerca de 70% da população de Aracaju, que andam a pé ou utilizam transporte público. Só Jesus na causa!

https://infonet.com.br/blogs/adiberto/em-sergipe-tres-empregos-dos-sonhos-serao-disputados-em-2026/

Nasce a Academia Sergipana de Letras para Pessoas com Deficiência e Autistas

                                       Foto Divulgação


Nasce a Academia Sergipana de Letras para Pessoas com Deficiência e Autistas




A literatura sergipana acaba de ganhar um novo e potente espaço de representatividade. Na noite do dia 6 de outubro de 2025, foi realizada, nas dependências da Administração do Aracaju Parque Shopping, a reunião de criação e fundação da Academia Sergipana de Letras para Pessoas com Deficiência e Autistas, uma iniciativa inédita no estado e considerada um marco histórico de valorização da literatura inclusiva.


Convocado pelo Coletivo Literário da Pessoa com Deficiência de Sergipe, o encontro teve como propósito principal formalizar a criação da Academia, que nasce com a missão de dar voz, visibilidade e protagonismo às pessoas com deficiência e autistas por meio da arte e da escrita. A proposta reafirma que a literatura é, acima de tudo, um território de igualdade, expressão e resistência.


Durante a reunião, foram apresentadas as bases da estrutura organizacional da nova instituição, bem como seus objetivos e princípios. O grupo destacou a importância de fomentar a produção literária acessível, reconhecer talentos e ampliar os espaços de representatividade nas letras e nas artes sergipanas.


Estiveram presentes: Cristina Santos da Silva, Marta Mona Lisa Pereira de Souza, Daniel Villas-Bôas, Felipe Sobral Siqueira, Lara Neves Santos, Luciana Oliveira de Carvalho, Pedro Antônio Oliveira Gazeis de Carvalho, Domingos Pascoal de Melo, Vítor Almeida, Reginaldo da Silva Freitas e Antônio Luiz dos Santos, secretário municipal da Pessoa com Deficiência de Aracaju (Semdef).


Mesmo com a ausência de alguns membros, o grupo reforçou o apoio coletivo a esse movimento histórico que consolida uma nova era de inclusão cultural em Sergipe.

Entre os temas discutidos, estiveram a elaboração do Estatuto Institucional, a definição da Comissão Organizadora Provisória, a escolha do número de cadeiras acadêmicas e a organização do evento inaugural, previsto para o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, em 3 de dezembro de 2025, no Teatro Tobias Barreto.

Foi sugerido que Cristina Santos da Silva assuma interinamente a Secretaria da Academia até as eleições formais dos cargos administrativos.

Nos encaminhamentos finais, foram definidas ações imediatas como a elaboração e registro do estatuto social, a solicitação do CNPJ, a criação das redes sociais oficiais, o planejamento do evento de fundação e a produção de uma antologia literária inaugural com textos dos membros fundadores.

Mais do que uma entidade literária, a Academia Sergipana de Letras para Pessoas com Deficiência e Autistas surge como um símbolo de inclusão, resistência e empoderamento, celebrando a pluralidade, a sensibilidade e o talento de seus integrantes.

Cada nome presente nessa reunião representa o início de uma nova página na história cultural de Sergipe — uma página escrita com acessibilidade, orgulho e pertencimento.

Pauta enviada por Fábio Costa Pinto - jornalista / Mtb 33.166/RJ

O Último dos Moicanos: Otto Alencar e a Ética em Extinção

 

Nota da Redação Deste Blog :

O Último dos Moicanos: Otto Alencar e a Ética em Extinção

Em um cenário político onde a regra parece ser a exceção, o senador Otto Alencar, historicamente bem votado em Jeremoabo e apoiado pelo prefeito Tista de Deda e seu grupo, emerge como uma figura estranha e, lamentavelmente, em extinção.

A notícia é de causar surpresa e reflexão: Otto Alencar é o único senador do Estado da Bahia sem processos no Judiciário. O que deveria ser a obrigação de todo e qualquer político — a probidade e a vida pública ilibada — transformou-se, nos dias atuais, em um ato de louvor e bravura.

Em um Congresso Nacional frequentemente envolvido em escândalos, ter um representante completamente isento de pendências judiciais é um luxo. A ficha limpa de Otto Alencar não é um privilégio, mas a demonstração de que é possível honrar o mandato com seriedade.

Essa postura é um sopro de esperança e serve de exemplo, ratificando a sabedoria da aliança do prefeito Tista de Deda. O político que cumpre seu dever e mantém a honestidade deveria ser a regra, não a raridade.



Taxas abusivas e leis ignoradas: a desmoralização do Legislativo em Jeremoabo

 

                                               Foto Divulgação


Por várias vezes, comentaram comigo o absurdo da cobrança da taxa de iluminação pública na zona rural e a aberração da taxa de esgoto em Jeremoabo. Um verdadeiro desrespeito e exploração do povo. Contudo, infelizmente, sou obrigado a lembrar o velho ditado: “quem pariu Mateus que o balance”. Os próprios vereadores, no apagar das luzes do mandato anterior, presentearam o povo com esse castigo — e agora, cabe a eles consertarem o erro e repararem essa maldade.

O maior absurdo cometido por esses legisladores foi impor uma taxa de iluminação pública contra os moradores da zona rural. Será que ainda não se contentaram com o martírio que esses abnegados já sofrem diariamente? Falta d’água, estradas vicinais destruídas, saúde precária e ausência de dignidade. E mesmo assim, resolveram pesar ainda mais sobre os ombros de quem pouco ou nada tem.

O povo de Jeremoabo, em sua maioria, sobrevive graças à aposentadoria rural, ao Bolsa Família, a empregos na prefeitura e à agricultura de subsistência, que depende exclusivamente das chuvas. O município não dispõe de grandes recursos, e o atual prefeito Tista de Deda tem se desdobrado, como um verdadeiro “caixeiro viajante”, mendigando apoio e recursos junto aos governos estadual e federal para tentar amenizar o sofrimento do povo.

E para piorar, os próprios vereadores aprovaram uma lei diminuindo o valor da taxa de esgoto, mas a norma nunca foi cumprida. Isso representa uma verdadeira desmoralização e uma afronta à autoridade do Poder Legislativo. De que adianta criar leis se são  ignoradas impunemente? Fica evidente que falta firmeza, independência e respeito às instituições.

Diante desse quadro, é urgente que o Ministério Público intervenha e cobre o cumprimento da lei, exigindo explicações dosvereadores e da empresa responsável pela cobrança. O povo não pode continuar pagando por uma taxa ilegal e injusta. E que os vereadores, eleitos para representar o povo, reajam com dignidade e façam valer a sua autoridade.

Que nas próximas eleições, o eleitor lembre bem de quem realmente lutou pelos seus direitos e pela coletividade — e não daqueles que se calaram diante da exploração e da injustiça.

terça-feira, outubro 07, 2025

Transparência em Jeremoabo: Os Reais Motivos do Adiamento da Moto Festa



Transparência em Jeremoabo: Os Reais Motivos do Adiamento da Moto Festa

A administração do prefeito Tista de Deda, que preza pela transparência, esclareceu os fatos por trás da não realização da Moto Festa em 2025, desfazendo boatos sobre questões orçamentárias.

O Secretário de Finanças confirmou que, apesar dos afazeres do prefeito na capital – em busca de recursos e melhorias para o município –, a área financeira estava apta a dar o suporte necessário. O problema, na verdade, não foi o dinheiro, mas sim um conjunto de imprevistos logísticos e humanos.

Fatores Cruciais para o Cancelamento:

  1. Prazo Apertado: O tempo para a organização ficou extremamente curto, o que comprometeria a qualidade do evento.

  2. Problemas na Equipe: Houve um desfalque significativo no grupo que historicamente organiza o Moto Clube. O filho de "Barba", peça-chave na organização, está passando por um processo de recuperação de saúde, e outras pessoas essenciais para o apoio do evento também não puderam colaborar.

  3. Divulgação Insuficiente: Com o prazo encurtado, não seria possível realizar uma divulgação adequada em outros municípios, o que é vital para atrair o público e garantir o sucesso do evento.

Em suma, o prefeito Tista de Deda ofereceu todo o apoio à realização da festa. No entanto, o cancelamento partiu dos próprios organizadores devido a uma série de imprevistos insanáveis que comprometeram a estrutura e a segurança do evento.



Trump a Lula: “Estamos sentindo falta do café brasileiro” — tarifa dispara preço nos EUA

Publicado em 7 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Lula e Trump conversaram por videoconferência

Mariana Schreiber
G1

O cafezinho mais caro na mesa dos americanos teve destaque na videoconferência realizada ontem entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A conversa foi um novo marco na aproximação entre os líderes, iniciada em setembro, quando os dois tiveram um breve contato nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Os dois países ainda negociam um encontro presencial.

FALTA DO CAFÉ – Segundo apurou a BBC News Brasil, Trump admitiu, na videoconferência, que os EUA estão “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros afetados pela tarifa de 50% imposta por seu governo sobre boa parte das exportações do Brasil, e citou especificamente o café.

O produto acumula forte inflação nos EUA e a tarifa imposta sobre a produção brasileira está agravando o cenário, já que o Brasil é o maior fornecedor do mercado americano.

Segundo o escritório americano de estatísticas, o preço do café cobrado de consumidores nos EUA registrou a maior alta mensal em quatorze anos ao subir 3,6% em agosto, primeiro mês da vigência da tarifa contra o Brasil. A taxa é nove vezes maior do que a média da inflação registrada naquele mês (0,4%).

ALTA – Já na comparação com um ano antes, o preço do café acumula alta de 20,9% nos EUA, também bem acima da inflação média do período 2,9%. Foi o maior aumento anual desde 1997. “A tarifa de 50% do governo Trump sobre o Brasil agrava as interrupções no fornecimento causadas pelo clima nos principais países produtores”, dizia a chamada da reportagem.

Uma reportagem do final de setembro do canal americano Fox Business, atribui a alta dos preços a dois fatores: questões climáticas que vêm afetando a produção em grandes fornecedores como o Brasil e a tarifa contra o produto brasileiro.

Já uma reportagem de setembro do canal americano CNN também destaca a forte inflação do café e indica que os preços seguirão subindo, conforme o impacto da tarifa sobre o Brasil continue a chegar às prateleiras.

TARIFA – O texto ressalta ainda que outro grande fornecedor de café para os EUA também foi tarifado pelo governo Trump, embora em nível menor: o café da Colômbia recebeu uma taxa de 10%. Ainda não há dados oficiais sobre a inflação de setembro nos EUA.

A sede por café entre os americanos é enorme. O país é o maior importador e consumidor global da bebida, e também o maior destino das exportações brasileiras do produto. Dois terços dos adultos americanos bebem café todos os dias, segundo dados da Associação Nacional de Café dos EUA. Cada americano que bebe café consome em média três xícaras por dia.

E essa sede vem crescendo. O consumo de café entre americanos cresceu 7% desde 2020. E o consumo de café gourmet cresceu 18%. Mas o problema, no caso do café, é que o produto não é cultivado nos EUA. E nem pode ser. O café é uma fruta tropical que cresce em uma estreita faixa de terra ao redor do Equador.

INSUFICIENTE – Nos EUA, o café é cultivado em algumas partes do Havaí e Porto Rico e em uma pequena parte do sul da Califórnia. E isso não é nem de longe suficiente para abastecer as 450 milhões de xícaras de café que os americanos bebem todos os dias.

Por isso, praticamente todo o café bebido nos EUA precisa ser importado. E o Brasil é fundamental nesse mercado, pois o país fornece cerca de um terço de todo o café consumido pelos americanos.

EXPORTAÇÕES – A tarifa de 50% imposta sobre produtos brasileiros teve forte impacto nas exportações de setembro, com destaque para o café. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) nesta segunda-feira (6/10), as vendas totais para os EUA caíram 20,3% no mês passado em comparação com o mesmo mês de 2024, somando US$ 2,58 bilhões.

Pesquisa da BBC News Brasil nos dados oficiais do MDIC mostra o baque para o setor cafeicultor. Em setembro, a quantidade enviada aos EUA caiu quase pela metade (-47%). Já em valores, houve uma queda 31,5%, para US$ 113,8 milhões. A pesquisa considerou a soma das exportações de café em grãos, torrado e solúvel.

Já as compras do Brasil vindas dos EUA aumentaram 14,3% e chegaram a US$ 4,35 bilhões no mês passado. Com isso, a balança comercial entre os dois países ficou negativa para o Brasil em US$ 1,77 bilhão.

BALANÇA COMERCIAL – O déficit brasileiro foi mencionado na conversa com Trump por Lula, quando o presidente pediu a retirada da tarifa extra sobre o Brasil. A piora do comércio com os EUA afetou a balança comercial brasileira. O superávit do Brasil com o mundo caiu para US$ 3 bilhões em setembro, recuo de 41% ante o obtido um ano antes (superávit de US$ 5,1 bilhões).

No total, as exportações brasileiras cresceram 7,2% no mês passado para US$ 30,53 bilhões, enquanto as importações aumentaram 17,7%, somando US$ 27,54 bilhões.

MEDIDAS RESTRITIVAS –  Na conversa com Trump, Lula pediu a Trump também a retirada das medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras, como a cassação de vistos e aplicação de sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a BBC News Brasil apurou com uma fonte do Palácio do Planalto, a videoconferência aconteceu a pedido do lado americano. Representantes de Trump buscaram os de Lula na semana passada para fazer os acertos.

Uma nova conversa entre os dois presidentes era esperada desde que eles se encontraram pessoalmente durante a Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, quando Trump disse que houve uma “química excelente” entre os dois.

TOM AMISTOSO – Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que a conversa ocorreu por 30 minutos “em tom amistoso” e informou que ambos concordaram em se encontrar pessoalmente “em breve”. “O presidente Lula aventou a possibilidade de encontro na Cúpula da Asean, na Malásia; reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém (PA); e também se dispôs a viajar aos EUA.”

Trump não quis estabelecer uma nova data de encontro, mas determinou que as tratativas para isso continuem por meio dos assessores. Na conversa, em tom amigável, Trump chegou a comentar que estava mal humorado na Assembleia da ONU com os problemas na escada rolante e no teleprompter e que a interação com Lula teria sido o lado positivo: “Pelo menos a ONU serviu para alguma coisa”, disse, segundo o relato da mesma fonte.

Ao comentar sobre o assunto na rede Truth Social, Trump disse que teve “uma ótima conversa telefônica” com Lula. “Discutimos muitos assuntos, mas o foco principal foi a economia e o comércio entre nossos dois países. Teremos novas discussões e nos encontraremos em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos EUA. Gostei da conversa — nossos países se darão muito bem juntos!”

OPORTUNIDADE – Participaram, do lado brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda), Sidônio Palmeira (Comunicação) e o assessor especial Celso Amorim. “O presidente Lula descreveu o contato como uma oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”, destacou ainda a nota do Palácio do Planalto.

“[Lula] Recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os EUA mantêm superávit na balança de bens e serviços”. Ainda segundo o Planalto, Trump designou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).


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