quinta-feira, abril 07, 2011

Leia Notícias do seu time

vencer

    • Corinthians
    • São Paulo
    • Palmeiras
    • Santos
    • Portuguesa
    • Guarani
    • Ponte preta
    • São Caetano
    • Santo André
    • Prudente
    • Guaratinguetá
    • Bragantino
    • Flamengo
    • Vasco
    • Fluminense
    • Botafogo
    • Grêmio
    • Internacional
    • Cruzeiro
    • Atlético Mineiro

Receita cria regra para atrasados de 2011

Luciana Lazarini
do Agora

Quem receber atrasados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ou precatórios de dívidas trabalhistas dos governos com servidores a partir de agora terá que declarar ao banco o número de meses a que o pagamento se refere.

Por exemplo: um segurado pediu, em janeiro de 2008, a concessão de uma aposentadoria na Justiça. Se o benefício for concedido e os atrasados pagos em maio de 2011, a grana será referente a 44 meses (incluindo o 13º salário)-- período que o INSS deixou de pagar a aposentadoria. Então, ele deverá informar ao banco que o pagamento se refere a 44 meses, nesse exemplo.

A nova regra, publicada ontem pela Receita Federal no "Diário Oficial da União", faz parte do pacote de medidas que o órgão está implantando para ajustar a mordida do Leão sobre a grana de revisões de aposentadorias e de salários que, originalmente, deveria ter sido paga mensalmente, mas acabou sendo recebida de uma vez só. Até fevereiro deste ano, a tributação era feita sobre o valor total recebido, sem considerar o valor correto do benefício mensal.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta quinta

Veja como garantir contagem especial no posto

Gisele Lobato e Ana Magalhães
do Agora

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) está reconhecendo, em postos da capital, a conversão do trabalho insalubre entre 1998 e 2003 em tempo comum. Isso permite antecipar a aposentadoria ou aumentar o benefício de quem trabalhou em contato com agentes nocivos à saúde.

O Agora percorreu ontem oito postos, em quatro regiões da cidade. Todos informaram que é possível fazer a conversão, desde que o INSS reconheça a insalubridade apontada no laudo do trabalhador.

Caso haja esse entendimento pelo órgão, o trabalhador poderá conseguir um bônus de 40% no tempo de trabalho especial. Ou seja, o metalúrgico que comprovar que esteve em contato com agentes nocivos durante dez anos poderá transformá-los em 14 para calcular a aposentadoria.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta quinta

quarta-feira, abril 06, 2011

Médicos param em protesto contra planos

Donaldson Gomes l A TARDE

Os médicos baianos irão suspender nesta quinta-feira, 7, o atendimento ambulatorial de todos os planos e operadoras de saúde. Somente as unidades de emergência irão manter o funcionamento normal, de acordo com a Associação Baiana de Medicina (ABM) e o Sindicato dos Médicos (Sindimédicos), que aposta em adesão maciça da categoria ao protesto que vai durar 24h.

Eles querem melhorar os honorários, acabar com a interferência das empresas na autonomia da categoria e mais participação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na regulação entre os planos e os prestadores de serviço.

No próximo dia 14 será a vez da categoria se reunir para discutir a situação do atendimento na rede pública estadual. Neste segundo caso, a tendência é de uma greve, que pode atingir o atendimento de emergência, de acordo com o presidente do Sindimédicos, José Cayres. “A mensagem que já está sendo passada para a sociedade é que nós vamos ter que parar para acertar as coisas”, avisa.

Prejuízos - Segundo o presidente do Sindimédicos, quem tinha consultas marcadas para quinta nem precisa sair de casa. “Nossa indicação foi para que ninguém aceitasse marcar nada amanhã”, diz, ressaltando que, apesar de eventuais transtornos, os médicos estariam lutando para oferecer o melhor aos usuários dos serviços. “Nós temos que mostrar para a sociedade que alguma coisa está errada nesta história”, apela Cayres.

De acordo com informe nacional divulgado pela Associação Baiana de Medicina, a paralisação de quinta não deverá causar prejuízos para os 45 milhões de usuários no Brasil. “Os atendimentos de urgência e emergência estão garantidos, sendo que apenas os procedimentos eletivos (consultas, exames, etc) deverão ser transferidos para outra data”, informa a ABM.

Ainda assim, os usuários dos planos que se sentirem prejudicados podem recorrer à Justiça, na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin. Segundo ele, a forma de protesto escolhida pelos profissionais fere o Código de Defesa do Consumidor. “Quem pagar deve exigir o recibo do pagamento. Aqueles que se socorrerem na rede pública, que guardem algum documento”, recomenda.

Além da ampla adesão em Salvador, os médicos devem suspender as atividades em Feira de Santana, Barreiras, Itabuna, Ilhéus e Vitória da Conquista. A estimativa é que a paralisação atinja 160 mil profissionais em todo o Brasil. Os médicos reclamam, principalmente, da interferência das operadoras na autonomia de trabalho.

A ANS informou que reconhece a legitimidade do movimento dos médicos, mas destacou a necessidade de que as ações não prejudiquem o atendimento.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde desta quarta-feira

Liminar favorece prefeito e abre precedente

Haroldo Abrantes/Agência A TARDE
Regina Bochicchio e Valmar Hupsel Filho l A TARDE

Uma liminar da Justiça em favor do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP), suspendeu nesta terça-feira, 5, os efeitos da decisão do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) pela rejeição de suas contas relativas ao exercício de 2009. A decisão abre um precedente para que as demais 99 prefeituras cujas contas foram rejeitadas naquele ano possam utilizar o mesmo fundamento jurídico. O argumento principal foi o da lesão do direito à ampla defesa.

A liminar expedida pelo juiz interino da 8ª Vara da Fazenda Pública, Mário Augusto Albiani Alves Junior, chegou ao TCM nesta terça, justamente quando seria julgada a reconsideração das contas rejeitadas em dezembro de 2010. O juiz viu procedência na defesa de João que acusa o tribunal de não observar o processo legal de garantia do amplo direito de defesa, de fazer uso de vícios de fundamentação e aponta inconsistência no parecer prévio. Cita, ainda, a ausência do representante do Ministério Público de Contas no Pleno.

Na defesa para a concessão da liminar, Albiani Junior afirma que a suspensão da decisão do TCM até julgamento do mérito faz prevalecer o interesse público “levando em conta a instabilidade que pode resultar na administração pública municipal e comprometer a continuidade dos serviços essenciais". Albiani citou para a reportagem a possibilidade de impedimento de recebimento de repasses de recursos federais.

Com decisão subjugada pela Justiça, o TCM pronunciou-se em nota enumerando as supostas irregularidades constatadas na administração de João e que teriam motivado a rejeição de contas.

Essa é a segunda vez em uma semana que a Justiça concede liminares contra decisões do TCM. Semana passada, a prefeita de Candeias, Maria Maia (PMDB) ficou livre da julgamento de suas contas na Câmara em razão de liminar.

O procurador-chefe da Procuradoria Geral do Estado, Rui Moraes Cruz, disse nesta terça que só depois de analisar o processo irá decidir se entra com recurso contra a decisão do juiz Mário Albiani Filho. “A decisão aponta problemas na condução do processo ao qual não tivemos acesso. Vamos pedir carga e analisar. Se acharmos que procede, entraremos com recurso”.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde desta quarta-feira

Agonia acaba para Renan, mas não para Collor

Depois de duas derrotas ao governo estadual, ex-presidente tem dificuldade para emplacar a quarta geração de políticos na família

Valter Campanato/ABr
Depois que foi apeado da Presidência, Collor nunca mais conseguiu reconquistar a força que seu clã tinha em Alagoas

Edson Sardinha e Renata Camargo

Um nasceu em berço político de ouro. O outro nasceu em berço bem mais modesto. Agora, quem recebeu o espólio eleitoral da família encontra dificuldade para deixar herdeiro político. E outro lidera a oligarquia dominante atualmente em Alagoas. Os senadores Fernando Collor (PTB-AL), filho de senador e neto de deputado, e Renan Calheiros (PMDB-AL), filho de um discreto prefeito do interior alagoano, sempre tiveram suas imagens associadas. Essa associação, porém, pode não ser reproduzida por seus filhos.

Os dois começaram a se relacionar como adversários, ainda no início dos anos 80, quando Collor era prefeito e Renan deputado estadual. Em 1990, Renan tornou-se líder do governo Collor na Câmara. Mas, antes do impeachment, os dois romperam. A reconciliação só veio há menos de cinco anos.

O destino voltaria a botar a dupla no mesmo no caminho no Senado, onde Collor se tornou um dos principais nomes da tropa de choque que ajudou Renan a salvar o mandato, em meio a uma série de acusações em 2007. Reeleito para novo mandato, o peemedebista prepara o filho mais velho como sucessor. O petebista, porém, acumula fracassos eleitorais e patina sem conseguir emplacar um herdeiro político.

Agonia de Renan

Renan agonizou por sete meses em meio a sucessivas denúncias que iam de tráfico de influência, emissão de notas fiscais frias, chegando até a espionagem de colegas. Foi alvo de seis representações no Conselho de Ética. Caiu da presidência da Casa, mas escapou de dois pedidos de cassação em plenário. Menos de três anos depois, não apenas se reelegeu para mais oito anos como fez Renan Filho (PMDB-AL) avançar politicamente.

Renanzinho desembarcou na Câmara este ano, interrompendo o segundo mandato de prefeito de Murici (AL), terra natal da família. Deixou o comando da cidade com seu vice, o tio Remi Calheiros (PMDB). O avô do deputado, Major Olavo Calheiros, também foi prefeito do município. Outros dois irmãos de Renan, tios de Renazinho, já tiveram cadeira na Câmara – e ao mesmo tempo: o hoje prefeito de Olinda (PE), Renildo Calheiros (PCdoB-PE), e o deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB-AL).

Agonia de Collor

Quinze anos antes de Renan, Fernando Collor também viveu uma agonia que se estendeu por sete meses. Essa agonia, porém, parece não ter acabado. No ano passado, o senador fracassou pela segunda vez na tentativa de voltar ao governo de Alagoas. Em 2002, além de seu próprio insucesso, viu seu filho Arnon Affonso de Mello Neto tentar sem sucesso uma vaga na Câmara.

A esperança então passou para outro filho. Fruto de um relacionamento extraconjugal, Fernando James só teve a paternidade reconhecida quanto tinha 18 anos. Chamava-se, até então, James Fernando. Tentando associar sua imagem à do pai, o jovem inverteu o nome e se elegeu vereador do pequeno município de Rio Largo (AL), região metropolitana de Maceió, em 2004. Quatro anos mais tarde, Fernando fracassou ao tentar se eleger prefeito. Está sem mandato desde então.

Primos de Collor, seus suplentes Ada Mello e Euclydes Mello também colecionaram fracasso nas urnas nas últimas vezes que tentaram conquistar um mandato. Euclydes perdeu, em 2008, a eleição para prefeito em Marechal Deodoro (AL) e Ada não conseguiu se eleger deputada federal no ano passado.

Fernando Collor assumiu a Presidência da República aos 40 anos na condição de mais jovem presidente da história do país, com um discurso “moralizante”, de “caça aos marajás” e defesa dos “descamisados”, como ele se referia às pessoas mais pobres. Não completou três anos de mandato. Caiu após denúncias de envolvimento com um esquema de corrupção e tráfico de influência montado por seu ex-tesoureiro Paulo César Farias, conhecido por PC.

Problemas em família

Curiosamente, sua situação ficou insustentável por conta de denúncias apresentadas a uma CPI no Congresso por Pedro Collor, seu irmão, que reuniu um dossiê explosivo contra o então presidente da República, que o apontava como beneficiário do esquema de PC. Collor se viu obrigado a renunciar, perdeu os direitos políticos por oito anos e só conseguiu se eleger novamente em 2006, quando conquistou a vaga no Senado.

Em seu breve governo, Collor emplacou dois parentes em cargos de grande projeção. Ao assumir o mandato, nomeou a prima economista Zélia Cardoso de Mello para o Ministério da Economia, posteriormente rebatizado de Ministério da Fazenda. Antes de sair, indicou para o STF o primo advogado Marco Aurélio de Mello, ainda hoje ministro.

Neto por parte de mãe do ex-deputado gaúcho Lindolfo Collor, que foi ministro do Trabalho no primeiro governo Getúlio Vargas, Collor herdou o gosto pela política do pai, o ex-senador e ex-governador Arnon de Mello. Em 1963, Arnon protagonizou uma das cenas mais trágicas do Senado, ao matar em plenário o colega José Kairala com um tiro no peito. O alvo não era Kairala, suplente do Acre que cumpria seu último dia de mandato, mas o desafeto histórico de Arnon, o também senador alagoano Silvestre Péricles de Góis Monteiro. Gozando de imunidade parlamentar, o senador não sofreu qualquer tipo de punição.

Leia também:

Alagoas: em família desde a proclamação da República
Empurraozinho familiar ajuda
Fonte: Congressoemfoco

Alagoas: em família desde a proclamação da República

Dos 12 representantes alagoanos no Congresso, dez são de família de políticos, como Renan Filho, sucessor de Renan Calheiros. Aliado de Renan, Collor encontra dificuldade para fazer herdeiro político

Valter Campanato/ABr
Renan Calheiros comanda a oligarquia atualmente dominante no estado de Alagoas

Edson Sardinha e Renata Camargo

O primeiro presidente da República era de Alagoas: o marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891). Dezenove anos depois, um sobrinho dele assumiu a Presidência – o marechal Hermes da Fonseca (1910-1914). Oito décadas depois, um político alagoano subiu a rampa do Planalto pela primeira vez: Fernando Collor de Mello (1990-1992). Neto de deputado e filho de senador, Collor botou uma prima no Ministério da Economia e um primo no Supremo Tribunal Federal (STF) durante seu breve mandato.

A política pode nem sempre ser a mais republicana. Mas nunca deixa de ser familiar em Alagoas. Dos 12 representantes alagoanos no Congresso, apenas dois – os deputados Givaldo Carimbão (PSB-AL) e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) – não são de família de políticos.

A bancada alagoana dos parlamentares que têm parentes na política reúne o mais rico dos 594 congressistas, o irmão de um ex-deputado foragido da Justiça, além de nomes controversos, que, apesar de terem vivido momentos de altos e baixos no cenário nacional, nunca deixaram a ribalta local, como os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

Collor e Renan

Eles foram inimigos, aliados, inimigos e agora, novamente, são aliados. Alvos de duas das mais graves crises políticas da história recente do país, Collor e Renan vêem seus herdeiros políticos viverem momentos distintos. Enquanto o ex-presidente da República ainda não se recuperou totalmente da queda, em 1992, o ex-presidente do Senado marcha alheio aos escândalos que quase lhe custaram o mandato em 2007.

Nas últimas eleições, Renan renovou o mandato de oito anos e elegeu deputado Renan Filho (PMDB-AL). Os 140 mil votos recebidos por Renanzinho, como ele é mais conhecido, fizeram dele o mais votado da bancada alagoana na Câmara. Renanzinho deixou de lado a prefeitura de Murici (AL) e deixou a tarefa de concluir o mandato de prefeito ao seu vice, o tio Remi Calheiros.

Derrotado na eleição ao governo estadual ano passado, Collor já havia fracassado em 2008, quando não conseguiu eleger um de seus filhos, Fernando James, prefeito de Rio Largo (AL), na região metropolitana de Maceió. Arnon Affonso Mello, outro filho do senador, perdeu a eleição para deputado federal em 2002 e deixou a política (leia mais).

Neto do ex-deputado e ex-ministro Lindolfo Collor, filho do ex-senador e ex-governador Arnon de Mello, o ex-presidente da República tem dois primos como seus suplentes no Senado, Ada Mello e o ex-deputado Euclydes Mello. A predileção do senador por familiares não é nova. Na Presidência da República, ele indicou a prima economista Zélia Cardoso de Mello ministra da Economia e o primo advogado Marco Aurélio Mello ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mídia e poder

Além do interesse pela política, Collor herdou do pai um grupo de veículos de comunicação, que compreende o jornal Gazeta de Alagoas, a afiliada da TV Globo no estado e diversas rádios. O controle dos principais veículos de comunicação também une outras famílias alagoanas com forte inserção na política alagoana e representantes no Congresso. “O controle de mídia vem muito vinculado a esse controle político", diz o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Alberto Saldanha.

O Sistema Costa Dourada de Radiodifusão, que transmite a CBN em Maceió, por exemplo, é do grupo político de Renan Calheiros. A vinculação com o controle da mídia envolve também outra importante família de políticos alagoana: os Palmeira. A família do deputado Rui Palmeira (PSDB-AL) tem participação no grupo Pajuçara Sistema de Comunicação, que inclui a afiliada do SBT no estado.

Rui Palmeira representa a terceira geração da família no Congresso. Ele carrega o mesmo sobrenome do avô, o ex-senador Rui Soares Palmeira. O deputado é filho do ex-senador, ex-governador e ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Guilherme Palmeira. É sobrinho do ex-deputado federal Vladimir Palmeira (PT-RJ) e do ex-deputado estadual Miguel Palmeira.

Dono da maior fortuna declarada entre todos os 594 congressistas, o deputado João Lyra (PTB-AL) é sócio de rádios e do impresso O Jornal. Os veículos estão entre as dez grandes empresas do parlamentar, que acumula bens no valor de R$ 240 milhões. Uma das filhas dele, Lourdinha Lyra (PR) é vice-prefeita de Maceió. O deputado também é pai da “musa” do impeachment de Collor, a ex-cunhada do ex-presidente Thereza Collor, viúva do irmão de Collor, Pedro, autor das denúncias.

Processos e prisões

Assim como Renan, o senador Benedito de Lira (PP-AL) também tem um herdeiro na Câmara. Padrasto do vereador Marcelo Palmeira, de Maceió, Benedito conseguiu eleger seu filho Arthur de Lira (PP-AL) para seu primeiro mandato federal. Arthur foi um dos 15 deputados estaduais indiciados na Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal. Segundo a PF, o grupo de deputados estaduais fraudou a folha de pagamento da Assembleia Legislativa e desviou R$ 302 milhões dos cofres públicos.

A operação resultou na prisão de 38 pessoas entre parlamentares, ex-parlamentares, funcionários da Assembleia e empresários. Além de Arthur, que conseguiu vaga na Câmara, outros seis deputados estaduais acusados pela PF conseguiram se reeleger no ano passado. Em 2008, Arthur chegou a ser preso, acusado de desobedecer uma ordem judicial relacionada a um outro processo, por agressão física, movido pela ex-mulher. A prisão, no entanto, foi revogada horas depois pela Assembleia Legislativa.

Deputado estadual foragido

Também acusado de desviar recursos da Assembleia, o ex-deputado estadual João Beltrão (PRTB-AL) é irmão do deputado federal Joaquim Beltrão (PMDB-AL). João Beltrão vive uma situação insólita: está foragido da Justiça, acusado de homicídio, mas pode reassumir a vaga no parlamento estadual a qualquer momento.

Os mais de 30 mil votos que recebeu em outubro eram mais que suficientes para sua reeleição, mas ele foi barrado pela Lei da Ficha Limpa. Com a derrubada da lei pelo STF, João se prepara para voltar à Assembleia e escapar da prisão, decretada em fevereiro. Ele é acusado de participar, junto com outros dois ex-parlamentares, do assassinato do ex-cabo da Polícia Militar (PM) José Gonçalves, em 1996. João responde, ainda, por outras três acusações de homicídio, em Maceió e no interior do Maranhão e do Tocantins.

A família Beltrão tem forte base eleitoral no sul do estado. Os irmãos João e Joaquim Beltrão são tios dos prefeitos de Coruripe (AL), Marx Beltrão, e Jequiá da Praia (AL), Marcelo Beltrão, e do ex-prefeito de Penedo (AL) Március Beltrão.

Política em família

Os outros dois parlamentares de Alagoas com parentes na política são os deputados Maurício Quintella Lessa (PR-AL) e Célia Rocha (PTB-AL). Célia é mãe do vereador de Arapiraca (AL) Daniel Rocha (PTB). Maurício é filho do ex-secretário estadual de Educação José Márcio Malta Lessa e primo do ex-governador Ronaldo Lessa.

Alagoas aparece ao lado da Paraíba e do Rio Grande do Norte como um dos três estados com mais parlamentares vindos de famílias de políticos, conforme levantamento feito pelo Congresso em Foco apresentado nesta série de reportagens. Uma mostra da força das oligarquias políticas brasileiras, e de como o parentesco entre os políticos cresceu no Congresso como resultado das eleições do ano passado.

Leia também:

Agonia acaba para Renan, mas não para Collor

Empurraozinho familiar ajuda

Três famílias dominam o Rio Grande do Norte

A incrível bancada dos parentes na Paraíba

Fonte: Congressoemfoco

Um problema sem solução

Carlos Chagas

Deve um detentor de mandato, executivo ou legislativo, dispor da prerrogativa de fazer negócios? Não se fala de exercer funções de direção ou propriedade de empresas, que a lei proíbe, mas de exercer diretamente ou através de parentes e laranjas uma série de atividades, mesmo honestas, envolvendo o mercado.

Pela ética, não deveria. Nem poderia. Dirão os cultores da objetividade que cercear um cidadão só porque se encontra no exercício de um mandato contraria os princípios da liberdade, da livre empresa, da sã concorrência e da própria democracia.

Por conta disso é imenso o número de deputados, senadores, vereadores, prefeitos e governadores que enriqueceram no exercício dos mandatos, e não terá sido por economizar seus proventos. O conluio entre o poder e os negócios costuma cheirar mal, mas não é proibido. É freqüente o fato de políticos que passaram a vida inteira sendo eleitos acabarem milionários, mesmo existindo muitos obrigados a trabalhar, depois de perder eleições.

Fazer o quê diante da evidência de ser a política um caminho para o enriquecimento? Através de leis, não dará certo. Muito menos obrigar os políticos a praticar a ética, predicado que só depende de cada um, acima e além da legislação.

Pior fica a situação quando o político já era empresário, pois, fora as exceções de sempre, continuará nessa condição, agora bafejado pela manipulação do poder e das influências a ele inerentes. Existem os que se tornam empresários quando são políticos, ostentando nesse caso goelas ainda mais abertas. Note-se não estarmos cuidando, hoje, da corrupção e de negócios escusos. Apenas de negócios.

No México, no começo do século passado, adotou-se uma solução cirúrgica: “no reeleciones”. Ninguém poderia ser reeleito para o mesmo cargo que ocupava. Mesmo assim, admitiu-se que um deputado poderia disputar o Senado, e um governador, a presidência da República. Tudo continuou na mesma.

É sonho de noite de verão imaginar o eleitor desatando o nó, simplesmente não votando mais nos que enriqueceram. A riqueza constitui excelente passaporte para a vitória nas urnas. Em suma, eis aí um problema sem solução.

OS BONUS SEM OS ONUS

Toda grande empresa, nacional ou multinacional, adota a prática de distribuir bônus anuais a seus dirigentes maiores, dezenas e até centenas de milhões, tanto faz se de reais, euros ou dólares. A farra, encenada por eles mesmos, acontece sob a alegação de que contribuíram para o lucro dos acionistas, fazendo jus a parte deles. Geralmente a parte do leão, mais apetitosa ainda quando se trata de diretores que também são grandes acionistas.

Que isso se verifique em empresas privadas, será problema de seus proprietários, mas também de seus trabalhadores, como regra postos à margem da generosa distribuição dos bônus. Estão tripudiando sobre eles, mas o costume é milenar e até já foi pior, quando pagavam salários de fome apesar de os trabalhadores se constituírem no fator mais importante do sucesso empresarial.�

O que não dá para aceitar é que façam o mesmo empresas públicas ou empresas privadas subsidiadas pelo poder público. Ficará horrorizado quem se dedicar a uma investigação profunda do que acontece por aí, em especial no sistema financeiro.

INVIOLABILIDADE E IMUNIDADE

Estão fazendo confusão nesse torpe episódio iniciado por mais uma idiotice exarada pelo deputado Jair Bolsonaro. Porque uma coisa é a inviolabilidade, ou seja, deputados e senadores não podem ser processados, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Está no artigo 53 da Constituição, que propositadamente excluiu um adendo vindo da carta anterior, limitando a inviolabilidade ao que fosse dito, escrito ou votado nos limites da Câmara e do Senado. Agora, o princípio vale até para o botequim, quanto mais para entrevistas em estúdios de televisão.

Outra coisa é a imunidade, quer dizer, quando cometem crimes, os parlamentares podem ser processados pelo Supremo Tribunal Federal, a menos que seus colegas expressamente proíbam o processo. Antes era o contrário: só seriam processados caso os colegas dessem licença.

Assim, Jair Bolsonaro pode ser punido pela opinião favorável ao racismo? Pode, porque apesar de inviolável, ele praticou um crime. Racismo é crime. A palavra está com o Supremo Tribunal Federal, com poderes para abrir processo contra o deputado sem precisar de licença da Câmara, bastando representação do Procurador Geral da República. Se os deputados ficarem solidários com o representante fluminense, poderão sustar a ação, mediante voto da maioria. Será?

AS IMPOSSIBILIDADES POSSÍVEIS

Mestre Gilberto Freire escreveu certa vez ser o Brasil o país das impossibilidades possíveis. Para ele, o Carnaval ainda acabaria caindo na Sexta-Feira Santa.

Pois é. Apesar de autossuficientes em petróleo, faz muito que importamos gasolina. Agora estamos importando etanol, e, mais grave ainda, dos Estados Unidos, que prometemos inundar com o nosso álcool de cana de açúcar.

Só falta mesmo importarmos minério de ferro, se é que a Vale ainda não começou…

Fonte;Tribuna da Imprensa

Supremo segue a Primeira Emenda dos EUA e absolve Claudio Humberto em processo movido pelo ex-presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina

O direito dos jornalistas de criticar pessoas públicas, quando motivado por razões de interesse coletivo, não pode ser confundido com abuso da liberdade de imprensa. Esse foi o fundamento do ministro Celso de Mello, do STF, para rejeitar pedido de indenização do desembargador aposentado Francisco José Rodrigues de Oliveira Filho, ex-presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, contra o jornalista Cláudio Humberto Rosa e Silva.

O voto do ministro foi acompanhado por unanimidade pela 2ª Turma do STF. Os argumentos de Celso de Mello foram reafirmados ao decidir agravo de instrumento interposto pelo desembargador contra decisão do próprio ministro, tomada em agosto de 2009.

“A crítica que os meios de comunicação social dirigem às pessoas públicas, por mais dura e veemente que possa ser, deixa de sofrer, quanto ao seu concreto exercício, as limitações externas que ordinariamente resultam dos direitos de personalidade” – afirmou Celso de Mello.

O desembargador Oliveira Filho entrou, em 3 de outubro de 2005, com ação contra o jornalista Claudio Humberto em decorrência de uma nota publicada na coluna que é veiculada em diversos jornais do país:

“O Judiciário catarinense é uma ilha de agilidade. Em menos de 12 horas, o desembargador Francisco de Oliveira Filho reintegrou seis vereadores de Barra Velha, após votar contra no mesmo processo. Os ex-cassados tratavam direto com o prefeito, ignorando a Constituição. A Câmara vai recorrer. O povão apelidou o caso de Anaconda de Santa Catarina”.

A ação indenizatória foi julgada procedente na comarca de Florianópolis e no TJ catarinense, sendo deferida ao desembargador uma reparação moral de R$ 50 mil.

Seguiram-se recursos especial e extraordinário, ambos com seguimento negado. O jornalista interpôs dois agravos de instrumento. No STJ não teve sucesso; mas alcançou o êxito no STF.

Para o ministro do Supremo Celso de Mello, o jornalista se limitou a exercer sua “liberdade de expressão e de crítica”. O voto ressaltou que a nota passou longe de evidenciar prática ilícita contra a honra do magistrado, pois a Constituição assegura, a qualquer jornalista, o direito de expender crítica, ainda que desfavorável e mesmo que em tom contundente, contra quaisquer pessoas ou autoridades”.

Celso de Mello lembra na decisão que vem enfatizando, em inúmeros julgamentos, que, “no contexto de uma sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão estatal ao pensamento, ainda mais quando a crítica por mais dura que seja revele-se inspirada pelo interesse coletivo e decorra da prática legítima, como sucedeu na espécie, de uma liberdade pública de extração eminentemente constitucional ( CF, art. 5º, IV, c/c o art. 220)”.

A decisão da 2ª Turma do Supremo derrubou a condenação imposta ao jornalista pelo TJ catarinense. O ministro Celso de Mello lembrou que o direito de crítica não tem caráter absoluto, como nenhum outro direito tem. Mas ressaltou que “o direito de crítica encontra suporte legitimador no pluralismo político, que representa um dos fundamentos em que se apóia, constitucionalmente, o próprio Estado Democrático de Direito”.

Os advogados Enrico Caruso, Karla Marçon Spechoto e Osmar Mendes Paixão Côrtes atuam na defesa do jornalista.

(Extraído de “Espaço Vital”, edição de 31 de Março de 2011)

***
Comentário de Helio Fernandes:Qualquer ação como essa, impetrada pelo desembargador José Rodrigues de Oliveira Filho contra o jornalista Claudio Humberto, perderia no Supremo por 11 a 0 ou circunstancialmente por 10 a 1.

Esse pedido de indenização por dano moral, é uma das maiores fragilidades da Constituição de 1988. Qualquer um, sendo magistrado ou não, e estes estão sempre em maioria na reivindicação indenizatória e condenatória, pode entrar na Justiça, sentindo-se ofendido ou atingido. Mas antes da Constituição de 1988, valia sempre o tradicional “injúria, calúnia e difamação”.

Esse novo dispositivo da Constituição de 1988 pode favorecer e facilitar o corporativismo. Basta ver que o desembargador foi vencendo até ser liquidado pelo Supremo. Antes do Supremo (e se este tivesse confirmado), receberia R$ 50 mil, Como perdeu, não vai pagar coisa alguma a Claudio Humberto, que teve reconhecido o seu dano moral.

Assim, a Constituição de 1988 inclui e consagrou o direito de mão única, que só beneficia o recorrente. Quanto o desembargador deveria ou deve pagar ao jornalista? O voto do Ministro Celso de Mello se enquadra no espírito da Emenda número 1 da Constituição dos Estados Unidos, respeitada e citada no mundo todo.

Helio Fernandes |Tribuna da Imprensa

O Conselho Nacional de Justiça mexeu num vespeiro, ao determinar o funcionamento dos tribunais das 9h às 18h, sem interrupção. A intenção é fazer os juízes trabalharem. Mas não basta só a intenção. A Justiça é uma vergonha nacional.

Carlos Newton

A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem base numa irrealidade absurda. O juiz federal Walter Nunes, conselheiro do CNJ que relatou a polêmica questão, partiu do princípio que a atual jornada de trabalho dos servidores será mantida. Ou seja, apenas haverá um revezamento entre os funcionários para garantir a prestação de serviço no horário determinado. Para justificar sua tese, o conselheiro disse “duvidar da alegada falta de servidores para cumprir a determinação”.

Pior a emenda do que o soneto, diriam os antigos magistrados. Sem perceber, o ilustre conselheiro de repente está denunciando que os Judiciários dos Estados e do Distrito Federal, todos, sem exceção, estão trabalhando com excesso de funcionários, isto é, todos contrataram servidores sem necessidade. Então, estaríamos diante de um caso de Polícia, de um escândalo nacional de enormes proporções.

A Federação Nacional dos Servidores do Poder Judiciário nos Estados (Fenajud) não aceitou essa avaliação do juiz Walter Nunes e imediatamente protestou contra a decisão. Em nota, a Fenajud alegou que, por falta de pessoal, o cumprimento da determinação do CNJ ampliará a jornada de trabalho dos servidores – hoje fixada em seis ou sete horas diárias.

“Fica-nos a preocupação de (saber) em que termos será efetivamente garantido esse horário, com a escassez de servidores nas unidades cartorárias. Terão os tribunais condições de suprir as unidades judiciais sem prejudicar a jornada de trabalho dos servidores?”, questiona a Federação.

Não é por aí que o Conselho Nacional de Juiz vai conseguir colocar os juízes para trabalhar. A agilização da Justiça precisa ser feita em outros moldes, que digam respeito diretamente ao trabalho dos magistrados. Como todos sabem, o Judiciário é o mais privilegiado dos Poderes. Os magistrados têm férias duas vezes ao ano e o número de feriados e dias enforcados na Justiça é absurdo, fato público e notório.

O pior é que, no Brasil, juiz relapso ou corrupto não é punido. O máximo que lhe pode acontecer é um verdadeiro prêmio – ganhar aposentadoria precoce, com salário integral e direito a seguir trabalhando como advogado. Na Filial é assim, mas na nossa Matrix, os Estados Unidos, juiz corrupto vai preso algemado, com qualquer mortal.

Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça puniu com aposentadoria compulsória o juiz Antônio Fernando Guimarães, do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, por favorecer os clientes do escritório de advocacia Vilhena & Vilhena.

O luxuoso apartamento onde o juiz mora em região nobre de Belo Horizonte pertence ao filho do advogado Paulo Vilhena, João Braúlio Vilhena, mas o magistrado não se declarou impedido nos julgamentos de causas envolvendo o escritório, o que demonstra conduta incompatível com o exercício da magistratura.

O juiz pagava aluguel de R$ 200, valor ridículo e considerado “simbólico”, O relator do caso, conselheiro José Adônis Callou de Araújo Sá, disse ter “dados que comprovam que as causas envolvendo o escritório Vilhena das quais Guimarães participou, que tiveram resultado favoráveis, têm valor impressionante, enquanto os de causas que julgava contra tinham valores bagatela”. E acrescentou:

“Um magistrado pode ser amigo de um advogado. Isso é uma coisa. Outra coisa é que essa amizade produza feito de efeito econômico. Vantagens econômicas não são meramente afetivas. Não existe almoço de graça.”

O pior de tudo isso é que, no julgamento do ilustre magistrado, o presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Cezar Peluso, e os conselheiros Ives Gandra Martins e Leomar Barros se posicionaram contra a punição, apoiando a possibilidade de o juiz Antônio Fernando Guimarães estar sendo era perseguido por disputas internas.

Porém, no entender da corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, não havia dúvida e considerou que “este processo traz à lume um verdadeiro câncer, presente em alguns tribunais do país”.

Muito bom, muito bonito. Mas enquanto juiz corrupto não realmente for punido no Brasil, tudo é só brincadeirinha. Condená-lo a se aposentar mais cedo, com salário integral e direito de seguir trabalhando como advogado, isso não é punição, é bonificação.

A Justiça só funcionará quando houver respeito ao cidadão, quando ele puder recorrer à Corregedoria, abrir um processo contra um juiz (como se faz na OAB contra os advogados), e a coisa funcionar, sem espírito de corpo. Vejam o caso da Tribuna, há 31 anos esperando uma indenização mais do que justa.

Eu mesmo tenho uma questão judicial aqui no Rio, em que há 4 anos aguardo que o juiz se digne a nomear um depositário judicial, um dos atos mais simples e corriqueiros no Judiciário. Quando insisto com meus advogados para denunciar o juiz à Corregedoria, eles dizem que não adianta nada e, aí sim, o juiz ficará eternamente sentado sobre o processo.

Aqui na Filial os juízes são os únicos cidadãos verdadeiramente inimputáveis. Enquanto isso não mudar, o que poderemos esperar? É muito triste e desalentador, porque se a Justiça funcionasse, todo o resto funcionaria, as autoridades e as elites não seriam tão promiscuas e corruptas, temeriam uma punição que não existe hoje. Sabem que estão à salvo da Justiça, que só existe para punir quem fica nos degraus mais baixos da escala social.

Que país é esse, Francelino Pereira? Com toda certeza, não é um país sério, porque no Brasil os juízes estão muito acima da lei da ordem.

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Já se falou muito sobre as mortes no Araguaia. Os assassinatos covardes de guerrilheiros. Mas agora o repórter Lucas Figueiredo faz revelações inéditas e sensacionais: índios torturados, cortavam a cabeça de homens e mulheres, e morriam também.

Helio Fernandes

Ainda está para ser contada a verdadeira história sangrenta e criminosa, que se travou no Araguaia. Na verdade, os crimes praticados pelos militares em toda a repressão começada timidamente em 1964, que foi se agravando com o tempo, e se transformou em barbaridade, com base no AI-5, ainda são um mistério.

Alguma coisa, mínima, foi contada sobre o Doi-Codi no Rio e que em São Paulo se chamou Operação Bandeirantes, depois reduzida e sumarizada como Oban. Mas como Rio e São Paulo eram mais perto, se soube um pouco. Muito ficou escondido, os principais órgãos de comunicação davam cobertura aos assassinatos fardados e até mesmo colaboravam nas mortes impiedosas, selvagens, monstruosas.

O assassinato covarde e bárbaro do jornalista Wladimir Herzog, praticado ali em São Paulo, só teve uma parte divulgada, pois se sabia que ele não era suicida, e da forma como foi encontrado seu corpo, seria impossível ter se matado. E a repercussão maior se deve ao general Ernesto Geisel, que merece muitas críticas, mas não era torturador nem protegia torturadores.

Sua decisão imediata de demitir o comandante do II Exército, general (de 4 estrelas) Ednardo Davila Mello, garantiu a repercussão nacional. E o aparato militar para a missa de sétimo dia, contada pelo bravo D. Evaristo Arns, mostrou que o Exército se julgava culpado pelo assassinato. Primeiro, não queria autorizar a missa na catedral. Depois, temendo represálias, cercaram a Catedral com espantosas tropas militares, incluindo “atiradores de elite”, no alto dos edifícios mais próximos.

Nem mesmo a História desvendará esses crimes impiedosos. Quem sabe, inesperadamente aparece uma testemunha, um depoimento, uma revelação, como faz agora o repórter Lucas Figueiredo. Com fatos rigorosamente novos, destinados a repercussão nacional. É preciso esclarecer tudo, mostrar o que aconteceu.

Em 7 páginas (cheias de fotos, da revista mensal GQ), Lucas Figueiredo conta a história dos índios aikevara, pouca gente ouviu falar deles. São eles mesmos que contam: “Eram levados para o interior (os militares não sabiam andar na selva), diziam, “para matar macacos”. Mas era para “cortar a cabeça de homens e mulheres, guerrilheiros”.

Vou transcrever algumas das afirmações do repórter Lucas Figueiredo, que confirmam com dados e datas o pouco que se sabia. Sobre os índios pacíficos, não sabíamos de coisa alguma.

Tudo que está abaixo, é citado entre aspas, trabalho de alta qualidade do repórter Lucas Figueiredo.

1 – “Dois anos depois do golpe de 64, o PCdoB começou a infiltrar guerrilheiros no Araguaia. Objetivo: preparar a luta armada para derrubar a ditadura”.

2 – “Em 1972, as Forças Armadas descobriram a guerrilha do Araguaia”.

3 – “Havia então 69 insurretos divididos em 8 bases, entre os municípios de Marabá e Xambicá. Mais 7 guerrilheiros estavam a caminho”.

4 – “Ainda em 1972, o Exército promoveu duas operações antiguerrilhas com 3 mil e 400 combatentes. Foi a maior mobilização de tropas desde a II Guerra Mundial.”

5 – “Em 1973 o Exército deflagrou (textual) uma terceira campanha contra os guerrilheiros, a Operação Marajoara”.

6 – “56 guerrilheiros foram caçados por 250 militares de elite”.

7 – “No final de 1974 a guerrilha estava dizimada. E o Exercito jamais entregou os corpos, ou divulgou o que fez deles”.

8 – “Nestes 37 anos desde o fim do conflito, dos 60 guerrilheiros mortos, apenas 2 foram encontrados (Maria Lucia Petit e Bergson Gurjão Farias)”.

9 – “Em 2003, a Justiça condenou a União a informar o paradeiro dos mortos”. (HF: o Exército não ligou para a Justiça. Por que iria ligar, se sempre foi mais forte e mais poderoso?)

10 – “Em 2009, o Ministério da Defesa criou o Grupo de Trabalho Tocantins, cujo objetivo ou missão é devolver às famílias os corpos dos guerrilheiros”. (HF: essa missão não tem tempo ou data para acabar o trabalho. E até agora, não “descobriu” nenhum corpo. Nem vai “descobrir”).

11 – “Os civis recrutados para esse missão trágica eram recompensados (HF: em dinheiro), por cada guerrilheiro morto”.

12 – Lucas Figueiredo diz que o pagamento de recompensa pela mortes dos guerrilheiros é garantido e confirmado por Hugo Studart, historiador e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB).

13 – Depoimento do índio Warani, testemunha do Araguaia: “Nos levaram para a selva, dizendo que era para caçar macacos. Mentira. Era para caçar guerrilheiros”.

***

PS – Sobre o Araguaia, é até agora o mais recente e importante libelo.

PS2 – Ficará sem resposta, as vítimas nem querem mais punição e sim a devolução dos corpos, para serem sepultados como se tivessem morrido normalmente.

PS3 – Também não adiantaria exigir punição, estão todos praticamente mortos. E dos generais que comandavam, estavam no alto da pirâmide, não há um só que esteja vivo.

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Maioria dos tribunais terá de ampliar horário

Folha de S.Paulo

Cerca de sete em cada dez tribunais estaduais do país estão fora dos padrões da nova resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que determina atendimento ao público de segunda à sexta-feira, das 9h às 18h.

Em apenas 7 dos 27 deles o cidadão é recebido durante nove ou mais horas diárias.

Ao padronizar o horário de atendimento dos Tribunais de Justiça e fóruns, o conselho pretende ampliar as chances de o cidadão comum consultar processos em andamento e obter informações sobre como proceder nas questões judiciais que envolvam seu nome. O período para realização de audiências também pode aumentar.

A expectativa no meio jurídico é que, com o maior acesso da população ao Judiciário, o número de processos no país aumente ainda mais.

A resolução entrará em vigor quando for publicada no "Diário Oficial da Justiça". Ainda não há prazo para isso.

Juízes e servidores se mobilizam contra a resolução.

Para representantes dos Tribunais de Justiça e da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a resolução é inconstitucional porque caberia aos Estados definirem os horários de funcionamento de seus órgãos.

Para o presidente do Colégio Permanente dos Tribunais de Justiça, Marcus Faver, os recursos são escassos e haverá dificuldade na hora de readequar os funcionários.

Faver e o vice-presidente administrativo da AMB, Marcos Daros, dizem que as instituições deverão discutir o assunto e, se o CNJ não mudar a resolução, poderão recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar invalidar a regra.

Ambos afirmam que cada Estado tem uma cultura diferente e, por isso, sabem qual é o melhor horário para atender os cidadãos.

Presidente da OAB, Ophir Cavalcante, criticou os juízes contrários à decisão. "A toga é indumentária e não escudo para justificar diferenciação dos demais trabalhadores".

Em nota, a Federação Nacional dos Servidores do Judiciário ameaçou fazer uma paralisação na quarta-feira da semana que vem para tentar reverter a decisão. A instituição disse que defende a ampliação do horário para 12 horas diárias divididas em dois turnos de seis horas.

Levantamento feito pela reportagem mostra que no Pará, em Pernambuco, em Alagoas e em Sergipe o atendimento ao público é mais restrito que nos demais. Quem precisar ir ao fórum nesses Estados tem seis horas por dia para fazê-lo. Alguns só funcionam pela manhã, entre 7h e 13h.

Fonte: Agora

Fotos do dia

Licia Furtado é uma das gatas da "VIP" deste mês Manifestante mostra camiseta pela aprovação de mudanças no Código Florestal Membro da Confederação da Agricultura e Pecuária quer que a Lei Florestal seja aprovada
Edifício São Vito, na avenida do Estado, está em estágio final de demolição Guilherme Macedo, 10, participa da construção de uma torre de Lego em shopping Floricultura na zona sul desaba por causa de obra de hospital que fica ao lado

vencer


    • Corinthians
    • São Paulo
    • Palmeiras
    • Santos
    • Portuguesa
    • Guarani
    • Ponte preta
    • São Caetano
    • Santo André
    • Prudente
    • Guaratinguetá
    • Bragantino
    • Flamengo
    • Vasco
    • Fluminense
    • Botafogo
    • Grêmio
    • Internacional
    • Cruzeiro
    • Atlético Mineiro

Tempo especial de 98 a 2003 antecipa o benefício

Ana Magalhães
do Agora

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) garantiu, em decisão publicada ontem, o direito de conversão do tempo especial (referente à atividade prejudicial à saúde) em comum entre os anos de 1998 e 2003. A medida permite que o trabalhador que exerceu a atividade insalubre nesse período antecipe a sua aposentadoria por tempo de contribuição --que exige 35 anos de pagamento ao INSS, para homens, e 30, para mulheres.

O STJ confirmou, ainda, quais deverão ser os multiplicadores usados na conversão.

O julgamento ocorreu por meio de recurso repetitivo --ou seja, a decisão deve ser seguida pelos juízes de instâncias inferiores. Além disso, o STJ não mais aceitará recursos do INSS sobre esse assunto. Na prática, quem entrar com uma ação pedindo a conversão nesse período terá a decisão final mais rápida.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta quarta

Em destaque

TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno

  TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno Por  Política Livre 29/01/2026 às 10:18 Foto: ...

Mais visitadas