segunda-feira, maio 04, 2009

A censura do jeremoabohoje, continua em "banho-maria"

Tendo em vista, que o site “jeremoabohoje” foi quem originou o nosso Blog devido à provocação de censura pelos donos da cidade de Jeremoabo, tratada pelos poderosos chefões como capitanias hereditárias ou mesmo cosa nostra, quero neste momento, onde praticamente estamos batendo as portas de 200 mil visitas, prestar os meus agradecimentos a todos os meus amigos, que sempre me deram força e principalmente aos visitantes que contribuíram para a sua continuidade.

Durante todo esse espaço de tempo que estamos no comando do site e do Blog enfrentamos, rancor, raiva, ódio, palavras injuriosas, maledicências, calunias agressões, tentativas de processos e todo tipo de arbitrariedades, mas não paramos, seguimos o nosso itinerário.

Aos inocentes úteis de Jeremoabo, ou mesmo aos omissos, subservientes e coniventes, aconselho que não imitem os fariseus, saduceus e doutores da lei, que por subserviência aos poderes constituídos, entregaram o próprio Jesus.

O atual prefeito e candidato apoiado por joão ferreira vêm prometendo mundos e fundos; não nos esqueçamos que sempre foi ligado a pessoas suspeitas dentro do mundo político, e que responde por 100 (cem) processos por corrupção e improbidade, ele posa de bom moço.
"Fazedor de obras", inaugurador de tantas coisas inacabadas, não nos esqueçamos que ele sucateou os céus, baixou o nível da educação, não olhou para a saúde, e colocou os magarefes na clandestinidade,

Enfim, é mentiroso, dissimulado, político de carreira, comprometido com os da "panelinha de sempre "e poderosos.

O Brasil mudou e muito, mas nossa querida Jeremoabo parece que quer parar no tempo, ou pior ainda, voltar aos tempos em que tudo só era feito para os ricos e poderosos submissos ao cornelsimo. Muitas cidades já deram seus saltos qualitativos e nós, por aqui, andamos cantando como a perua, de mal a pior.
Não podemos mais eleger por simpatia, sei que, converter o coração é fácil. Difícil parece-me converter a mente. A cabeça é dura e demora em deixar entrar os ventos novos da liberdade.
Quero encerrar citando Carlos Chagas e Rui Barbosa:
Em algumas oportunidades esses artigos foram aplicados, quase sempre por juízes de primeira instância, em municípios longínquos, do interior. Tratou-se de abuso de direito, quase sempre corrigido, mas aqui e ali aplicado criminosamente “·(Por: Carlos Chagas)”.
"A imprensa", dizia Rui Barbosa, "é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam. (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as Constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."


O dever da denúncia

Carlos Alberto Di Franco
O leitor é sempre o melhor termômetro para medir a temperatura da cidadania. Em meu último artigo tratei do cinismo antiético que domina amplos setores do Congresso Nacional. O episódio das passagens aéreas reuniu situação e oposição no mesmo balaio da amoralidade. A nota oficial do presidente da Câmara, Michel Temer, é de uma esquizofrenia flagrante. Reconhece malfeitorias, mentiras e abusos. O corolário do silogismo, no entanto, não é a punição. Tudo acabou em novas regras e numa formidável anistia. Se todos, ou quase todos, estão envolvidos, ninguém é culpado. Viva a impunidade! Recebi 84 e-mails de leitores de várias cidades brasileiras. Uma boa amostragem de opinião pública. Um denominador comum esteve presente em todas as mensagens: indignação e pessimismo.
Muitos brasileiros, equivocadamente, começam a descrer da democracia. Paira no ar uma perigosa sensação: o Congresso Nacional não serve para nada. Vislumbra-se uma relação de causa e efeito entre corrupção e democracia. Alguns, sem dúvida desmemoriados, têm saudade de um passado ditatorial de triste memória. Reféns do desalento, sinalizam um risco que não deve ser subestimado: a utopia autoritária.
O Brasil, apesar dos pesares, tem instituições razoavelmente sólidas, embora parcela significativa da sociedade, como já disse, comece a questionar a validade de um dos pilares da democracia: o Congresso Nacional. O descrédito generalizado, sobretudo dos parlamentares, captado em inúmeras pesquisas de opinião, é preocupante. Queixa-se também a sociedade da impunidade radical. O fato de a Polícia Federal prender e o Judiciário soltar, independentemente de eventuais razões processuais que possam justificar o procedimento, conspira contra a credibilidade da Justiça. Que fazer? Eis a pergunta que está no fundo do gigantesco descontentamento nacional.
Nós, jornalistas, sem engajamento ideológico algum, mas cumprindo rigorosamente o nosso dever de denúncia, podemos contribuir poderosamente para a renovação ética do País. O combate à corrupção deve ser uma bandeira permanente. Para isso, em primeiro lugar, é preciso fugir do jornalismo declaratório e investir pesadamente na metodologia da dúvida. Interrogar e duvidar é um dever profissional elementar, sobretudo quando se cobrem assuntos de interesse público.
Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. A busca da isenção, no entanto, não significa a equivocada opção pela neutralidade. Os leitores não querem um jornalismo insosso e incolor. Querem uma mídia comprometida com a verdade. Tal compromisso, como é lógico, reclama, muitas vezes, uma informação que desemboca na denúncia consistente.
Na falta do bom ceticismo (jornalistas não podem ser ingênuos), o predomínio das aspas ocupa o lugar da informação. Um exemplo é suficiente: o agressivo marketing do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Inúmeras foram as manchetes reproduzindo declarações do presidente da República e da chefe da Casa Civil a respeito do novo milagre brasileiro. Poucas, muito poucas mostraram a realidade dos fatos: o PAC é uma bela parola! E a nossa missão é (ou deveria ser) rasgar o declaratório e mostrar a verdade. Declaração não é ponto de chegada. É ponto de partida. É pauta. Precisamos ver e confrontar a realidade com as promessas. Sem isso o jornalismo deixa de ser socialmente relevante.
Complementa-se o dever da denúncia com o que eu chamaria de jornalismo de buldogues. Precisamos, todos, ser a memória da cidadania. Sugiro, mais uma vez, uma simples, mas eficiente terapia de combate à imoralidade: o placar da corrupção. Mensalmente, por exemplo, a imprensa exporia um quadro didático dos principais escândalos: o que aconteceu com os protagonistas da delinquência, as ações concretas ou as omissões dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Seria bom, em período eleitoral, relembrar o nome dos congressistas que participaram ativamente da farra das passagens aéreas e de outros desmandos. Trata-se de serviço público de primeira grandeza.
É dever ético da imprensa promover uma ampla conscientização popular da relevância que os cargos públicos têm e da importância de que pessoas absolutamente idôneas os ocupem. É preciso mostrar eventuais descompassos entre o discurso e a realidade. Os programas eleitorais vendem uma bela embalagem, mas, de fato, são paupérrimos na discussão das ideias. Nós, jornalistas, devemos ser o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de desnudar o que o marketing esconde.
"A imprensa", dizia Rui Barbosa, "é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam. (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as Constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."
Pois bem, caro leitor: um abismo separa os ideais de Rui Barbosa dos usos e costumes da Ilha da Fantasia.
Mudar é preciso.
Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, professor de Ética, é diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br) e da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com)
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)

Aumentam em 90% os gastos com passagens

Da Redação

Quatro ministérios e a Presidência registraram crescimento acima de 90% nos gastos com a rubrica "passagem e despesas com locomoção", se comparados os números de 2004 e 2008 disponíveis no Portal da Transparência, o site de acompanhamento das despesas dos órgãos do governo federal.
O Ministério das Relações Exteriores encabeça a lista, com um salto de R$ 16,3 milhões para R$ 33,4 milhões. O Itamaraty creditou o aumento, de 104,8%, à política externa do presidente Lula, descrita como mais atuante.
Segundo a pasta, foram criados cerca de 60 novos postos no exterior e que a participação em eventos internacionais foi intensificada. Os outros três ministérios são Integração Nacional, Educação e Justiça.
O gasto total do governo com essas despesas cresceu 34% no período. A Integração Nacional, cujos gastos foram R$ 1,7 milhão para R$ 3,4 milhões, atribuiu o salto a obras do PAC.
- O PAC fez com que tivéssemos que estar mais presente nos Estados para fiscalizar (as obras) - disse o secretário-executivo, Luiz Antonio Souza da Eira.
Ele reconheceu preocupação com a escalada de gastos.
Disse que redefiniu o cronograma de viagens, reduziu em 20% a verba e passou a acompanhar o gasto a cada três meses. Mas, já no primeiro trimestre de 2009, a média foi ultrapassada. No caso da Justiça, os gastos cresceram 93% (de R$ 9,8 milhões para R$ 18,9 milhões).
A pasta justificou o aumento às operações da Força Nacional, iniciadas em 2006; ao Pan de 2007 e à criação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). A Educação, cujos gastos foram de R$ 4,9 milhões a R$ 9,5 milhões, também creditou o aumento a novas demandas administrativas.
Fonte: Diário Catarinense (SC)

Foro especial é questionado

Ezequiel Fagundes
O Senado apresentou no fim do mês passado o anteprojeto que reestrutura o Código de Processo Penal. A proposta foi entregue à Mesa da Casa e deve suscitar uma série de discussões. Entre os itens polêmicos em destaque, está a possibilidade da extinção do foro privilegiado para julgamento de autoridades, como deputados federais e senadores.
Em vez de serem julgados apenas pelos tribunais superiores, os parlamentares seriam processados em primeira instância, como qualquer cidadão comum.
Outros projetos que tentaram pôr fim ao foro especial já tramitaram no Congresso Nacional, mas, por ameaçarem justamente os mais interessados na matéria, os parlamentares, não chegaram a vingar.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já deixou claro que, mesmo desta vez, as mudanças dificilmente sairão do papel. "É uma matéria complexa. Matérias assim nunca são consensuais", afirmou Sarney.
Para o cientista político Carlos Alberto de Melo, doutor pela PUC de São Paulo e professor de sociologia e política do Ibmec, a figura do foro privilegiado somente deveria ser usada somente para julgar delitos cometidos durante o exercício da função pública. Melo defende a elaboração de propostas que contemplem a restrição do foro privilegiado.
"O Código Penal deve ser o mesmo para todos os cidadãos. Dentro dessa premissa, o foro deveria ser usado como forma de liberdade de expressão dos parlamentares. A grande distorção é que esse instrumento está sendo usado para blindar políticos desonestos, que respondem a vários processos, inclusive criminais", argumentou.
O anteprojeto entregue pela comissão especial a Sarney sugere que os juízes responsáveis por uma investigação não sejam os mesmos que vão julgar os suspeitos.
Fonte: O Tempo (MG)

Omissão do Legislativo dá espaço à ´supremocracia´

Ana Flro e Flávio Ferreira
A revogação da Lei de Imprensa e o início do julgamento de ações sobre o sistema de saúde nacional, promovidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última semana, mostraram que a lentidão do Congresso em aprovar leis que regulamentem direitos fundamentais está custando ao Legislativo perda de poder.
O vácuo criado pelos legisladores vem permitindo ao STF ampliar cada vez mais sua esfera de atuação institucional. Cidadãos têm procurado na Justiça a solução de problemas ou a garantia de direitos não guarnecidos em lei -cujos projetos muitas vezes estão empacados no Congresso por décadas.
Foi o caso da Lei de Imprensa, criada em 1967 durante o regime militar. Após a Constituição de 1988, diversos projetos para modificar a lei foram propostos no Congresso, mas a decisão de revogar o texto legal só veio do STF na quinta-feira.
Nem mesmo as questões de políticas públicas na área social estão fora do alcance do tribunal. Ante as dezenas de milhares de ações judiciais sobre o direito à saúde -principalmente de acesso a medicamentos- em trâmite no país, o STF resolveu decidir coletivamente os processos relativos ao tema e para isso está realizando audiências públicas. Os julgamentos do tribunal nessa área poderão ter grande repercussão no sistema de saúde do país.
"Poder não admite vácuo", diz a professora do mestrado em direito da Universidade Estácio de Sá (RJ) e especialista em ativismo judiciário Vanice Lírio do Valle. Segundo ela, parece que o Legislativo prefere o "ônus da inércia" do que o ônus de desagradar parte do eleitorado com decisões polêmicas.
Entre os assuntos controversos que estarão nos próximos meses na pauta do STF estão a união de pessoas do mesmo sexo e o aborto de fetos anencéfalos. A expectativa no STF é que o tema da união homoafetiva seja julgado até o final do ano, em um processo em trâmite na corte. Já a questão dos anencéfalos pode ser apreciada ainda neste semestre pelos ministros do tribunal.
"Diante do comportamento do Legislativo, demorou [para o STF decidir tomar a frente em questões não abarcadas em lei]. O STF aguentou um bocado", diz Vanice do Valle.
A corte já chegou a declarar expressamente a omissão do Legislativo na elaboração de leis que estavam previstas pela Constituição Federal, como no caso do direito de greve dos servidores (veja quadro).
Nessas situações o STF comunicou oficialmente o Congresso sobre as lacunas, mas os temas continuaram sem definição no Legislativo.
Lacuna
O próprio Legislativo já se manifestou sobre o assunto. Em março, um grupo de deputados federais, ao justificar um projeto de lei sobre união de pessoas do mesmo sexo, reconheceu que "a omissão legislativa gera profunda perplexidade no tecido social, sendo esta cotidianamente resolvida por via judicial", escrevem eles.
Oscar Vilhena Vieira, professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, afirma que o país convive hoje com uma "supremocracia", uma vez que nos últimos anos o STF ampliou seu poder sobre as instâncias inferiores do Judiciário, e está atuando nas lacunas deixadas pelo Legislativo.
"Com a omissão do Parlamento em tomar decisões sobre questões fundamentais e a perda da autoridade moral do Congresso, há uma expansão dos demais poderes", diz ele.
"Tradicionalmente, no Brasil, essa expansão era do Executivo. A partir dos últimos quatro ou cinco anos, o Supremo passou a ser o poder que mais expande sua autoridade."
Segundo especialistas, um dos problemas é a seletividade do STF sobre o que vai ou não ser objeto de análise. "Ou a corte entende que no vácuo do Legislativo ela tem que funcionar, ou ela não entende isso. Ela escolher "aqui eu vou ser ativista e ali eu não vou ser" é preocupante", afirma Vanice do Valle.
Efeito negativo
Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que a atuação do STF pode ter efeitos negativos a longo prazo.
"Na omissão do Congresso, é melhor que o Judiciário atue para criar algum tipo de parâmetro legal. Porém, o desejável a longo prazo é que cada poder funcione adequadamente de acordo com o que se espera dele constitucionalmente", disse.
Vanice alerta para os danos à democracia. "O Legislativo é um órgão com representação democrática. Mal ou bem, é no Legislativo que se estabelece o diálogo com a sociedade."
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

[Bahia] 1° de Maio: Memória e Resistência

O que vale mais: a vocação ou o canudo ?

Brasil - O Supremo

Frei Betto *
Adital -

O bate-boca entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), teve o mérito de nos recordar que o regime republicano é um corpo de três membros, conforme a tripartição de poder delineada por Montesquieu: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Os três exercem funções políticas, com a ressalva de que o Judiciário deveria primar-se pelo apartidarismo. Vira e mexe um dos três é entronizado no purgatório de Dante. O Executivo teve o seu, em 2005, devido ao "mensalão", cujos bastidores e procedência o PT deveria apurar antes que a Justiça o faça.
O presidente Lula teve a hombridade de, a 12 de agosto de 2005, pronunciar-se nestes termos à nação: "Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país. O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política e lutar ao lado do povo pobre e das camadas médias do nosso país. Eu não mudei e, tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória".
O presidente concluiu por afirmar que, se estivesse a seu alcance, "já teria identificado e punido exemplarmente os responsáveis por esta situação".
Agora o Legislativo, sob o comando do PMDB, encontra-se em plena caldeira do diabo. No Senado, abusos e mordomias, multiplicidade de cargos comissionados, uso indevido de recursos públicos. Na Câmara dos Deputados, a farra das passagens aéreas. Como se o eleitor delegasse poderes também à mulher do deputado, ao filho do deputado, à cozinheira do deputado.
Ora, o eleito é ele, e não a família. Só a falta de ética e decoro público leva um político a supor que seus direitos são privilégios extensivos a quem lhe aprouver.
O Judiciário vive, agora, o seu inferno astral. Os processos são morosos; os recursos, infindáveis; o número de juízes, insuficiente. O direito de advogados e juízes estenderem prazos, apelações, convocação de testemunhas e perícia de provas, transforma um simples processo num cipoal jurídico no qual se movem, lépidos, os réus mais ricos. Os pobres padecem as consequências de uma Justiça que traz os olhos vendados…
A lei é imparcial; sua aplicação nem sempre. Presume-se, até última instância, a inocência de endinheirados, políticos e ex-políticos. Mas não a de pobres coitados que, muitas vezes, induzidos pela miséria, o desamparo, a falta de escolaridade e de trabalho, praticam delitos, como furtar um pote de margarina, e são torturados por policiais, explorados por advogados, ignorados por juízes, enquanto padecem nas prisões.
Como ensinar às novas gerações que a lei não faz distinção de classes e a Justiça é imparcial (daí a venda nos olhos) se quem rouba tostão é ladrão e quem rouba milhão é barão? Se a desigualdade social impede que réus de baixa renda contratem bons advogados, não deveria residir no juiz a garantia da imparcialidade, fazendo o peso da lei recair indistintamente sobre todos que a infringem?
O STF deveria ser o indutor da reforma do Judiciário e dar o exemplo de que, em última instância, a lei prevalece sobre o crime, o direito sobre a força, a defesa do bem público sobre interesses privados abusivos.
Sou filho de magistrado e bem sei que toda categoria profissional articula, em vocabulário próprio, seu dialeto identificador. Padres preferem exortações adjetivas, sindicalistas usam a língua como esgrima, artistas recorrem a metáforas.
Os juízes de nossa suprema corte primam, salvo exceções, por expressões gongóricas, raras no linguajar do comum dos mortais. No entrevero entre Gilmar Mendes, o supremo, e Joaquim Barbosa, o guerreiro, chamou a atenção o vocábulo lhaneza. "Vossa Excelência veio com a sua tradicional gentileza e lhaneza", ironizou Barbosa. Mendes reagiu: "É Vossa Excelência que dá lição de lhaneza ao Tribunal".
O vocábulo, derivado do espanhol llano e do latim planus, significa candura. Quem dera que, no futuro, as decisões do STF fossem cândidas com os empobrecidos e duras com aqueles que teriam a obrigação moral de servir de exemplo à coletividade, devido à proeminência de suas posses e funções.
PS: 1º de maio é Dia do Trabalhador, data histórica marcada por sangue, suor e lágrimas. Lamento a sua progressiva despolitização, transformada em showmícios animados por bandas e sorteios. A classe operária jamais chegou ao Paraíso, mas alguns de seus líderes sim, apegados ao poder e às mordomias. O desemprego se amplia à sombra da crise do capitalismo. Onde as mobilizações para reverter essa conjuntura?
[Autor de "A mosca azul - reflexão sobre o poder" (Rocco), entre outros livros. Copyright 2009 FREI BETTO - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contatos: MHPAL - Agência Literária]
* Escritor e assessor de movimentos sociais
Fonte: Adital

Timão empata com o Santos e fica com o título invicto



Luís Augusto Símondo Agora
O futebol paulista, após 37 anos, tem um novo campeão invicto. É o Corinthians de Mano Menezes, que, com o 1 a 1 de ontem, chegou a 13 vitórias e dez empates.
O jogo final cumpriu exatamente o roteiro pré-determinado. Nada mais natural do que o Santos, massacrado em casa no domingo passado, por 3 a 1, fosse para cima para tentar a missão de ganhar por três gols de diferença.
A edição impressa do Agora desta segunda-feira (4 de maio) traz um caderno especial sobre o título alvinegro e um pôster do time campeão
Veja as fotos da final do Paulistão
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Saiba mais sobre o Peixe
Houve algumas passagens surpreendentes na história do jogo. Jorge Henrique, recuado, jogou muito mal na primeira metade do primeiro tempo e permitiu jogadas do Santos pelo lado esquerdo.
Domingos jogava como seu xará famoso dos anos 30, pai do craque Ademir da Guia, e dominava Ronaldo. Surpreendente também como Mano insistiu em manter o time tão recuado, repetindo a tática que deu tão errado na final da Copa do Brasil do ano passado, contra o Sport, em Recife.
Talvez não seja tão surpreendente assim. Questão de estilo. Como também não foi novidade outra partida apagada de Neymar, comprovando uma vez mais que ainda não é (será que vai ser?) o que os santistas pensam que ele é.
De tanto dominar --Madson e Paulo Henrique jogavam bem-- o Santos chegou ao seu primeiro gol, aos 29min, com Kleber Pereira cobrando o pênalti que ele mesmo havia sofrido. O Santos perdeu outra chance incrível aos 31min com Paulo Henrique.
O Corinthians, então, começou a sair do sufoco, avançando André Santos. E ele empatou o jogo, com um chute de bico. O seu 25º gol em 89 jogos pelo Corinthians.
Depois do empate, uma das surpresas do jogo voltou ao normal. Domingos deixou de ser Domingos da Guia para ser o valentão de sempre, com faltas e ameaças. Sálvio lhe deu permissão para bater. O amarelo só veio aos 18min do segundo tempo.
O Corinthians dominou todo o segundo tempo. O Santos já não jogava pelo título ou por uma vitória. Sua meta era apenas não ser humilhado.
Conseguiu, por um tempo, graças a muitas faltas que intimidaram os jogadores corintianos. Nesse item, foi decepcionante a postura de Ronaldo, jogando mais recuado, ausente da pancadaria.
O primeiro grito de é campeão surgiu aos 35min e foi logo substituído por "Dentinho, Dentinho", homenageando o jogador que saía, depois de apanhar de Domingos, para a entrada de Morais. Aos 38min, Domingos levou o vermelho. E o povo corintiano começou a gritar olé.
Só parou com o apito do árbitro. Depois de 70 anos, o Timão é novamente campeão invicto.
Fonte: Agora

Reino Unido desenvolve tecnologia para controlar e-mails, diz jornal


da Efe, em Londres

O governo britânico está desenvolvendo tecnologia secreta, com interesse de controle sobre todas as mensagens eletrônicas enviadas pela internet. A informação foi dada pelo jornal "The Sunday Times" no domingo (3).
O Centro de Comunicações do governo deverá interceptar e supervisionar todos os e-mails, os acessos à internet e a atividade nas redes sociais, além de qualquer tipo de ligações telefônicas.
Paul Sakuma/AP
Jornal britânico "The Sunday Times" diz que o governo inglês está desenvolvendo tecnologia para monitorar e-mails dos cidadãos
Para isso, recorrerá a uma série de "caixas-pretas", que serão inseridas secretamente na infraestrutura de comunicações, afirma o jornal.
O programa foi lançado há um ano. Sua existência, no entanto, foi descoberta graças a uma oferta de emprego publicada pelo Centro de Comunicações.
Na semana passada, a ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, anunciou que o governo tinha decidido renunciar a seu tão ambicioso quanto polêmico plano de criar uma base de dados única, na qual seriam guardadas todas as comunicações feitas no país.
A ministra não mencionou, no entanto, que o governo tinha decidido destinar mais de 1 milhão de euros em três anos a esse programa de espionagem dos cidadãos, aponta o jornal britânico.
Segundo a diretora da organização de defesa dos direitos humanos Liberty, Shami Chakrabarti --ela mesma uma vítima recente da espionagem do governo--, o anúncio da ministra é só "uma cortina de fumaça".
"Fomos contra a base de dados 'Big Brother', porque permitia ao Estado ter acesso diretamente às comunicações de todos os cidadãos. Mas, com esta rede de caixas-pretas, pretende-se conseguir o mesmo, mas pela porta traseira", disse a advogada.
Segundo fontes citadas pelo "The Sunday Times", o governo já concedeu um contrato no valor de 200 milhões de libras (224 milhões de euros) ao gigante americano do setor da defesa Lockheed Martin.
Também foi assinado um segundo contrato com a Detica, empresa britânica de tecnologia da informação, que mantém estreitos vínculos com a espionagem britânica.
Segundo essas fontes, o diretor do Centro de Comunicações do governo, Iain Lobban, supervisiona atualmente a construção de um novo complexo no interior desse quartel-general, situado nos arredores da localidade de Cheltenham, no condado de Gloucestershire.
Espionagem e supercomputadores
Uma enorme sala com supercomputadores permitirá aos espiões do governo supervisionar e gravar os dados que passarem pelas caixas-pretas instaladas nas conexões dos serviços de internet e nas companhias telefônicas.
Por enquanto, os espiões que trabalham nessa central só podem interceptar as comunicações em casos concretos e com autorização expressa do titular do Interior ou de um secretário de Estado, mas, com os novos planos do governo, todos os cidadãos do país poderão ser espionados o tempo todo, afirma o jornal.
O anúncio de emprego que revelou os planos governamentais solicitava uma pessoa que pudesse assumir um programa governamental batizado de Mastering the Internet (Dominando a Internet), a quem prometia um salário anual de até 112 mil euros.
O governo afirma que não se trata de ler o conteúdo das mensagens trocadas na internet, mas de saber com quem se comunicam determinados indivíduos, quais sites ou redes sociais visitam habitualmente, algo imprescindível para combater o terrorismo internacional.
Fonte: Folha Online

Timão domina seleção do Paulistão



Emerson Vicentedo Agora
O Corinthians mostrou seu valor no Campeonato Paulista. Na eleição feita pela equipe do Agora, o clube do Parque São Jorge colocou cinco jogadores na relação.
No gol, Felipe levou a melhor sobre Marcos. O corintiano recebeu oito indicações, contra três do palmeirense Marcos. O vice-campeão Fábio Costa, do Peixe, e Renê, do Barueri, também foram citados.
Já na lateral direita, o Timão também teve a maioria. Alessandro recebeu oito votos. Cicinho, do Santo André, recebeu três menções. Outros lembrados foram Maranhão, do Guarani, e César Prates, da Portuguesa.
Na lateral esquerda, Athirson, da Lusa, foi o mais citado, com oito votos, dois a mais que André Santos.
O Corinthians teve a segunda defesa menos vazada do campeonato, e, por isso, emplacou Chicão na lista. O zagueiro reinou soberano, somando 14 votos. Seu parceiro na seleção é Miranda, do São Paulo, que recebeu oito indicações.
Outro corintiano que foi unanimidade na lista foi Elias, com 14 votos. O outro volante da lista é Pierre, do Verdão, com oito votos.
O baixinho santista Madson também recebeu todos os votos e entrou como o principal meia de ligação, com 14 votos.
No ataque, o palmeirense Keirrison, que marcou 13 gols no Campeonato Paulista, ficou com uma das vagas. Já a outra é de Ronaldo, o novo ídolo da Fiel Torcida corintiana.
Neymar, a nova promessa do Peixe, foi apontado como a revelação do campeonato. Já Mano Menezes foi eleito o melhor entre os treinadores, superando o santista Vagner Mancini e Sérgio Guedes, do Santo André.
O craque, assim como Ronaldo já havia cantado a bola logo após o primeiro jogo da final, foi o corintiano Elias, com sete votos.
Fonte: Agora

ONU alerta STF: decisão sobre Battisti pode abrir precedente negativo

Por Celso Lungaretti 04/05/2009 às 06:32
o Brasil, por meio do Ministério da Justiça, já concedeu refúgio humanitário ao escritor e perseguido político italiano Cesare Battisti; se o STF modificar esta decisão, poderá estimular outros países a reabrirem casos igualmente finalizados.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) encaminhou documento aos ministros do Supremo Tribunal Federal alertando-os de que a decisão a ser por eles tomada no caso do escritor e perseguido político italiano Cesare Battisti "pode influenciar a maneira pela qual as autoridades de outros países aplicam a definição de refugiado e lidam com casos de extradição que envolvam refugiados reconhecidos formalmente". Ou seja: o Brasil, por meio do Ministério da Justiça, já concedeu o refúgio humanitário a Battisti; se o STF modificar esta decisão, poderá estimular outros países a reabrirem casos igualmente finalizados. O Acnur, enfim, teme que o Brasil descumpra a regra prevista na convenção da ONU de 1951, por ele ratificada, que impede a extradição de refugiados, pois isto abriria um precedente negativo capaz de desencadear um retrocesso em escala mais ampla. O receio é compartilhado pelo presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Luiz Paulo Barreto. Segundo ele, se tomar neste caso uma decisão diferente da que vinha adotando em todos os episódios semelhantes, o STF substituirá o Ministério da Justiça como última instância nos processos de refúgio humanitário, sem ser a instituição mais apta para cumprir tal função: - Nem sempre o Judiciário tem condições de avaliar todos os detalhes de um processo de refúgio. P. ex., no caso do Sudão, da Eritreia, da República Democrática do Congo, o Supremo tem condições de saber que neste momento e nesses países há perseguição? Talvez não, porque o Supremo não é órgão especializado para dar refúgio. A avaliação do Conare é idêntica à do Acnur: até agora não tem havido o apelo às Cortes Supremas nas nações que admitem o refúgio humanitário porque a lei impede a entrega de refugiados e estabelece que os processos de extradição são arquivados quando há o reconhecimento do refúgio pelo Executivo; uma reviravolta no enfoque da questão por parte do STF poderá levar mais países a recorrerem ao Judiciário, debilitando internacionalmente a instituição do refúgio. Fui dos primeiros a alertar para as consequências nefastas dos malabarismos propostos pelo presidente do Supremo, num artigo de janeiro: Gilmar Mendes quer que STF usurpe prerrogativa do Executivo ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/01/gilmar-mendes-quer-que-stf-usurpe.html ). Está lá: "Será a segunda tentativa que Gilmar Mendes fará, no sentido de convencer o STF a usurpar essa prerrogativa do Executivo: em 2007, (...) ele foi o único ministro a sustentar que o Supremo deveria discutir se os crimes atribuídos a Olivério Medina (...) eram políticos ou comuns. "Na ocasião, o STF reconheceu que a decisão do governo brasileiro, concedendo o status de refugiado político a Medina, havia sido juridicamente perfeita (...). "Mendes agora pedirá aos ministros do STF que voltem atrás no seu entendimento anterior (...). "A Lei do Refúgio é claríssima, não dando margem a nenhum contorcionismo jurídico que possa compatibilizá-la com a pretensão de Mendes. O que ele quer, em última análise, é alterá-la em essência, o que não é nem nunca será atribuição do STF. "Espera-se que os ministros do Supremo rejeitem mais uma vez o casuísmo proposto por Mendes." O Conare espera a mesma coisa. O Acnur, idem. Assim como os cidadãos com sentimentos humanitários e espírito de justiça.
Email:: naufrago-da-utopia@uol.com.br URL:: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
Fonte: CMI Brasil

Pague parcelas em atraso ao INSS

Juca Guimarãesdo Agora
Quem quer se aposentar e deixou de pagar o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) por alguns meses pode quitar essa dívida para conseguir o benefício mais cedo. Quem já trabalhou como autônomo ou empregado doméstico pode pagar as contribuições em atraso.
De acordo com o tamanho da dívida, o segurado pode parcelar o valor em até 60 vezes. A dívida deve ser acertada com a Receita Federal. O pagamento é feito no banco.
Entretanto, para que o período entre na contagem do tempo de contribuição, o segurado deverá pagar todas as parcelas do financiamento. Ou seja, quem optar por parcelar as dívidas em 60 vezes só poderá pedir a aposentadoria após cinco anos.
Na Receita Federal, a análise dos documentos para o parcelamento da dívida demora cerca de 30 dias.
Se a dívida tiver menos de cinco anos, o segurado também poderá fazer o cálculo pelo site da Previdência Social. O link para o cálculo está na área "Agência eletrônica:segurado". O trabalhador deve clicar em "lista completa de serviços ao segurado", e depois, na opção "Tabela de contribuição em atraso".
O INSS cobra juros, correção monetária e multa sobre o valor, de acordo com a data da dívida. Um autônomo que deixou de pagar R$ 50,62 em janeiro de 2001, por exemplo, deve pagar R$ 123,53 para quitar a parcela.
Se a dívida tiver mais de cinco anos, o cálculo deve ser feito em uma agência do INSS --o agendamento é pela central 135. Nesse caso, além do cálculo, o segurado deverá aguardar uma autorização para fazer o pagamento. De acordo com o Ministério da Previdência, o cálculo e a autorização de pagamento normalmente são feitos no mesmo mês da solicitação.
ProvasPara poder quitar as contribuições em atraso, o segurado precisa provar que já estava inscrito no INSS na época que pretende regularizar sua situação. A prova pode ser por meio do registro na carteira de trabalho, no caso de domésticos, ou por meio de contribuições anteriores, --no caso do autônomo ou do contribuinte facultativo. O INSS pode confirmar essa inscrição.
Se o segurado provar períodos anteriores àqueles que estão cadastrados no INSS, ele também poderá fazer o pagamento desses meses. Se o trabalhador tinha carteira assinada e a empresa não recolheu ao INSS, ele também pode pedir a quitação das contribuições do período.
Fonte: Agora

Consulta ao CNIS começa amanhã

Paulo Muzzolondo Agora
O Banco do Brasil deve liberar, a partir de amanhã, a consulta a um extrato com o histórico das contribuições do segurado ao INSS. O serviço estará disponível para 28,4 milhões de correntistas com o cartão do banco nos caixas eletrônicos.
A Caixa Econômica Federal também terá o sistema, mas não informou quando ele deverá ficar pronto
Fonte: Agora

Pesquisa diz que 47% dos idosos brasileiros têm vida sexual ativa

Doris Miranda Redação CORREIO


Ivonildes Matos cursa o sétimo semestre de fisioterapia. Um dia, entrou na sala de aula especialmente disposta a prestar atenção. Um par de olhos atentos, no entanto, já espreitava os modos desembaraçados, os comentários maduros e um certo ar juvenil que exala ao seu redor, realçado pela tatuagem floral no colo e o piercing no nariz. O colega que a observava não resistiu e disse que queria conhecê-la melhor. Bom, não deu em outra coisa se não namoro. “Acontece toda hora”,você pensa. A questão é que Ivonildes temmais de 70, seis filhas, é bisavó de cinco e estáemseu terceiro curso superior. E o rapaz, que hoje já não é mais seu namorado, tinha 19 anos. Depois dele, veio mais um colega de faculdade, de 31 anos, com quem ela ficou por dois anos.O atual é um pouquinho mais velho, com 35 anos. Com todos, garante que mantém um relacionamento normal, como o de qualquer outro casal, com sexo incluído, sim. “Não vejo porque me castrar de uma coisa tão prazerosa. Basta a mulher entrar na menopausa para as pessoas acharem que ela não precisa mais de sexo”, diz, corajosa, ressaltando que não faz nada para atrair homens mais moços.

Ivonildes não foi entrevistada mas poderia muito bem estar inserida na pesquisa que o Instituto Datafolha fez para mapear a vida dos idosos brasileiros e acabou revelando que há atividade sexual plena em 47% deles, contrariando a crença que o desejo se extingue na terceira idade (a partir dos 60anos). “Há um costume de associar amor e sexo à juventude, mas isso não acaba coma idade. As pessoas fazem sexo até o fim da vida porque o corpo continua com as mesmas necessidades. Aquestão é que as respostas sexuais vão se modificando, assim como outros reflexos. Sexo não é apenas a cópula, é toda a vida de relação com as pessoas”, afirma a psiquiatra e sexóloga Gilda Fucs.Eternos ApaixonadosBasta passar um tempinho com Alfonso, 71, e Iraci Agazzi, 70, casados há 42 anos, para entender o que a médica quer dizer. Entre eles, há uma profusão de olhares apaixonados, toques constantes e muita cumplicidade. Juntos, compõem o retrato de um amor maduro que soube transformar o fogo da juven tude numa chama perene, realçando o que já era bom, adaptando-se à nova realidade. “Hoje prezamos muito mais pela qualidade do que pela quantidade. Já conhecemos todos os pontos, os sinais um do outro, sabemos o que fazer. Quando a gente ama, tem prazer em qualquer idade porque sexo para mim é vida, uma coisa sublime”, assegura Iraci, que teve três filhos com seu amor. Com um gestual contido mas cheio de significados ocultos, o velho Agazzi observa a mulher na plenitude e demonstra aprovação. “Para que plástica se eu gosto do cheiro dela, da carne dela com a minha?À medida que a gente vai envelhecendo vai descobrindo melhor o prazer”, diz ele, que se apaixonou pela mulher quando a viu tocar piano e ainda mantém hábitos românticos, como jantares regados a vinho ouvislumbres do pôr-do-sol a dois. Como Iraci casou virgem, a sexualidade do casal foi descoberta aos poucos e sempre à flor da pele. “O toqueémuito importante para nós. Gosto de muito chamego”, explica ela.
Preconceito Depois da popularização dos medicamentos para disfunção erétil, muitos homens mantiveram ou recuperaram a atividade sexual. Daí,74%dos entrevistados afirmarem que ainda estão com a corda toda. Com as mulheres, porém, as coisas são mai scomplicadas: passam pelo viés cruel do preconceito. Por isso, somente 24% se dizemativas. Como elas foram educadas para serem apenas mães, criou-se uma ideia que a mulher mais madura não precisa de sexo porque não pode mais reproduzir. “A figura feminina mudou muito. A desinformação sexual ainda é uma coisa latente em todos os níveis sociais e intelectuais,mas já se sabe que a baixa de estrógeno na menopausa não interfere no desejo sexual”,explica Gilda Fucs. Boa alimentação garante o vigor a alimentação garante o vigorAlguns alimentos sempre tiveram relação estreita com o desempenho sexual. Muito disso é mito, mas a ciência vem provando que o que se come, de fato, pode revelar a qualidade do sexo que as pessoas praticam - sobretudo na terceira idade, quando o corpo já não temas mesmas respostas de antes. A dica é incluir na dieta alimentos ricos em vitamina B3 (niacina), que, além de melhorar o desempenho sexual, ajuda a manter a pele saudável, beneficia os sistemas digestivos e nervoso e o sistema circulatório. Então, na hora de fazer a feira, coloque no carrinho amendoim, castanha do Pará, carnes magras, leite, ovos, frutas, secas, cereais integrais, brócolis, tomate, cenoura, abacate e batata doce, que são fontes naturais de niacina. Outros nutrientes estão ligados aos hormônios sexuais, como zinco, óleos ômega 3,6 e 9, magnésio e os bioflavonóides. Ivonildes Matos: namorados bem mais novos Aids se propaga entre idosos Alfonso, 71, e Iraci Agazzi, 70, são casados há mais de 40 anos e trocaram a quantidade pela qualidade na prática sexual. Parece incrível nos dias de hoje, mas a desinformação ainda é o principal fator para os grandes índices de Aids, especialmente na faixa etária classificada como terceira idade. Os dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids preocupam: no Brasil, há mais de 500 mil casos notificados da doença. Desses, mais de 15 mil atingem idosos - sendo que, em 1991, havia cerca de 950 ocorrências. A desinformação tem como consequência a vida sexual ativa sem proteção. “Há muita Aids entre a população de idosos no Brasil. Eles não se cuidam porque não têm hábito de usar preservativo. Por isso, o Ministério da Saúde está lançando campanhas específicas”, confirma o geriatra Adriano Gordilho. A dificuldade de manuseio e o medo de perda de ereções também explica o desuso de preservativos.
Fonte: Correio da Bahia

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