sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Juíza acusada de envolvimento com narcotraficante volta a trabalhar
A juíza Olga Regina Santiago Guimarães vai assumir a 2ª Vara de Acidentes de Veículos de Salvador. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Poder Judiciário de ontem. Olga Guimarães responde a dois inquéritos no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) – um criminal e outro administrativo – sob a acusação de associação com o narcotraficante colombiano Gustavo Durán Bautista. Durante a Operação São Francisco, no ano passado, a Polícia Federal gravou ligações telefônicas entre ela, o marido da magistrada, Baldoíno Santana, e o colombiano. As falas sinalizam um pagamento de Gustavo Bautista em troca de a juíza ter facilitado o desbloqueio de alta soma financeira junto à PF.
“Estive lá na Polícia Federal e está tudo ok com as fichas de antecedentes”, disse a juíza em uma das conversas. “Ah, que bom”, respondeu o narcotraficante, complementando: “Tá bom, doutora, amanhã eu vou colocar aquele negócio que o senhor Baldoíno me falou”. Em outro telefonema, agora falando com Baldoíno, Durán informou ter efetuado um depósito de R$14 mil. Em 2001, quando atuava na comarca de Juazeiro, a juíza inocentou Durán Bautista, processado por ter sido encontrado um lote de cocaína na fazenda Mariad, de sua própriedade.
Instauradas após matéria do Jornal Nacional divulgando as descobertas da Polícia Federal, as investigações do TJ estão sendo acompanhadas pelo Ministério Público do estado, que nomeou para o caso o procurador José Edivaldo Rotondano. Ontem, ele disse que começará a ouvir testemunhas num prazo de 30 dias. O procurador pediu à Justiça as quebras do sigilo fiscal, bancário e telemático (telefônico e de informações por meio da informática), sendo atendido. O material não foi divulgado, pois o caso corre em segredo de Justiça.
Dois dias depois de o escândalo ter estourado na TV, Olga Guimarães foi empossada na Vara de Substituições da capital. Até então, ela era lotada na comarca de Cruz das Almas. À época, o TJ alegou que sua promoção se deu pelo critério de antiguidade. Após as denúncias, Olga Regina tirou férias e licenças. Agora, logo após o Carnaval, volta à ativa no Judiciário.
Tendo à frente o advogado Maurício Vasconcelos, a defesa de Olga Regina declarou, desde o começo das investigações, que colocará todas as informações bancárias e de outra natureza que forem solicitadas e que no inquérito ficará provada a inocência da magistrada.
Fonte: Correio da Bahia
Governo gasta R$4 milhões com cartões na Bahia
Flávio Costa
Os gastos com cartões de crédito corporativos de órgãos federais na Bahia passaram de R$4 milhões no ano passado. É um número 325% maior em relação às despesas feitas desta maneira em 2006 – R$946,5 mil. Mais da metade destes recursos está concentrada na unidade estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O IBGE-BA gastou R$2,6 milhões em cartões. O valor é infinitamente maior do que o registrado dois anos antes: apenas R$3,2 mil em 2005.
O Correio da Bahia fez um levantamento dos gastos de suprimento de fundos de 28 órgãos federais existentes no estado através de dados obtidos no portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU). Dos 22 que tiveram funcionários com direito a utilizar o cartão nos exercícios de 2007 e 2006, em 15 as despesas aumentaram na comparação entre os dois anos. Estão nesta situação, a Ufba, delegacias do Ministério da Fazenda, e gerências executivas do INSS e a Superintendência Regional do Incra. Este último aumentou o valor das contas em 63% – R$722.310,47 no ano passado.
Criados para pagamentos de compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens, os cartões devem ser utilizados por funcionários que ocupam postos-chave da administração pública e que precisam fazer pagamentos urgentes. A exemplo de compra de algum produto ou serviço ou cobertura de gastos de viagens não-programadas.
IBGE - No caso específico do IBGE, parece que há uma quantidade considerável de servidores em cargos estratégicos. Em 2005, apenas quatro funcionários tinham acesso aos cartões. Dois anos depois, já eram 103. Eles pagaram as despesas de R$2.649.627,49. Em todo país, a unidade baiana só perde em total absoluto de recursos pagos para sua congênere paulista.
Dos servidores do IBGE-BA que tiveram o cartão à disposição, em 2007, 12 contabilizaram gastos acima de R$50 mil. São eles: os coordenadores de áreas e sub-áreas de pesquisa, Abelardo Normanha (R$54.980), Aildete Santana (R$55.770), Ana Lobo de Melo (R$50.119,47), Carlos Rui Miranda (R$67.087), Eneas Fonseca (R$56.146), Gilda V. Lima (R$54.368), Israel de Castro (R$67.950), Maria Morais (R$50.547), Nilo Mendonça (R$51.134), Paulo Marcelo Raña (R$66.260), Sônia Barbosa (R$50.940), além do gerente de pesquisa Antônio Borges (R$52.603,60).
A maioria das despesas se referem a saques em dinheiro efetuados em terminais do Banco do Brasil, o que passou a ser proibido pelo decreto presidencial publicado anteontem, fora as exceções de praxe. A título de exemplo, no caso do já citado Antônio Borges, registra-se num mesmo dia – 23 de maio de 2007 – a retirada de R$4,5 mil, divididos em cinco saques – quatro de R$1 mil e um de R$500. Situações semelhantes se observa em todos os outros extratos.
Há outras despesas que também chamam a atenção. No caso do extrato do cartão utilizado pela coordenadora da sub-área de Itabuna, Aildete Santana, estão inclusos um total de R$7,9 mil com despesas no Hotel Aldeia da Praia, localizado em Ilhéus, no último 10 de setembro. Em pelo menos outros dois extratos de coordenadores de área, constam despesas relacionadas a compras em supermercados, o que, a depender do que foi adquirido, pode ser considerado irregular.
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Órgão fornece explicações sobre despesas
Entre 2005 e 2007, o IBGE-BA aumentou as despesas pagas com os cartões de crédito corporativos em cerca de 82.700%. O chefe do setor de documentação e disseminação de informações da unidade estadual do órgão, Joilson Rodrigues de Souza, afirma que tal disparidade se deve à realização dos censos agropecuário, de cadastro domicial e contagem populacional, realizados pelo órgão, em todo o país, no ano passado. A mesma justificativa é usada para explicar o aumento de funcionários com acessos a estas formas de pagamentos de despesas.
“Um censo é uma pesquisa aprofundada que requer um dispêndio de recursos muito alto. Daí a diferença de valores dos gastos em 2007 em relação a outros anos. Nós estamos muito tranqüilos em relação à divulgação destes dados porque é uma oportunidade para a instituição demonstrar para a sociedade a importância do seu trabalho e volumes de recursos necessário, para implementá-lo”. Apesar disso, mesmo em 2006, quando não houve censo, o crescimento da utilização do cartão corporativo já era alto. Pulou de R$3,2 mil e quatro funcionários em 2005 para R$447.604,50 e 79 servidores com acesso no ano seguinte: um aumento de 13.888% e 1.875%, respectivamente.
Souza declara ainda que os saques em dinheiro são usados em situações em que o ofertante do serviço ao órgão federal não tem como registrar a despesa através da tarja magnética do cartão. Ainda de acordo com ele estariam entre as despesas de deslocamentos em zonas rurais, com combustíveis, ou até mesmo guias em locais mais inóspitos, entre outras.
Ele justifica também o fato do imenso volume de saques nos terminais do Banco do Brasil: “Há situações em que o servidor em função executiva precisa ter dinheiro em mão para suprir as demandas que se apresentam com a equipe de técnicos e recenseadores que ele coordena”. Souza diz que todas as despesas são comprováveis através de notas fiscais, ou de recibos de pagamentos, no caso de pessoa física.
Em relação ao caso da despesa de R$7,9 mil no Hotel Aldeia da Praia, em Ilhéus, paga pelo cartão em nome da coordenadora Aildete Santana, Souza afirma que são gastos referentes a utilização de equipamentos e salas do local para treinamento de uma equipe de técnicos para Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad). “Não são despesas de hospedagem”.(FC)
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Prefeitura de Salvador adota modelo
A prefeitura de Salvador esclareceu ontem, após as cobranças do vereador Paulo Magalhães Júnior (DEM), sobre o uso dos cartões corporativos na esfera municipal, que de fato utiliza o mesmo sistema adotado pelo governo federal. No caso de Salvador, o limite de crédito é de R$800, com autorização para saque de no máximo 20% desse valor, segundo prescreve o Decreto 14.191, de 25 de março de 2003.
A Controladoria Geral do Município (CGM) é responsável pela análise de todos os processos que envolvem o uso de cartão corporativo da prefeitura de Salvador. Seu uso é restrito ao âmbito municipal, segundo a prefeitura, para adiantamento de despesas tipificadas, feitas pelo prefeito, vice-prefeito, secretários, superintendentes, presidentes de órgãos municipais e 300 servidores cadastrados.
Todas as despesas, segundo informações da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), precisam ser devidamente comprovadas, para que novos adiantamentos possam ser liberados. Para despesas de viagens, os representantes do município recebem diárias, que variam de acordo com o cargo ocupado. Ontem, Paulo Magalhães Júnior cobrou mais transparência no uso dos cartões, solicitando informações sobre número de servidores contemplados e limites.
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Compra de produtos piratas
Icone do luxo e glamour, o hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, hospedou, entre outras autoridades, o ex-mi-nistro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. As contas foram pagas com o cartão do governo federal. Na outra ponta, servidores de segundo e terceiro escalões lotados na Secretaria de Administração da Presidência usaram os cartões para pagar, principalmente em Brasília, contas de lojas de roupas, floriculturas, cosméticos, drogarias, piscinas e cinefotos.
Nesta lista tem até uma compra numa barraca da conhecida “Feira do Paraguai”, local famoso por vender produtos piratas. A aquisição foi feita pela servidora Ariene Meneses. No dia 6 de dezembro passado, ela pagou com o cartão do governo uma compra de R$40.
Os ministros devem receber nos próximos dias uma recomendação do Planejamento sobre o uso do cartão corporativo. A reportagem apurou que o documento deve ser enviado para as secretarias-executivas de cada ministério. O documento deve orientar os ministros a não usar o cartão corporativo. Mas nenhum ministro será obrigado a devolver o cartão de crédito corporativo.
Academia - Os seguranças encarregados de proteger a família do presidente Lula montaram uma academia de ginástica usando cartões corporativos do governo. Segundo funcionários da loja A Elite, no centro de São Bernardo, no ABC paulista, um grupo de agentes que se apresentavam como seguranças da família do presidente foi ao local no ano passado para comprar halteres. Os seguranças gastaram R$800 em anilhas e barras para halteres. A despesa foi paga com o cartão corporativo em nome de Luiz Gonzaga Aragão.
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Briga por paternidade de CPI
BRASÍLIA - Os governistas do Senado, que já tinham conseguido até ontem a assinatura de 31 senadores para investigar o uso de cartões corporativos numa CPI, terão que refazer todo o procedimento. Isso porque o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), colocou um acréscimo no texto do requerimento que pede a CPI após protocolá-lo, procedimento considerado irregular pela Mesa Diretora da Casa. O mínimo necessário para instalar CPI no Senado são 27 assinaturas.
Após protocolar o requerimento na Secretaria Geral da Mesa, Jucá incluiu nele uma frase dizendo que a CPI terá duração de 90 dias, 11 senadores participantes e a previsão de R$100 mil a serem gastos. “É preciso confirmar a concordância, já que houve esse acréscimo de informações”, afirmou o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que defende nova coleta de assinaturas. Jucá não acredita que isso seja necessário: “Foi apenas para tratar de prazo e da composição, o mérito não mudou”.
O fato foi questionado em plenário pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI). “Rasurar um requerimento, em qualquer circunstância, não é normal. Nós precisamos tomar uma providência”, disse. Fortes ameaçou questionar o caso na Comissão de Constituição de Justiça. “Existe um erro. Não podemos começar uma CPI com vício de origem. Um documento não pode ser rasurado”, afirmou o democrata, que bateu boca durante 15 minutos com o senador e Eduardo Suplicy (PT-SP) por conta da CPI – o petista foi acusado de ter se “agachado” diante da comissão proposta pelos governistas.
Jucá tomou a decisão de apresentar o requerimento de CPI anoteontem às pressas, depois de uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo era esvaziar a criação de uma outra CPI mista que vinha sendo articulada pela oposição. A oposição vai insistir em apresentar uma CPI mista (com deputados e senadores). O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que já contava com 126 assinaturas de deputados. São necessárias pelo menos 171.
Fonte: Correio da Bahia
Barro no ventilador
BRASÍLIA - Não haverá definição mais fiel para a manobra do governo, antecipando-se na criação da CPI dos cartões de crédito corporativos: é barro no ventilador. A estratégia do Palácio do Planalto é de ampliar as investigações para o governo Fernando Henrique Cardoso, aliás, o criador dos cartões de crédito corporativos.
Perde o governo porque o período Lula continuará sendo examinado, mas não ganham as oposições, tendo em vista que o período anterior também ficará exposto. E pelo tal Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União, nos tempos do sociólogo as despesas anuais foram até maiores do que no tempo dos companheiros.
São pueris as explicações dadas: Dilma Rousseff sustenta que os seguranças encarregados de zelar pela integridade física dos filhos do presidente Lula, morando em São Bernardo, tinham direito a comprar uma esteira rolante e outros aparelhos de ginástica para exercitar-se na casa onde residem, naquela cidade, bem próximo do apartamento da família do presidente.
Primeiro, é preciso saber se esses aparelhos estão mesmo na casa dos seguranças. Depois, será preciso aceitar o princípio, ou seja, se os servidores palacianos têm direito a esteiras rolantes individuais, por que a um motorista do serviço público se negará o direito de comprar o seu próprio carro com cartões de crédito corporativos?
Escorregou até o correto general Félix, do Gabinete de Segurança Institucional, ao justificar a censura nos fastos do presidente da República e sua família por razões de segurança nacional. É exagero saber que provém de uma boutique de carnes nobres e argentinas os churrascos servidos na Granja do Torto colocaria em risco a segurança do Lula?
É de estarrecer o que vai sendo revelado nos últimos dias em matéria de gastos pessoais com dinheiro público. O cidadão comum vê-se todos os dias bombardeado com abusiva carga de impostos e taxas de toda ordem, e agora fica sabendo que parte de sua contribuição forçada para os cofres do governo serve para a compra de material de construção utilizado em residências particulares dos privilegiados detentores do poder e seus familiares.
Em termos de CPI, vale indagar: serão convocados para depor apenas os seguranças e assessores menores, detentores de cartões de crédito corporativos? Os beneficiários ficarão de fora? E aquela maioria que, além de comprar produtos supérfluos de toda ordem, só no ano passado retirou 58 milhões de reais em espécie, nos caixas eletrônicos do Banco do Brasil? Os cartões servem para liberar salários-fantasma?
Entrou de sola
Surpreendeu o presidente do Senado, Garibaldi Alves, na instalação dos trabalhos da Sessão Legislativa do ano. Na presença da ministra Dilma Rousseff, de um lado, e da ministra Ellen Gracie, de outro, o senador criticou Executivo e Judiciário por se intrometerem nas atribuições do Legislativo. De um lado, a vulgarização das medidas provisórias. De outro, a intromissão de sentenças judiciais modificando e até criando regras da exclusiva competência do Congresso.
Eis uma surpresa agradável, decorrente na eleição do novo presidente do Senado. Poucos esperavam dele pronunciamento tão necessário quanto contundente.
Oportunidade ímpar
Luiz Marinho, da Previdência Social, e Martha Suplicy, do Turismo, parecem decididos a deixar seus ministérios até abril, para concorrerem às prefeituras de São Bernardo e de São Paulo. Há quem imagine abrir-se para o presidente Lula uma oportunidade de ouro para ampliar substituições no ministério, sem esquecer certas secretarias. Parece óbvio que a equipe governamental necessita de mudanças. Mesmo sem obrigar determinados auxiliares a candidatar-se a outras prefeituras, sempre haveria a possibilidade de substituí-los.
Tentação renovada
A hipótese de formar-se no Partido Democrata americano uma chapa "Hillary-Barack", ou "Barack-Hillary" acende em certos tucanos esperança parecida. Uma chapa "Serra-Aécio", ou "Aécio-Serra" reforçaria ainda mais o retorno do PSDB ao poder, ainda que exigisse monumental dose de humildade para quem aceitasse a vice-presidência. Aliás, tanto aqui como nos Estados Unidos...
Fonte: Tribuna da Imprensa
Base aliada irá controlar CPI dos Cartões
Autor do requerimento de criação da CPI, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), argumentou ontem que caberá à base aliada ocupar os postos mais importantes da CPI - a relatoria e a presidência -, uma vez que os governistas são maioria no Senado.
Os 11 titulares e 11 suplentes da CPI deverão ser indicados na próxima semana. Os partidos de oposição resolveram, no entanto, reagir à manobra do governo, que atropelou a iniciativa de proposta de criação de CPI Mista para investigar o uso indevido dos cartões corporativos.
Em uma CPI Mista, com deputados e senadores, o controle do governo é menos garantido. Na segunda-feira, os oposicionistas pretendem se reunir no Senado para tentar encontrar um caminho alternativo à comissão do governo.
Em seu requerimento, Jucá propôs a investigação sobre os gastos com cartões corporativos e as chamadas "contas tipo B", modalidade de despesas muito usada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de fundações e autarquias.
A oposição é contra o requerimento. "Querem investigar o passado para igualar a todos no mesmo padrão ético deles", disse o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). "Onde há suspeita de corrupção endêmica é no Executivo. Vamos insistir na investigação de fato determinado".
Legislativo
Ao esvaziar a iniciativa da oposição, que já estava coletando assinaturas para criar uma CPI Mista, o governo espera também reduzir o impacto das denúncias envolvendo funcionários do Executivo. Nem a Câmara nem o Senado dispõem de cartões corporativos.
As duas Casas têm, no entanto, um suprimento de fundos para gastos imprevistos. Na Câmara, apenas oito servidores estão aptos a usar os recursos depositados na conta para despesas de última hora. A maioria desses gastos, segundo a Diretoria Geral da Câmara, é com consertos, como a quebra de painel eletrônico da Casa ou de um cano que estoura.
No Senado, os diretores da Casa dispõem de uma conta de suprimento de fundos na qual são depositados R$ 8 mil a cada quatro meses. "Temos uma lista de tudo o que pode ser comprado com os recursos dessa conta. A prestação de contas desses gastos é muito rígida", disse Helival Rios, diretor de Comunicação do Senado. A assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal (STF) informou que também não trabalha com cartões corporativos.
Apesar de alegar que caberá aos governistas o comando da CPI dos Cartões Corporativos, o líder Romero Jucá acenou com a possibilidade de fechar acordo com oposição para definição dos nomes do presidente e relator da comissão. "Defendo que seja partilhado", ressaltou Jucá.
Com maioria dos 11 titulares e 11 suplentes na CPI, o governo terá força para derrubar requerimentos da oposição ou abortar iniciativas que eventualmente deixem o Executivo na berlinda. Para evitar que as apurações se limitem ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Romero Jucá propôs também que as investigações sejam feitas a partir de 1998, o que inclui a gestão de Fernando Henrique Cardoso.
"O governo não vai apanhar calado nem ser bode expiatório", afirmou o líder. A estratégia de incluir o governo do PSDB no requerimento da CPI foi decidida terça-feira pela manhã durante reunião no Palácio do Planalto entre Jucá e os ministros de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Eles receberam o sinal verde para a criação da CPI depois de falar ao telefone com o presidente Lula, que descansa no Guarujá. O líder Romero Jucá explicou que o aumento dos gastos com cartão em 2007 ocorreu por conta dos saques feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para realizar os censos agropecuários e das pequenas e médias cidades, e pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que teve mais gastos com os Jogos Pan-americanos.
"Vamos levantar se houve abuso e distorção de gastos do setor público", observou Jucá, ao lembrar que as despesas do presidente Lula e de seus filhos não podem ser investigadas. "Não vamos aceitar exploração política com a CPI", afirmou. "A CPI não é para perseguir o presidente Lula e seus familiares", rebateu o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP).
Fonte: Tribuna da Imprensa
Feira de contrabandos no rol das compras
Um dos gastos registrados com fatura foi feito no estabelecimento de propriedade de um comerciante de origem chinesa. Na loja, com nome fantasia "Século XXI", só um produto está à venda: óculos de marcas de grife falsificados.
Em dezembro de 2006, segundo o Portal Transparência, a funcionária do Planalto Ariene M. V. Menezes fez uma compra na "Século XXI", com cartão corporativo, no valor de R$ 40. O box, similar às lojas dos "promocenters" de São Paulo, pertence a Zhang Hong Lang.
No registro da Receita aparece o nome de Zheng Chunliang. "A rotatividade é muito grande. Às vezes, um compra e depois vende para outro", confirmaram três funcionários da feira do Paraguai. Ainda em nome de Ariene foram registradas outras compras em boxes do paraíso da pirataria na capital federal.
No dia 7 de maio do ano passado, ela gastou, com cartão corporativo, R$ 140 na loja de Marcelo Ferreira de Souza, a Point Canetas. No local são comercializadas canetas e materiais de papelaria. Outra compra foi feita no mesmo estabelecimento no dia 19 de abril de 2007. Desta vez, o valor foi menor: R$ 70.
Outro feirante contou, sob condição de não ter o nome revelado, que é comum funcionários comprarem com cartão corporativo aparelhos eletrônicos para os filhos, como MP3 e MP4. "Mas diziam que, como estavam usando cartão corporativo, a nota não podia sair com a discriminação desses produtos", disse a proprietária de uma das lojas da feira.
"Eles simplesmente pediam para que constasse material de consumo na nota". Além do registro de compras em lojas da feira de importados, outro funcionário palaciano, Haroisio Oliveira, fez compras, ainda segundo o Portal da Transparência, em loja especializada em produtos médicos (como cadeiras de rodas e balanças para banheiro) e ortopédicos.
No dia 16 de fevereiro do ano passado, Oliveira gastou R$ 540, pagos com cartão corporativo, na Tiradentes Médico Hospital, localizada na Asa Sul. Um dia antes, na mesma loja, já havia consumido R$ 399,75 em compras. O funcionário também fez compras em outra loja de artigos médicos em 2006. No dia 9 de agosto daquele ano, Oliveira desembolsou R$ 396 na Hospitália, também na Asa Sul. O estabelecimento voltou a ser freqüentado por ele em fevereiro passado. Dessa vez, o gasto foi de apenas R$ 41,80.
Fonte: Tribuna da Imprensa
OAB quer investigação nos estados
Na opinião de Britto, é importante apurar nos estados se está havendo uso particular dos recursos dos cartões corporativos, "que proliferaram de forma exagerada por todos os cantos e recantos do Brasil". Britto quer que o resultado das investigações possa ser avaliado já na próxima sessão plenária da entidade, que ocorre nos dias 18 e 19.
Caso seja constatada alguma irregularidade, a recomendação do presidente da OAB é de que cada seccional recomende a instauração de CPIs nas Assembléias para apurar essas condutas. Com relação às discussões em torno de uma CPI no Congresso, Britto destaca que "tal investigação só fará bem à democracia brasileira".
Fonte: Tribuna da Imprensa
Irmão não consegue conversar com presidente no Guarujá
Ontem, Germano deu sua última cartada, chegando à portaria do Forte às 16h, acompanhado da esposa e do filho Nathan Lyniker Rodrigues Inácio da Silva, de 12 anos. Ele trabalha no abastecimento de navios e faz turnos de 72 horas, portanto não poderá insistir mais durante a estada do irmão no forte.
O motivo da visita, segundo ele, é fazer certos agradecimentos a Lula ("ele sabe do que se trata", disse), e cobrar dele mais atenção à família e uma reunião dos filhos de Aristides Inácio da Silva, o pai deles. Ao todo são 11 irmãos.
Nathan quer agradecer pelo computador e o uniforme do Corinthians dados pelo tio presidente no ano passado. Já a explicação dada pela segurança para a recusa em recebê-los foi de que Lula, mesmo com tempo chuvoso, estaria pescando. O presidente fica no forte até domingo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Câmara pagou R$ 3 milhões em verba indenizatória em janeiro
Nem todos os deputados utilizam a verba indenizatória, que não tem valor fixo, mas é limitada a R$ 15 mil mensais, quase o mesmo valor dos R$ 16.250,42 do salário dos parlamentares. O portal da Câmara na internet divulga, desde 2004, todos os gastos com verba indenizatória.
A partir de março, o Senado também informará quanto cada senador recebeu e onde gastou. Somando-se o pagamento da verba indenizatória aos R$ 8,3 milhões pagos em salários, o ano começou com o pagamento de R$ 11,4 milhões aos deputados.
A Câmara não informou quantos deputados receberam verba indenizatória em janeiro. No mesmo mês do ano passado, o gasto foi ainda maior: R$ 4,5 milhões. Uma pesquisa no portal da Câmara mostra que alguns deputados já começaram o ano gastando muito mais do que os R$ 15 mil a que têm direito.
O deputado Marcelo Serafim (PSB-AM) desembolsou R$ 27.448,46. Recebeu R$ 15 mil em janeiro e o restante será pago em fevereiro, para não exceder o limite de transferência mensal. Serafim usou R$ 26.880 para alugar um táxi aéreo na empresa CTA, com o qual percorreu 12 municípios amazonenses, de 4 a 7 de janeiro.
"Em São Paulo, no Rio de Janeiro, você faz campanha botando gasolina no carro. Com votos de um distrito, está eleito. Aqui, a gente tem que ir de avião ou de barco. Percorri 12 municípios para divulgar minha atividade parlamentar. É uma visita extremamente cara. Se eu tivesse usado outro dinheiro, que não da verba indenizatória, é que seria motivo para desconfiar", diz o deputado, socialista, filho do prefeito de Manaus, Serafim Fernandes Corrêa.
O deputado disse que encaminhará todos os comprovantes da viagem à corregedoria da Câmara. Em dezembro, Serafim também foi além dos R$ 15 mil. Gastou R$ 20.517,54. Desta vez, a "divulgação do trabalho parlamentar" foi, segundo o deputado, feita com o aluguel de dez outdoors e a impressão de 50 mil panfletos.
O portal da Câmara mostra que R$ 7.848,35 foram gastos com a divulgação, além de outros R$ 7.077,20 com locomoção. Os demais gastos foram principalmente para pagamento de combustível. "O importante é não ultrapassar o valor a que temos direito por ano. Em alguns meses, eu gasto além dos R$ 15 mil, em outros eu compenso e gasto menos".
Serafim já fez as contas e pretende usar cerca de R$ 6 mil da verba indenizatória em março para espalhar novos outdoors pelas cidades onde foi mais votado. "Quero divulgar os resultados de uma audiência pública sobre telefonia móvel", justifica.
Para divulgação da atividade parlamentar, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), usou, em dezembro, R$ 14 mil da verba indenizatória na impressão de um jornalzinho. A capa anuncia "Um ano de trabalho pelo Brasil". A publicação tem 15 fotos do petista em situações de trabalho, uma delas ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Cotado para disputar a prefeitura de São Paulo, se a ex-prefeita Marta Suplicy optar por ficar no Ministério do Turismo, Chinaglia recebeu R$ 15.930 em verba indenizatória em dezembro. Segundo a Assessoria de Imprensa de Chinaglia, o jornalzinho foi feito para prestar contas do primeiro ano do deputado à frente da presidência da Câmara.
O deputado mandou fazer também calendários com seu nome, foto e o slogan "seriedade e liderança". Segundo a assessoria, no entanto, este brinde foi pago com recursos próprios e não houve ressarcimento por meio da verba indenizatória.
Nos outros meses de 2007, Chinaglia recebeu valores inferiores ao limite de R$ 15 mil. Com exceção de dezembro, em que aplicou a verba no "informativo do mandato", com oito páginas, Chinaglia usou a verba indenizatória majoritariamente para pagamento de aluguel e despesas do escritório de São Paulo, onde foram gastos quase R$ 50 mil em 2007.
Os dados referentes a janeiro deste ano informam o pagamento de apenas R$ 48,71 em verba indenizatória a Chinaglia. Embora não sejam divulgadas cópias das notas fiscais, é possível conferir no portal da Câmara quanto foi pago a cada deputado e em que itens a verba pública foi usada.
Senado
Com quatro anos de atraso, o Senado promete divulgar, a partir de março, os gastos dos senadores com verba indenizatória. A "transparência" acontece no momento em que os senadores se preparam para instalar uma CPI para investigar desvios de gastos nos cartões corporativos do governo.
O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, informou que as primeiras despesas dos senadores divulgadas na internet serão relativas ao mês de fevereiro. Ele explicou que o sistema adotado pelo Senado é semelhante ao da Câmara: o senador faz a despesa, apresenta as notas fiscais e é ressarcido pelo Senado.
Os senadores também recebem até R$ 15 mil mensais da verba indenizatória. "Do ponto de vista da Câmara, está tudo claro. Os gastos de cada parlamentar vão parar nos computadores de quem quiser acessar. Qualquer cidadão brasileiro para saber o que cada deputado gasta e como gasta e, a partir daí, questionar ou não", afirmou Chinaglia.
Questionado sobre a divulgação das notas fiscais, o presidente da Câmara disse que "não há nenhum problema, desde que isso esteja respaldado em lei". "Eu desafio qualquer órgão público a ter a transparência que a Câmara já tem", disse Chinaglia.
Levantamento do portal Congresso em Foco informa que, em 2007, a Câmara gastou R$ 78,5 milhões com a verba indenizatória. O portal mostra que 36 deputados gastaram toda a verba a que tinham direito. Os maiores gastos foram com combustível e locomoção, somando R$ 36 milhões.
Fonte: Tribuna da Imprensa
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Brasil: Miséria S. A.
A Miséria está nas entranhas do povo brasileiro, e ela é principalmente intelectual ? todo brasileiro é, via de regra, um sociopata: vê seu semelhante comer lixo, morrer nas ruas e não faz absolutamente nada.
A Miséria está nas entranhas do povo brasileiro, e ela é principalmente intelectual ? todo brasileiro é, via de regra, um sociopata: vê seu semelhante comer lixo, morrer nas ruas e não faz absolutamente nada. O brasileiro médio é um individualista do tipo imbecil, que só olha para si mesmo, e se sente no direito de meter-se na vida alheia. À medida que reencontro as ruas da cidade de São Paulo, tenho a impressão que o apocalipse é algo próximo, que toca-nos no tempo presente, e no rosto da grande maioria vejo apatia e futilidade. A culpa pelo subdesenvolvimento brasileiro não é do imperialismo, nem dos norte-americanos, nem das transacionais. A culpa por esse subdesenvolvimento não é somente da classe política brasileira, mas de seu povo que é apático, indolente e amante das aldeias de Potekin. Há por todo lado um orgulho vazio, um nacionalismo tacanho e provinciano. Um estudo político e social da história de nossos vizinhos do Cone Sul ? Uruguai, Argentina e Chile, que mesmo em época de barbárie nunca deixara de levantar-se em uma insubmissão rebelde, revela quão distante estão da barbárie e da apatia consumista brasileira. O Índice de desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil está em 0.800, abaixo de países como Albânia, Macedônia, Omã, Bósnia, Panamá, Ilhas Mauricius, Malásia, Bielorússia, Rússia, Emirados Árabes Unidos ? enquanto, Uruguai está em 0.852, A Argentina em 0.869 e o Chile em 0.867 o que os coloca na frente de países integrantes da União Européia como Eslovênia 0.863, Letônia (0.855), Estônia (0.860) e Lituânia (0.862). O subdesenvolvimento brasileiro explica-se pela indolência do brasileiro e seu habito cultural de querer levar vantagem em tudo. Já o desenvolvimento de nossos parceiros do Cone Sul pode ser explicado se observamos suas histórias, fartas em revoluções, sublevações, crises e enfrentamentos com as classes privilegiadas e os governantes. Estes países também, apesar de todos seus problemas, investiram maciçamente em educação, desde suas independências ? o que resultou em povos dotados de capacidade reflexiva e crítica. Nestes países há e houve desde muito cedo a formação de uma sociedade civil, que atuante, sempre exigiu mudanças e contribuiu para formar um sólido capital social. Argentinos, chilenos e uruguaios nunca hesitaram em exigir a saída de governantes traidores ou opressores. E ir para a rua, para exigir que seus direitos constitucionais não fossem meras ficções. Mesmo crises econômicas e agudas não destruíram este capital e cultural historicamente construído. Já o Brasil saiu de uma ditadura fascista festejando uma vergonhosa anistia ?que levaria a uma abertura lenta gradual e segura? como diziam os milicos no poder nestes três países, julgamentos foram realizados e levaram ao banco dos réus antigos governantes e torturadores, enquanto no Brasil elegeu-se deputados federais notórios torturadores. E a democracia brasileira deixou no poder os mesmo fascistas que mataram e saquearam o país, e que agora se vestem de democratas. Mas o povo brasileiro parece ter memória curta, e já esqueceu 20 anos de uma brutal ditadura ? que montou aldeias Potekins ? em que os brasileiros médios continuam acreditar. Orgulham-se de seus compatriotas comendo lixo, e rastejando pela terra. A sociedade civil brasileira é hoje o que se têm de mais cônico e hipócrita ? ousam mostrar uma alegria ? que se torna um insulto diante dos milhares de miseráveis e subnutridos do país. A classe media foi devidamente enquadrada no monopólio dos meios de comunicação, em um consumismo apático ? na ditadura dos automóveis e programas televisivos imbecilizantes. Em metrópoles como São Paulo assiste-se uma verdadeira volta ao feudalismo, ali grandes cidadelas são construídas para proteger 2/3 dos ricos dos países. Ricos estes que geralmente, são intelectualmente subdesenvolvidos e patéticos, dependentes de mensageiros modernos, os ?motoboys? mortos um por dia no caótico e paralisado trânsito paulistanos ? enquanto a cidade é portadora da maior frota de helicóptero do mundo. Triste e vergonhoso record. Em São Paulo o ar é envenenado, bebe-se água contaminada com esgoto, enquanto a maior floresta equatorial do mundo ? no norte brasileiro ? é devastada por queimadas, o avanço da cultura da soja. Somos por isso, o 4º maior emissor de poluentes atmosféricos, além de campões em números per capita em mortes no trânsito. A maior causa de morte entre nossos jovens entre 14 e 27 anos não é nem a AIDS (também somos um dos maiores campeões neste item), nem outro problema de saúde ? mas homicídios. Até mesmo Curitiba, cidade nacionalmente que antes se orgulhava de ser socialmente mais justa, hoje é a capital em número de homicídios per capta. No que se refere à educação estamos abaixo de países os Emirados Árabes Unidos. Somos um país com muitos analfabetos, mas, sobretudo muitos iletrados. O mercado editorial brasileiro é pautado por edições de luxo e capas atraentes. De cada dez livros vendidos, apenas um é lido, o resto vira enfeite de luxo. Mesmo assim, o brasileiro ainda acha que somos o país do futuro. Muitos brasileiros são ufanistas e nacionalistas. Afinal vocês se orgulham de quê? De nossas crianças sem educação? De uma educação que está entre as piores do mundo? De nosso país que não é nação? De uma Constituição que é uma ficção de facto, ou pior uma piada de péssimo gosto? De nosso vazio cultural, social e existencial? De nossas fronteiras ridiculamente fechadas para países irmãos? Até quando vocês terão orgulho disso tudo? Até quando vocês esconderão toda essa podridão em baixo do tapete? Até quando? Quando o futuro tornar-se apocalipse? Quando o país mergulhar em uma guerra social? Até quando vocês viverão assim? Até quando vivermos no país do faz-de-conta?
Email:: apatrini@terra.com.br URL:: http://sturmunddrang.blog.terra.com.br/brasil_miseria_s_a
Fonte: CMI Brasil
Gastos em janeiro passaram de R$ 6 milhões
No balanço de janeiro, a Presidência da República foi a responsável pelo gasto mais elevado, com R$ 1.814.378. Mas esses recursos incluem as atividades de diversos órgãos lotados na sua estrutura. Assim, na prática, a maior despesa dentro da rubrica Presidência vem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), com R$ 1.307.553,98.
Por exercer atividades consideradas de segurança do Estado, os gastos com os cartões corporativos da Abin são protegidos por sigilo, não permitindo, portanto, que sejam conhecidas suas destinações. A rubrica Secretaria da Administração da Presidência da República, que inclui os gastos referentes aos assessores do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Casa Civil, entre outros órgãos, teve uma despesa de R$ 449.187,30.
Quase todos esses recursos também são considerados como de segurança do Estado e, portanto, são protegidos pelo sigilo, somando R$ 428.562,88. Entre os ministérios, o Planejamento aparece com o maior total de despesas. Por conta ainda dos gastos provocados pelo censo agropecuário, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o ministério teve despesas registradas em janeiro de aproximadamente R$ 1,1 milhão.
Logo depois, os principais ordenadores de gastos com o cartão corporativo são o Desenvolvimento Agrário, com cerca de R$ 680 mil; Educação, com R$ 490 mil; Saúde, com R$ 488 mil; Agricultura, com R$ 333 mil; e Fazenda, com R$ 310 mil. Os dados referentes a janeiro ainda apontam as últimas despesas efetuadas pelo cartão corporativo da ex-ministra de Promoção de Políticas da Igualdade Racial Matilde Ribeiro.
Ela se demitiu do posto, na semana passada, depois de ter feito gastos em 2007 de cerca de R$ 171 mil, considerados muito elevados até pelo governo. Ao todo, os últimos registros do uso do cartão pela ex-ministra mostram um total de R$ 13.995,05. Isso inclui 13 aluguéis de carros da Localiza, com motorista, repetindo as despesas registradas pelo Portal da Transparência em 2007.
Somente com esses últimos aluguéis, todos referentes a despesas feitas no fim do ano passado, Matilde gastou cerca de R$ 11,6 mil. Se forem somadas as suas despesas com a locação de automóveis com o cartão corporativo, desde 2006, quando passou a usar esse instrumento, os gastos de Matilde com carros somam R$ 175,4 mil.
O primeiro balanço de 2008 ainda registra gastos de outros ministros com os cartões. São todos gastos pequenos. O ministro de Esportes, Orlando Silva, teve despesas de R$ 3.507,59 em hotéis e restaurantes. Silva anunciou, durante o Carnaval, que faria a devolução de R$ 30 mil por conta de despesas com os cartões durante 2007.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, gastou R$ 3.126,13 em hotéis e num restaurante. Já o ministro da Pesca, Altemir Gregolin, gastou R$ 1.461,45 em despesas feitas em restaurantes e hotéis. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, gastou R$ 630,75 também com hotéis e restaurantes.
Fonte: Tribuna da Imprensa
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Episódio grotesco do Hospital de Jeremoabo

Por: J. Montalvão
Ainda bem, que dessa vez o diretor do Hospital Estadual de Jeremoabo/Bahia, o Dr. Luiz Carlos, apelou para o bom senso recuando no abuso de autoridade; onde talvez por insinuação de politiqueiros aculturados e ultrapassados, tenha momentaneamente praticado um ato esdrúxulo e grotesco, onde só não digo se tratar de hilariante devido a gravidade, ao rasgar o Estatuto do Funcionário Público, a Constituição Estadual e Federal, rebaixar de cargo e transferir uma funcionária com vinte e cinco (25)anos de efetivo exercício como Técnico Administrativo, para serviços gerais, e o pior, para lavar roupa de doentes naquele nosocômio, no caso a senhora Ruth Martins de Almeida.
Não que o cargo humilhe a quem ele executa, mas por se tratar de rebaixamento de função, perseguição de politiqueiro, coisas dos antigos tempos do coronelismo .
É bom que esses politiqueiros de plantão e ultrapassados, entendam que Jeremoabo mudou, o povo não é escravo nem mercadoria, e sabe muito bem procurar os seus direitos, para isso existe a Constituição Cidadã.
Portando louvo o Dr. Luiz Carlos por retroagir, e como um profissional de nível universitário não deixar se envolver por pseudos coronéis ultrapassados e arcaicos
A nova rádio FM em Jeremoabo!!!



A mim não me causou espécie, porque situação pior e gritante são as torres de Celulares nas praças principais da cidade, e o pior uma em frente a Prefeitura, autorizada pelo governo passado; embora um erro não justifique outro.
A autorização e fiscalização de instalação de antenas para Celulares, emissoras de rádio, e afins, é responsabilidade dos órgãos Federais, Estaduais, e mais precisamente da Prefeitura Municipal, e MINISTÉRIO PÚBLICO.
A título de ilustração e orientação a população, transcrevo a matéria baixo:
TRF-1 restringe instalação de antenas de telefonia celular em Uberlândia
23/3/2007 17h27
Empresas têm 90 dias para adequar equipamentos.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o município de Uberlândia e as operadoras CTBC Celular, Tim Maxitel, Telesp, Nextel, TNL PCS e Telemig Celular terão 90 dias para adequar as antenas de telefonia celular instaladas naquela cidade.
Escândalo pior do que o mensalão
BRASÍLIA - O ministro-chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, levaram ao presidente Lula a minuta de um decreto que, sem tirar nem pôr, significa botar meia-sola num sapato gasto e furado.
Não vai adiantar nada o presidente limitar o uso desses cartões, aumentar a fiscalização e proibir que eles sejam usados para comprar passagens aéreas ou pagar hospedagem de funcionários públicos em hotéis.
O decreto mais parece uma peneira, porque 11 mil 510 detentores de cartões continuarão alugando carros, pagando refeições, tirando dinheiro vivo das máquinas eletrônicas, comprando roupas e fazendo mil outros tipos de despesas.
É preciso repetir que são um escândalo esses cartões, pagos pelo Banco do Brasil e não por quem os utiliza, sem limites para ministros, altas autoridades e até parentes ou seguranças de parentes de altas autoridades.
Entenda quem quiser entender, mas torna-se necessário demonstrar que o governo não é casa da Mãe Joana, que a coisa pública não pode misturar-se à coisa privada e que os detentores do poder são eventuais, não se perpetuam no comando da nação.
Deveria o presidente Lula atentar para o fato de que o escândalo dos cartões de crédito corporativos, se não for cortado pela raiz, logo suplantará o escândalo do mensalão, em termos de repúdio da opinião pública.
Estão brincando com fogo, no Palácio do Planalto e arredores, porque mais dia menos dia a sociedade ficará sabendo de cada detalhe da utilização dos 11.510 cartões de crédito corporativos. O cidadão comum, aquele que se vê assaltado e vilipendiado por impostos de toda ordem, ficará sabendo da farra dos governantes, que até flores para as namoradas enviam com dinheiro público. Sem falar em despesas em boates, bares, livrarias, confecções variadas e lojas de brinquedos. Está tudo documentado e, pior ainda, com os nomes dos usuários, relações que fariam corar frades de pedra, se eles ainda existissem.
O poder não pode tudo, é regra fundamental nas democracias, adiantando muito pouco argumentar que tudo começou no governo Fernando Henrique Cardoso, aliás, personagem devendo uma explicação.
Valério ameaça
Tremeram as paredes da sala da Justiça Federal, em Belo Horizonte, onde Marcos Valério prestou depoimento como réu no processo do mensalão, aberto no Supremo Tribunal Federal. A estratégia do operador da compra de deputados está sendo assumir a responsabilidade pela corrupção, mas nem tanto. Não pretende marchar sozinho para o cadafalso. Deixou sinais evidentes da presença de Delúbio Soares e, em especial, da participação de José Dirceu.
Se puder, Marcos Valério poupará os comparsas, mas, se não puder, hesitará muito pouco em fugir para cima, aliás, bem para cima. Diante do depoimento prestado na sexta-feira de Carnaval, poderá o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, exigir maiores explicações.
Imaginam alguns observadores que a partir do que Marcos Valério disse as comportas serão abertas, inundando a planície e afogando boa parte dos quarenta implicados, inclusive os poucos que já prestaram depoimento, como Delúbio e Dirceu, negando não apenas a condição de mensaleiros, mas até a existência do próprio mensalão. Se a turma do andar de baixo apavorar e começar a dar o serviço, não sobrará ninguém.
O processo arrisca-se a adquirir dinâmica própria, inclusive com a admissão de certos pombos-correio que iam a agências bancárias em Belo Horizonte e São Paulo, de lá retornando a Brasília com malas repletas de dinheiro. Sem esquecer a distribuição dos recursos em quartos de hotel na capital federal.
A lista dos deputados favorecidos com o mensalão parece bem maior do que a dos réus, e apenas Marcos Valério terá condições de divulgá-la, se achar necessário para sua sobrevivência, porque tem tudo anotado, até hoje. Em suma, apesar do Carnaval, muita gente passou os últimos dias sem manifestar a menor alegria.
Os limites de Marina
Marina Silva parece haver extrapolado os limites de sua permanência na equipe do presidente Lula. Porque declarou a uma emissora de rádio que o presidente Lula diz uma coisa, mas faz outra. A referência aconteceu para sua defesa, mas foi recebida como peça de auto-acusação. Afinal, a ministra deixou claro que o presidente age em favor das suas teses ambientalistas e ecológicas, mas fala em defesa dos plantadores de soja e dos criadores de bois. Isso seria, no mínimo... (deixa pra lá).
Evidências inexistem, mas rumores já se ouvem a respeito de poder o presidente Lula aproveitar o escândalo dos cartões de crédito corporativos, mais as pressões do PMDB por cargos no governo, para promover sensível reforma no ministério. Haverá que aguardar, mas melhor oportunidade não aparece para a transformação do Brasil num imenso canteiro de obras...
Fonte: Tribuna da Imprensa
CPI vai investigar gastos do PT e do PSDB
Sampaio diz que não é objetivo da CPI investigar gastos do presidente Lula e sua família e avisa que ela atingirá tanto o governo do PT como o do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique. Ele começa a recolher hoje assinaturas na expectativa de atingir o número exigido - 171 na Câmara e 27 no Senado - até meados da próxima semana.
PERGUNTA - O sr. tenta a criação de uma CPI mista, mas já se fala numa CPI do Senado, onde a oposição é mais forte. As pessoas estão compreendendo que a CPI é uma investigação mais ampla?
CARLOS SAMPAIO - Não é por causa de três ministros, de cujos gastos com o cartão ficamos sabendo agora. Tenho 2 mil páginas de perícias feitas pelo Tribunal de Contas da União, que não contemplam dados sigilosos. Só a CPI pode acessar informações sigilosas. Se não conseguirmos a CPI mista, entregarei todos os dados que tenho para que ela seja feita no Senado.
Aonde a CPI pode chegar?
A CPI poderá investigar com poderes que a Controladoria Geral da União (CGU) não tem. A CGU é um órgão ligado ao governo e não tem a capacidade judicial que a CPI tem. A CPI pode requisitar documentos, convocar depoimentos e dispõe de instrumentos que a CGU não tem. O desfecho da CPI deverá ser o de apresentar os responsáveis pelo uso indevido do cartão para serem punidos pela Justiça e o de criar um novo mecanismo que dê eficiência à fiscalização. Por isso, é que uma há chance efetiva na coleta das assinaturas. O receio do governo é a maior evidência de que a CPI tem de acontecer.
Depois que falei em CPI, a ministra Dilma pediu uma investigação e, dois dias depois, o ministro Paulo Bernardo soltou uma nova norma sobre o uso dos cartões. Estão fazendo tudo para evitar a CPI. O ministro Paulo Bernardo disse que seria a "CPI da tapioca", em referência ao fato de o ministro dos Esportes, Orlando Silva, ter usado o cartão para pagar despesas em uma tapiocaria, em Brasília. Não é a CPI da tapioca, como disse Paulo Bernardo. São R$ 140 milhões de gastos, de 2004 para cá. A CPI vai investigar de 2001 até agora, desde o nascedouro do cartão corporativo. Ou seja, pega PT e PSDB. São dois anos nos quais o PSDB, meu partido, era governo. Não estou partidarizando. A CPI vai cuidar de fatos mais graves que os episódios dos ministros.
O ministro Paulo Bernardo, e acho que não foi por má-fé, demonstrou um desconhecimento completo do uso do dinheiro público. Poderia ser uma tapioca, R$ 1 ou R$ 1 milhão. Ele tem de ter cuidado em não ridicularizar, porque se trata de dinheiro público, não do dinheiro dele. A CPI não é para fazer auê. É para pegar o mau uso.
O que a CPI deve investigar?
A CPI vai investigar três coisas. Duas são o uso indiscriminado do cartão corporativo e o desvirtuamento do uso. Nesses pontos, a perícia feita pelo TCU constatou que 60% do uso tem sido para saques na boca do caixa. O terceiro ponto é a verificação de fraudes no uso. Há um caso, por exemplo, de pagamento de dez diárias, sendo que a perícia constatou que a hospedagem durou cinco dias. Todas essas irregularidades estarão no foco da CPI. Por tabela, está a questão dos ministros.
As investigações vão atingir gastos do presidente e de seus familiares?
Sou contra, em princípio, à quebra de sigilo dos gastos do presidente. Por trás desses gastos há uma questão de segurança nacional. O presidente e sua esposa não estarão no foco da CPI. Isso poderia sugerir um interesse de bisbilhotar. A intenção também não é de acabar com o cartão corporativo, um instrumento ágil e moderno e que permite ter o extrato de todos os gastos. O problema é o desvirtuamento do uso do cartão.
E o caso de um segurança de Lurian, filha de Lula, que usou o cartão para fazer compras em lojas de materiais de construção, autopeças e ferragens, entre outras?
Tudo que entra no foco familiar é ruim para a CPI. Mas como a imprensa noticiou, talvez fosse o caso de requisitar os documentos, mas manter o sigilo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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