O Órgão Especial do TJRS julgou inconstitucional a Lei de São Jerônimo que estabelecia a obrigatoriedade do Município de transportar crianças de suas residências até a creche municipal. O julgamento unânime realizou-se em 12/6. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) foi proposta pela Prefeito Municipal contra a Lei Nº 2.394, de 12 de maio de 2005, alegando invasão de competência do Poder Executivo pelo Legislativo local. Salientou que a Câmara impôs regras de organização administrativa, definindo trajetos do transporte escolar, ferindo o princípio da independência e harmonia dos Poderes. Interferência administrativa e impessoalidade A relatora, Desembargadora Maria Berenice Dias, destacou no voto que o transporte escolar é um serviço público de controle e fiscalização unicamente de competência do Executivo Municipal, sendo evidente a interferência na organização administrativa. “Não é demais mencionar que o transporte escolar está entre os deveres do Poder Público na área da educação e a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul define que este, em cooperação com os Municípios, desenvolverá programas de transporte escolar que assegurem os recursos financeiros indispensáveis para garantir o acesso de todos os alunos à escola.” A magistrada acrescentou que a Lei também é contrária ao princípio da impessoalidade, “que deve imperar no âmbito da Administração Pública”, pois beneficia um único estabelecimento infantil (Creche Municipal São Jerônimo) quando a garantia do transporte escolar gratuito deve contemplar a todos, indistintamente, “ou seja, deve ser prestado de maneira que satisfaça à toda população-alvo, com observância rigorosa de requisitos prévios, destinados a dar um maior controle e fiscalização sobre os recursos públicos vinculados”. Proc. 70012685855 (Maria Helena Gozzer Benjamin)
Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
domingo, junho 18, 2006
Diárias que excedem metade do salário têm natureza salarial
O valor recebido a título de diárias de viagem superior a 50% do salário do empregado tem natureza salarial inclusive para fins de indenização, enquanto forem pagas. Não geram direito, porém, à integração definitiva ao salário, podendo ser suprimidas quando as viagens deixarem de ocorrer. Com este entendimento, a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), negando-lhe provimento, e um recurso de revista de um ex-empregado da empresa, que não foi conhecido. A relatora dos recursos, juíza convocada Maria de Assis Calsing, verificou que a decisão estava de acordo com a jurisprudência do TST. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) havia determinado a integração das diárias para fins de cálculo das gratificações de férias e de farmácia. Embora a CEEE alegasse que essas vantagens foram instituídas “por mera liberalidade”, com critérios definidos pelo próprio empregador, o entendimento do TRT foi diferente. “Se determinada vantagem é instituída por norma regulamentar, não tem tal caráter. As diárias de viagem, a seu turno, quando excedentes a 50% do salário, perdem a natureza indenizatória”, dizia a decisão. No recurso de revista, cujo trancamento pelo TRT originou o agravo de instrumento, a CEEE sustentou que a integração das diárias em gratificações de férias e de farmácia não tinha previsão legal. A juíza Maria Calsing, porém, concluiu que, “ao constatar que as diárias excediam 50% do salário do empregado e determinar sua integração na base de cálculo das gratificações de férias e de farmácia o TRT apenas interpretou de forma razoável o artigo 457 da CLT”, e negou provimento ao agravo. No mesmo processo, o empregado recorreu contra a decisão que entendeu possível a supressão das diárias de viagem quando o empregado não mais se ausentar da sede do serviço por causa de viagens. Sua alegação era a de que, sendo as diárias superiores a 50% do salário, não poderiam ser suprimidas, pois caracterizaria redução de salário. O TRT confirmou que as diárias eram pagas por dia de deslocamento para fora da sede de trabalho, independente de comprovação de despesas. “Logo, não comporta dúvida a correlação dos valores pagos com seu afastamento da sede. Desta sorte, não se pode cogitar da hipótese de pagamentos sem a destinação de ressarcir despesas de viagem, e, por conseqüência, não se desenha a hipótese de salário, contraprestação de serviços normais.” A Quarta Turma, seguindo o voto da relatora, constatou que “a decisão regional encontra-se em consonância com a Súmula nº 101 do TST – que prevê a integração de diárias superiores a 50% “enquanto perdurarem as viagens”. (AIRR e RR 769171/2001.2)
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho.
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho.
Educação Ambiental e currículo escolar
Por: MARA REJANE OSÓRIO DUTRA
Mestre em Educação UFPEL; Professora da FURG e Educadora e coordenadora do Centro de Estudos Ambientais de Pelotas/ RS
Este texto[1] tem por objetivo discutir a relação entre Educação Ambiental e os currículos escolares, a partir de contribuições dos estudos pós-estruturalistas que, nos últimos, anos vêm problematizando a questão do currículo e suas implicações produtivas.
Parto, neste trabalho, da concepção de que os professores, a partir de diferentes discursos que os interpelam, produzem um currículo específico de EA.
Para desenvolver minhas reflexões, organizarei o texto da seguinte forma: inicialmente, apresentarei minhas escolhas teóricas, visto que toda pesquisa está ancorada numa perspectiva que oferece instrumentos e significados compreendidos como importantes para olhar um determinado objeto de estudo. Logo após, apresento algumas considerações baseadas num estudo realizado por mim entre 2002 e 2004. Neste estudo, tratei dos discursos sobre práticas pedagógicas de EA mobilizadas por onze professores de cinco escolas municipais de Pelotas/RS.
Estudos sobre o currículo: conceitos centrais
Os estudos sobre o currículo que seguem a corrente pós-estruturalista trouxeram contribuições que proporcionaram compreender os currículos escolares em suas ações produtivas. Ou seja, passaram a salientar que os currículos produzem “coisas” e que os currículos representam muito mais do que uma simples e desinteressada organização de conhecimento (Silva, 1999, Corraza, 2001, Garcia s/d). Currículo passou a ser compreendido como política cultural, como política de representação e como prática discursiva. Esses estudos, assim, demonstraram que os currículos são importantes mecanismos de produção e fabricação de culturas, de comportamentos, de identidades, e de valores que interpelam os sujeitos a quem se dirigem.
Como política cultural, o currículo é entendido como um artefato disputado. Grupos, sujeitos e instituições que participam dessa disputa desejam materializar, nos currículos, certos aspectos da cultura considerados, por eles, mais importantes, mais corretos, e mais normais, que outros. Como política de representação, o currículo é luta por definir e representar certas concepções de conhecimento e de cultura que têm como intenção produzir sujeitos e condutas específicas. E, como prática discursiva, o currículo define papéis, autoriza e desautoriza determinadas representações do mundo, hierarquiza conhecimentos, valoriza certos sujeitos, temas, grupos sociais e suas formas de vida e exclui outros tantos. Portanto, o currículo é um espaço de lutas e de conflitos que se acionam em torno dos diferentes significados sobre o social e o político. Nesse espaço, grupos expressam, através dos saberes e dos discursos, sua visão de mundo, seu projeto social e sua verdade sobre as coisas, instituindo os objetos de que falam e os sujeitos que interpelam (Silva, 1999).
Essas categorias rompem com idéias conservadoras sobre o currículo, quais sejam, concepções de currículo como grade, lista ou repertório de conhecimentos fixos, naturais e desinteressados que devem ser transmitidos aos alunos. Também, essas categorias nos chamam à atenção para o fato de que não há neutralidade nem desinteresse na seleção e materialização de saberes e conhecimentos que são organizados na escola; tampouco o currículo é um conjunto de conhecimentos que, simplesmente, aparece nos textos curriculares. O currículo é, antes de tudo, uma fabricação social caracterizada por um processo social de concorrência entre diferentes interesses que objetivam produzir e fortalecer aqueles conhecimentos sociais e culturais que entendem serem os mais válidos, os mais importantes a serem oferecidos aos estudantes (Silva, 2003).
Um currículo turístico
Atualmente é possível observar que uma série de grupos disputa os currículos escolares com objetivo de materializar certas concepções de EA (empresas, ONGs, mídia, governos, etc.). São diversas propostas de recursos para projetos, materiais pedagógicos, atividades, experiências, prêmios, panfletos e manuais que são constantemente apresentados como propostas às escolas e a seus professores. Alguns destes materiais tornaram-se subsídios importantes para as práticas educativas dos professores.
Os professores ao entrarem em contato com esses discursos produziram um tipo de Educação Ambiental que caracterizei como “currículo turístico”. Um tipo de currículo que, segundo Santomé (1995), teria as seguintes características principais: a trivialização; a superficialidade e a banalidade dos temas; a tendência a ter um estilo que se aproxima de algo como suvenires.
Nesse tipo de currículo, as experiências escolares de EA acontecem esporadicamente: são trabalhos ocasionais, restritos a dias especiais e comemorativos nos quais, os alunos fazem exposições e gincanas em que, geralmente, competem e ganham prêmios por recolherem garrafas PET, embalagens, papel, vidros, apresentam painéis com definições de flora e fauna ou sobre poluição da água, do solo e outras. Fazem, ainda, os mutirões de recolhimento de lixo com o objetivo de mostrar problemas como aumento e o desleixo, em termos do destino final do lixo e, também, realizam visitas a áreas de preservação (geralmente munidos de uma parafernália de enlatados, chips, refrigerantes...), atividades que se parecem muito com uma atividade meramente recreativa, num local diferente da sala de aulas. Essas atividades não envolvem leituras de textos, explicações e discussões; a atividade é realizada diante da concepção da auto-reflexão, da auto-informação, do esclarecimento pela apreciação da realidade que ali se mostra.
Na impossibilidade de organizarem estas atividades, algumas escolas procuram entidades ambientalistas ou órgãos governamentais que tratem da questão ambiental e que promovam atividades de EA nas escolas. Os trabalhos que mais se destacam nestas ações são trabalhos como oficinas de sucatas (onde os alunos aprendem a fazer brinquedos, jogos, enfeites com papel e garrafas plásticas), teatros, danças (que se orientam, geralmente, por sons e letras que falam da natureza) e recolhimento de resíduos sólidos em alguns locais. Passados os dias comemorativos, a escola volta às suas tarefas cotidianas e, quando muito, continua com o processo de separação de resíduo sólido e a sua venda por parte das escolas.
Nestas atividades os conhecimentos ambientais são fragmentados, limitados, e as relações históricas e políticas da construção e produção dos problemas ambientais permanecem intocadas. Ao não se discutirem os conceitos, os valores e os sentidos das relações sociais, econômicas e políticas e as implicações destas com os temas ambientais, os professores, quando muito, conseguem orientar para certos procedimentos descontextualizados.
Um fato significativo destas ações desenvolvidas nas escolas é a separação e venda de lixo limpo. As escolas, diante de suas dificuldades, vêm sendo seduzidas por ofertas de seletividade de resíduos e se tem observado, em alguns momentos, que os recursos provenientes das vendas desses resíduos têm-se sobreposto ao ato educativo. Não se trata de educar sobre o lixo e sobre os problemas sociais e ambientais, de que o tema poderia tratar, mas de recolher muito lixo, trazer para a escola, vender e produzir recursos extras. Além disso, as escolas acabam fortalecendo o consumismo e, consequëntemente, mais geração de resíduos, algumas trocam os resíduos por nota ou prêmios. Desta forma, os alunos procuram e, as vezes, pressionam os pais para comprar certos produtos que, em outras situações, não seriam consumidos por suas famílias.
No entanto, isso não acontece por má vontade ou desinteresse dos professores. Algumas questões devem ser observadas uma de ordem interna a organização escolar e outra de ordem externa. Internamente, a EA ocupa posição desprestigiada nos currículos, existe uma forte tradição disciplinar e pouca oferta de formação de professores para tratar dos temas ambientais. Fora da escola, outros fatores também ajudam a fortalecer o currículo turístico. Entre eles, é possível citar as atividades desenvolvidas por secretarias de meio ambiente, ONGs e empresas que buscam, nas escolas, meios de fortalecerem suas iniciativas e interesses. Ao fazerem isso, colocam, para a escola, uma série de representações e sentidos sobre as questões ambientais e sobre a EA, as quais acabam atravessando os modos de pensar e agir dos professores e, por conseqüência, as atividades que eles produzem.
Nesta relação o que acaba acontecendo é que nas escolas, a EA acaba existindo graças à boa vontade e disposição de alguns professores e como objeto de áreas de conhecimento ou disciplinas que são consideradas mais próximas da natureza. Neste caso, e levando-se em consideração as escolas estudadas, os professores falam em EA com dois sentidos diferentes. De um lado, é relacionada com as disciplinas de Ciências, Geografia e áreas a fins, embora, em termos de conhecimentos científicos, os professores dessas escolas entendem que existe uma relação mais estreita da EA com os conteúdos definidos, principalmente, para a área de Ciências. De outro lado, a EA se resume especificamente a procedimentos e ações (projetos de seletividade de lixo, plantios de árvores...) pouco vinculadas a essas disciplinas ou áreas.
Essa afinidade entre EA e ciências é também característica das políticas públicas educacionais, os próprios Temas Transversais reafirmam essa concepção quando admitem que as disciplinas que mais se “identificam como o tema ambiental seriam as ciências naturais, geografia e história; às demais disciplinas, cabe a condição de contribuintes eventuais ao desenvolvimento da EA na escola”. (Dutra, 2005). Em vários momentos, nos textos deste guia curricular, a disciplina de Ciências é colocada como um campo fértil de entendimento dos temas ambientais.
Como as definições acerca dos saberes específicos de EA ainda não vêm sendo muito discutidas e problematizadas nos espaços escolares, prevalece à força da tradição curricular que se caracteriza por uma concepção biologicista e cientificista da natureza que vem se pautando, por exemplo, na classificação, hierarquização e observação das espécies da flora e da fauna e do corpo humano.
Esses fatores conjugados fortalecem cada vez mais o desenvolvimento do currículo turístico, um tipo de currículo que é mobilizado no espaço escolar de diferentes maneiras. Os discursos e as práticas que produz são ofertados aos alunos, pais e comunidade escolar em geral. Portanto, são processo de fabricação de significados e representações que apresentam um único caminho a seguir; ao fazer isso, impede outros.
Creio que a luta para dar conta da transformação deste tipo de currículo (tanto na escola como na universidade) envolve entendê-lo como um arranjo, como uma produção humana que se configurou a partir de certos pensamentos, de certas necessidades sociais. Assim, se o currículo é uma produção, precisamos entender que ele pode ser novamente produzido e transformado. No entanto, essa transformação exige, no mínimo, a transformação dos modos como se compreendem os currículos. Envolve tratar o currículo como envolto em relações de poder (Foucault, 2004), como um artefato de produção de significados e representações culturais, como um artefato discursivo de produção de identidades, e como instituidor de condutas e comportamentos específicos. Transformar um currículo escolar seja ele na universidade ou nas escolas, exige, entre outras coisas, questionar qual política cultural queremos implantar, quais vozes que queremos privilegiar, sempre admitindo que o currículo é lugar de produção e de fabricação de discursos representações e significados (Garcia, mimeo, s/d). Isto porque o currículo cria e produz identidades, significados e modos de agir que interpelam uma série de sujeitos. Portanto, discutir, repensar, questionar, desestabilizar o currículo turístico e a EA que desenvolve é politicamente e culturalmente questão urgente e necessária.
Concluindo, gostaria de reiterar, neste texto, o que venho afirmando constantemente:
Meu desejo é que este texto possa ser considerado como um bom motivo para reflexão sobre o poder docente, sobre os currículos e, principalmente, sobre a EA, que mesmo estando nas escolas em condição menos nobre do que outros temas considerados mais importantes, vem produzindo significados e representações, as quais marcam e atravessam os modos de pensar e agir de alunos e da comunidade escolar. Espero que essa problematização seja produtiva no sentido de que possa, no mínimo, ser um bom pretexto para desencadear boas perguntas e outros olhares sobre o que acontece nas escolas (DUTRA, 2005:130).
Não existem receitas, mas a discussão é necessária. Se quisermos realmente uma EA com condições efetivas de transformação de uma realidade atual há que se fazer escolhas e as escolhas, acredito, exigem reflexões, discussões e trocas.
__________
[1] Este texto é parte adaptada de minha dissertação de mestrado com o título “Professores e educação ambiental: uma relação produtiva”.
http://www.espacoacademico.com.br -
Mestre em Educação UFPEL; Professora da FURG e Educadora e coordenadora do Centro de Estudos Ambientais de Pelotas/ RS
Este texto[1] tem por objetivo discutir a relação entre Educação Ambiental e os currículos escolares, a partir de contribuições dos estudos pós-estruturalistas que, nos últimos, anos vêm problematizando a questão do currículo e suas implicações produtivas.
Parto, neste trabalho, da concepção de que os professores, a partir de diferentes discursos que os interpelam, produzem um currículo específico de EA.
Para desenvolver minhas reflexões, organizarei o texto da seguinte forma: inicialmente, apresentarei minhas escolhas teóricas, visto que toda pesquisa está ancorada numa perspectiva que oferece instrumentos e significados compreendidos como importantes para olhar um determinado objeto de estudo. Logo após, apresento algumas considerações baseadas num estudo realizado por mim entre 2002 e 2004. Neste estudo, tratei dos discursos sobre práticas pedagógicas de EA mobilizadas por onze professores de cinco escolas municipais de Pelotas/RS.
Estudos sobre o currículo: conceitos centrais
Os estudos sobre o currículo que seguem a corrente pós-estruturalista trouxeram contribuições que proporcionaram compreender os currículos escolares em suas ações produtivas. Ou seja, passaram a salientar que os currículos produzem “coisas” e que os currículos representam muito mais do que uma simples e desinteressada organização de conhecimento (Silva, 1999, Corraza, 2001, Garcia s/d). Currículo passou a ser compreendido como política cultural, como política de representação e como prática discursiva. Esses estudos, assim, demonstraram que os currículos são importantes mecanismos de produção e fabricação de culturas, de comportamentos, de identidades, e de valores que interpelam os sujeitos a quem se dirigem.
Como política cultural, o currículo é entendido como um artefato disputado. Grupos, sujeitos e instituições que participam dessa disputa desejam materializar, nos currículos, certos aspectos da cultura considerados, por eles, mais importantes, mais corretos, e mais normais, que outros. Como política de representação, o currículo é luta por definir e representar certas concepções de conhecimento e de cultura que têm como intenção produzir sujeitos e condutas específicas. E, como prática discursiva, o currículo define papéis, autoriza e desautoriza determinadas representações do mundo, hierarquiza conhecimentos, valoriza certos sujeitos, temas, grupos sociais e suas formas de vida e exclui outros tantos. Portanto, o currículo é um espaço de lutas e de conflitos que se acionam em torno dos diferentes significados sobre o social e o político. Nesse espaço, grupos expressam, através dos saberes e dos discursos, sua visão de mundo, seu projeto social e sua verdade sobre as coisas, instituindo os objetos de que falam e os sujeitos que interpelam (Silva, 1999).
Essas categorias rompem com idéias conservadoras sobre o currículo, quais sejam, concepções de currículo como grade, lista ou repertório de conhecimentos fixos, naturais e desinteressados que devem ser transmitidos aos alunos. Também, essas categorias nos chamam à atenção para o fato de que não há neutralidade nem desinteresse na seleção e materialização de saberes e conhecimentos que são organizados na escola; tampouco o currículo é um conjunto de conhecimentos que, simplesmente, aparece nos textos curriculares. O currículo é, antes de tudo, uma fabricação social caracterizada por um processo social de concorrência entre diferentes interesses que objetivam produzir e fortalecer aqueles conhecimentos sociais e culturais que entendem serem os mais válidos, os mais importantes a serem oferecidos aos estudantes (Silva, 2003).
Um currículo turístico
Atualmente é possível observar que uma série de grupos disputa os currículos escolares com objetivo de materializar certas concepções de EA (empresas, ONGs, mídia, governos, etc.). São diversas propostas de recursos para projetos, materiais pedagógicos, atividades, experiências, prêmios, panfletos e manuais que são constantemente apresentados como propostas às escolas e a seus professores. Alguns destes materiais tornaram-se subsídios importantes para as práticas educativas dos professores.
Os professores ao entrarem em contato com esses discursos produziram um tipo de Educação Ambiental que caracterizei como “currículo turístico”. Um tipo de currículo que, segundo Santomé (1995), teria as seguintes características principais: a trivialização; a superficialidade e a banalidade dos temas; a tendência a ter um estilo que se aproxima de algo como suvenires.
Nesse tipo de currículo, as experiências escolares de EA acontecem esporadicamente: são trabalhos ocasionais, restritos a dias especiais e comemorativos nos quais, os alunos fazem exposições e gincanas em que, geralmente, competem e ganham prêmios por recolherem garrafas PET, embalagens, papel, vidros, apresentam painéis com definições de flora e fauna ou sobre poluição da água, do solo e outras. Fazem, ainda, os mutirões de recolhimento de lixo com o objetivo de mostrar problemas como aumento e o desleixo, em termos do destino final do lixo e, também, realizam visitas a áreas de preservação (geralmente munidos de uma parafernália de enlatados, chips, refrigerantes...), atividades que se parecem muito com uma atividade meramente recreativa, num local diferente da sala de aulas. Essas atividades não envolvem leituras de textos, explicações e discussões; a atividade é realizada diante da concepção da auto-reflexão, da auto-informação, do esclarecimento pela apreciação da realidade que ali se mostra.
Na impossibilidade de organizarem estas atividades, algumas escolas procuram entidades ambientalistas ou órgãos governamentais que tratem da questão ambiental e que promovam atividades de EA nas escolas. Os trabalhos que mais se destacam nestas ações são trabalhos como oficinas de sucatas (onde os alunos aprendem a fazer brinquedos, jogos, enfeites com papel e garrafas plásticas), teatros, danças (que se orientam, geralmente, por sons e letras que falam da natureza) e recolhimento de resíduos sólidos em alguns locais. Passados os dias comemorativos, a escola volta às suas tarefas cotidianas e, quando muito, continua com o processo de separação de resíduo sólido e a sua venda por parte das escolas.
Nestas atividades os conhecimentos ambientais são fragmentados, limitados, e as relações históricas e políticas da construção e produção dos problemas ambientais permanecem intocadas. Ao não se discutirem os conceitos, os valores e os sentidos das relações sociais, econômicas e políticas e as implicações destas com os temas ambientais, os professores, quando muito, conseguem orientar para certos procedimentos descontextualizados.
Um fato significativo destas ações desenvolvidas nas escolas é a separação e venda de lixo limpo. As escolas, diante de suas dificuldades, vêm sendo seduzidas por ofertas de seletividade de resíduos e se tem observado, em alguns momentos, que os recursos provenientes das vendas desses resíduos têm-se sobreposto ao ato educativo. Não se trata de educar sobre o lixo e sobre os problemas sociais e ambientais, de que o tema poderia tratar, mas de recolher muito lixo, trazer para a escola, vender e produzir recursos extras. Além disso, as escolas acabam fortalecendo o consumismo e, consequëntemente, mais geração de resíduos, algumas trocam os resíduos por nota ou prêmios. Desta forma, os alunos procuram e, as vezes, pressionam os pais para comprar certos produtos que, em outras situações, não seriam consumidos por suas famílias.
No entanto, isso não acontece por má vontade ou desinteresse dos professores. Algumas questões devem ser observadas uma de ordem interna a organização escolar e outra de ordem externa. Internamente, a EA ocupa posição desprestigiada nos currículos, existe uma forte tradição disciplinar e pouca oferta de formação de professores para tratar dos temas ambientais. Fora da escola, outros fatores também ajudam a fortalecer o currículo turístico. Entre eles, é possível citar as atividades desenvolvidas por secretarias de meio ambiente, ONGs e empresas que buscam, nas escolas, meios de fortalecerem suas iniciativas e interesses. Ao fazerem isso, colocam, para a escola, uma série de representações e sentidos sobre as questões ambientais e sobre a EA, as quais acabam atravessando os modos de pensar e agir dos professores e, por conseqüência, as atividades que eles produzem.
Nesta relação o que acaba acontecendo é que nas escolas, a EA acaba existindo graças à boa vontade e disposição de alguns professores e como objeto de áreas de conhecimento ou disciplinas que são consideradas mais próximas da natureza. Neste caso, e levando-se em consideração as escolas estudadas, os professores falam em EA com dois sentidos diferentes. De um lado, é relacionada com as disciplinas de Ciências, Geografia e áreas a fins, embora, em termos de conhecimentos científicos, os professores dessas escolas entendem que existe uma relação mais estreita da EA com os conteúdos definidos, principalmente, para a área de Ciências. De outro lado, a EA se resume especificamente a procedimentos e ações (projetos de seletividade de lixo, plantios de árvores...) pouco vinculadas a essas disciplinas ou áreas.
Essa afinidade entre EA e ciências é também característica das políticas públicas educacionais, os próprios Temas Transversais reafirmam essa concepção quando admitem que as disciplinas que mais se “identificam como o tema ambiental seriam as ciências naturais, geografia e história; às demais disciplinas, cabe a condição de contribuintes eventuais ao desenvolvimento da EA na escola”. (Dutra, 2005). Em vários momentos, nos textos deste guia curricular, a disciplina de Ciências é colocada como um campo fértil de entendimento dos temas ambientais.
Como as definições acerca dos saberes específicos de EA ainda não vêm sendo muito discutidas e problematizadas nos espaços escolares, prevalece à força da tradição curricular que se caracteriza por uma concepção biologicista e cientificista da natureza que vem se pautando, por exemplo, na classificação, hierarquização e observação das espécies da flora e da fauna e do corpo humano.
Esses fatores conjugados fortalecem cada vez mais o desenvolvimento do currículo turístico, um tipo de currículo que é mobilizado no espaço escolar de diferentes maneiras. Os discursos e as práticas que produz são ofertados aos alunos, pais e comunidade escolar em geral. Portanto, são processo de fabricação de significados e representações que apresentam um único caminho a seguir; ao fazer isso, impede outros.
Creio que a luta para dar conta da transformação deste tipo de currículo (tanto na escola como na universidade) envolve entendê-lo como um arranjo, como uma produção humana que se configurou a partir de certos pensamentos, de certas necessidades sociais. Assim, se o currículo é uma produção, precisamos entender que ele pode ser novamente produzido e transformado. No entanto, essa transformação exige, no mínimo, a transformação dos modos como se compreendem os currículos. Envolve tratar o currículo como envolto em relações de poder (Foucault, 2004), como um artefato de produção de significados e representações culturais, como um artefato discursivo de produção de identidades, e como instituidor de condutas e comportamentos específicos. Transformar um currículo escolar seja ele na universidade ou nas escolas, exige, entre outras coisas, questionar qual política cultural queremos implantar, quais vozes que queremos privilegiar, sempre admitindo que o currículo é lugar de produção e de fabricação de discursos representações e significados (Garcia, mimeo, s/d). Isto porque o currículo cria e produz identidades, significados e modos de agir que interpelam uma série de sujeitos. Portanto, discutir, repensar, questionar, desestabilizar o currículo turístico e a EA que desenvolve é politicamente e culturalmente questão urgente e necessária.
Concluindo, gostaria de reiterar, neste texto, o que venho afirmando constantemente:
Meu desejo é que este texto possa ser considerado como um bom motivo para reflexão sobre o poder docente, sobre os currículos e, principalmente, sobre a EA, que mesmo estando nas escolas em condição menos nobre do que outros temas considerados mais importantes, vem produzindo significados e representações, as quais marcam e atravessam os modos de pensar e agir de alunos e da comunidade escolar. Espero que essa problematização seja produtiva no sentido de que possa, no mínimo, ser um bom pretexto para desencadear boas perguntas e outros olhares sobre o que acontece nas escolas (DUTRA, 2005:130).
Não existem receitas, mas a discussão é necessária. Se quisermos realmente uma EA com condições efetivas de transformação de uma realidade atual há que se fazer escolhas e as escolhas, acredito, exigem reflexões, discussões e trocas.
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[1] Este texto é parte adaptada de minha dissertação de mestrado com o título “Professores e educação ambiental: uma relação produtiva”.
http://www.espacoacademico.com.br -
O VELHO ESTILO MALVADEZA
Por: Leandro Fortes (Carta Capital)
Acusado de usar um amigo como testa-de-ferro, ACM parte para a ofensa
O reinado carlista na Bahia, quase sempre sob controle, vive momentos de grande alvoroço às vésperas do período eleitoral. À decisão do PSDB local de não se aliar ao PFL dominado pelo senador Antonio Carlos Magalhães juntou-se mais uma saraivada de denúncias que envolvem o clã de ACM. No olho do furacão está o publicitário preferido do senador, Fernando Barros, dono da Propeg e das principais contas publicitárias do governo da Bahia e dos fiéis seguidores do carlismo. Acusado pelo deputado estadual Emiliano José, do PT, de usar Barros como testa-de-ferro em negócios escusos, ACM reagiu com a virulência de costume: chamou o adversário de "canalha" e, é claro, botou a mãe no meio. Iniciou-se, então, uma troca de insultos, via fax, com papéis timbrados da Assembléia Legislativa da Bahia e do Senado Federal.
Farpas.No diálogo de alto nível que se seguiu à denúncia, sobrou até para a mãe do deputado EmilianoEmiliano também levantou, junto à Secretaria de Fazenda da Bahia, que Antonio Carlos Magalhães Júnior, filho e suplente de ACM no Senado, era sócio de pelo menos duas empresas ligadas a Fernando Barros. ACM Júnior, aliás, segundo cadastro da mesma secretaria, aparece como sendo ou tendo sido sócio de 54 empresas no estado. Apesar da documentação apresentada pelo deputado petista, o senador Antonio Carlos, de Brasília, vociferou por meio de um fax. Negou ter sociedade com Fernando Barros, assim como o filho, Júnior. E mandou ver: “Inclusive, se o sr. encontrar alguma cota, passo-as para a senhora sua mãe, a fim de que lhe sirva como herança no seu triste fim de vida”. A resposta de Emiliano veio no mesmo tom. “Não me ameace porque, se não tive medo de quando Vossa Excelência era um rastejante bajulador que se escondia por trás da ditadura militar, quanto mais agora, que não é mais que um ex-coronel fracassado, que saiu pela porta dos fundos para não ser cassado”, escreveu o deputado petista. “Não cite minha mãe em sua boca suja, nem minta sobre a presença do nome de seu filho Antonio Carlos Peixoto Magalhães Júnior.” O que primeiro despertou a ira de ACM foi um pronunciamento de Emiliano, na quarta-feira 26, no plenário da Assembléia, contando a história de uma suposta negociata. De posse de diversos documentos, o parlamentar relatou que, em 1999, uma empresa de Fernando Barros tornou-se dona de uma área de 230 mil metros quadrados no litoral da Bahia, na região da Base Naval de Aratu, próximo a Salvador. A empresa dele envolvida no negócio, conhecida como Grupo TPC (Terminal Portuário Cotegipe), tomou posse do lugar, após incorporar uma outra companhia, a Creso Amorim, esta, sim, vencedora da licitação anterior da área. Os terrenos envolvidos estão situados em pontos geográficos de nomes emblemáticos: “Ponta do Fernandinho” e “Ponta do Criminoso”. No ano seguinte, em outubro de 2000, a TPC começou a negociar com a empresa Moinhos Dias Branco uma sociedade para implantação e exploração do terminal portuário. Para tal, prometeu vender o terreno concessionado à Creso Amorim. A promessa de venda feria o contrato de concessão firmado com a Marinha, mas isso não foi levado em conta. Para tal, chegou-se a uma solução mirabolante: o estado da Bahia resolveu comprar a área da TPC por intermédio da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic). Trata-se de uma negociação estranha com terras públicas da União. A compra foi feita em três fases, a partir de 14 de agosto de 2000, e resultou na transferência, sem qualquer licitação ou concorrência pública, de áreas adquiridas pelo governo baiano para a iniciativa privada. A primeira fase englobou uma área de 81.885,34 metros quadrados, adquirida pelo estado da Bahia por 663 mil reais. Em 7 de maio de 2001, a Sudic revendeu o mesmo terreno para a Moinhos Dias Branco – em sociedade com a TPC de Fernando Barros – por 22,6 mil reais. Apenas nessa operação, os cofres baianos tiveram um prejuízo estimado de 640,3 mil reais.
Digitais.O deputado Emiliano José exibiu documentos que apontam vínculos da família de ACM com empresas de Fernando BarrosOutras duas transações, firmadas nos dias 5 e 15 de abril de 2002, resultaram numa transferência de terras para a dupla TPC - Moinhos Dias Branco de 395 mil metros quadrados – ou seja, 165 mil metros quadrados ou 72% acima da área inicialmente concedida para o terminal portuário. Um tipo peculiar de negociação de terras públicas que não passou incólume aos olhos da Gerência de Patrimônio da União, onde um processo foi aberto para se argüir a nulidade da alienação do terreno, ocorrida em área de domínio pleno da Marinha. O grupo de Fernando Barros também passou a atuar na exploração do terminal portuário vizinho ao de Aratu, conhecido como Porto de Ponta da Laje. O terminal foi um empreendimento construído, por 24 milhões de reais, pelo governo da Bahia para garantir a presença da multinacional Ford no estado. É por lá que a montadora exporta os veículos produzidos na fábrica de Camaçari, a 45 quilômetros de Salvador. Lá, a TPC opera como provedora logística da Ford. Nos últimos cinco anos, o Grupo TPC ramificou-se em uma grande quantidade de empresas. Entre elas: C. Port Porto Cotegipe, Terminal Portuário Cotegipe, TPC Operador Logístico, Pronto Logística, Pronto Express, Pronto Express Logística, Porto Cotegipe Logística, Cosmo Express e Modal Serviços Retroportuários, todas sócias entre si. Esse expediente pode ser usado para dificultar o rastreamento contábil e fiscal de grupos empresariais. Mas é justamente na análise dessas companhias que se acha uma ligação ainda mais explícita entre Fernando Barros e o clã dos Magalhães. Até 2003, um dos filhos do senador ACM, o professor Antonio Carlos Magalhães Júnior (pai do deputado ACM Neto, do PFL), era sócio de duas das empresas englobadas pelo Grupo TPC: a Cosmo Express e a Pronto Express. Compradas por Fernando Barros, as empresas deixaram, imediatamente, de ter o nome de ACM Júnior no quadro societário. Suplente do pai no Senado Federal, Júnior chegou a ser titular do mandato quando, em 2001, ACM renunciou para não ser cassado por envolvimento na quebra ilegal de sigilo do painel eletrônico da Casa. A última investida do Grupo TPC foi também em 2003, quando tentou levar para o Terminal Portuário de Cotegipe todo o escoamento de grãos, sobretudo soja, produzidos na Bahia. O grupo de Fernando Barros tentou derrotar, na Justiça, a empresa multinacional Bunge Alimentos, vencedora da concorrência pública realizada pela Companhia de Docas da Bahia (Codeba). Pelos termos do contrato, a Bunge ganhou o direito de exportar os grãos baianos pelo Porto de Aratu. A TPC perdeu, mas o senador César Borges (PFL-BA), governador do estado na época de todas as transações do Grupo TPC, garante que tudo não passa de “tramóia do PT”. O discurso de Borges é afinado com o de ACM, de resto, chefe político dele, do atual governador da Bahia, Paulo Souto, e de todo o PFL baiano. No segundo fax enviado ao deputado Emiliano José, além de nova referência à mãe do parlamentar, Antonio Carlos foi direto ao cerne da questão. Destilou fel ao referir-se à Bunge, segundo ele, “multinacional que deseja o monopólio da produção de grãos, a fim de prejudicar os verdadeiros produtores baianos”. Segundo o senador, o PT baiano teria se valido do contrato com a Bunge para se locupletar. O troco de Emiliano, chamado outra vez de “canalha”, veio de bate-pronto. “Canalhice é a sua triste história política que envergonha a Bahia”, escreveu o deputado. “Lambe-botas dos militares, enriqueceu à custa de recursos públicos”, disparou. O grupo carlista tem outro desafio, além do de responder às acusações de irregularidade na administração pública estadual. Capitaneado pelo deputado Jutahy Magalhães Júnior, o PSDB baiano decidiu se aliar ao PDT, partido do prefeito João Henrique, filho do candidato da sigla ao governo, o ex-governador e ex-aliado de ACM, João Durval. Paulo Souto declarou que, caso seja hostilizado pelos tucanos da Bahia, poderá, isoladamente, não apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência. Mas, como tudo no PFL baiano, a reação de Souto vai depender mesmo da vontade do senador Antonio Carlos. Além disso, outro fato recente serviu para aumentar o embaraço do clã dos Magalhães. O Correio da Bahia, jornal da família de ACM usado, sem camuflagem, para detonar desafetos políticos e pessoais do senador, foi condenado a pagar 3 mil salários mínimos (mais de 1 milhão de reais) ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral baiano, desembargador Carlos Alberto Cintra. Acusado de “dono do Judiciário prostituído” por ACM, Cintra tornou-se alvo do senador ao interromper, há duas eleições, a influência do pefelista dentro do Tribunal de Justiça da Bahia. No último pleito, o desembargador Benício Figueiredo foi eleito com o apoio de Carlos Alberto Cintra, após vencer, com larga diferença, o desembargador Eduardo Jorge Magalhães, irmão de ACM. Na sentença que condenou o Correio da Bahia, o juiz Clésio Carrilho Rosa assinalou: “Por motivos estranhos, ocultos e alheios aos autos, o periódico (Correio da Bahia) demonstra pretender atacar, abertamente, a figura, a imagem e a honra de integrantes do Poder Judiciário baiano”.
Acusado de usar um amigo como testa-de-ferro, ACM parte para a ofensa
O reinado carlista na Bahia, quase sempre sob controle, vive momentos de grande alvoroço às vésperas do período eleitoral. À decisão do PSDB local de não se aliar ao PFL dominado pelo senador Antonio Carlos Magalhães juntou-se mais uma saraivada de denúncias que envolvem o clã de ACM. No olho do furacão está o publicitário preferido do senador, Fernando Barros, dono da Propeg e das principais contas publicitárias do governo da Bahia e dos fiéis seguidores do carlismo. Acusado pelo deputado estadual Emiliano José, do PT, de usar Barros como testa-de-ferro em negócios escusos, ACM reagiu com a virulência de costume: chamou o adversário de "canalha" e, é claro, botou a mãe no meio. Iniciou-se, então, uma troca de insultos, via fax, com papéis timbrados da Assembléia Legislativa da Bahia e do Senado Federal.
Farpas.No diálogo de alto nível que se seguiu à denúncia, sobrou até para a mãe do deputado EmilianoEmiliano também levantou, junto à Secretaria de Fazenda da Bahia, que Antonio Carlos Magalhães Júnior, filho e suplente de ACM no Senado, era sócio de pelo menos duas empresas ligadas a Fernando Barros. ACM Júnior, aliás, segundo cadastro da mesma secretaria, aparece como sendo ou tendo sido sócio de 54 empresas no estado. Apesar da documentação apresentada pelo deputado petista, o senador Antonio Carlos, de Brasília, vociferou por meio de um fax. Negou ter sociedade com Fernando Barros, assim como o filho, Júnior. E mandou ver: “Inclusive, se o sr. encontrar alguma cota, passo-as para a senhora sua mãe, a fim de que lhe sirva como herança no seu triste fim de vida”. A resposta de Emiliano veio no mesmo tom. “Não me ameace porque, se não tive medo de quando Vossa Excelência era um rastejante bajulador que se escondia por trás da ditadura militar, quanto mais agora, que não é mais que um ex-coronel fracassado, que saiu pela porta dos fundos para não ser cassado”, escreveu o deputado petista. “Não cite minha mãe em sua boca suja, nem minta sobre a presença do nome de seu filho Antonio Carlos Peixoto Magalhães Júnior.” O que primeiro despertou a ira de ACM foi um pronunciamento de Emiliano, na quarta-feira 26, no plenário da Assembléia, contando a história de uma suposta negociata. De posse de diversos documentos, o parlamentar relatou que, em 1999, uma empresa de Fernando Barros tornou-se dona de uma área de 230 mil metros quadrados no litoral da Bahia, na região da Base Naval de Aratu, próximo a Salvador. A empresa dele envolvida no negócio, conhecida como Grupo TPC (Terminal Portuário Cotegipe), tomou posse do lugar, após incorporar uma outra companhia, a Creso Amorim, esta, sim, vencedora da licitação anterior da área. Os terrenos envolvidos estão situados em pontos geográficos de nomes emblemáticos: “Ponta do Fernandinho” e “Ponta do Criminoso”. No ano seguinte, em outubro de 2000, a TPC começou a negociar com a empresa Moinhos Dias Branco uma sociedade para implantação e exploração do terminal portuário. Para tal, prometeu vender o terreno concessionado à Creso Amorim. A promessa de venda feria o contrato de concessão firmado com a Marinha, mas isso não foi levado em conta. Para tal, chegou-se a uma solução mirabolante: o estado da Bahia resolveu comprar a área da TPC por intermédio da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic). Trata-se de uma negociação estranha com terras públicas da União. A compra foi feita em três fases, a partir de 14 de agosto de 2000, e resultou na transferência, sem qualquer licitação ou concorrência pública, de áreas adquiridas pelo governo baiano para a iniciativa privada. A primeira fase englobou uma área de 81.885,34 metros quadrados, adquirida pelo estado da Bahia por 663 mil reais. Em 7 de maio de 2001, a Sudic revendeu o mesmo terreno para a Moinhos Dias Branco – em sociedade com a TPC de Fernando Barros – por 22,6 mil reais. Apenas nessa operação, os cofres baianos tiveram um prejuízo estimado de 640,3 mil reais.
Digitais.O deputado Emiliano José exibiu documentos que apontam vínculos da família de ACM com empresas de Fernando BarrosOutras duas transações, firmadas nos dias 5 e 15 de abril de 2002, resultaram numa transferência de terras para a dupla TPC - Moinhos Dias Branco de 395 mil metros quadrados – ou seja, 165 mil metros quadrados ou 72% acima da área inicialmente concedida para o terminal portuário. Um tipo peculiar de negociação de terras públicas que não passou incólume aos olhos da Gerência de Patrimônio da União, onde um processo foi aberto para se argüir a nulidade da alienação do terreno, ocorrida em área de domínio pleno da Marinha. O grupo de Fernando Barros também passou a atuar na exploração do terminal portuário vizinho ao de Aratu, conhecido como Porto de Ponta da Laje. O terminal foi um empreendimento construído, por 24 milhões de reais, pelo governo da Bahia para garantir a presença da multinacional Ford no estado. É por lá que a montadora exporta os veículos produzidos na fábrica de Camaçari, a 45 quilômetros de Salvador. Lá, a TPC opera como provedora logística da Ford. Nos últimos cinco anos, o Grupo TPC ramificou-se em uma grande quantidade de empresas. Entre elas: C. Port Porto Cotegipe, Terminal Portuário Cotegipe, TPC Operador Logístico, Pronto Logística, Pronto Express, Pronto Express Logística, Porto Cotegipe Logística, Cosmo Express e Modal Serviços Retroportuários, todas sócias entre si. Esse expediente pode ser usado para dificultar o rastreamento contábil e fiscal de grupos empresariais. Mas é justamente na análise dessas companhias que se acha uma ligação ainda mais explícita entre Fernando Barros e o clã dos Magalhães. Até 2003, um dos filhos do senador ACM, o professor Antonio Carlos Magalhães Júnior (pai do deputado ACM Neto, do PFL), era sócio de duas das empresas englobadas pelo Grupo TPC: a Cosmo Express e a Pronto Express. Compradas por Fernando Barros, as empresas deixaram, imediatamente, de ter o nome de ACM Júnior no quadro societário. Suplente do pai no Senado Federal, Júnior chegou a ser titular do mandato quando, em 2001, ACM renunciou para não ser cassado por envolvimento na quebra ilegal de sigilo do painel eletrônico da Casa. A última investida do Grupo TPC foi também em 2003, quando tentou levar para o Terminal Portuário de Cotegipe todo o escoamento de grãos, sobretudo soja, produzidos na Bahia. O grupo de Fernando Barros tentou derrotar, na Justiça, a empresa multinacional Bunge Alimentos, vencedora da concorrência pública realizada pela Companhia de Docas da Bahia (Codeba). Pelos termos do contrato, a Bunge ganhou o direito de exportar os grãos baianos pelo Porto de Aratu. A TPC perdeu, mas o senador César Borges (PFL-BA), governador do estado na época de todas as transações do Grupo TPC, garante que tudo não passa de “tramóia do PT”. O discurso de Borges é afinado com o de ACM, de resto, chefe político dele, do atual governador da Bahia, Paulo Souto, e de todo o PFL baiano. No segundo fax enviado ao deputado Emiliano José, além de nova referência à mãe do parlamentar, Antonio Carlos foi direto ao cerne da questão. Destilou fel ao referir-se à Bunge, segundo ele, “multinacional que deseja o monopólio da produção de grãos, a fim de prejudicar os verdadeiros produtores baianos”. Segundo o senador, o PT baiano teria se valido do contrato com a Bunge para se locupletar. O troco de Emiliano, chamado outra vez de “canalha”, veio de bate-pronto. “Canalhice é a sua triste história política que envergonha a Bahia”, escreveu o deputado. “Lambe-botas dos militares, enriqueceu à custa de recursos públicos”, disparou. O grupo carlista tem outro desafio, além do de responder às acusações de irregularidade na administração pública estadual. Capitaneado pelo deputado Jutahy Magalhães Júnior, o PSDB baiano decidiu se aliar ao PDT, partido do prefeito João Henrique, filho do candidato da sigla ao governo, o ex-governador e ex-aliado de ACM, João Durval. Paulo Souto declarou que, caso seja hostilizado pelos tucanos da Bahia, poderá, isoladamente, não apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência. Mas, como tudo no PFL baiano, a reação de Souto vai depender mesmo da vontade do senador Antonio Carlos. Além disso, outro fato recente serviu para aumentar o embaraço do clã dos Magalhães. O Correio da Bahia, jornal da família de ACM usado, sem camuflagem, para detonar desafetos políticos e pessoais do senador, foi condenado a pagar 3 mil salários mínimos (mais de 1 milhão de reais) ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral baiano, desembargador Carlos Alberto Cintra. Acusado de “dono do Judiciário prostituído” por ACM, Cintra tornou-se alvo do senador ao interromper, há duas eleições, a influência do pefelista dentro do Tribunal de Justiça da Bahia. No último pleito, o desembargador Benício Figueiredo foi eleito com o apoio de Carlos Alberto Cintra, após vencer, com larga diferença, o desembargador Eduardo Jorge Magalhães, irmão de ACM. Na sentença que condenou o Correio da Bahia, o juiz Clésio Carrilho Rosa assinalou: “Por motivos estranhos, ocultos e alheios aos autos, o periódico (Correio da Bahia) demonstra pretender atacar, abertamente, a figura, a imagem e a honra de integrantes do Poder Judiciário baiano”.
O sistema político está podre
Por: Nelson Breve (Carta Maior)
A corrupção tem muita semelhança com as doenças contagiosas. Pode estar presente em qualquer lugar. Seus agentes estão sempre rondando organismos saudáveis e impregnando ambientes desprotegidos. Ela testa as resistências, procura vulnerabilidades e, quando a guarda baixa, captura sua vítima sem piedade. O desejo e a ambição proporcionam o clima ideal para sua propagação. Sexo, poder e dinheiro são sua base de alimentação.O sistema de representação político-partidária do Brasil está podre. Não adianta trocar as frutas, porque o foco de contaminação está no cesto. Historicamente, as campanhas eleitorais são financiadas por quem tem interesse em negócios que os governos municipais, estaduais ou federal podem prejudicar ou favorecer. Portanto, quem manda no Erário, nas licitações, nas regulamentações, nas decisões estratégicas e na fiscalização da sociedade tem mais facilidade para arrecadar recursos de campanha e arregimentar apoios.As contrapartidas desses apoios podem ser legítimas ou ilegítimas. Legais ou ilegais. Morais ou imorais. Éticas ou antiéticas. Explicáveis ou inexplicáveis. Mas é sempre bom ter em mente que não existe almoço grátis. Alguém está fazendo um investimento a fundo perdido na expectativa de ter o retorno em algum momento futuro – ou recompensando algum favor obtido no passado. E os ciclos eleitorais fazem todos perderem de vista o ponto de partida: o apoio financeiro na campanha é para agradecer alguma ajuda ou adiantamento por algum favor a ser prestado?A partir daí, são construídas redes de solidariedade, que se transformam em forças de apoio, que montam grupos operacionais, que organizam estruturas, com vistas a disputar e acumular mais e mais poder. Dentro de uma organização partidária, no Estado ou na sociedade. Isso é assim desde o início da civilização. Em alguns períodos prevalece a força física, em outros a intelectual, em outros a potência bélica, em outros a potência de difusão e em outros o poder econômico.Quando se olha para o quadro de doadores de campanha, verifica-se que as empreiteiras de obras públicas (grandes, médias e pequenas) são as principais doadoras junto com os bancos. O que elas querem? Ganhar licitações de obras novas ou receber pela construção de antigas, tendo o maior lucro possível para disputar obras mais rentáveis. O que os bancos querem? Não ser surpreendidos com decisões que diminuam seu patrimônio e lucrar o máximo com a intermediação financeira.O que querem os fornecedores de programas de informática, serviços terceirizados, equipamentos diversos, combustíveis, automóveis, papel, café e sabe-se lá mais o quê? Querem vender para o Estado, que quase sempre é um ótimo cliente, tendo o maior lucro possível. O que querem as empresas capitalizadas por fundos de pensão de estatais? Continuidade ou aumento do apoio financeiro para investimentos ou exibição de robustez, que resulte na expansão dos negócios, gerando mais lucros.A partir da redemocratização do país, com o passar do tempo, as campanhas eleitorais foram ficando cada vez mais caras. Pesquisas, analistas, marqueteiros, logística, material gráfico, comunicação, brindes, bandeiras, camisetas, combustível, transporte, alimentação, cabos-eleitorais, propaganda etc. E o sistema de voto uninominal (quando o voto no candidato organiza a ordem de eleitos) nas eleições para deputados e vereadores, complica mais a situação, pois coloca os candidatos de um mesmo partido ou coligação disputando uns contra os outros, em uma campanha antropofágica.O ciclo que aproxima poder e corrupção não tem fim. Recursos públicos e privados abastecem as tesourarias dos grupos políticos, que, estando no poder, ajudam seus patrocinadores a abrir passagem no caminho de acesso aos recursos públicos e privados. Ajustando o ciclo, pode-se dizer que os grupos políticos recorrem aos recursos dos financiadores de campanha para permanecer ou alcançar o poder, o que lhes permite abrir passagem para que os patrocinadores sejam recompensados com o acesso aos recursos públicos e privados.Para exercer o poder no Estado Republicano é preciso compor maiorias legislativas. Desde que foi restabelecida a democracia no país, nenhum agrupamento político conseguiu formar maioria parlamentar sem o auxilio de coalizões. Hoje, nenhum partido consegue eleger mais do que 20% dos representantes do povo no Congresso Nacional.A formação das maiorias exige a partilha do poder entre grupos distintos. Às vezes, antagônicos. Em governos anteriores tal partilha tinha como base as estruturas de ministérios, com suas respectivas empresas estatais e fundos de pensão. Loteava-se o governo em áreas, e cada partido ou agrupamento político operava seus esquemas de financiamento no interior dos respectivos feudos.A operação dos esquemas passa pelo preenchimento dos cargos locais, que atuam no varejo dos municípios e estados. Estabelecendo a ligação de clientelismo com prefeitos, vereadores, deputados estaduais, organizações sociais e o empresariado local. E passa, também, pelo preenchimento de cargos estratégicos da administração federal, que atuam no atacado. Comando de órgãos repassadores de recursos, diretorias financeiras de estatais, áreas responsáveis por contratações de grande porte e áreas de fiscalização.A relação de clientelismo no atacado transforma grandes fornecedores em potenciais financiadores das estruturas partidárias nacionais – dirigentes e bancadas no Congresso. A coleta e o repasse são feitos por tesoureiros invisíveis, que, muitas vezes, estão enraizados na própria estrutura do Estado. E é difícil substituí-los, pois eles têm extrema mobilidade para obter apoios suprapartidários. Essa suposta configuração imaginária de nível nacional se reproduz na mesma proporção nos estados e municípios. A partir de um relatório apresentado por especialistas em administração pública ligados ao PT, logo após a vitória de Lula na eleição de 2002, a cúpula do novo governo decidiu romper com essa lógica. A ordem era manter os cargos estratégicos nas mãos de pessoas de confiança do partido e dividir com os aliados os menos relevantes. Era a partilha horizontal da administração, que pode ter sido o movimento que desencadeou o processo de desestruturação das máquinas arrecadadoras dos agrupamentos políticos que estavam na coalizão do governo anterior e decidiram permanecer após a troca de comando federal.Ao separar os grupos políticos de seus financiadores, o governo colocou em risco a formação da maioria parlamentar. O escândalo do mensalão pode ter sido o subterfúgio para compensar as perdas, que reduziriam a competitividade dos aliados de ocasião nas disputas eleitorais nos municípios, em 2004. A tentativa de substituição de um tesoureiro invisível, enraizado desde o governo anterior, que vinha escorado em dirigentes do PT, do PP, do PL, do PMDB e até em ilustres tucanos e pefelistas, pode ter sido a gota que transbordou o balde, revelando como as coisas funcionam há muito tempo na política e na administração pública. Esse sistema podre vai permanecer qualquer que seja o resultado da eleição deste ano. No mínimo, será restabelecida a partilha vertical, que é mais eficaz para acobertar os esquemas. O presidente eleito ou reeleito precisa ter em mente que só uma reforma política ampla e séria pode remover a nódoa que impregnou a sociedade com o cheio infecto da corrupção. Essa reforma começa, no mínimo, com o financiamento público exclusivo de campanhas e o voto em lista partidária fechada. Mas deve incluir, também, uma reforma do Estado para torná-lo mais transparente e permeável à participação democrática da sociedade organizada
A corrupção tem muita semelhança com as doenças contagiosas. Pode estar presente em qualquer lugar. Seus agentes estão sempre rondando organismos saudáveis e impregnando ambientes desprotegidos. Ela testa as resistências, procura vulnerabilidades e, quando a guarda baixa, captura sua vítima sem piedade. O desejo e a ambição proporcionam o clima ideal para sua propagação. Sexo, poder e dinheiro são sua base de alimentação.O sistema de representação político-partidária do Brasil está podre. Não adianta trocar as frutas, porque o foco de contaminação está no cesto. Historicamente, as campanhas eleitorais são financiadas por quem tem interesse em negócios que os governos municipais, estaduais ou federal podem prejudicar ou favorecer. Portanto, quem manda no Erário, nas licitações, nas regulamentações, nas decisões estratégicas e na fiscalização da sociedade tem mais facilidade para arrecadar recursos de campanha e arregimentar apoios.As contrapartidas desses apoios podem ser legítimas ou ilegítimas. Legais ou ilegais. Morais ou imorais. Éticas ou antiéticas. Explicáveis ou inexplicáveis. Mas é sempre bom ter em mente que não existe almoço grátis. Alguém está fazendo um investimento a fundo perdido na expectativa de ter o retorno em algum momento futuro – ou recompensando algum favor obtido no passado. E os ciclos eleitorais fazem todos perderem de vista o ponto de partida: o apoio financeiro na campanha é para agradecer alguma ajuda ou adiantamento por algum favor a ser prestado?A partir daí, são construídas redes de solidariedade, que se transformam em forças de apoio, que montam grupos operacionais, que organizam estruturas, com vistas a disputar e acumular mais e mais poder. Dentro de uma organização partidária, no Estado ou na sociedade. Isso é assim desde o início da civilização. Em alguns períodos prevalece a força física, em outros a intelectual, em outros a potência bélica, em outros a potência de difusão e em outros o poder econômico.Quando se olha para o quadro de doadores de campanha, verifica-se que as empreiteiras de obras públicas (grandes, médias e pequenas) são as principais doadoras junto com os bancos. O que elas querem? Ganhar licitações de obras novas ou receber pela construção de antigas, tendo o maior lucro possível para disputar obras mais rentáveis. O que os bancos querem? Não ser surpreendidos com decisões que diminuam seu patrimônio e lucrar o máximo com a intermediação financeira.O que querem os fornecedores de programas de informática, serviços terceirizados, equipamentos diversos, combustíveis, automóveis, papel, café e sabe-se lá mais o quê? Querem vender para o Estado, que quase sempre é um ótimo cliente, tendo o maior lucro possível. O que querem as empresas capitalizadas por fundos de pensão de estatais? Continuidade ou aumento do apoio financeiro para investimentos ou exibição de robustez, que resulte na expansão dos negócios, gerando mais lucros.A partir da redemocratização do país, com o passar do tempo, as campanhas eleitorais foram ficando cada vez mais caras. Pesquisas, analistas, marqueteiros, logística, material gráfico, comunicação, brindes, bandeiras, camisetas, combustível, transporte, alimentação, cabos-eleitorais, propaganda etc. E o sistema de voto uninominal (quando o voto no candidato organiza a ordem de eleitos) nas eleições para deputados e vereadores, complica mais a situação, pois coloca os candidatos de um mesmo partido ou coligação disputando uns contra os outros, em uma campanha antropofágica.O ciclo que aproxima poder e corrupção não tem fim. Recursos públicos e privados abastecem as tesourarias dos grupos políticos, que, estando no poder, ajudam seus patrocinadores a abrir passagem no caminho de acesso aos recursos públicos e privados. Ajustando o ciclo, pode-se dizer que os grupos políticos recorrem aos recursos dos financiadores de campanha para permanecer ou alcançar o poder, o que lhes permite abrir passagem para que os patrocinadores sejam recompensados com o acesso aos recursos públicos e privados.Para exercer o poder no Estado Republicano é preciso compor maiorias legislativas. Desde que foi restabelecida a democracia no país, nenhum agrupamento político conseguiu formar maioria parlamentar sem o auxilio de coalizões. Hoje, nenhum partido consegue eleger mais do que 20% dos representantes do povo no Congresso Nacional.A formação das maiorias exige a partilha do poder entre grupos distintos. Às vezes, antagônicos. Em governos anteriores tal partilha tinha como base as estruturas de ministérios, com suas respectivas empresas estatais e fundos de pensão. Loteava-se o governo em áreas, e cada partido ou agrupamento político operava seus esquemas de financiamento no interior dos respectivos feudos.A operação dos esquemas passa pelo preenchimento dos cargos locais, que atuam no varejo dos municípios e estados. Estabelecendo a ligação de clientelismo com prefeitos, vereadores, deputados estaduais, organizações sociais e o empresariado local. E passa, também, pelo preenchimento de cargos estratégicos da administração federal, que atuam no atacado. Comando de órgãos repassadores de recursos, diretorias financeiras de estatais, áreas responsáveis por contratações de grande porte e áreas de fiscalização.A relação de clientelismo no atacado transforma grandes fornecedores em potenciais financiadores das estruturas partidárias nacionais – dirigentes e bancadas no Congresso. A coleta e o repasse são feitos por tesoureiros invisíveis, que, muitas vezes, estão enraizados na própria estrutura do Estado. E é difícil substituí-los, pois eles têm extrema mobilidade para obter apoios suprapartidários. Essa suposta configuração imaginária de nível nacional se reproduz na mesma proporção nos estados e municípios. A partir de um relatório apresentado por especialistas em administração pública ligados ao PT, logo após a vitória de Lula na eleição de 2002, a cúpula do novo governo decidiu romper com essa lógica. A ordem era manter os cargos estratégicos nas mãos de pessoas de confiança do partido e dividir com os aliados os menos relevantes. Era a partilha horizontal da administração, que pode ter sido o movimento que desencadeou o processo de desestruturação das máquinas arrecadadoras dos agrupamentos políticos que estavam na coalizão do governo anterior e decidiram permanecer após a troca de comando federal.Ao separar os grupos políticos de seus financiadores, o governo colocou em risco a formação da maioria parlamentar. O escândalo do mensalão pode ter sido o subterfúgio para compensar as perdas, que reduziriam a competitividade dos aliados de ocasião nas disputas eleitorais nos municípios, em 2004. A tentativa de substituição de um tesoureiro invisível, enraizado desde o governo anterior, que vinha escorado em dirigentes do PT, do PP, do PL, do PMDB e até em ilustres tucanos e pefelistas, pode ter sido a gota que transbordou o balde, revelando como as coisas funcionam há muito tempo na política e na administração pública. Esse sistema podre vai permanecer qualquer que seja o resultado da eleição deste ano. No mínimo, será restabelecida a partilha vertical, que é mais eficaz para acobertar os esquemas. O presidente eleito ou reeleito precisa ter em mente que só uma reforma política ampla e séria pode remover a nódoa que impregnou a sociedade com o cheio infecto da corrupção. Essa reforma começa, no mínimo, com o financiamento público exclusivo de campanhas e o voto em lista partidária fechada. Mas deve incluir, também, uma reforma do Estado para torná-lo mais transparente e permeável à participação democrática da sociedade organizada
Empresa do artista Ara Ketu é condenada a pagar R$ 250 mil de indenização
Akaketu Produções Artísticas, empresa proprietária do Bloco Ara Ketu, foi condenada a pagar indenização no valor de R$ 250 mil por danos morais e materiais a um folião agredido durante o evento Beach Folia, realizado em 2002, em Lauro de Freitas, a 30 kms.de Salvador (BA). A decisão é da juíza Maria de Fátima Silva Carvalho, da 16ª Vara Cível de Salvador. A reportagem do site A Tarde On Line informou que entrou em contato com a diretoria do bloco, que ainda não havia sido informada sobre o assunto, mas adiantou que vai recorrer da decisão. O folião entrou com ação contra a empresa, alegando ter sido agredido por seguranças do bloco durante a festa. Foi colhida prova oral. A juíza entendeu que houve dano moral e material, já que o folião passou por situação vexatória diante de terceiros, teve a moral violada, além de sofrer agressão física. A vítima precisou de tratamento médico e odontológico, além de ter ficado impossibilitada de exercer atividades habituais e trabalhar por mais de 90 dias, por causa das agressões. O autor da ação alegou que foi agredido pelos seguranças ao tentar atravessar o bloco para chegar ao outro lado da rua. As agressões causaram fratura da mandíbula e outras lesões graves, corrigidas através de cirurgia. As agressões teriam sido ordenadas por um conselheiro do bloco.
Fonte: Site Espaço Vital
Fonte: Site Espaço Vital
Jeremoabo
Por: Correio de Sergipe (o7.05.2005)
Jeremoabo
O presidente do PMN, Nelson Araújo, ficou impressionado com o tamanho de uma fila na cidade de Jeremoabo (BA). Havia pessoas pobres, mas a maioria sorridente e bem vestida.
Nelson parou e perguntou a uma jovem loira a razão da fila: “é o Bolsa Família”, respondeu. Nelson acha que o governo federal tem que rever a quem o programa está atendendo.
Jeremoabo
O presidente do PMN, Nelson Araújo, ficou impressionado com o tamanho de uma fila na cidade de Jeremoabo (BA). Havia pessoas pobres, mas a maioria sorridente e bem vestida.
Nelson parou e perguntou a uma jovem loira a razão da fila: “é o Bolsa Família”, respondeu. Nelson acha que o governo federal tem que rever a quem o programa está atendendo.
Cafu se iguala a Dunga e Taffarel como recordista de jogos em Copas
Por: Folha Online
O lateral-direito Cafu, 36, se igualou neste domingo, na vitória contra a Austrália por 2 a 0, em Munique, pelo Grupo F da Copa do Mundo, aos ex-jogadores Dunga e Taffarel como recordista de partidas pela seleção brasileira em Mundiais --todos com 18.Único jogador a participar de três finais de Copas (1994, 1998 e 2002), Cafu disputou seu primeiro jogo pela competição contra os EUA, nas oitavas-de-final do Mundial-1994, quando entrou no lugar do meia Zinho.Em 1994, o lateral também participou da partida contra a Holanda, nas quartas-de-final, e da final, contra a Itália. Em 1998, quando o Brasil foi vice-campeão, Cafu participou de seis dos sete jogos --não atuou na semifinais contra a Holanda.O grande momento do lateral foi em 2002, quando foi o capitão do time de Luiz Felipe Scolari na conquista do pentacampeonato. Ele esteve em campo nas sete partidas da seleção no Mundial da Coréia do Sul e Japão.
O lateral-direito Cafu, 36, se igualou neste domingo, na vitória contra a Austrália por 2 a 0, em Munique, pelo Grupo F da Copa do Mundo, aos ex-jogadores Dunga e Taffarel como recordista de partidas pela seleção brasileira em Mundiais --todos com 18.Único jogador a participar de três finais de Copas (1994, 1998 e 2002), Cafu disputou seu primeiro jogo pela competição contra os EUA, nas oitavas-de-final do Mundial-1994, quando entrou no lugar do meia Zinho.Em 1994, o lateral também participou da partida contra a Holanda, nas quartas-de-final, e da final, contra a Itália. Em 1998, quando o Brasil foi vice-campeão, Cafu participou de seis dos sete jogos --não atuou na semifinais contra a Holanda.O grande momento do lateral foi em 2002, quando foi o capitão do time de Luiz Felipe Scolari na conquista do pentacampeonato. Ele esteve em campo nas sete partidas da seleção no Mundial da Coréia do Sul e Japão.
Brasil volta a jogar mal, mas vence e se classifica na Copa do Mundo
Por: EDUARDO VIEIRA DA COSTAEditor de Esporte da Folha Online, em Munique
O Brasil novamente venceu sem convencer na Alemanha. Após 90 minutos de um futebol pouco inspirado, a seleção fez 2 a 0 na Austrália, com gols de Adriano e Fred, e, mesmo sem a criatividade imaginada antes do início do Mundial, garantiu por antecipação sua passagem à segunda etapa do torneio.Tendo atingido seis pontos na classificação do Grupo F, o Brasil pode ser alcançado apenas pela própria Austrália na última rodada da primeira fase e por isso já está garantido entre os 16 melhores times do Mundial. Para confirmar o primeiro lugar da chave, precisa de um empate contra o Japão, na próxima quinta-feira.No jogo de hoje, o Brasil começou ameaçando ter uma atuação melhor do que na estréia, quando Kaká fez boa jogada com Ronaldo e quase abriu o placar aos 3min. Porém, depois disso, o time se perdeu em campo e não conseguiu criar boas jogadas durante todo o restante do primeiro tempo.Enquanto isso, a Austrália, com um eficiente sistema defensivo, anulava os principais jogadores brasileiros, mas não tinha sucesso nas tentativas de chegar ao gol de Dida por meio de chutes de fora da área.Na volta à segunda etapa, aos 4min, o Brasil conseguiu fazer o seu gol. Ronaldo recebeu pela esquerda do ataque e passou para Adriano, que ajeitou e chutou de esquerda, sem chances para o goleiro australiano.Depois disso, porém, voltou a jogar mal, sem criar qualquer problema à defesa australiana e chegando a ser vaiado pela torcida. Enquanto isso, quem criava chances para o empate era a Austrália, beneficiada por falhas no setor defensivo brasileiro.Até o final da partida, o que se viu foi uma Austrália partindo para o ataque, mas esbarrando na falta de opções ofensivas. No final do jogo, porém, foi o Brasil que ampliou o placar. Num contra-ataque aos 45min, Fred, que acabara de entrar, tocou para Robinho na direita e partiu para dentro da área. Após Robinho acertar a trave, a bola sobrou para o mesmo Fred, que apenas completou para o gol, fechando o placar.O jogoO Brasil partiu para o ataque no início e, aos 3min, numa boa troca de passes entre Kaká e Ronaldo, o meia do Milan chutou forte com o pé direito, de fora da área, e a bola passou perto da trave direita do goleiro Schwarzer.Aos 10min, depois de uma falta violenta em Ronaldo pela direita, Roberto Carlos disparou forte, mas a bola foi longe do gol australiano. Apesar do maior tempo com a posse de bola, o Brasil não conseguia se impor e a Austrália, marcando bem, equilibrava a partida e chutava mais ao gol.O Brasil repetia a fraca atuação da estréia, contra a Croácia. Os jogadores eram mal-sucedidos na tarefa de se livrarem da marcação adversária e não criavam perigo ao goleiro Schwarzer.Num lance emblemático do desempenho brasileiro na primeira etapa, Ronaldinho passou para Kaká e este tocou, pelo alto, para Ronaldo. O atacante preparou o chute e nem sequer conseguiu acertar a bola, facilitando o trabalho da defesa australiana. Antes do final dos primeiros 45 minutos, ainda houve tempo para Bresciano assustar Dida, num tiro de fora da área.Logo no começo do segundo tempo, aos 4min, o Brasil conseguiu abrir o placar. Ronaldo recebeu pela esquerda do ataque e tocou para Adriano. O atacante ajeitou e mandou rasteiro, no canto esquerdo, sem chances para Schwarzer. Na comemoração, Adriano e seus companheiros dedicaram o tento ao filho recém-nascido do atleta da Inter de Milão, Adriano Jr.Depois disso, no entanto, a seleção brasileira voltou a jogar mal e permitiu ao adversário algumas chances. Aos 11min, após um cruzamento despretensioso, Dida saiu muito mal do gol e a bola sobrou livre para Kewell, que chutou para fora.Apenas aos 25min, em uma jogada individual de Kaká, o Brasil voltou a ameaçar. O meia partiu do meio-de-campo, driblou um defensor e, já dentro da área, chutou cruzado, para defesa de Schwarzer.Aos 27min, Parreira fez as duas primeiras alterações no time, colocando Gilberto Silva e Robinho nos lugares de Emerson e Ronaldo, respectivamente. O time melhorou e, aos 32min, Robinho quase fez o segundo, em duas oportunidades seguidas, a primeira em uma jogada com Adriano e a segunda após cobrança de escanteio realizada na seqüência.Aos 34min, Dida impediu o empate, defendendo bem um chute de Bresciano, pela direita da grande área. Três minutos depois, Kaká acertou o travessão australiano, completando escanteio batido por Ronaldinho.A Austrália voltou a criar chances, mas num contra-ataque aos 45min, Fred, que acabara de entrar no lugar de Adriano, tocou para Robinho na direita e partiu para dentro da área. Robinho chutou, a bola desviou no goleiro australiano e acertou a trave. Na sobra, Fred apenas completou, fazendo 2 a 0 e fechando o placar.
O Brasil novamente venceu sem convencer na Alemanha. Após 90 minutos de um futebol pouco inspirado, a seleção fez 2 a 0 na Austrália, com gols de Adriano e Fred, e, mesmo sem a criatividade imaginada antes do início do Mundial, garantiu por antecipação sua passagem à segunda etapa do torneio.Tendo atingido seis pontos na classificação do Grupo F, o Brasil pode ser alcançado apenas pela própria Austrália na última rodada da primeira fase e por isso já está garantido entre os 16 melhores times do Mundial. Para confirmar o primeiro lugar da chave, precisa de um empate contra o Japão, na próxima quinta-feira.No jogo de hoje, o Brasil começou ameaçando ter uma atuação melhor do que na estréia, quando Kaká fez boa jogada com Ronaldo e quase abriu o placar aos 3min. Porém, depois disso, o time se perdeu em campo e não conseguiu criar boas jogadas durante todo o restante do primeiro tempo.Enquanto isso, a Austrália, com um eficiente sistema defensivo, anulava os principais jogadores brasileiros, mas não tinha sucesso nas tentativas de chegar ao gol de Dida por meio de chutes de fora da área.Na volta à segunda etapa, aos 4min, o Brasil conseguiu fazer o seu gol. Ronaldo recebeu pela esquerda do ataque e passou para Adriano, que ajeitou e chutou de esquerda, sem chances para o goleiro australiano.Depois disso, porém, voltou a jogar mal, sem criar qualquer problema à defesa australiana e chegando a ser vaiado pela torcida. Enquanto isso, quem criava chances para o empate era a Austrália, beneficiada por falhas no setor defensivo brasileiro.Até o final da partida, o que se viu foi uma Austrália partindo para o ataque, mas esbarrando na falta de opções ofensivas. No final do jogo, porém, foi o Brasil que ampliou o placar. Num contra-ataque aos 45min, Fred, que acabara de entrar, tocou para Robinho na direita e partiu para dentro da área. Após Robinho acertar a trave, a bola sobrou para o mesmo Fred, que apenas completou para o gol, fechando o placar.O jogoO Brasil partiu para o ataque no início e, aos 3min, numa boa troca de passes entre Kaká e Ronaldo, o meia do Milan chutou forte com o pé direito, de fora da área, e a bola passou perto da trave direita do goleiro Schwarzer.Aos 10min, depois de uma falta violenta em Ronaldo pela direita, Roberto Carlos disparou forte, mas a bola foi longe do gol australiano. Apesar do maior tempo com a posse de bola, o Brasil não conseguia se impor e a Austrália, marcando bem, equilibrava a partida e chutava mais ao gol.O Brasil repetia a fraca atuação da estréia, contra a Croácia. Os jogadores eram mal-sucedidos na tarefa de se livrarem da marcação adversária e não criavam perigo ao goleiro Schwarzer.Num lance emblemático do desempenho brasileiro na primeira etapa, Ronaldinho passou para Kaká e este tocou, pelo alto, para Ronaldo. O atacante preparou o chute e nem sequer conseguiu acertar a bola, facilitando o trabalho da defesa australiana. Antes do final dos primeiros 45 minutos, ainda houve tempo para Bresciano assustar Dida, num tiro de fora da área.Logo no começo do segundo tempo, aos 4min, o Brasil conseguiu abrir o placar. Ronaldo recebeu pela esquerda do ataque e tocou para Adriano. O atacante ajeitou e mandou rasteiro, no canto esquerdo, sem chances para Schwarzer. Na comemoração, Adriano e seus companheiros dedicaram o tento ao filho recém-nascido do atleta da Inter de Milão, Adriano Jr.Depois disso, no entanto, a seleção brasileira voltou a jogar mal e permitiu ao adversário algumas chances. Aos 11min, após um cruzamento despretensioso, Dida saiu muito mal do gol e a bola sobrou livre para Kewell, que chutou para fora.Apenas aos 25min, em uma jogada individual de Kaká, o Brasil voltou a ameaçar. O meia partiu do meio-de-campo, driblou um defensor e, já dentro da área, chutou cruzado, para defesa de Schwarzer.Aos 27min, Parreira fez as duas primeiras alterações no time, colocando Gilberto Silva e Robinho nos lugares de Emerson e Ronaldo, respectivamente. O time melhorou e, aos 32min, Robinho quase fez o segundo, em duas oportunidades seguidas, a primeira em uma jogada com Adriano e a segunda após cobrança de escanteio realizada na seqüência.Aos 34min, Dida impediu o empate, defendendo bem um chute de Bresciano, pela direita da grande área. Três minutos depois, Kaká acertou o travessão australiano, completando escanteio batido por Ronaldinho.A Austrália voltou a criar chances, mas num contra-ataque aos 45min, Fred, que acabara de entrar no lugar de Adriano, tocou para Robinho na direita e partiu para dentro da área. Robinho chutou, a bola desviou no goleiro australiano e acertou a trave. Na sobra, Fred apenas completou, fazendo 2 a 0 e fechando o placar.
Medicamento sintético de maconha volta ao mercado nos EUA
Por: Estadao
O tetrahidrocanabinol, ou THC, ajuda a controlar o vômito e a náusea que acompanham a quimioterapia
AP
WASHINGTON - Dezessete anos depois de ter sido retirada do mercado americano, uma versão sintética do ingrediente ativo da maconha está voltando às prateleiras como tratamento, sob receita, para o vômito e a náusea que acompanham com freqüência a quimioterapia, divulgou seu fabricante nesta terça-feira.
A Valeant Pharmaceuticals International espera começar a vender o Cesamet nas próximas duas ou três semanas, disse o presidente da empresa, Wes Wheeler.
A empresa recebeu a aprovação da Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA) na segunda-feira para recomeçar as vendas do produto, que ela comprou da Eli Lilly and Co. em 2004. A Valeant vende atualmente o medicamento, também chamado de nabilona, no Canadá.
A Lilly recebeu originalmente a aprovação da FDA para a nabilona em 1985, mas a retirou do mercado em 1989, disse Wheeler. A Valeant, já que comprou o medicamento, revisou seu rótulo e atualizou o processo de fabricação, adicionou ele.
O medicamento vai competir com o Marinol, produzido pela empresa belga Solvay SA. O Marinol, outra versão sintética do tetrahidrocanabinol, o ingrediente ativo na maconha, que é mais conhecido como THC. Ele também recebeu a aprovação da FDA em 1985.
O THC sintético age no cérebro como o THC fumado na maconha, mas elimina a parte de ter que inalar a fumaça nociva contida na droga ilegal, divulgou a Valeant.
A FDA disse no mês passado que não apóia o uso da maconha com propósitos medicinais.
O tetrahidrocanabinol, ou THC, ajuda a controlar o vômito e a náusea que acompanham a quimioterapia
AP
WASHINGTON - Dezessete anos depois de ter sido retirada do mercado americano, uma versão sintética do ingrediente ativo da maconha está voltando às prateleiras como tratamento, sob receita, para o vômito e a náusea que acompanham com freqüência a quimioterapia, divulgou seu fabricante nesta terça-feira.
A Valeant Pharmaceuticals International espera começar a vender o Cesamet nas próximas duas ou três semanas, disse o presidente da empresa, Wes Wheeler.
A empresa recebeu a aprovação da Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA) na segunda-feira para recomeçar as vendas do produto, que ela comprou da Eli Lilly and Co. em 2004. A Valeant vende atualmente o medicamento, também chamado de nabilona, no Canadá.
A Lilly recebeu originalmente a aprovação da FDA para a nabilona em 1985, mas a retirou do mercado em 1989, disse Wheeler. A Valeant, já que comprou o medicamento, revisou seu rótulo e atualizou o processo de fabricação, adicionou ele.
O medicamento vai competir com o Marinol, produzido pela empresa belga Solvay SA. O Marinol, outra versão sintética do tetrahidrocanabinol, o ingrediente ativo na maconha, que é mais conhecido como THC. Ele também recebeu a aprovação da FDA em 1985.
O THC sintético age no cérebro como o THC fumado na maconha, mas elimina a parte de ter que inalar a fumaça nociva contida na droga ilegal, divulgou a Valeant.
A FDA disse no mês passado que não apóia o uso da maconha com propósitos medicinais.
PF: assinatura de Dimas é autêntica
Por: O Globo (RJ)
Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, confirmou a autenticidade da lista atribuída ao ex-diretor de Furnas Dimas Toledo apontando supostas doações de campanha a políticos do PSDB e aliados.
A lista tem nomes de 156 políticos que teriam recebido, em 2002, dinheiro de caixa dois arrecadado por Dimas. De acordo com a lista, o valor total foi de R$ 40 milhões. A PF informou que a lista entregue pelo lobista Nilton Monteiro é autêntica e traz a assinatura do ex-diretor da estatal. Segundo a PF, não foi detectada montagem no documento, mas não se pode afirmar se as informações contidas na lista são verdadeiras.
A PF suspeita que o documento pode ter sido elaborado para chantagear políticos. Por isso a investigação se concentrará nos contratos de Furnas, da qual Dimas era diretor. A PF quer saber se houve superfaturamento e identificar os beneficiados.
O advogado de Dimas Toledo, Rogério Marcolini, ressaltou que o documento apresentado agora pelo lobista Nilton Monteiro é diferente da primeira cópia, que não teve a autenticidade comprovada pela Polícia Federal.
- Trata-se de outro documento, que cuida de corrigir todos os defeitos apontados no laudo anterior. Tudo leva a crer tratar-se de documento feito depois com a reprodução da assinatura de Dimas Toledo. Peritos que examinaram o documento anterior já apontavam a existência de um falsário com habilidade na reprodução de assinatura - disse Marcolini.
Na lista, aparecem entre os beneficiários políticos do PSDB. A avaliação no partido é de que a nova lista tem como objetivo intimidar os tucanos no momento em que a oposição aumentou o tom do discurso contra o presidente Lula.
O governo reagiu:
- Essa é uma atitude recorrente no PSDB. Quando a Polícia Federal confirma a lista de Furnas, eles contestam a veracidade. O melhor caminho neste caso seria prestar contas e esclarecer os fatos - rebateu o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, confirmou a autenticidade da lista atribuída ao ex-diretor de Furnas Dimas Toledo apontando supostas doações de campanha a políticos do PSDB e aliados.
A lista tem nomes de 156 políticos que teriam recebido, em 2002, dinheiro de caixa dois arrecadado por Dimas. De acordo com a lista, o valor total foi de R$ 40 milhões. A PF informou que a lista entregue pelo lobista Nilton Monteiro é autêntica e traz a assinatura do ex-diretor da estatal. Segundo a PF, não foi detectada montagem no documento, mas não se pode afirmar se as informações contidas na lista são verdadeiras.
A PF suspeita que o documento pode ter sido elaborado para chantagear políticos. Por isso a investigação se concentrará nos contratos de Furnas, da qual Dimas era diretor. A PF quer saber se houve superfaturamento e identificar os beneficiados.
O advogado de Dimas Toledo, Rogério Marcolini, ressaltou que o documento apresentado agora pelo lobista Nilton Monteiro é diferente da primeira cópia, que não teve a autenticidade comprovada pela Polícia Federal.
- Trata-se de outro documento, que cuida de corrigir todos os defeitos apontados no laudo anterior. Tudo leva a crer tratar-se de documento feito depois com a reprodução da assinatura de Dimas Toledo. Peritos que examinaram o documento anterior já apontavam a existência de um falsário com habilidade na reprodução de assinatura - disse Marcolini.
Na lista, aparecem entre os beneficiários políticos do PSDB. A avaliação no partido é de que a nova lista tem como objetivo intimidar os tucanos no momento em que a oposição aumentou o tom do discurso contra o presidente Lula.
O governo reagiu:
- Essa é uma atitude recorrente no PSDB. Quando a Polícia Federal confirma a lista de Furnas, eles contestam a veracidade. O melhor caminho neste caso seria prestar contas e esclarecer os fatos - rebateu o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Novo laudo da Polícia Federal confirma que de “lista de Furnas” é autêntica
Por: RUBENS VALENTE (Correio da Paraiba)
A Polícia Federal confirmou a autenticidade da chamada "lista de Furnas", documento de cinco páginas que registra supostas contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, a 156 políticos durante a disputa eleitoral de 2002. No total, eles teriam recebido R$ 40 milhões.
Segundo a assessoria da direção geral da PF, em Brasília, perícia do INC (Instituto Nacional de Criminalística) concluiu que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas, empresa estatal de energia elétrica. A PF informou, contudo, que não tem como atestar a veracidade do conteúdo da lista. Os papéis citam empresas que teriam colaborado para um caixa dois administrado por Dimas Toledo.
Entre as campanhas eleitorais supostamente abastecidas pelo esquema estão as do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, hoje candidato à Presidência pelo PSDB, do ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), atual pré-candidato ao governo paulista, e do atual governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). As campanhas em 2002 teriam recebido, respectivamente, R$ 9,3 milhões, R$ 7 milhões e R$ 5,5 milhões. Tucanos negam.
Perícia em papéis originais
A perícia foi feita em papéis originais entregues à PF pelo lobista mineiro Nilton Monteiro, 49, que diz tê-los recebido das mãos de Dimas, no início de 2005, quando o então diretor de Furnas tentava convencer políticos de vários partidos a mantê-lo no cargo.
Acusado de calúnia por 11 deputados estaduais de Minas Gerais, Nilton Monteiro decidiu entregar em 5 de maio os originais aos delegados da PF de Brasília Luiz Flávio Zampronha, Pedro Alves Ribeiro e Praxíteles Praxedes, que conduzem as investigações.
Até então, a PF tinha em seu poder apenas uma cópia autenticada. A perícia na cópia, também feita pelo INC, apontou indícios de montagem e fraude.
Dimas Toledo, que exerceu a diretoria entre 1995 e 2005, até a denúncia de caixa dois feita à Folha pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sempre negou ter assinado os papéis.
"Ele assinou (a lista) na minha frente. Ele me usou até um determinado momento, depois me abandonou", disse ontem Monteiro. O lobista afirma ter se aproximado de Dimas em 2004 por ser, à época, procurador da empreiteira JP Engenharia. A empresa estava interessada em assinar um contrato com Furnas em torno de um projeto de infra-estrutura que havia sido suspenso pela diretoria de engenharia.
Segundo o lobista, Dimas contou que havia uma ação nos bastidores para tirá-lo do cargo e, por isso, pediu-lhe ajuda para fazer um trabalho de lobby com políticos de vários partidos.
O lobista afirmou que, no início de 2005, Dimas fez quatro cópias da lista. Os supostos destinatários das cópias, sempre segundo Monteiro, seriam Aécio Neves, Roberto Jefferson, o presidente do PMDB, Michel Temer, e o então presidente do PSDB, Eduardo Azeredo.
Mas as cópias não chegaram a ser entregues, segundo Monteiro. Ele diz que o original ficou com uma pessoa ligada a um escritório de advocacia do Rio. "Ela ficou como guardiã dos documentos até agora."
A Polícia Federal confirmou a autenticidade da chamada "lista de Furnas", documento de cinco páginas que registra supostas contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, a 156 políticos durante a disputa eleitoral de 2002. No total, eles teriam recebido R$ 40 milhões.
Segundo a assessoria da direção geral da PF, em Brasília, perícia do INC (Instituto Nacional de Criminalística) concluiu que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas, empresa estatal de energia elétrica. A PF informou, contudo, que não tem como atestar a veracidade do conteúdo da lista. Os papéis citam empresas que teriam colaborado para um caixa dois administrado por Dimas Toledo.
Entre as campanhas eleitorais supostamente abastecidas pelo esquema estão as do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, hoje candidato à Presidência pelo PSDB, do ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), atual pré-candidato ao governo paulista, e do atual governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). As campanhas em 2002 teriam recebido, respectivamente, R$ 9,3 milhões, R$ 7 milhões e R$ 5,5 milhões. Tucanos negam.
Perícia em papéis originais
A perícia foi feita em papéis originais entregues à PF pelo lobista mineiro Nilton Monteiro, 49, que diz tê-los recebido das mãos de Dimas, no início de 2005, quando o então diretor de Furnas tentava convencer políticos de vários partidos a mantê-lo no cargo.
Acusado de calúnia por 11 deputados estaduais de Minas Gerais, Nilton Monteiro decidiu entregar em 5 de maio os originais aos delegados da PF de Brasília Luiz Flávio Zampronha, Pedro Alves Ribeiro e Praxíteles Praxedes, que conduzem as investigações.
Até então, a PF tinha em seu poder apenas uma cópia autenticada. A perícia na cópia, também feita pelo INC, apontou indícios de montagem e fraude.
Dimas Toledo, que exerceu a diretoria entre 1995 e 2005, até a denúncia de caixa dois feita à Folha pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sempre negou ter assinado os papéis.
"Ele assinou (a lista) na minha frente. Ele me usou até um determinado momento, depois me abandonou", disse ontem Monteiro. O lobista afirma ter se aproximado de Dimas em 2004 por ser, à época, procurador da empreiteira JP Engenharia. A empresa estava interessada em assinar um contrato com Furnas em torno de um projeto de infra-estrutura que havia sido suspenso pela diretoria de engenharia.
Segundo o lobista, Dimas contou que havia uma ação nos bastidores para tirá-lo do cargo e, por isso, pediu-lhe ajuda para fazer um trabalho de lobby com políticos de vários partidos.
O lobista afirmou que, no início de 2005, Dimas fez quatro cópias da lista. Os supostos destinatários das cópias, sempre segundo Monteiro, seriam Aécio Neves, Roberto Jefferson, o presidente do PMDB, Michel Temer, e o então presidente do PSDB, Eduardo Azeredo.
Mas as cópias não chegaram a ser entregues, segundo Monteiro. Ele diz que o original ficou com uma pessoa ligada a um escritório de advocacia do Rio. "Ela ficou como guardiã dos documentos até agora."
CONSTITUIÇÃO É RASGADA NO MARANHÃO - Liminar de Nelma Sarney restitui os direitos políticos de Paulo Marinho
Por: Jornal Pequeno (MA)
CONSTITUIÇÃO É RASGADA NO MARANHÃO - Liminar de Nelma Sarney restitui os direitos políticos de Paulo Marinho
Da Redação
Os deputados Aderson Lago e Domingos Dutra condenaram duramente a decisão tomada pela desembargadora Nelma Sarney, que concedeu liminar, ontem, restabelecendo os direitos políticos do ex-deputado Paulo Marinho. Lago recebeu a notícia com indignação: "Isso é zombar e abusar da paciência do eleitor maranhense", declarou o parlamentar tucano. Ele frisou que Paulo Marinho foi excluído da vida pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) exatamente pelas irregularidades que praticou no exercício do mandato de prefeito de Caxias e teve seus direitos políticos suspensos, de modo que agora não pode, sem cumprir a sua pena, decidida pela Justiça, retornar, por ato desta mesma Justiça, a uma situação de legalidade.
O presidente do PT-MA, deputado Domingos Dutra, também reagiu indignado, dizendo que esta manobra é uma tentativa de manter Paulo Marinho em silêncio, porque "se ele abrir a boca, e revelar os segredos que ele deve carregar consigo, aí então o império cai". Dutra referiu-se a Paulo Marinho como exemplo das "companhias que Sarney sempre teve no submundo".
Na tentativa de voltar ao cenário político, Paulo Marinho ingressou, em Caxias, com uma Ação Declaratória de Ineficácia de Relação Jurídica Processual, com pedido de antecipação de tutela. Ao apreciar a ação, o juiz da Comarca de Caxias, Sidarta Maranhão, negou provimento ao pedido.
Paulo Marinho recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado, com um Agravo de Instrumento, distribuído, inicialmente, para o desembargador Jamil Gedeon Neto, que se deu por suspeito, alegando razão de foro íntimo. O recurso teria de ser apreciado, então, por Stélio Muniz, mas este encontrava-se viajando.Conforme o JP informou na edição de ontem, o senador José Sarney entrou no circuito, tendo uma conversa com a desembargadora Nelma Sarney, que chamou o processo para si, concedendo então a liminar que restitui, por enquanto, os direitos políticos do ex-deputado e ex-prefeito de Caxias.
Para Aderson Lago, uma decisão como essa é um contra-senso. "Não se pode acreditar que a Justiça faça isso", ressaltou Lago. Paulo Marinho fora condenado à perda do mandato e a ficar seis anos inelegível. A condenação se deveu ao fato de que ele, quando prefeito de Caxias, vendeu ações da Cemar (Companhia Energética do Maranhão). Por isso, foi condenado ainda a devolver R$ 3 milhões, referentes à venda das ações.
Paulo Marinho também quase chegou a ser condenado a quatro anos de cadeia por receptação de uma carreta roubada. Ele foi arrolado em processo, que trata do crime de receptação, cujo inquérito foi realizado pela Polícia Civil no município de Colinas. De acordo com a polícia, Paulo Marinho foi indiciado por mandar esconder e atear fogo à carreta roubada. Com a conclusão das investigações, o juiz de Colinas, tendo em vistas que o então deputado possuía foro privilegiado, encaminhou o inquérito ao Supremo Tribunal Federal. Depois que o Ministério Público Federal denunciou Paulo Marinho pela receptação da carreta roubada, o relator do processo, Carlos Britto, submeteu o caso ao plenário do Supremo que, por unanimidade, decidiu acatar a denúncia por receptação e falso testemunho.
Paulo Marinho já foi condenado também por ato de improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por seis anos. Em 1999, ele foi condenado pela 1ª Vara da Fazenda de Caxias, acusado de venda ilegal de ações da Cemar. O deputado recorreu a todas as instâncias até a decisão final tomada pelo ministro Eros Grau, que confirmou a sentença condenatória.
CONSTITUIÇÃO É RASGADA NO MARANHÃO - Liminar de Nelma Sarney restitui os direitos políticos de Paulo Marinho
Da Redação
Os deputados Aderson Lago e Domingos Dutra condenaram duramente a decisão tomada pela desembargadora Nelma Sarney, que concedeu liminar, ontem, restabelecendo os direitos políticos do ex-deputado Paulo Marinho. Lago recebeu a notícia com indignação: "Isso é zombar e abusar da paciência do eleitor maranhense", declarou o parlamentar tucano. Ele frisou que Paulo Marinho foi excluído da vida pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) exatamente pelas irregularidades que praticou no exercício do mandato de prefeito de Caxias e teve seus direitos políticos suspensos, de modo que agora não pode, sem cumprir a sua pena, decidida pela Justiça, retornar, por ato desta mesma Justiça, a uma situação de legalidade.
O presidente do PT-MA, deputado Domingos Dutra, também reagiu indignado, dizendo que esta manobra é uma tentativa de manter Paulo Marinho em silêncio, porque "se ele abrir a boca, e revelar os segredos que ele deve carregar consigo, aí então o império cai". Dutra referiu-se a Paulo Marinho como exemplo das "companhias que Sarney sempre teve no submundo".
Na tentativa de voltar ao cenário político, Paulo Marinho ingressou, em Caxias, com uma Ação Declaratória de Ineficácia de Relação Jurídica Processual, com pedido de antecipação de tutela. Ao apreciar a ação, o juiz da Comarca de Caxias, Sidarta Maranhão, negou provimento ao pedido.
Paulo Marinho recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado, com um Agravo de Instrumento, distribuído, inicialmente, para o desembargador Jamil Gedeon Neto, que se deu por suspeito, alegando razão de foro íntimo. O recurso teria de ser apreciado, então, por Stélio Muniz, mas este encontrava-se viajando.Conforme o JP informou na edição de ontem, o senador José Sarney entrou no circuito, tendo uma conversa com a desembargadora Nelma Sarney, que chamou o processo para si, concedendo então a liminar que restitui, por enquanto, os direitos políticos do ex-deputado e ex-prefeito de Caxias.
Para Aderson Lago, uma decisão como essa é um contra-senso. "Não se pode acreditar que a Justiça faça isso", ressaltou Lago. Paulo Marinho fora condenado à perda do mandato e a ficar seis anos inelegível. A condenação se deveu ao fato de que ele, quando prefeito de Caxias, vendeu ações da Cemar (Companhia Energética do Maranhão). Por isso, foi condenado ainda a devolver R$ 3 milhões, referentes à venda das ações.
Paulo Marinho também quase chegou a ser condenado a quatro anos de cadeia por receptação de uma carreta roubada. Ele foi arrolado em processo, que trata do crime de receptação, cujo inquérito foi realizado pela Polícia Civil no município de Colinas. De acordo com a polícia, Paulo Marinho foi indiciado por mandar esconder e atear fogo à carreta roubada. Com a conclusão das investigações, o juiz de Colinas, tendo em vistas que o então deputado possuía foro privilegiado, encaminhou o inquérito ao Supremo Tribunal Federal. Depois que o Ministério Público Federal denunciou Paulo Marinho pela receptação da carreta roubada, o relator do processo, Carlos Britto, submeteu o caso ao plenário do Supremo que, por unanimidade, decidiu acatar a denúncia por receptação e falso testemunho.
Paulo Marinho já foi condenado também por ato de improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por seis anos. Em 1999, ele foi condenado pela 1ª Vara da Fazenda de Caxias, acusado de venda ilegal de ações da Cemar. O deputado recorreu a todas as instâncias até a decisão final tomada pelo ministro Eros Grau, que confirmou a sentença condenatória.
Salvem o Tribunal de Justiça
Por: Jornal Pequeno (MA)
Nós cantamos a pedra. A liminar foi dada. A desembargadora Nelma Sarney quer Paulo Marinho de volta à cena política brasileira. Ele e toda a sua coletânea de atos de corrupção, pendurado que está num varal de improbidades administrativas, metido como sempre esteve num rolo quilométrico de processos e acusações na Justiça.
Como dissemos, há dias eles vêm tramando, nos subterrâneos do Judiciário, aqui e em Brasília, com o objetivo de restituir os direitos políticos do senhor Paulo Marinho, cassado pela Justiça, caçado pela polícia, tamanhas são as operações fraudulentas em que se envolveu; tantos são os golpes por ele aplicados na praça.
A Justiça, assim, na pessoa de Nelma Sarney, descredencia-se como Justiça, apequena-se, iguala-se aos mesmos níveis da politicalha rasteira, da bandalha que se alimenta dos cofres públicos e de indicações subreptícias para cargos leiloados nos cotovelos dos governos.
Um corrupto contumaz há de permanecer na vida pública porque a justiça maranhense, a justiça de Nelma Sarney, assim o quer e ordena.Não há mais, ao que parece, a mínima fixação nos princípios que devem nortear o Poder Judiciário. Porque é ao Judiciário que cabe, em parte, nos livrar de assaltantes. O ato da desembargadora Sarney equivale a esvaziar cadeias públicas, a conceder hábeas corpus a um grupo inteiro de mafiosos da cosa nostra.
É preciso que essa gente saiba que o mundo inteiro não está dormindo. A Justiça não pode ser manipulada, manietada, render-se aos escarros políticos de grupos com influência nos alicerces e no topo da pirâmide social.
É o ato que ninguém esperava. É o cúmulo de toda sandice da história da magistratura maranhense. E tudo porque Sarney precisa de mais um aliado, não importando que isso signifique ridicularizar até a memória póstuma do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Os demais senhores desembargadores precisam fazer alguma coisa. Estão em jogo alianças suspeitas, favores de lei, maquinações viciadas. E isso é público. Como pública e notória é a imagem do senhor Paulo Marinho. Em defesa de tal personagem, não vale a pena expor este Tribunal às correições merecidas do Conselho Nacional de Justiça.
É um escândalo cuja circulação no pátio do Congresso, nos corredores do STJ, nas ante-salas do Supremo Tribunal Federal (STF) pode arrastar o Tribunal de Justiça do Maranhão ao estágio da pilhéria. Está além da compreensão de qualquer brasileiro inteligente que o senhor Paulo Marinho volte a ser um parlamentar. Imaginar que ele volte a representar o povo maranhense - e ainda mais por decisão da Justiça! - é demais para o fígado de qualquer cristão.
A decisão pode ser revista, através do julgamento do seu mérito. Mas aí, certamente, entrará em cena, em Brasília, outro "magistrado" da "estirpe" de Nelma Sarney, um "ministro amigo" de nível federal, para engavetar o processo até que os objetivos do "Esquema Sarney" sejam alcançados.
O Maranhão corre perigo. O perigo de ver Paulo Marinho outra vez apoiado nas traves do Poder. O perigo de ter seu Tribunal de Justiça circunscrito às histórias pensas de submissão e venalidade.
Senhores desembargadores, se assim o puderem, salvem o Tribunal de Justiça do Maranhão dessa vergonha!
Nós cantamos a pedra. A liminar foi dada. A desembargadora Nelma Sarney quer Paulo Marinho de volta à cena política brasileira. Ele e toda a sua coletânea de atos de corrupção, pendurado que está num varal de improbidades administrativas, metido como sempre esteve num rolo quilométrico de processos e acusações na Justiça.
Como dissemos, há dias eles vêm tramando, nos subterrâneos do Judiciário, aqui e em Brasília, com o objetivo de restituir os direitos políticos do senhor Paulo Marinho, cassado pela Justiça, caçado pela polícia, tamanhas são as operações fraudulentas em que se envolveu; tantos são os golpes por ele aplicados na praça.
A Justiça, assim, na pessoa de Nelma Sarney, descredencia-se como Justiça, apequena-se, iguala-se aos mesmos níveis da politicalha rasteira, da bandalha que se alimenta dos cofres públicos e de indicações subreptícias para cargos leiloados nos cotovelos dos governos.
Um corrupto contumaz há de permanecer na vida pública porque a justiça maranhense, a justiça de Nelma Sarney, assim o quer e ordena.Não há mais, ao que parece, a mínima fixação nos princípios que devem nortear o Poder Judiciário. Porque é ao Judiciário que cabe, em parte, nos livrar de assaltantes. O ato da desembargadora Sarney equivale a esvaziar cadeias públicas, a conceder hábeas corpus a um grupo inteiro de mafiosos da cosa nostra.
É preciso que essa gente saiba que o mundo inteiro não está dormindo. A Justiça não pode ser manipulada, manietada, render-se aos escarros políticos de grupos com influência nos alicerces e no topo da pirâmide social.
É o ato que ninguém esperava. É o cúmulo de toda sandice da história da magistratura maranhense. E tudo porque Sarney precisa de mais um aliado, não importando que isso signifique ridicularizar até a memória póstuma do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Os demais senhores desembargadores precisam fazer alguma coisa. Estão em jogo alianças suspeitas, favores de lei, maquinações viciadas. E isso é público. Como pública e notória é a imagem do senhor Paulo Marinho. Em defesa de tal personagem, não vale a pena expor este Tribunal às correições merecidas do Conselho Nacional de Justiça.
É um escândalo cuja circulação no pátio do Congresso, nos corredores do STJ, nas ante-salas do Supremo Tribunal Federal (STF) pode arrastar o Tribunal de Justiça do Maranhão ao estágio da pilhéria. Está além da compreensão de qualquer brasileiro inteligente que o senhor Paulo Marinho volte a ser um parlamentar. Imaginar que ele volte a representar o povo maranhense - e ainda mais por decisão da Justiça! - é demais para o fígado de qualquer cristão.
A decisão pode ser revista, através do julgamento do seu mérito. Mas aí, certamente, entrará em cena, em Brasília, outro "magistrado" da "estirpe" de Nelma Sarney, um "ministro amigo" de nível federal, para engavetar o processo até que os objetivos do "Esquema Sarney" sejam alcançados.
O Maranhão corre perigo. O perigo de ver Paulo Marinho outra vez apoiado nas traves do Poder. O perigo de ter seu Tribunal de Justiça circunscrito às histórias pensas de submissão e venalidade.
Senhores desembargadores, se assim o puderem, salvem o Tribunal de Justiça do Maranhão dessa vergonha!
O que sabe o nosso Lula?
Por: Narciso Mendes (O Rio Branco)
Quem exerce as elevadíssimas funções de presidente da República torna-se diretamente responsável por todos os crimes acontecidos no âmbito do seu governo, mormente aqueles praticados por seus ministros, seus mais destacados e visíveis assessores. O "não sabia de nada", a justificativa que vem sendo sistematicamente apresentada pelo presidente Lula a cada vez que seus ministros são alcançados com a mão no alheio, ou melhor, roubando o erário, em nada diminui sua responsabilidade criminosa. Dizer-se omisso não diminui a responsabilidade do gestor público. A omissão configura o chamado crime de responsabilidade. Quem tem a prerrogativa de nomear e demitir, na hora que lhe convier, não pode alegar que desconhece as gatunagens feitas pelos seus principais assessores.
José Dirceu, aquele a quem chamava de capitão, quer no âmbito do PT quer no âmbito do seu governo, jamais tomaria qualquer decisão sem antes falar com Lula. Senão, por questão de hierarquia, sim, pela mais absoluta intimidade entre ambos. José Dirceu arquitetou e operou o mensalão com prévio e pleno conhecimento do presidente Lula. Esta é a conclusão a que facilmente chegará qualquer ser humano com o mínimo de racionalidade.
José Genoíno, ao meu ver, o que viria logo a seguir na escala de intimidade, jamais teria avalizado os milionários empréstimos do valerioduto sem antes falar com o presidente Lula. Nenhum cidadão minimamente prevenido iria se responsabilizar por tão vultosos empréstimos sem determinadas garantias. Isto sem se levar em consideração a natureza das operações bancárias, flagrantemente ilegais e imorais. Qual o banco que emprestaria mais de R$ 50 milhões a um cliente que não tinha garantia para financiar um carrinho de pipocas? O avalista dos empréstimos que financiou o mensalão era o próprio presidente Lula.
Delúbio Soares, aquele que tem cara de ladrão, conversa de ladrão e que quando instado a prestar depoimentos às CPIs, ao Ministério Público e à Polícia Federal se comporta como ladrão, era exatamente o tesoureiro nacional do PT e foi tesoureiro da campanha vitoriosa do presidente Lula, porém, pasmem, a esquizofrenia do nosso presidente não lhe permitiu saber de nada. Pode um partido ser minimamente ético se seu tesoureiro nacional é atualmente o símbolo máximo da roubalheira nacional?
Sílvio Pereira, aquele que recebeu um Land Hover de propina por haver intermediado uma negociata junto à Petrobrás, favorecendo uma de suas empreiteiras, era exatamente o secretário nacional do PT e no governo Lula era quem escalava os elementos de sua base aliada para ocupar os mais destacados cargos da República. Novamente o presidente Lula de nada sabia.
O filho do presidente Lula - o Lulinha - recebeu um aporte de recursos para sua microempresa, de exatos R$ 15.000.000,00 oriundos de uma empresa que é concessionária de serviços públicos no governo federal, enquanto isto o nosso presidente sequer se preocupou em procurar saber de onde veio tanta dinheirama. Dá pena e dó e traz muitas preocupações quando um país com as dimensões do Brasil é governado por alguém com tão pouco ou nenhum sentimento de autocrítica.
Vavá, o irmão mais velho do presidente Lula, montou um escritório de lobby para agenciar interesses de diversas prefeituras junto à máquina pública federal e o nosso presidente nunca procurou saber de nada. Afinal de contas, de que sabe o nosso presidente?
Enquanto o presidente Lula insiste em não saber de nada, mormente daquilo que deveria saber, o povo brasileiro vai se inteirando da triste realidade que estamos vivendo. A coisa chegou a um nível tal que o presidente Lula faz campanha pela sua reeleição todo dia e o dia todo e sequer ainda sabe que é candidato. Lula chama o PMDB e oferece a vaga de vice em sua chapa e ainda diz que não sabe se é candidato. Lula faz mais de um comício por dia usando a linguagem de candidato e na maior cara-de-pau ainda diz que não sabe que é candidato.
Recentemente o seu velho companheiro e amigo Bruno Maranhão desmoralizou o Congresso Nacional e o presidente Lula disse que de nada sabia. Enquanto isso, este sujeito é fundador do PT, membro de sua executiva nacional e era o chefe de mobilização dos movimentos sociais em favor da campanha de reeleição do presidente Lula. Chega de hipocrisia!
Eu, particularmente, sem medo de errar, acredito que o presidente Lula está por trás e no comando de todas essas operações. Mais a mais, que ele é o comandante em chefe de tudo que acontece no seu partido e no seu governo. Quanto a sua reeleição, se ela vier, é outra história. Só espero que a campanha eleitoral que se aproxima faça com que o povo brasileiro acabe sabendo aquilo que o presidente Lula, em sabendo, sempre fingiu não saber.
Quem exerce as elevadíssimas funções de presidente da República torna-se diretamente responsável por todos os crimes acontecidos no âmbito do seu governo, mormente aqueles praticados por seus ministros, seus mais destacados e visíveis assessores. O "não sabia de nada", a justificativa que vem sendo sistematicamente apresentada pelo presidente Lula a cada vez que seus ministros são alcançados com a mão no alheio, ou melhor, roubando o erário, em nada diminui sua responsabilidade criminosa. Dizer-se omisso não diminui a responsabilidade do gestor público. A omissão configura o chamado crime de responsabilidade. Quem tem a prerrogativa de nomear e demitir, na hora que lhe convier, não pode alegar que desconhece as gatunagens feitas pelos seus principais assessores.
José Dirceu, aquele a quem chamava de capitão, quer no âmbito do PT quer no âmbito do seu governo, jamais tomaria qualquer decisão sem antes falar com Lula. Senão, por questão de hierarquia, sim, pela mais absoluta intimidade entre ambos. José Dirceu arquitetou e operou o mensalão com prévio e pleno conhecimento do presidente Lula. Esta é a conclusão a que facilmente chegará qualquer ser humano com o mínimo de racionalidade.
José Genoíno, ao meu ver, o que viria logo a seguir na escala de intimidade, jamais teria avalizado os milionários empréstimos do valerioduto sem antes falar com o presidente Lula. Nenhum cidadão minimamente prevenido iria se responsabilizar por tão vultosos empréstimos sem determinadas garantias. Isto sem se levar em consideração a natureza das operações bancárias, flagrantemente ilegais e imorais. Qual o banco que emprestaria mais de R$ 50 milhões a um cliente que não tinha garantia para financiar um carrinho de pipocas? O avalista dos empréstimos que financiou o mensalão era o próprio presidente Lula.
Delúbio Soares, aquele que tem cara de ladrão, conversa de ladrão e que quando instado a prestar depoimentos às CPIs, ao Ministério Público e à Polícia Federal se comporta como ladrão, era exatamente o tesoureiro nacional do PT e foi tesoureiro da campanha vitoriosa do presidente Lula, porém, pasmem, a esquizofrenia do nosso presidente não lhe permitiu saber de nada. Pode um partido ser minimamente ético se seu tesoureiro nacional é atualmente o símbolo máximo da roubalheira nacional?
Sílvio Pereira, aquele que recebeu um Land Hover de propina por haver intermediado uma negociata junto à Petrobrás, favorecendo uma de suas empreiteiras, era exatamente o secretário nacional do PT e no governo Lula era quem escalava os elementos de sua base aliada para ocupar os mais destacados cargos da República. Novamente o presidente Lula de nada sabia.
O filho do presidente Lula - o Lulinha - recebeu um aporte de recursos para sua microempresa, de exatos R$ 15.000.000,00 oriundos de uma empresa que é concessionária de serviços públicos no governo federal, enquanto isto o nosso presidente sequer se preocupou em procurar saber de onde veio tanta dinheirama. Dá pena e dó e traz muitas preocupações quando um país com as dimensões do Brasil é governado por alguém com tão pouco ou nenhum sentimento de autocrítica.
Vavá, o irmão mais velho do presidente Lula, montou um escritório de lobby para agenciar interesses de diversas prefeituras junto à máquina pública federal e o nosso presidente nunca procurou saber de nada. Afinal de contas, de que sabe o nosso presidente?
Enquanto o presidente Lula insiste em não saber de nada, mormente daquilo que deveria saber, o povo brasileiro vai se inteirando da triste realidade que estamos vivendo. A coisa chegou a um nível tal que o presidente Lula faz campanha pela sua reeleição todo dia e o dia todo e sequer ainda sabe que é candidato. Lula chama o PMDB e oferece a vaga de vice em sua chapa e ainda diz que não sabe se é candidato. Lula faz mais de um comício por dia usando a linguagem de candidato e na maior cara-de-pau ainda diz que não sabe que é candidato.
Recentemente o seu velho companheiro e amigo Bruno Maranhão desmoralizou o Congresso Nacional e o presidente Lula disse que de nada sabia. Enquanto isso, este sujeito é fundador do PT, membro de sua executiva nacional e era o chefe de mobilização dos movimentos sociais em favor da campanha de reeleição do presidente Lula. Chega de hipocrisia!
Eu, particularmente, sem medo de errar, acredito que o presidente Lula está por trás e no comando de todas essas operações. Mais a mais, que ele é o comandante em chefe de tudo que acontece no seu partido e no seu governo. Quanto a sua reeleição, se ela vier, é outra história. Só espero que a campanha eleitoral que se aproxima faça com que o povo brasileiro acabe sabendo aquilo que o presidente Lula, em sabendo, sempre fingiu não saber.
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