Por: Jornal Pequeno (MA)
Nós cantamos a pedra. A liminar foi dada. A desembargadora Nelma Sarney quer Paulo Marinho de volta à cena política brasileira. Ele e toda a sua coletânea de atos de corrupção, pendurado que está num varal de improbidades administrativas, metido como sempre esteve num rolo quilométrico de processos e acusações na Justiça.
Como dissemos, há dias eles vêm tramando, nos subterrâneos do Judiciário, aqui e em Brasília, com o objetivo de restituir os direitos políticos do senhor Paulo Marinho, cassado pela Justiça, caçado pela polícia, tamanhas são as operações fraudulentas em que se envolveu; tantos são os golpes por ele aplicados na praça.
A Justiça, assim, na pessoa de Nelma Sarney, descredencia-se como Justiça, apequena-se, iguala-se aos mesmos níveis da politicalha rasteira, da bandalha que se alimenta dos cofres públicos e de indicações subreptícias para cargos leiloados nos cotovelos dos governos.
Um corrupto contumaz há de permanecer na vida pública porque a justiça maranhense, a justiça de Nelma Sarney, assim o quer e ordena.Não há mais, ao que parece, a mínima fixação nos princípios que devem nortear o Poder Judiciário. Porque é ao Judiciário que cabe, em parte, nos livrar de assaltantes. O ato da desembargadora Sarney equivale a esvaziar cadeias públicas, a conceder hábeas corpus a um grupo inteiro de mafiosos da cosa nostra.
É preciso que essa gente saiba que o mundo inteiro não está dormindo. A Justiça não pode ser manipulada, manietada, render-se aos escarros políticos de grupos com influência nos alicerces e no topo da pirâmide social.
É o ato que ninguém esperava. É o cúmulo de toda sandice da história da magistratura maranhense. E tudo porque Sarney precisa de mais um aliado, não importando que isso signifique ridicularizar até a memória póstuma do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Os demais senhores desembargadores precisam fazer alguma coisa. Estão em jogo alianças suspeitas, favores de lei, maquinações viciadas. E isso é público. Como pública e notória é a imagem do senhor Paulo Marinho. Em defesa de tal personagem, não vale a pena expor este Tribunal às correições merecidas do Conselho Nacional de Justiça.
É um escândalo cuja circulação no pátio do Congresso, nos corredores do STJ, nas ante-salas do Supremo Tribunal Federal (STF) pode arrastar o Tribunal de Justiça do Maranhão ao estágio da pilhéria. Está além da compreensão de qualquer brasileiro inteligente que o senhor Paulo Marinho volte a ser um parlamentar. Imaginar que ele volte a representar o povo maranhense - e ainda mais por decisão da Justiça! - é demais para o fígado de qualquer cristão.
A decisão pode ser revista, através do julgamento do seu mérito. Mas aí, certamente, entrará em cena, em Brasília, outro "magistrado" da "estirpe" de Nelma Sarney, um "ministro amigo" de nível federal, para engavetar o processo até que os objetivos do "Esquema Sarney" sejam alcançados.
O Maranhão corre perigo. O perigo de ver Paulo Marinho outra vez apoiado nas traves do Poder. O perigo de ter seu Tribunal de Justiça circunscrito às histórias pensas de submissão e venalidade.
Senhores desembargadores, se assim o puderem, salvem o Tribunal de Justiça do Maranhão dessa vergonha!
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