Por: Newton Carlos (Correio da Cidadania)
Muito se pergunta sobre quais foram os fatores que mais pesaram na escolha do último prêmio Nobel da Paz, dividido entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e seu diretor, o ex-diplomata egípcio, Mohamed ElBaradei. O secretário-geral da ONU, discursando nos 60 anos da instituição, e também das bombas de Hiroxima e Nagasaki, fez um alerta. A proliferação das armas nucleares é a pior ameaça à segurança de todos nós. Está cada vez mais sujeita a descontroles, tais os níveis de “vulgarização” e contrabando da tecnologia necessária. Viceja como erva daninha a idéia terrível de livre acesso.Cabe à AIEA, com suas inspeções ao largo do mundo, cobertas legalmente pelo Tratado de Não-Proliferação, evitar que isso aconteça. A razão do prêmio estaria aí. Mas o Irã ficou 23 anos manipulando seu urânio em segredo, sem ser descoberto, e a sensação de cochilo imperdoável torna o Nobel deste ano um prêmio sem razões de comemorações. “Estamos perdendo a guerra da proliferação”, garante Andrew F. Krepinevich, analista militar à frente do “Center for Stategic and Budgetary Assessments”, dos Estados Unidos. Chegaram à mesma conclusão os mais de 150 especialistas e delegados que discutiram na ONU os “furos” no Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Os países nucleares não só continuam nucleares, como outros batem às portas do clube e as potências se encaminham sem o menor pudor na direção de novas gerações de armas de destruição maciça. Caso dos Estados Unidos. Bruce Blair, presidente do “Center for Defense Information”, admite que não se surpreenderia se, dentro de 15 ou 20 anos, houver disparos de algum tipo de arma “não convencional”. Grupos terroristas estão em primeiro lugar entre os possíveis novos usuários. Nicholas D. Kristof, colunista do “New York Times”, culpou a linha dura do governo Bush pelo que ele chama de “nosso maior fracasso”, o de não negociar seriamente com a Coréia do Norte algum meio de colocar freios no programa nuclear norte-coreano.Os seis (Estados Unidos, China, ONU, Rússia e as duas Coréias) envolvidos em conversações anunciam acordos que não alcançam nenhum patamar de implementação; a Coréia do Norte insiste em que tem a bomba, enquanto o Irã, de olho na sua, mantém ativa a ameaça de reiniciar o enriquecimento de urânio. Já seria de umas vinte o arsenal de Israel. Um ex-inspetor de armas da ONU, David Albright, é hoje diretor do “Institute for Science and International Security”, dos Estados Unidos. Ele afirma que “os estoques mundiais de plutônio e de urânio altamente enriquecido só aumentam, em meio a fantasias, insufladas por situações de fato, de um ‘big bang’ nuclear”.A posse por parte de Israel excita os cultores da “bomba islâmica”. Com a dispensa dos inspetores da ONU, depois de ocupado o Iraque, a AIEA tratou de deixar claro que toneladas de explosivos desaparecidos de depósitos iraquianos poderiam ter emprego “não convencional”, como componentes, por exemplo, de gatilhos de armas de destruição maciça ao alcance dos insurgentes. O sumiço se situa no campo dos descontroles “potenciais” levantados pelo instituto de Albright. Em fins de 2003, mais ou menos 60 países tinham plutônio e urânio enriquecido em quantidades suficientes para a fabricação de milhares de armas atômicas. O acúmulo não cessa, dando mais oxigênio aos meios de impulsionar a proliferação.
Newton Carlos é jornalista especializado em política internacional
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