sexta-feira, março 22, 2024

Mauro Cid vai ao gabinete de Moraes para tentar salvar seu acordo de delação

 Foto: Edilson Rodrigues/Arquivo/Agência Senado

O tenente-coronel Mauro Cid22 de março de 2024 | 09:54

Mauro Cid vai ao gabinete de Moraes para tentar salvar seu acordo de delação

BRASIL

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República, vai comparecer a uma audiência desta sexta-feira, 22, com o desembargador Airton Vieira, juiz instrutor do gabinete do Ministro Alexandre de Moraes. O encontro está previsto para as 13h e contará com a participação do advogado de Cid, Cezar Bittencourt, e com integrante da Procuradoria-Geral da República.

O depoimento se dá após a divulgação de áudios em que o ex-ajudante de ordens da Presidência, hoje delator, diz que o inquérito da Operação Tempus Veritatis é uma “narrativa pronta”. Cid também diz que o ministro Alexandre de Moraes já tem a sentença dos investigados. As gravações foram reveladas pela revista Veja, sendo que, em uma delas, o militar afirma que os investigadores ‘não queriam saber a verdade’ sobre a tentativa de golpe de Estado, e sim confirmar uma ‘narrativa pronta’.

Os áudios podem respingar diretamente na delação premiada de Mauro Cid, por isso o gabinete de Moraes resolveu intimar o ex-ajudante de ordens da Presidência. As revelações do tenente-coronel abasteceram uma série de inquéritos que miram o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, em especial a investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado tramada pela cúpula do governo Bolsonaro.

O depoimento de Cid, no STF, se dá dez dias depois de o delator comparecer à Polícia Federal para ser ouvido, pela sexta vez, no bojo do acordo de delação premiada fechado com a corporação e homologado pela Corte máxima. A oitiva durou mais de nove horas e foi realizada em um mesmo dia à pedido da defesa de Cid. Na ocasião, Cid confirmou detalhes de uma série de encontros com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro e da cúpula de seu governo para debaterem um plano de golpe de Estado, mas afirmou não ter participado da discussão entre Bolsonaro e o alto escalão das Forças Armadas sobre o mesmo tema.

Além disso, a oitiva ocorre logo após o indiciamento do ex-presidente por associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação na investigação sobre a fraude na carteira de vacinação de Bolsonaro e de sua filha Laura. Cid também foi incriminado pela PF, não só pelos delitos ligados aos documentos falsos do ex-chefe do Executivo, mas também pelas investidas para conseguir comprovantes de imunização contra a covid-19 para sua mulher Gabriela e suas filhas.

Pepita Ortega/Estadão ConteúdoINFONET

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