domingo, dezembro 05, 2021

Santos Cruz: Bolsonaro é o grande traidor do país; sua candidatura e a de Lula representam um retrocesso

 

Lula e Bolsonaro destruíram a democracia, diz Santos Cruz

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira à repórter Julia Chaib, Folha de S. Paulo, edição de sábado, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do atual governo, afirmou que o grande traidor deste país chama-se Jair Messias Bolsonaro, que assumiu compromissos durante a campanha eleitoral e não os cumpriu à frente da do governo.

O general Santos  Cruz, cujo nome está cotado para vice de Sergio Moro, afirmou também que o retorno de Lula da Silva ao poder, da mesma forma que a reeleição de Bolsonaro, seria um grande retrocesso para o Brasil e contra a democracia brasileira.

PROMESSAS – Um destruiu a esquerda, Lula, e outro, Bolsonaro, destruiu a direita, acrescentou o general. Santos Cruz acentuou que Bolsonaro faltou com uma série de promessas, a começar pela reeleição e por terminar se juntando ao Centrão cujos métodos sempre condenou.

Bolsonaro tentou – prosseguiu Santos Cruz – arrastar as Forças Armadas para o jogo político, mas finalmente avaliou que não há nenhuma chance disso ocorrer. O general apontou as suas baterias pesadas contra o presidente da República e disse que a sua tentativa de dizer que Moro o traiu “não cola”. “Quem traiu o país foi ele, Bolsonaro”, afirmou.

Para Santos Cruz, as Forças Armadas têm que ser preservadas e não devem ser instrumento de jogo político. “Por isso, decidi auxiliar Sergio Moro que constitui um das boas opções para que o Brasil não fique nesse dilema de polarização que não vai trazer benefício algum ou nos oferecer uma campanha de baixarias que leva ao retrocesso institucional. Lula e Bolsonaro são ameaças à democracia brasileira”, afirmou.

EXEMPLOS NEGATIVOS – Santos Cruz citou ainda como exemplos negativos de Lula e de Bolsonaro, o mensalão, envolvendo o primeiro, e as emendas secretas do relator, comprometendo o segundo. “Bolsonaro traiu um país inteiro”, acrescentou.

Para ele, referindo-se indiretamente a Eduardo Pazuello, o militar da ativa que ocupar posto político tem que passar imediatamente para a reserva. Tal obrigação não se restringe aos militares, deve-se estender a todos os funcionários civis quando deixam as suas carreiras para ocupar funções alheias a elas. Aconteceu com Sergio Moro, por exemplo.

LINHA DIVISÓRIA  – A entrevista com o general, na minha opinião, acentua uma linha divisória bastante nítida entre os segmentos militares, separando de forma irreversível os que apoiam o governo e os que não apoiam. A manifestação de Santos Cruz acrescentará pontos à candidatura de Moro, cujo nome, sem dúvidas, decolou. Não ainda ao que se refere a ultrapassar Bolsonaro, mas a aproximar-se dele nas pesquisas eleitorais que devem ser divulgadas nos próximos dias.

Aliás, no fundo, como já observei, com base no perfil sócio-econômico do eleitorado brasileiro, Sergio Moro pode arrebatar votos de Bolsonaro numa escala sensível, mas dificilmente arrebatará eleitores pendentes a votar em Lula da Silva. A estratégia de Sergio Moro e Santos Cruz, fica bastante claro, é levar o confronto de outubro de 2022 para o segundo turno, eliminando o risco de Lula vencer no primeiro.

A MISÉRIA E A POBREZA – O assistencialismo pode ser uma solução de emergência. É natural. Mas, tanto a miséria quanto a pobreza somente podem ser combatidas com programas permanentes e efetivos de redistribuição de renda e valorização de salários. Não há outro caminho.

Aliás, está excelente o editorial de ontem de O Globo ao classificar o Auxílio Brasil como um retrocesso no combate à pobreza. O fato é que a extrema pobreza e a pobreza da população brasileira, de acordo com pesquisa do Banco Mundial citada no O Globo, cresceu nos últimos 12 anos.

As duas situações abrangem 32% dos habitantes e a diferença entre a miséria e a extrema pobreza, a meu ver, não existe. E a pobreza também é sufocante. Os auxílios assistenciais podem iludir em um primeiro momento, mas depois, como tudo na vida, excitam os beneficiários na busca de outros benefícios adicionais.

TITULARES DE PRECATÓRIOS –  Qualquer interrupção que ocorra na distribuição gratuita de algo reverte fortemente contra o autor da doação. Isso de um lado. De outro, para que o Auxilio Brasil se concretize, o que ainda não aconteceu pois não existe ainda um critério de distribuição do valor deste auxílio, é preciso levar em conta que há os titulares de precatórios atingidos fortemente pelo governo com nova protelação.

Não sou contra o combate à fome, evidentemente, mas sustento que tal encargo deva recair sobre os órgãos oficiais, sobre o Banco do Brasil, sobre  a Petrobras, sobre a Eletrobras, e não nos ombros de assalariados que tiveram os seus direitos adiados ao infinito.

ORÇAMENTO – O orçamento federal para 2022 fica na casa de R$ 1,5 trilhão, segundo o Ministério da Economia. Mas não é nada disso. O orçamento federal de 2021 é de R$ 3,6 trilhões e, pela lei em vigor, deve ser reajustado com base na inflação oficial. Então o orçamento não é de R$ 1,5 trilhão. De acordo com a lei, portanto, deve ficar bastante próximo em 2022 de R$ 4 trilhões. Isso é importante porque aí as despesas de custeio têm revelado o seu verdadeiro percentual no panorama financeiro federal.

Se considerado o orçamento de R$ 1,5 trilhão, as despesas de pessoal passam a representar uma percentagem muito maior do que a real. Estranhamento, mais uma vez, toco no assunto e peço até aos  jornalistas que ao citarem os percentuais informem sobre quais números absolutos eles incidem.

Outro aspecto que contesta as visões de sonho de Paulo Guedes. Rafaela Ribas, O Globo, revela que a produção industrial brasileira retraiu-se em outubro 0,6%, a quinta queda mensal seguida. O desastre é total.


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