
Charge do Alpino (Yahoo Notícias)
Jorge Béja
Quando a promotoria pública federal de Brasília decidiu não oferecer denúncia contra o ex-presidente Lula, ao entendimento de ter ocorrido a prescrição em razão das penas (penas concretas) a ele impostas, originariamente pela Justiça Federal do Paraná e pelos Tribunais, crimes pelos quais foi acusado, processado e condenado, no meu sentir a decisão da promotoria — certa ou equivocada, seja como for — retirou do ex-presidente a possibilidade de ver reconhecida e declarada a sua inocência pela absolvição.
Da forma como restou, o prejudicado foi o ex-presidente. Isto porque, doravante e para sempre. Lula será visto, tido e havido como o ex-presidente brasileiro que foi processado, foi condenado, foi preso e teve depois os processos e as penas anuladas e, muito mais tarde, se livrou das acusações-condenações, ainda que anuladas, pela estreita porta da prescrição.
FALTOU RECORRER – Não é honroso para um réu de uma ação ou de muitas ações penais, livrar-se das denúncias que contra ele foram oferecidas e das condenações a ele impostas, em consequência da prescrição. Ainda que prescrição penal seja matéria de ordem pública… Ainda que ação penal pública incondicionada seja prerrogativa do Ministério Público propô-la… Ainda que todo e qualquer processo na Justiça represente desgaste, apreensão, estresse e tudo mais que seja nocivo à saúde… Ainda que o ex-presidente pretenda concorrer às eleições presidenciais de 2022, Lula deveria recorrer da decisão da promotoria, decisão que contra ele não ofereceu nova denúncia em razão da prescrição.
Seria gesto de grandeza. Gesto de um inocente que restou condenado, que cumpriu pena, que teve os processos anulados, mas que não teve nova oportunidade de comprovar que sempre foi inocente e que nunca poderia ter sido condenado, em processo algum.
SEM FICHA SUJA – Seria o momento de “limpar” definitivamente seu nome e seu currículo. E livrar-se de condenações que restaram extintas e inexistentes por causa deste estreito instituto, ainda que legal, chamado prescrição..
Por que, então, Luiz Inácio Lula da Silva, não ingressa agora na Justiça com a ação “in reverso”?. Que acione e processe aquele ou aqueles que hoje Lula acusa de ter ou terem sido seu(s) algoz(es). Tem ele ao seu alcance a ação reparatória por dano moral, contra a União e seus agentes (magistrados e promotores) que atuaram em suas condenações.
Seria uma oportunidade de ouro para Lula comprovar sua inocência, visto que, fatalmente, ainda que a ação seja de natureza cível, tudo o que foi objeto de investigações e provas no processo criminal, ainda que anuladas, viria à tona no pleito indenizatório e o ex-presidente comprovaria e confirmaria que tudo não passou de “conluio”, de “armação” de “urdida trama” contra sua pessoa.
Com apetite e rumo certo, Sérgio Moro vai se firmando como nova alternativa eleitoral

Para se tornar político, Sérgio Moro teve de aprender a sorrir
Alberto Bombig, Camila Turtelli e Matheus Lara
Estadão
Um veterano de várias campanhas presidenciais explica o motivo de Sérgio Moro (Podemos) ter chacoalhado a chamada terceira via: “Até aqui, o ex-juiz está mostrando apetite e rumo”. Não é pouco para quem era considerado um principiante na política, especialmente quando comparado a outras alternativas de grande quilometragem eleitoral, como Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB), por exemplo.
As declarações de Moro combinam contundência e sentido estratégico, algo difícil de ser encontrado na pasmaceira do “centro”.
ALVO PREFERENCIAL – O ex-juiz escolheu Jair Bolsonaro com alvo preferencial, mas sem deixar de polarizar com Lula (PT). E a forte reação do presidente indica que ele sentiu o baque.
“Percebi boas condições de convergências. Interesse comum em ajudar o País a ter uma alternativa em 2022 à polarização instalada”, disse Eduardo Leite (PSDB) ao Estadão após o encontro que manteve com Sérgio Moro, neste sábado, dia 4, em Porto Alegre.
Do lado do PT, apesar de avançadas, as conversas de Geraldo Alckmin com o pessoal do campo da esquerda estão longe de chegar a um acerto definitivo, diz um participante das negociações. O cenário está tão aberto que o ex-governador pode sair de aliado de Fernando Haddad no plano nacional para adversário do petista na disputa pelo governo do Estado.
MDB LANÇA SIMONE – Em Brasília, a direção do MDB prepara o lançamento da pré-candidatura presidencial da senadora Simone Tebet, do Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira, dia 8.
A decisão, porém, enfrenta muita resistência. O senador paraense Jader Barbalho, por exemplo, tem dito a interlocutores que o MDB poderá indicar o vice de Lula.
Nas bancada do Sul, no entanto, o nome do pré-candidato petista não pode nem ser citado entre os emedebistas, que são muito divididos.