sexta-feira, novembro 26, 2021

Gilmar Mendes substitui Roberto Marinho como personagem mais influente do Hemisfério Sul

Publicado em 26 de novembro de 2021 por Tribuna da Internet

Lava-Jato ironiza Gilmar Mendes e diz que as críticas dele não passam de “devaneios” - Flávio Chaves

Charge do Pataxó (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não há a menor dúvida de que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, é um cidadão superdotado, capaz de se destacar não somente no serviço público, mas também na iniciativa privada, ao participar da sociedade de várias empresas e construir uma senhora fortuna. No Brasil e no mundo, precisamos admitir, não existe ninguém igual a ele – incomparável, inalcançável, insuperável.

O mais surpreendente é que a mídia não lhe faça justiça nem reconheça que Gilmar Ferreira Mendes – o menino mato-grossense do arraial do Diamantino – tenha se tornado o homem mais influente do Hemisfério Sul, onde o Brasil pontifica como maior e mais importante país. Enquanto viveu, Roberto Marinho ocupava esse espaço, que hoje é de Gilmar Mendes, pois a internet se encarregou de diminuir bastante a força da grande imprensa, vivemos outros tempos.

LIGADO AO PODER – Gilmar Mendes tem múltiplas habilidades e sabe exatamente como se ligar ao Poder. Vem trabalhando nisso desde o início do governo Fernando Collor, quando assumiu o setor Jurídico da Casa Civil e depois a Consultoria-Geral da República. De lá para cá agarrou-se ao Poder e jamais se afastou.

Sua ascensão definitiva ocorreu no governo Dilma Rousseff, quando percebeu o enfraquecimento do presidencialismo e concedeu a liminar impedindo que Lula da Silva assumisse a Casa Civil e ganhasse foro privilegiado.

No governo Michel Temer, seguiu defendendo a interferência do Supremo em assuntos internos do Executivo, a ministra Cármen Lúcia se empolgou e suspendeu o indulto de Natal dos presos e a posse da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) no Ministério do Trabalho.

SEMIPRESIDENCIALISMO – Foi em 2018, último ano do governo Temer, que Gilmar Mendes começou a articular o semipresidencialismo. Em 29 de maio, a Folha publicava o ministro alegando que “o presidencialismo de coalizão vigente no Brasil chegou ao esgotamento”.

Na verdade, tratava-se de um apelido para o velho parlamentarismo. O ministro defendia um presidente que não governasse, porém mantivesse importantes funções, chefiando as Forças Armada e as relações exteriores. As crises políticas se resolveriam no Congresso Nacional, e o presidente teria poder moderador para convocar eleições parlamentares.

Seu estímulo para mudar o regime foi o impacto da greve dos caminhoneiros. Na entrevista a Letícia Casado, da Folha, o ministro disse que há reivindicações justas, “que de fato precisam ser discutidas”, mas “não se justifica uma paralisação que leve o país ao caos”.

O CÉU É LIMITE – Daí em diante, a escalada de Gilmar Mendes foi impressionante. Seu poder era tamanho que soltava, por liminar, qualquer corruptor ou corrupto que caísse na sua relatoria, alegando que a economia não pode parar, enquanto o colega Marco Aurélio Mello libertava até megatraficante, em nome do garantismo das leis.

Na época, o ministro Luís Roberto Barroso até quis enfrentá-los e declarou que “no Supremo tem gabinete distribuindo senha para soltar corrupto”. Mas Gilmar não passou recibo. Ficou quieto, e vida que segue, diria João Saldanha.

Hoje, é outra realidade, Barroso já está tão enquadrado que foi o primeiro integrante do STF a defender o semipresidencialismo de Gilmar Mendes.

REI DOS BASTIDORES – De 1978 para cá, o menino de Diamantino se tornou o rei dos bastidores dos Três Poderes. Soltou presos à vontade, conduziu a libertação de Lula, afrouxou as regras contra corrupção, enfraqueceu o Coaf, cujo controle fiscal incomodava sua família e a de Toffoli, liquidou a Lava Jato, declarou uma suposta “parcialidade” do juiz Sérgio Moro e liberou Lula para substituir Bolsonaro, que não sabe jogar o jogo da forma como Lula já aprendeu.

Na semana passada, no megaevento que organizou em Lisboa, Gilmar chegou ao êxtase ao ver o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o ex-presidente do Supremo, Dias Toffoli, defendendo o semipresidencialismo.  Assim nem precisou dizer nada.

Como se vê, Gilmar, que gosta tanto de Portugal, deve ser tido como “bestial”. Ninguém conhece e domina o Poder como ele.

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P.S.
 – Assim que for aprovado o semipresidencialismo, que já existe na prática, a Tribuna da Internet vai lançar uma campanha que repõe a verdade dos fatos: “Chega de intermediários: Gilmar Mendes para presidente (ou primeiro-ministro, tanto faz…)”. (CN)


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